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Orientalismo: a fonte de inspiração do estilo escandinavo

14/09/2020

Há séculos, os ocidentais são fascinados pelo outro lado do mundo. Entenda o que é o Orientalismo e como ele se manifesta na arquitetura!

Há milênios que o Oriente nos fascina. Roupas, maquiagens, comportamentos, religiões e culturas que influenciam e, ao mesmo tempo, dão aquela impressão de mistério eterno; de algo que o Ocidente nunca será capaz de decifrar. O Orientalismo foi a maneira que o homem ocidental encontrou de classificar um conjunto de movimentos que inspiram diversas manifestações artísticas, incluindo a arquitetura.

Uma classificação pode não só simplificar, como também disseminar o seu sentido original. Desde quando foi popularizado como um campo de estudo, no século XVIIII, o Orientalismo estudou diversas civilizações sem distinguir as suas particularidades, como o Extremo Oriente, a Índia, a Ásia Central, o Oriente Médio e a África. Hoje temos acesso a inúmeras informações que vão além de observações empíricas.

Neste artigo, vamos entender mais sobre o Orientalismo e conhecer a linha Dansk, inspirada no minimalismo dinamarquês, que é uma herança do movimento. Confira!

O que é o Orientalismo

Batalha das Pirâmides, de François Waltteou. Para estudiosos, o Orientalismo era uma propaganda colonialista (Foto: Wikipédia) 

Batalha das Pirâmides, de François Waltteou. Para estudiosos, o Orientalismo era uma propaganda colonialista (Foto: Wikipédia)

Como movimento e campo de estudo, o Orientalismo foi uma temática artística e cultural dos séculos XVIII ao XX na Europa. Mas após ganhar particularidades institucionais, o seu marco histórico começa em 1810 e termina em 1890.

O Oriente começou a fascinar europeus pelo Império Otomano, hoje equivalente à Turquia. O império abrangia parte do Oriente Médio, do sudeste da Europa e do norte da África. As embaixadas ocidentais começaram a enviar pintores oficiais para registrar paisagens, culturas e encontros. Esse hábito foi além das fronteiras otomanas e se espalhou mar adentro para abranger a África do Norte, o Egito e o Levante.

Embora existam exemplos de antes do século XIX, o Orientalismo se refere à forma ocidental (especialmente de ingleses e franceses) de reproduzir cenas, cenários e motivos do Oriente, principalmente pintura, arquitetura e outras manifestações de arte naquela época.

Estereótipos

The Carpet Merchant, obra de Jean-Léon Gérôme, pintor e escultor academicista francês (Foto: Wikimedia Commons)

The Carpet Merchant, obra de Jean-Léon Gérôme, pintor e escultor academicista francês (Foto: Wikimedia Commons)

Alguns artistas até tinham a intenção de representar o Oriente de forma realista, mas a maioria dos europeus gostava de incrementar as suas obras com o suposto ar “exótico” vindo do outro lado do mundo. Essa inclusão de culturas e hábitos era feita de maneira genérica, sem respeitar a individualidade de cada país. Assim, o Orientalismo abarcou uma variedade de assuntos e gêneros — de ambientes domésticos a epopeias históricas e bíblicas.

No livro Orientalismo (1978), obra mais importante do crítico literário e cultural Edward Said (1935–2003), o autor afirma que a visão do Oriente como um local exótico e misterioso “foi quase uma invenção europeia… Um lugar de romance, seres exóticos, memórias e paisagens assombrosas, experiências notáveis​​”. Para ele, essa tentativa de diferenciação entre Oriente e Ocidente, representando os orientais como bárbaros, foi para justificar os interesses do colonialismo.

Em suas diferentes temáticas, as pinturas tentavam retratar o “exotismo” que tanto fascinava ou assustava os europeus. Portanto, estava presente em paisagens, cenas cotidianas, retratos, momentos violentos ou dramáticos. Os pintores também gostavam de mostrar as diferenças entre Oriente e Ocidente, principalmente retratando o primeiro como dono de uma cultura pura, afastada da vida moderna, o que também dava margem para uma representação bárbara e imoral.

Essa característica imperialista estava alinhada com campanhas de propaganda iniciadas pela Inglaterra e pela França, que despontavam como potências mundiais.

 Scene in the Jewish Quarter of Constantine, de Théodore Chassériau (Foto: The Metropolitan Museum of Art)

Scene in the Jewish Quarter of Constantine, de Théodore Chassériau (Foto: The Metropolitan Museum of Art)

Muitas imagens do Orientalismo têm cores ricas e solares, como laranjas, dourados e vermelhos, além do uso de luz e sombra, para criar uma sensação de calor e poeira desértica que os ocidentais gostam de associar aos orientais.

França

As mulheres de Argel, de Eugène Delacroix (Foto: Wikipédia)

As mulheres de Argel, de Eugène Delacroix (Foto: Wikipédia)

O Orientalismo, como um movimento de pleno direito, começou com a conquista do Egito por Napoleão Bonaparte em 1798 e sua ocupação do país até 1801, levando a um influxo de produtos egípcios na França, incluindo inspiração arquitetônica.

Além dos motivos e designs incorporados pelo Império Francês e pela Coroa Britânica, móveis e interiores de inspiração egípcia se tornaram moda entre as classes altas.

O design com influência egípcia também apareceu em monumentos públicos e detalhes de edifícios. Embora o estilo arquitetônico principal do período tenha sido o neoclássico, conectando França e Inglaterra ao Império Romano, a presença de elementos egípcios era constante, incluindo colunas de papiro, molduras de janela que estreitavam no topo e o uso de motivos, como a flor de lótus e a cabeça da divindade Hator.

Eugène de Beauharnais, filho adotivo de Napoleão e arqui-chanceler do Império Francês, acrescentou um pórtico egípcio à sua residência privada em 1807. Em 1815, Peter Frederick Robinson projetou o The Egyptian Hall em Londres. O estilo se espalhou pela Europa e pelos Estados Unidos e pode ser visto no complexo prisional da cidade de Nova York, chamado de The Houses of Justice, que foi construído no estilo egípcio renascentista.

Apesar de não ser propriamente um movimento artístico, o Orientalismo era formado por muitos pintores que poderiam ser classificados como acadêmicos. Eles criaram sociedades, como a Société des Peintres Orientalistes Français, para reunir artistas e ajudar no financiamento de suas viagens para o exterior.

Alexandre-Gabriel Decamps, Alfred Dehodencq, Jean-Léon Gérôme e Eugène Delacroix foram importantes artistas franceses que utilizaram temas orientalistas.

Divan Japonais, de Henri de Toulouse-Lautrec (Foto: Wikipédia)

Divan Japonais, de Henri de Toulouse-Lautrec (Foto: Wikipédia)

O Japão também influenciou bastante a França quando se abriu ao mundo ocidental após dois séculos de Sakoku, a política externa isolacionista do país.

A partir da metade do século XIX, as duas nações se tornaram parceiras militares, políticas e artísticas, por meio do que é conhecido hoje como Japonismo — influência da arte nipônica no Ocidente — e sua forte relação com o Impressionismo.

Um dos movimentos mais importantes e com forte inspiração japonesa e chinesa é o Art Nouveau, que inovou ao utilizar materiais orgânicos, xilografuras e técnicas artísticas nipônicas.

É também notável o Orientalismo japonês nas obras de artistas como Henri de Toulouse-Lautrec. Ele gostava de retratar a vida boêmia parisiense usando composições dinâmicas e contornos marcantes que parecem ter sido influenciados pelas gravuras japonesas.

Como o Orientalismo impactou a arquitetura

Na arquitetura, o que mais se destaca é o estilo revivalista neoislâmico de construção, que seguia a mesma característica do movimento — imitar aspectos de diferentes tradições arquitetônicas como a árabe e a otomana. Nesse caso, o objetivo era recriar o antigo estilo islâmico na Europa.

Alguns elementos comuns são os arcos, padrões geométricos, as “mesquitas” e os azulejos azuis. Muitas sinagogas seguiam esse estilo porque, na época, acreditava-se que a dominação islâmica na Península Ibérica durante a Idade Média correspondeu à era de ouro do judaísmo.

Royal Pavilion

O Pavilhão Real é uma residência real em estilo indiano localizada na Inglaterra (Foto: Geoff Henson)

O Pavilhão Real é uma residência real em estilo indiano localizada na Inglaterra (Foto: Geoff Henson)

O Pavilhão Real poderia ser confundido com um paço indiano, mas é, na verdade, uma residência real localizada em Brighton, na Inglaterra. O seu estilo mistura arquitetura indo-sarracena, gótica e chinesa, sendo um caldeirão de motivos e detalhes saídos da Índia, do Oriente Médio e da Ásia.

No final do século XVIII, o príncipe de Gales e futuro rei George IV alugou uma casa com vista para o calçadão de Brighton, para seguir o aconselhamento médico de aproveitar os benefícios de uma cidade litorânea.

George, que era amante do Oriente mítico, contou com a ajuda dos arquitetos Henry Holland e Peter Frederick Robinson para transformar a hospedaria em uma vila neoclássica conhecida como Marine Pavilion. O príncipe também começou a mobilar e decorar com móveis, objetos e papeis de parede chineses pintados à mão.

Já em 1815, George contratou John Nash para redesenhar o edifício no estilo indo-sarraceno no qual ficou conhecido. O arquiteto aproveitou a construção para sobrepor uma estrutura de ferro fundido que serviria para observar a bela vista da cidade litorânea e foi pioneiro no uso de vigas protendidas de madeira e nervuras laminadas para criar as formas marcantes. Outros materiais proeminentes na obra foram tijolo e estuque.

Nash se inspirou em Oriental Scenary (1795-1808), uma obra ilustrada em seis volumes de Thomas e William Daniell.

Atualmente, o Royal Pavilion é aberto para visitações educacionais e também para festas de casamento.

Escandinávia

Tons neutros e materiais marcam o minimalismo escandinavo (Projeto: Portobello S.A.)

Tons neutros e materiais marcam o minimalismo escandinavo (Projeto: Portobello S.A.)

Como visto, o Oriente influenciou bastante a arte europeia, mas muito mais com uma representação estereotipada. No entanto, essa inspiração não foi apenas simplória: alguns países transformaram o modo de vida oriental em arte e design.

A Península Escandinava, que compreende Dinamarca, Suécia e Noruega, recebeu influência do minimalismo japonês.

É notável a diferença do orientalismo acadêmico para o nipônico: enquanto o primeiro é muito marcado pelos mistérios do Oriente Médio e tem uma arquitetura mais chamativa, exuberante e até religiosa, o segundo é voltado para a simplicidade, clareza e o uso de materiais de origem orgânica.

Justamente por essas características, a arquitetura escandinava chama a atenção nos últimos anos. Como a península é um local frio e com dias de curta duração, todo o material usado tem como característica trazer claridade e aconchego ao ambiente.

Portanto, é fácil encontrar casas e apartamentos com:

  • tapetes, almofadas e quadros mais coloridos, contrastando com pisos e paredes claras;
  • janelas e portas de vidro (o sol atravessa o material e aquece o ambiente);
  • móveis multifuncionais (que deixam a residência mais minimalista);
  • mistura de cores neutras, estilos básicos e materiais;
  • muita madeira, couro e vidro;
  • formas geométricas;
  • paredes brancas.

Dansk: o Orientalismo em revestimentos

Revestimento da linha Dansk, da Portobello, agora também em tamanho 90×90 cm (Foto: Portobello S.A.)

Revestimento da linha Dansk, da Portobello, agora também em tamanho 90×90 cm (Foto: Portobello S.A.)

O Orientalismo atravessou fronteiras e chegou ao Brasil em revestimentos minimalistas, que reúnem pureza estética, funcionalidade e simplicidade formal.

Inspirada no minimalismo dinamarquês, uma herança refinada e aprimorada do movimento orientalista, a linha Dansk (“dinamarquês”), da Portobello, retrata de maneira original o estilo de vida nórdico. Toda a coleção foi criada pelo Coletivo Criativo, uma das iniciativas mais importantes da Portobello.

Dansk expressa o Hygge (pronuncia-se “rîgue” ou “hu-ga”), um conceito que se refere a tudo que possa proporcionar a sensação de conforto e bem-estar, principalmente para dentro de casa — já que, no inverno, os dinamarqueses têm apenas quatro horas de sol por dia e temperatura média de 0º C, mas não perdem o bom humor. Em 2019, o país foi considerado o segundo mais feliz do mundo.

A Portobello permite que você leve um pouco dessa felicidade para casa. Dansk reproduz uma superfície cimentícia minimalista e quase monocromática em tons aconchegantes, que traduzem a busca pelo essencial e o aconchego nos espaços de convivência. A coleção conta com revestimentos, acessórios, peças decoradas e de acabamento — e agora também com porcelanatos no tamanho 90×90 cm.

Coletivo Criativo

Uma das iniciativas mais importantes da Portobello, o Coletivo Criativo é uma oportunidade dada a um grupo de arquitetos de fazer uma cocriação com a empresa.

Por meio do Grand Prix, os profissionais viajam, conhecem locais estratégicos e estudam tendências de arquitetura e design pelo mundo.

Em 2018, os 21 arquitetos participantes do Coletivo Criativo apresentaram na Expo Revestir a coleção Dansk, inspirada na arquitetura e no cotidiano da cidade de Copenhagen.

O Orientalismo é um movimento que atravessa décadas e tendências. E se você quer ter um pedaço do Oriente na sua casa, conheça mais sobre a linha Dansk!

Foto de destaque: Palácio Vorontsov, na Ucrânia, criado no estilo neoislâmico, vertente do Orientalismo (Foto: Dan)

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