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Arquitetura Sensorial

12/07/2021

Caderno Ensaios EDTN 02 | Provocação aos sentidos. Arquitetura sensorial e as experiências únicas na relação entre ser humano e espaço.

Tocar. Ver. Cheirar. Provar. Ouvir. É na junção – e confusão – dos cinco sentidos que se forma a experiência humana. Apreendemos o mundo ao nosso redor de múltiplas maneiras, de várias perspectivas, que vão além do visual, inclusive e principalmente em relação às artes ditas visuais.

“As mãos querem olhar, os olhos querem acariciar”, escreveu Goethe. Os sentidos se misturam, um depende do outro. Captamos estímulos do ambiente ao nosso redor e assim compreendemos os espaços, as coisas, as pessoas.

A visão, claro, nos revela o mundo como ele é. E, na racionalização do conhecimento, talvez até nos esqueçamos da importância de tato, olfato, paladar e audição para experimentarmos a existência com a profundidade que ela exige.

A arquitetura deve ser, por essência, sensorial. Se a natureza exige todos os sentidos para ser compreendida – o cheiro da mata, o sabor da água do mar, a textura da areia -, por que seria diferente com o espaço construído?

Arquitetura sensorial é a disciplina que investiga como as pessoas experimentam e reagem ao espaço, consciente e inconscientemente. Cores, formas, texturas, odores, temperaturas. Vai muito além do desenho em duas dimensões. É a ciência humana do projetar.

Uma obra de arquitetura jamais poderá ser compreendida apenas por fotos, à distância. Um edifício não é uma imagem. É uma estrutura em três dimensões, para ser sentida de infinitas formas. Cada indivíduo terá sua interpretação sensorial. As sensações não são unânimes, nem uniformes. Estão ligadas à humanidade que habita em cada um de nós.

Podemos admirar obras de arquitetura que não conhecemos pessoalmente. Porém, a visita presencial inevitavelmente revelará surpresas. São as características sensoriais que oferecem o encanto. 

Cenários sensoriais
Superquadra Concreto Dobraduras Mix

A sensualidade das curvas das rampas da Bienal de São Paulo, de Oscar Niemeyer, convida as mãos pelo corrimão. A luminosidade que entra pela pirâmide de vidro do Louvre, de I. M. Pei, toca a pele de quem passa sob ela. O gelado do concreto do MET Breuer, de Marcel Breuer, parece tornar as obras de arte mais imponentes. Os veios dos mármores do Pavilhão Barcelona, de Mies Van der Rohe, agregam a complexidade orgânica da natureza às linhas retas do modernismo.

Na arquitetura de interiores, então, o sensorial é fundamental. É dentro de nossas casas, de nossos lares, que buscamos conforto, acolhimento, segurança. E, por que não, estímulos sensoriais – o pé descalço que sente a textura do piso, o aroma de uma vela queimando, o calor da lareira em um dia frio, a melodia da água que borbulha no fogão.

Os materiais da arquitetura são importantes em muitos sentidos: técnicos, estéticos, mas também sensoriais. Eles materializam as sensações. Podem ser mais ou menos condutores de calor. Abafar ou amplificar ruídos. E, principalmente, oferecem texturas para sentirmos com o tato. O toque do concreto, da madeira, da pedra, do mármore, do linho, da lã. Relevos que saltam de superfícies, em padrões uniformes ou surpreendentes.

Desenhos sinuosos, orgânicos, provocam a sensação de movimento. Irregulares como a natureza, sem bordas definidas ou caminhos previamente traçados, evocam as idas e vindas da vida. Evidenciam a profundidade do espaço.

Planos retos e desenhos geométricos, por sua vez, trazem a solidez do mundo mineral. A dureza das pedras esculpidas por água e ar, em milhões de anos da história do planeta, nos lembrando a potência da terra.

A alternância cria ritmo. Pode parecer aleatória, mas, na verdade, responde a um sistema matemático, na melhor tradição moderna. Painéis com paginação dinâmica estimulam visão e audição – como se tocassem uma música. Dentro e fora, acima e abaixo, vertical e horizontal.

Por outro lado, padrões que se repetem ad infinitum transmitem harmonia. O equilíbrio da continuidade, reassegurando confiança. A natureza em sua plenitude, capturada em um momento de calmaria. Relembrando o papel fundamental da arquitetura: refúgio.

Cenários sensoriais
Cenários sensoriais
Horizontes Jaipur Chandra

O que emociona na arquitetura são as sensações causadas por ela. Espanto, admiração, solenidade, acolhimento. E só podemos acessar esse repertório através do corpo. A arquitetura na escala humana – não apenas nas dimensões, mas elaborando o que sente uma pessoa. Ou os sentimentos que o ambiente gera nela.

A arquitetura deve provocar todos os sentidos humanos simultaneamente, ao mesmo tempo estimulando a vida e extrapolando a noção de indivíduo em nossa troca com o espaço.

Cenários sensoriais
Horizontes Zanzibar
Cenários sensoriais
Ms. Barcelona Acero

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