Menu
Projetos e Obras
Busca

Conteúdo Design em pensamento

Tel Aviv – Um dos destinos mais interessantes e inusitados do planeta

07/10/2019

Uma contextualização histórica da cidade que será destino do próximo Coletivo Criativo da Portobello. Segura firme, que vai valer a pena a leitura!

Levando em consideração as constantes notícias sobre conflitos envolvendo nações em torno do Oriente Médio, é difícil entender como é possível que hoje em dia Tel Aviv – nome que significa Colina da Primavera – seja um dos destinos turísticos mais interessantes do mundo.

Para que a gente entenda o atual momento dessa cidade, é preciso compreender um pouco sobre a história de Israel. Apesar de esta ser uma das áreas mais desestabilizadas do planeta, vou tentar contextualizar da maneira mais simples possível.

Até o início dos 1900, a Palestina ocupava um território enorme e fazia parte do Império Otomano. Na época este era um lugar religiosamente diverso onde muçulmanos, judeus e cristãos viviam em harmonia.

Em determinado momento, o sionismo (movimento político que defende um Estado nacional judaico) fez com que, ao fim da primeira Guerra mundial, judeus de várias partes da Europa se mudassem para a Palestina – governada pela Inglaterra entre 1922 e 1948 – onde mais tarde foi declarada a independência do Estado de Israel.

Com a chegada de milhares de judeus à região, atritos com os árabes que habitavam aquelas terras foram intensificados. Nesse momento, as Nações Unidas aprovaram um plano dividindo a região em dois países distintos: um pertencente aos judeus (Israel) e outro aos árabes (Palestina).

Orla de Tel Aviv (Foto: Robert Brands)

Orla de Tel Aviv (Foto: Robert Brands)

Essa mudança gerou revolta em nações vizinhas como o Iraque, o Egito, a Jordânia, dentre outras. Alianças foram estabelecidas, Israel com o passar do tempo ficou com quase todo o território e, até hoje, paz nessa parte do mundo parece algo meramente utópico. Ocupações militares surgiram, organizações terroristas foram formadas e o debate sobre quem é dono dessa terra divide o mundo.

Com certeza o maior símbolo do país é Jerusalém. A complexidade histórica e religiosa desse lugar existe há milhares de anos e, até hoje, gera controvérsias não só em Israel, mas em todo o planeta.

Como disse no início do texto, não é mole acompanhar a evolução desse local. Mas segura firme que vai valer a pena.

Mencionei Jerusalém porque de certa maneira, o foco nessa cidade – uma das mais antigas do mundo – em parte, permitiu que Tel Aviv prosperasse de maneira menos conturbada. Durante a diáspora judaica, era muito mais simples se mudar para Tel Aviv que para Jerusalém, tornando este um local mais seguro, moderno, pacífico, almejado e próspero.

Arquitetura moderna atrai visitantes de todo o mundo

Arquitetura moderna atrai visitantes de todo o mundo

Hoje, esta é a cidade mais populosa do país com mais ou menos meio milhão de habitantes. É também o centro acadêmico, tecnológico e econômico de Israel. Nas últimas décadas, se tornou uma das noites mais divertidas do Oriente Médio, o que atrai em torno de 3 milhões de visitantes anualmente.

Desde quando foi fundada, em 1909, esta área foi construída com o intuito que fosse mais limpa, divertida e moderna que outras partes. A arquitetura foi inspirada em cidades como Odessa na Ucrânia, Warsaw na Polônia e, bem mais tarde, projetada de acordo com a visão de Bauhaus (a icônica escola de arte e design em Berlim responsável por mais de 4000 construções em Tel Aviv que começar a ser erguidas entre 1920 e 1940 graças a fuga de judeus alemães durante o nazismo). Este equilíbrio contrastante entre edifícios antigos, história secular e o modernismo, torna este lugar um dos mais intrigantes da atualidade.

Hotel Cinema Esther possui elegante estilo arquitetônico Bauhaus (Foto: Robert Brands)

Hotel Cinema Esther possui elegante estilo arquitetônico Bauhaus (Foto: Robert Brands)

Algumas décadas atrás, a UNESCO determinou que a arquitetura local era um patrimônio da humanidade por refletir um momento singular na história e tombou distritos inteiros.

Nos anos 1990, um outro evento impactou vários bairros. O fim das União Soviética fez com que dezenas de milhares de judeus russos – em sua grande maioria, com nível acadêmico alto, especializados em ciência, tecnologia, medicina, matemática e arquitetura – se instalassem em Tel Aviv fortalecendo ainda mais vários segmentos da cidade de uma maneira geral.

Hoje, além de boates conhecidas no mundo inteiro, Tel Aviv possui mais de 14 km de praias paradisíacas, dúzias de museus, hotelaria de primeira, culinária invejável, grandes mercados, mais de 380 dias de sol (chove pouco por essas bandas), é uma das capitais mundiais de novos start-ups (mais de 1500), é responsável pela maior parada gay da Ásia e do Oriente Médio é um lugar seguro, repleto de ciclovias, lojas descoladas e galerias, e, como se tudo isso não fosse suficiente, tem um povo absolutamente acolhedor. O turismo catapultou a economia local e exatamente por isso, visitantes são considerados um presente valioso.

Apesar de já ter visitado mais de 50 – ou 60 – países, confesso que Israel é uma das grandes lacunas do meu passaporte, por isso, meu incontrolável entusiasmo quando soube que iria acompanhar a Portobello em seus dias em Tel Aviv no próximo Coletivo Criativo (viagem anual em que a marca leva um grupo privilegiado de arquitetos para um destino específico com o intuito de criar uma peça ou coleção inspirada na experiência).

Que comece a contagem regressiva, e, como eles dizem por lá: Yalla!

Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *