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Museu do Amanhã: veja os desafios e inspirações dessa obra

15/06/2018

O Museu do Amanhã já é parte do cenário arquitetônico do Rio de Janeiro. Mas você conhece bem a história e a arquitetura dele? Neste artigo, mais um da nossa série sobre grandes projetos brasileiros, você vai entender mais detalhes sobre essa obra marcante do arquiteto Santiago Calatrava. Confira!

A região portuária do Rio de Janeiro é bastante conhecida por ser perigosa e abandonada, tanto pela população quanto pela administração da cidade. Mas essa situação vem mudando. Atualmente, a área está passando por um processo de revitalização e, como parte desse projeto, surgiu o Museu do Amanhã.

O museu, localizado no Píer Mauá, é um monumento sustentável projetado para coexistir e não ofuscar os outros marcos históricos também presentes no entorno do porto, como o Mosteiro de São Bento, o MAR (Museu de Arte do Rio) e o Edifício A Noite. Além disso, ele visa trazer tanto a população local quanto os turistas para ocupar essa região, realizando programas culturais e educativos.

Neste post, vamos falar um pouco mais sobre o Museu do Amanhã, de autoria do arquiteto espanhol Santiago Calatrava — desde a sua idealização pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), em parceria com a prefeitura, até sua inauguração em 2015 e os impactos para a vida dos cariocas. Acompanhe!

A proposta de construção do museu no Rio de Janeiro

A proposta cultural do museu é levar conhecimento científico com linguagem acessível a um público diverso. A instituição se volta principalmente aos assuntos como história natural, tecnologia e sustentabilidade, provocando em seus visitantes uma reflexão sobre o futuro e os possíveis caminhos a fim de garantir um lugar melhor para as gerações seguintes.

De acordo com o site oficial da CDURP, “o Museu do Amanhã explora seis grandes tendências para as próximas cinco décadas: mudanças climáticas; alteração da biodiversidade; crescimento da população e da longevidade; maior integração e diferenciação de culturas; avanço da tecnologia e expansão do conhecimento”.

Seguindo essas diretrizes, foi organizada uma exposição permanente, com museologia do designer Ralph Appelbaum e direção de criação de Andres Clerici.

A mostra se divide em cinco áreas, cada uma delas derivada das perguntas que guiaram todo o processo criativo de produção do museu: “De onde viemos? Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? Como queremos ir?”. Essas perguntas deram origem às exposições Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhãs e Nós, respectivamente.

Além dessa exposição permanente, existem outras que podem ser visitadas nas diferentes salas do museu. A programação é variada, oferecendo exposições, oficinas e mostras de filmes, sempre com foco em ciência, no desenvolvimento sustentável e nas tendências para o futuro.

As exposições são inspiradoras, mas a própria estrutura do prédio já incita discussões. A construção é sustentável em todos os sentidos: desde a escolha dos fornecedores de materiais até o sistema de resfriamento que utiliza água filtrada da baía de Guanabara e depois a devolve ao mar, livre de resíduos.

As fundações do projeto começaram a ser feitas em 2010 e o prédio só foi inaugurado em 2015, custando um total de R$ 215 milhões.

O arquiteto: Santiago Calatrava

Calatrava é considerado um dos arquitetos mais importantes da atualidade. O espanhol é responsável por obras icônicas como a Cidade das Artes e das Ciências em Valência, o Complexo Olímpico de Atenas e a Puente de la Mujer de Buenos Aires.

Para o Museu do Amanhã, ele se inspirou em diferentes aspectos da cultura carioca. Por isso o prédio tem um formato longitudinal que lembra uma folha de bromélia, planta que chamou muito a sua atenção durante as visitas ao jardim botânico. Segundo ele, “a ideia é que o edifício fosse o mais etéreo possível, quase flutuando sobre o mar, como um barco, um pássaro ou uma planta”.

As características arquitetônicas marcantes

O projeto é completamente sustentável, e é uma arquitetura que pode ser lida pelas pessoas mesmo do lado de fora. Várias das plantas que compõem os jardins são nativas do Brasil — típicas dos biomas do litoral. A intenção é valorizar essas espécies, que já estão ameaçadas de extinção.

A água usada na refrigeração do edifício é devolvida limpa ao mar. Isso é uma demonstração singela mas muito significativa de cuidado com o meio ambiente.

O teto que se move de acordo com a posição do sol mostra que podemos tirar o máximo do que a natureza nos dá sem agredi-la.

E, por último, a forma como o museu aparece no horizonte da cidade, respeitando os outros prédios históricos de grande valor para a identidade do local, indica o quanto a tecnologia pode conviver bem com as tradições.

A luz natural é a protagonista no espaço interno do museu. Ele foi desenvolvido exatamente para que não haja necessidade de luz artificial durante o dia, e as paredes são brancas para aumentar ainda mais a claridade do lugar. À noite, as luzes de LED utilizam a energia armazenada durante o dia nos painéis solares que ficam no teto.

O telhado se estende por cima do espelho d’água e foi pensado com cuidado para ser capaz de resistir ao vento. A inclinação do teto é a mesma das rampas a fim de conferir um aspecto simétrico, que deixa a obra toda muito mais coesa e interessante visualmente.

O prédio em si é um grande conjunto de cimento, vidro e aço — materiais que, juntos, conseguem deixar o prédio com um ar moderno e ao mesmo tempo possibilitam dar forma ao design irreverente do arquiteto.

O significado do museu para os cariocas hoje

Atualmente, o Píer Mauá passou a ser referência para o turismo e já é considerado um dos legados das Olimpíadas de 2016.

O Museu do Amanhã é o símbolo desse processo de transformação da região do porto. Em oito meses de funcionamento, o museu já tinha chegado à marca de um milhão de visitantes. Esse número por si só já mostra como o projeto foi bem-sucedido e acolhido pelos turistas e cariocas.

O museu de ciências não trouxe apenas o conhecimento sobre as exposições que estão dentro dele, mas transformou todo o ambiente ao redor. Do lado de fora do museu, é possível andar de bicicleta em novas ciclovias, passear pelos parques e conhecer novas espécies vegetais.

Você pode entrar no site oficial do Museu do Amanhã e conferir a programação, comprar ingressos (verifique as possibilidades de meia-entrada e gratuidade) e descobrir como chegar. Lembre-se sempre de dar preferência ao transporte público ou às ciclovias, colaborando com toda a estratégia sustentável da instituição.

O passeio vale a pena para visitar não só o museu mas também toda a área do porto. Aproveite e conheça os outros espaços que compõem o circuito cultural da região, como o MAR e o Mosteiro de São Bento.

Além do Museu do Amanhã, existem outras obras incríveis de arquitetura no Brasil. Leia nosso Guia de Viagens: visite os quatro maiores projetos arquitetônicos brasileiros!

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