“Com a chegada do inverno, o minuano bate à porta
Implacável e irredutível
O som o seu uivo, abafado pelos risos e pelos causos contados junto ao fogo
Desaparece aos poucos
E leva consigo
O que já não tem lugar para ficar
Para dias frios, corações quentes.”
No interior do Rio Grande do Sul, assim como tantas outras famílias, essa foi mais uma que se criou ao redor do fogo. O ato de cozinhar juntos, de se aquecer no fogão a lenha, de compartilhar o chimarrão e de acender a churrasqueira no primeiro sinal de algum motivo para comemorar, são atitudes características da família.
Ao longo dos anos, vários filhos dividiram a residência com o casal, até que cada um partiu para formar sua própria família ou para trilhar seu caminho em busca do que almejava para sua vida. Desse modo, ficam as lembranças e os quartos vazios.
O projeto surge para diminuir o trabalho diário de cuidar uma casa que hoje abriga apenas o casal, mantendo os espaços de encontro para toda a família junto das pessoas que sempre cuidaram dela. Os ambientes íntimos servem ao casal, enquanto o espaço social integrado serve a eles e ao restante da família em momentos de encontro.
Os espaços de fogo recebem destaque no projeto, justamente por tudo que o “estar junto ao fogo” representa no dia a dia das famílias em regiões com longos períodos frios e úmidos. A churrasqueira, ponto de encontro tradicional, se localiza entre a cozinha e o estar. Permitindo que para o bem e para o mal todos os presentes possam opinar no preparo do churrasco.
A sala de estar acontece num espaço circular rebaixado, com um elemento central que revisita o tradicional fogo de chão dos antigos galpões e traz a funcionalidade e praticidade das lareiras para criar um ambiente de conexão através do aconchego e do contato visual que todos podem manter estando ali. É quase... ou porque não dizer, a busca pela materialização de uma roda de chimarrão.
A partir desse contexto se desenvolve o projeto onde linhas contemporâneas se combinam com escolhas voltadas para a materialidade de resgate. As pedras com que se faziam as taipas das roças e dos riachos se tornam componente estrutural e estético, criando um plano de fundo cheio de cores e texturas. A madeira das antigas construções tradicionais trás o aconchego para dentro da casa nos mobiliários e no forro. A decoração com elementos tradicionais em palha e gravuras divide espaço com cepos de madeira, que por sua vez assumem múltiplas funções como banquetas e mesas de apoio.
Seguindo a mesma linha de pensamento, de explorar a materialidade do espaço de acordo com o que esses elementos já representaram ao longo dos anos para a família, se insere o revestimento Salt Lake Summer. Revestindo todo o piso da área social numa referência as antigas pequenas cerâmicas quadradas, sobre as quais foram arrastadas tantas cadeiras para rodas de chimarrão, de violão e de contação de histórias. Além do tamanho e do formato similar, esses dois pisos têm outra característica em comum, ambos têm tonalidades ótimas para disfarçar as pegadas do cusco que passeia pela casa.
#PROJETOSQUECONTAMHISTORIAS
Implacável e irredutível
O som o seu uivo, abafado pelos risos e pelos causos contados junto ao fogo
Desaparece aos poucos
E leva consigo
O que já não tem lugar para ficar
Para dias frios, corações quentes.”
No interior do Rio Grande do Sul, assim como tantas outras famílias, essa foi mais uma que se criou ao redor do fogo. O ato de cozinhar juntos, de se aquecer no fogão a lenha, de compartilhar o chimarrão e de acender a churrasqueira no primeiro sinal de algum motivo para comemorar, são atitudes características da família.
Ao longo dos anos, vários filhos dividiram a residência com o casal, até que cada um partiu para formar sua própria família ou para trilhar seu caminho em busca do que almejava para sua vida. Desse modo, ficam as lembranças e os quartos vazios.
O projeto surge para diminuir o trabalho diário de cuidar uma casa que hoje abriga apenas o casal, mantendo os espaços de encontro para toda a família junto das pessoas que sempre cuidaram dela. Os ambientes íntimos servem ao casal, enquanto o espaço social integrado serve a eles e ao restante da família em momentos de encontro.
Os espaços de fogo recebem destaque no projeto, justamente por tudo que o “estar junto ao fogo” representa no dia a dia das famílias em regiões com longos períodos frios e úmidos. A churrasqueira, ponto de encontro tradicional, se localiza entre a cozinha e o estar. Permitindo que para o bem e para o mal todos os presentes possam opinar no preparo do churrasco.
A sala de estar acontece num espaço circular rebaixado, com um elemento central que revisita o tradicional fogo de chão dos antigos galpões e traz a funcionalidade e praticidade das lareiras para criar um ambiente de conexão através do aconchego e do contato visual que todos podem manter estando ali. É quase... ou porque não dizer, a busca pela materialização de uma roda de chimarrão.
A partir desse contexto se desenvolve o projeto onde linhas contemporâneas se combinam com escolhas voltadas para a materialidade de resgate. As pedras com que se faziam as taipas das roças e dos riachos se tornam componente estrutural e estético, criando um plano de fundo cheio de cores e texturas. A madeira das antigas construções tradicionais trás o aconchego para dentro da casa nos mobiliários e no forro. A decoração com elementos tradicionais em palha e gravuras divide espaço com cepos de madeira, que por sua vez assumem múltiplas funções como banquetas e mesas de apoio.
Seguindo a mesma linha de pensamento, de explorar a materialidade do espaço de acordo com o que esses elementos já representaram ao longo dos anos para a família, se insere o revestimento Salt Lake Summer. Revestindo todo o piso da área social numa referência as antigas pequenas cerâmicas quadradas, sobre as quais foram arrastadas tantas cadeiras para rodas de chimarrão, de violão e de contação de histórias. Além do tamanho e do formato similar, esses dois pisos têm outra característica em comum, ambos têm tonalidades ótimas para disfarçar as pegadas do cusco que passeia pela casa.
#PROJETOSQUECONTAMHISTORIAS
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