Projetar uma casa para uma arquiteta é tanto um desafio quanto um diálogo fluido. O desafio é fruto do nosso desejo em alcançar as expectativas e conseguir demonstrar com clareza todo sentimento e pensar o que está por trás de cada decisão tomada ao longo da jornada. A fluidez vem do vocabulário em comum, dos valores que compartilhamos acerca do conceito do belo e também de tudo aquilo que cria raízes na gente: os momentos compartilhados no lugar onde se convive.
E não apenas de “arquitetonês” construímos esse laço! Ouvimos histórias, vimos os olhos brilhando, a voz cheia de ansiedade em querer desfrutar logo do sonho, o sonho de morar, de criar memórias. Assim, num desafio alegre, procuramos ocupar cuidadosamente o lote onde uma frondosa árvore do Cerrado já fazia morada, surgindo então a Casa do Pequizeiro. E ele, o Pé de Pequi, vem com letra maiúscula mesmo, pois é a grande estrela, ou com flores de brancas estrelas, que se encontra no meio do lote e se fez nosso guia para nos apropriarmos do espaço.
A Casa do Pequizeiro ocupa um lote em declive que se faz sentir através de suaves desníveis dentro e fora da casa. Dois blocos, social e íntimo, estão conectados por uma passagem que se volta para o Pátio do Pequizeiro e pela piscina que funciona como extensão do jardim. Os blocos térreos se acomodam acompanhando o terreno que desce até o pomar. Alguns pontos de contemplação foram pensados para emoldurar a paisagem desde a entrada social: ao abrir a porta de casa, a vista se estende até o pátio.
Com telhado de duas águas em telhas cerâmicas, a estrutura da casa foi modulada para que todo o madeiramento fique aparente no interior dos ambientes, fazendo parte da composição da linguagem desejada: uma casa acolhedora onde se possa “ver chuva cair, sentados no sofá sob a luz amarela de um abajur”.
Seguindo esse conceito, os revestimentos se tornaram mais terrosos e com texturas mais fortes, tanto para o piso quanto para as paredes. A entrada da casa, e prolongando-se para a garagem, foi proposto piso rústico de pedra Miracema, também presente nas circulações externas. O espaço de convivência próximo à piscina, cuja função, além de abrigar os jogos de futebol e as reuniões de família, é também ser o ponto de integração entre o pátio interno da casa e a generosa área verde. Aqui se tem uma ligação física e visual intensa, criando um eixo de circulação.
Todos os ambientes da casa abrem-se para o exterior como um convite à vida ao ar livre. A sala de estar e jantar voltam-se para a varanda que recebe redes, agora presentes para tirar um cochilo ou desfrutar a beleza do pátio, e não mais para estudar. Escritório e quarto de televisão e hóspedes também acessam o jardim, deste último vê-se a piscina com seu revestimento em azul profundo. A cozinha oferece a possibilidade de acessar uma pequena horta.
Comentários
Este projeto ainda não tem comentários