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Palácio Rio Branco deve virar hotel em Salvador

28/10/2019

Você conhece a história do Palácio Rio Branco? Entenda a importância dessa construção para a arquitetura, pintura e outras formas de arte no Brasil.

O Palácio Rio Branco é um monumento importantíssimo do Brasil. Originalmente construído no mesmo ano de fundação da cidade de Salvador, em 1549, a sua jornada de transformações é um ótimo guia para entender melhor a história do nosso país.

Porém, de uma construção quase intocável, o palácio pode se tornar um grande hotel de luxo, servindo como hospedagem para turistas e baianos que desejarem se concentrar no coração de Salvador.

Qual é a rica história do Palácio Rio Branco? E do que se trata esse projeto de hotelaria? Para responder essas perguntas, preparamos este artigo que fala sobre a primeira residência oficial dos governantes do Brasil.

Boa leitura!

Palácio Rio Branco em 2019

Palácio Rio Branco em 2019 (Fonte: LD – Notícias)

Início do Palácio Rio Branco

Quando o Brasil se tornou uma unidade política de Portugal, Salvador foi construída para ser a sua capital oficial. Com isso, o então governador-geral Tomé de Souza precisava de um local para ser a sua residência e o seu centro de administração.

Foi assim, em 1549, que surgiu o Palácio Rio Branco. No início, ainda de taipa de pilão, ele foi batizado como Casa do Governo. E como o governador-geral precisava de um local estratégico para comandar, o ponto de construção escolhido foi uma montanha em frente à Baía de Todos os Santos. Assim, do alto, Tomé de Sousa via a principal porta de entrada da cidade.

Já durante o governo de Mem de Sá, em 1558, o Palácio Rio Branco — ainda chamado de Casa do Governo — sofreu reformas bruscas, recebendo alvenaria de pedra e cal e uma nova torre para defesa.

O prédio se manteve como sede do Governo Geral até 1763, quando a capital do Brasil foi transferida definitivamente para o Rio de Janeiro.

Em 1888, um ano antes da Proclamação da República, o palácio foi completamente reformado, abandonando de vez muitos detalhes originais.

Já em 1890, pós Proclamação, o então governador da Bahia, Manuel Victorino, mandou demolir por completo o prédio, que foi reinaugurado em 1900, no governo de Luís Viana. Nesse ponto, a fachada deixou de exibir o estilo colonial português para contemplar o neoclássico francês, assim como a nova pintura e a decoração interna.

IIustração da Casa do Governo feita pelo holandês Hessel Gerritsz em 1627

IIustração da Casa do Governo feita pelo holandês Hessel Gerritsz em 1627 (Fonte: Salvador-Turismo)

Mudanças de nome

Se hoje o nome do Palácio Rio Branco é reconhecido e facilmente indicado por qualquer soteropolitano, no passado era um pouco diferente. O local já foi batizado com diferentes designações:

  • Casa do Governo (1549);
  • Palácio dos Vice-Reis e Vilhena (século 18);
  • Palácio do Governo da Bahia (século 19);
  • Palácio Rio Branco (1919).

Visitantes ilustres

Durante quase cinco séculos, o Palácio Rio Branco, além de abrigar diferentes governadores-gerais e vice-reis, recebeu inúmeros visitantes ilustres.

Ainda durante a construção original, o local serviu de estadia para os imperadores da época, D. Pedro I e D. Maria Leopoldina.

D. Pedro II e D. Teresa Cristina também se hospedaram no palácio durante uma visita à Bahia, em 1859.

Já no Brasil república, em 1968, foi a vez da Rainha Elizabeth II da Inglaterra ficar no palácio durante uma visita ao estado nordestino. Ela continua sendo a dona da coroa até os dias de hoje.

Vista da Cidade Baixa que os visitantes tinham ao se hospedar na antiga Casa do Governo

Vista da Cidade Baixa que os visitantes tinham ao se hospedar na antiga Casa do Governo (Fonte: Cidade-Salvador)

Destruições do Palácio Rio Branco

Por ter sido residência oficial dos governantes nacionais e locais, o Palácio Rio Branco foi alvo de diversos ataques ao longo da história, precisando ser reconstruído inúmeras vezes.

O primeiro grande ataque aconteceu no século 17, durante o governo Diogo de Mendonça Furtado, em uma das várias investidas da esquadra holandesa. Na época, a Casa do Governo, que já contava com dois andares, ficou quase em pedaços.

O ataque foi tão intenso que Diogo de Mendonça declarou rendição aos holandeses ainda dentro do palácio. O local só viria a ser reconstruído em 1663, com a intervenção do Rei D. Afonso VI de Portugal, já no governo de Francisco Barreto de Menezes.

Em 1912, com o Brasil já sendo uma república, o então Presidente Hermes da Fonseca mandou bombardear a cidade de Salvador em retaliação às críticas que o escritor e jornalista baiano Ruy Barbosa fez ao governo.

O Palácio do Governo foi o alvo principal, sendo atingido diretamente pelos canhões do Forte São Marcelo, que fica na parte baixa da cidade e bem em frente a ele.

Durante esse ataque, a Biblioteca Pública que funcionava no local e toda a ala esquerda do palácio foram completamente destruídas. Um acervo histórico de livros ainda foi incendiado.

A reconstrução começou no mesmo ano, assim que o governador Joaquim Jose Seabra assumiu o cargo. A obra durou cerca de sete anos, só sendo finalizadas em 1919, já no governo de Antônio Muniz Sodré de Aragão.

Ao ser reinaugurado, o local enfim recebeu o nome de Palácio Rio Branco, em homenagem ao estadista brasileiro Barão do Rio Branco.

Palácio Rio Branco em 1910, antes de ser bombardeado pelo próprio governo brasileiro

Palácio Rio Branco em 1910, antes de ser bombardeado pelo próprio governo brasileiro (Fonte: Salvador – Antiga)

Interior do Palácio Rio Branco

Mesmo com tantos bombardeios, incêndios e marcas do tempo, o Palácio Rio Branco conseguiu conservar várias peças originais no seu interior, como:

Sala dos Espelhos no interior do Palácio Rio Branco

Sala dos Espelhos no interior do Palácio Rio Branco (Fonte: Dicas do Nosso Brasil)

Além disso, o estilo rococó continua presente na Sala dos Espelhos. Já na Sala Pompeana, o visitante pode conferir afrescos dos séculos 19 e 20.

Outro ponto de destaque no interior do local é a estátua do fundador da cidade de Salvador e do próprio Palácio Rio Branco, Thomé de Souza.

O monumento todo em gesso foi feito pelo artista Pasquale De Chirico e se encontra na escadaria que leva ao primeiro andar.

Estátua de gesso de Thomé de Sousa feita por Chirico

Estátua de gesso de Thomé de Sousa feita por Chirico (Fonte: Commons)

Projeto de hotelaria

No dia 31 de agosto, o Diário Oficial do Estado (DOE) publicou a autorização do governo da Bahia para um estudo de viabilidade de um projeto de intervenção no Palácio Rio Branco. A liberação é para que o grupo português Vila Galé, dona de uma rede hoteleira, realize um trabalho de análise durante 90 dias.

Ao final do prazo, o conglomerado empresarial deverá informar se é viável uma reforma no local visando a instalação de um hotel de luxo. A ideia é que sejam construídos ainda três prédios juntos ao palácio.

O plano tomou forma após uma conversa entre o secretário de Turismo do Estado, Fausto Franco, e o grupo Vila Galé. O projeto completo visa a revitalização e recuperação do Palácio Rio Branco, bem como a construção de novas áreas.

No entanto, mesmo com a aprovação do governo local, muitos especialistas são contra a ideia. Os membros do Instituto de Arquitetos da Bahia, por exemplo, realizaram um abraço coletivo no prédio em protesto à sua privatização.

Enfim, não há como negar a importância do Palácio Rio Branco para a história do Brasil. A própria insatisfação dos profissionais de arquitetura com a atitude do governo demonstra a relevância do prédio em termos arquitetônicos.

De qualquer forma, a visita ao local é quase obrigatória para todo amante da literatura, pintura e arte em geral.

Que tal se inspirar na arquitetura da atual residência oficial da presidência do Brasil? Passeie pelas formas geométricas do Palácio do Planalto.

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