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Marcelo Rosenbaum revelou como os projetos sociais passaram a fazer parte de sua carreira de arquiteto (Crédito: Archtrends)

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Projetos sociais e arquitetura dominam papo com Marcelo Rosenbaum no Podcast Archtrends

29/06/2022

Marcelo Rosenbaum foi convidado para o Podcast Archtrends. O arquiteto falou sobre seu Instituto A Gente Transforma, projetos sociais e muito mais

Marcelo Rosenbaum é um dos nomes mais conhecidos no cenário da arquitetura nacional. E ele se destaca também dentro da área dos projetos sociais. Afinal, à frente do Instituto A Gente Transforma, Marcelo já promoveu mudanças significativas em diversas comunidades.

Em bate papo no Podcast Archtrends, Marcelo comentou sobre sua carreira na arquitetura, os projetos sociais e vida pessoal. Quer saber tudo o que rolou? Siga com a gente!

Conchas de Sururu

Rosenbaum iniciou a conversa relembrando o projeto realizado em parceria com a Portobello e com vários outros participantes na criação do Cobogó Mundaú.

A ideia nasceu para aproveitar as conchas do Sururu, que geravam um resíduo de 200 toneladas em média por mês, afetando o bem-estar da comunidade do Mundaú.

“Essas pessoas do entorno viviam da cata do Sururu, mas esse não é um trabalho valorizado, então essas pessoas viviam à margem da sociedade. As conchas também tinham um grande custo para a prefeitura, que precisava retirar continuamente esse composto orgânico”, explicou Marcelo.

A partir da premissa de buscar novos usos para a concha surgiu o projeto, junto com a ONG local Manda Ver, o designer Rodrigo Ambrósio e o artesão local Itamacio dos Santos, que, de acordo com Marcelo, teve um papel chave no projeto.

“O Itamacio é um gênio. Ele fazia vasos com areia e cimento. Um cara inteligente, com uma articulação incrível. Então surgiu a ideia de inserir as conchas no processo que ele fazia com a areia”, explicou o arquiteto.

Case de sucesso

Depois de muitos testes, finalmente a equipe chegou à mistura adequada, capaz de garantir textura e deixar a furta-cor do Sururu evidente. Mas o cobogó só nasceu após um projeto no qual Marcelo estava trabalhando em Miami.

“Na mesma época, eu estava fazendo a loja da Farm, em Miami. E veio a ideia de criar um cobogó e de fazer isso com o sururu. Vendemos o cobogó para eles e começamos a produção com formas em ferro, de maneira bem caseira”, relembrou Rosenbaum.

A partir de uma postagem no Instagram do arquiteto, nasceu a parceria com a Portobello e sua fábrica de cerâmica em Alagoas, Pointer. “Fiz um post no Instagram e a Portobello me mandou uma mensagem para a gente comercializar o produto. A Portobello entrou de corpo e alma e hoje esse cobogó está em linha. É um case único que envolveu a comunidade e a indústria trabalhando juntas”.

O case foi tão incrível que, em abril de 2022, o cobogó Mundaú conquistou o prêmio IF Design Award, na categoria Produto. Esse é um dos prêmios mais importantes do mundo.

Festival Cultural

Antes do cobogó Mundaú ser criado, contudo, Rosenbaum organizou com a ONG Manda Ver um festival cultural. E o arquiteto relembrou esse momento no podcast. A ideia foi criar um concurso gastronômico de receitas com o sururu.

“Foi o Festival Mãe Lagoa Mundaú. Duas duplas de cada favela fazendo um prato. Convidamos os 5 melhores Chefs de Maceió para julgar. A cenografia foi toda criada pelas crianças, usando garrafas pet reaproveitadas”, comentou Marcelo.

Projetos Sociais

Além do trabalho com a comunidade Mundaú, Rosenbaum acumula experiência em diferentes projetos sociais, os quais ele lembra com muito carinho.

Um bastante marcante foram as Moradas Infantis Canuanã, desenvolvido em parceria com a Fundação Bradesco. O edifício moradia foi criado para abrigar 540 crianças e adolescentes na escola fazenda Canuanã, no Tocantins.

O projeto recebeu diversos prêmios, incluindo o RIBA (Royal Institute of British Architects) em 2018, considerado um dos prêmios mais importantes da arquitetura mundial.

“O que está lá hoje foi pensado com as crianças. A gente mostrava as referências e elas iam criando. E essa é a arquitetura que me interessa. Como a prática pode ser um lugar de educação e de inclusão. É dessa forma que tento atuar”, pontuou o arquiteto.

Instituto A Gente Transforma

Hoje, além dos trabalhos em arquitetura, Rosenbaum divide seus dias à frente do Instituto A Gente Transforma, que promove um movimento de transformações nas comunidades desde 2016.

No podcast, Marcelo lembrou o início dessa trajetória e da sua relação com as comunidades. “Nem sempre foi assim. Eu tenho muito privilégio, foram me dadas muitas oportunidades e eu sempre fui inquieto. Mas eu via como algo fora do meu trabalho”, comentou Rosenbaum.

Até que, durante um período em contato com uma ONG de Santos, ele teve um “estalo”. Ao conviver com uma pessoa que tinha uma rotina agitada e ainda conseguia se dedicar a projetos sociais, ele percebeu que poderia mudar a forma como vivia. “Eu disse que eu a invejava e queria ter uma vida como ela. Ela arregalou o olho e me disse ‘você não faz porque não quer’. E aí eu percebi, o que me segurava, afinal?”.

Foi assim que nasceu o Instituto A Gente Transforma. “Aí eu não fazia mais nada, eu fui de cabeça. Há 12 anos eu comecei e não parei mais. Teve um momento que eu realmente investi, eu mesmo fiquei bancando meus trabalhos e comecei a ficar só nas comunidades”, comentou Rosenbaum que, por um tempo, se afastou da arquitetura.

Após a pandemia, contudo, a situação mudou, e a arquitetura voltou a fazer parte da sua rotina.

Trabalho à frente das câmeras

Rosenbaum também lembrou o tempo que trabalhou como apresentador e de como essa possibilidade ajudou a ampliar a visão e a sua percepção para as diferentes realidades.

“Quando começou o Lar Doce Lar, era um dos primeiros programas que fazia essa transformação de moradias em lugares desfavorecidos. E eu comecei a trazer dignidade. Por isso, as pessoas achavam que eu era mágico, que fazia milagre. Mas eu só estava no meu lugar de estudo”, comentou Marcelo.

O programa virou um sucesso e, mais tarde, Marcelo também apresentou o Decora. Apesar dessa trajetória, ele não se vê de volta à televisão. “Eu me sinto à vontade nessa relação com a câmera, mas não me vejo fazendo isso hoje. Até posso voltar para a TV, mas meu lugar principal é com a comunidade”.

Vida de Arquiteto

No podcast, Marcelo também comentou sobre seu trabalho como arquiteto e como ele enxerga essa atuação em relação às comunidades e ao poder de transformar a sociedade.

“Sou um arquiteto de pontes. Mas não são pontes materiais. Sou um construtor de pontes imateriais. Meu trabalho está além do objeto. Está relacionado a essas idas e vindas, articulações, contatos, saber onde posso chegar”, explicou Marcelo.

Atualmente, em seus projetos arquitetônicos, ele integra os aprendizados e as criações dos seus projetos sociais. Itens que trazem ainda mais personalidade e exclusividade às suas criações e ajudam a construir uma visão diferenciada do Brasil também no exterior.

“Acabei de voltar de um projeto da Farm, em Paris. E o que tem lá? Tem estudos da Universidade Preta, trocadores que são casulos feitos em crochê por homens egressos do sistema carcerário, cestos que vêm de uma comunidade no Piauí, a parede toda com concha de sururu. Onde vou ter essa oportunidade de contar essa história?”, explicou Marcelo.

Para ele, a possibilidade de integrar esses mundos é, também, uma forma de espalhar energia.

“Todo objeto tem vida, tudo é energia. A gente que está se desconectando dessa energia. Quando a coisa é feita com a mão, com o coração, com as pessoas, essa energia emana”, pontuou o arquiteto.

Para finalizar o podcast, Marcelo contou uma curiosidade sobre si. “Eu sou tímido e adoro ficar em silêncio, sem fazer nada. Tiro um dia da semana para ficar assim, parado, sem fazer nada”.

Gostou de conhecer as inspiradoras experiências de Marcelo Rosenbaum? Confira o podcast completo no canal do Archtrends!

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