Menu
Projetos e Obras
Busca

Maquete do projeto OPPO, do escritório Zaha Hadid Architects (Fonte: Cortesia MAM Shanghai)

Conteúdo Colunistas

O papel das maquetes na arquitetura

25/04/2022

Utilizadas desde a antiguidade, elas continuam tendo importância e relevância no mercado de arquitetura, mesmo com o surgimento de novas tecnologias

Intimamente relacionada à história das construções, a produção de maquetes arquitetônicas remete à antiguidade, quando os primeiros modelos em miniatura foram elaborados por arquitetos e mestres de obras. Valendo-se de conhecimentos em carpintaria e escultura, eles utilizavam madeira, barro, cera e diversos outros materiais para experimentar como as formas seriam construídas – quase como crianças que brincam com blocos e massas de modelar. Todos os grandes arquitetos modernos trabalharam com maquetes. E, até hoje, apesar de tantas tecnologias emergentes, as maquetes físicas continuam sendo importantes, tanto para o ensino de arquitetura, como para o mercado. 

Detalhe de exposição de maquetes dos projetos do escritório Zaha Hadid Architects, ocorrida em 2021 no Museum of Contemporary Art Shanghai – Fonte: Cortesia MAM Shanghai

Maquetes dos grandes nomes da arquitetura

É impossível pensar em maquetes sem mencionar grandes nomes da arquitetura de todos os tempos, a exemplo de Antoni Gaudí, Oscar Niemeyer, Frank Gehry e Zaha Hadid, entre tantos outros. Não à toa, é comum ver maquetes famosas expostas em museus e mostras ao redor do mundo. “Muitos grandes arquitetos usaram e usam modelos, principalmente os que têm projetos muito complexos”, diz Arthur Hunold Lara, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. E não há muitas regras para isso. “Cada um elabora seus próprios métodos. Alguns preferem fazer no início, durante o processo de criação, outros fazem a representação no final, cada um usando os materiais que acham mais apropriados”, explica. 

Oscar Niemeyer e Gilberto Antunes em 1990, com maquete do projeto do Institute France Lusitane Miguel Torga – Fonte: Acervo pessoal/Gilberto Antunes (Foto: Paulo Romeu)

Oscar Niemeyer, por exemplo, um dos nomes mais célebres da arquitetura brasileira, contava com a parceria do maquetista Gilberto Antunes para imaginar seus projetos em três dimensões antes de serem construídos. “Nós nos conhecemos há cerca de 50 anos, quando um amigo nos apresentou”, lembra ele. “A primeira maquete que fiz para Oscar Niemeyer era para um projeto público da primeira antena via satélite do Brasil, mas ele não ganhou a concorrência. Depois disso, tivemos muita sintonia, ele gostou do meu trabalho e atuamos em parceria”, conta Antunes, que desde a infância tinha habilidades para artes manuais e viu nas maquetes uma profissão. 

O maquetista Gilberto Antunes e o arquiteto Oscar Niemeyer, trabalhando em parceria no projeto do MON, construído em Curitiba (PR) – Fonte: Acervo pessoal / Gilberto Antunes

“Só para o Oscar Niemeyer eu fiz mais de 350 maquetes ao longo de 40 anos. Ele criava os croquis e eu transformava em maquete. Com o modelo pronto, ele via se estava bom o projeto. Geralmente eram maquetes de estudo, mas eu fazia de tal maneira que ficassem adequadas também para a apresentação ao público”, revela. Entre as maquetes que mais gostou de fazer, estão os icônicos MAC, em Niterói (RJ), e o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR). Uma obra de arte que nasce de outra. 

Maquetes no estudo da arquitetura

“No contexto da formação dos arquitetos, a maquete é essencial porque precisamos capacitar os alunos e desenvolver neles as habilidades de percepção espacial. A maioria das pessoas não tem essa capacidade de leitura do espaço de maneira inata. Isso precisa ser aprendido”, explica Ana Paula Giardini Pedro, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas. Segundo ela, a maquete é um recurso ideal para que os estudantes entendam aspectos sensoriais dos ambientes que se propõem a construir. “Fotografias, desenhos e representações eletrônicas não conseguem transportar a pessoa para o espaço da mesma forma que a maquete faz, de maneira palpável”, sintetiza a professora. 

Em outras palavras, as representações visuais dos espaços, quando estão planificadas (seja em tela de computador ou papel), não são capazes de despertar nos indivíduos a mesma percepção e consciência do espaço que as representações físicas alcançam. “É claro que os exercícios de desenho são importantes e têm caráter formativo também, mas as maquetes são indispensáveis para estudar questões como proporções, aberturas e iluminação”, diz Ana Paula. 

Exposição de maquetes dos projetos do escritório Zaha Hadid Architects, atualmente no Hong Kong Design Institute (HKDI) – Fonte: Cortesia de HKDI

Na prática da profissão, porém, muitos arquitetos já não recorrem mais às maquetes físicas tanto quanto no passado. “Para o profissional que está mais treinado, é possível simular todos os aspectos ambientais com recursos eletrônicos. Há muitos softwares para isso, apesar de serem menos táteis que a maquete”, afirma a professora da PUC-Campinas. “Porém, para muitos clientes que são leigos no assunto e têm pouca percepção espacial, a compreensão dos projetos apenas a partir de imagens planificadas pode ser difícil, por maior que seja o realismo delas”, pondera. Não à toa, Ana Paula diz que é comum clientes comentarem que apenas ao pisar na obra entendem de fato as propostas de um projeto. 

Maquetes no mercado imobiliário

Se por um lado os escritórios de arquitetura recorrem cada vez mais aos modelos eletrônicos de representação de projetos, por outro, é válido lembrar que ainda existe um mercado de maquetes físicas bastante aquecido: o dos grandes empreendimentos imobiliários e projetos urbanísticos. É a este universo que se dedicam empresas como a Andrade Maquetes, que há 25 anos atua no ramo. “A maquete é o que mais se aproxima do produto final proposto pelas construtoras. Se levarmos em consideração que os clientes talvez não consigam entender apenas as plantas, a maquete cumpre um papel importante para vender algo que ainda não saiu do papel”, diz Edilson de Andrade, fundador da empresa que atende desde grandes empreendimentos imobiliários até projetos urbanísticos públicos. 

“Uma boa maquete não precisa ser explicada. Ela pode ser compreendida de maneira clara por si só, desde os acabamentos que serão utilizados até a posição em relação ao entorno”, afirma Andrade. Até mesmo os corretores de imóveis se beneficiam das maquetes para entender melhor o projeto que estão vendendo. “Eles comentam que sentem mais segurança para falar sobre as unidades de apartamentos, por exemplo. Conseguem orientar o cliente sobre posicionamento, melhor vista, questão de incidência solar, entre outros esclarecimentos”, diz. 

Andrade revela ainda que os próprios arquitetos dos empreendimentos costumam rever detalhes e mudar alguns pontos após analisarem o projeto materializado na forma de maquete. Com uma equipe de 70 pessoas, a Andrade Maquetes produz os modelos utilizando os mais diversos materiais, como acrílico, MDF e plásticos em geral. Os maquetistas são pessoas com aptidões manuais, que gostam de trabalhos artesanais. “Cada vez mais estamos empregando recursos tecnológicos, como iluminação e automação das maquetes”, diz.

Mostra UNLTD 2022

A 3ª edição da Mostra UNLTD trará oito maquetes de formato 120×120, em escala 1/10, com projetos de: Martin Corullon (Metro Arquitetos), Mila Strauss (MM18 Arquitetura), Gabriela de Matos (Arquitetas Negras), Alex Atala, Mariana Maran (Oka Arquitetura), Carlos Carvalho (Studio Roca), Rodrigo Ohtake e Paola Navone. A live de lançamento acontecerá no dia 3/5 no site da Portobello. 

Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *