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Japonismo, decoração

Estilo decorativo une o que há de melhor entre o escandinavo e o oriental, traduzido em peças, cores e muito mais (Foto: Pexels)

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Japonismo: fique por dentro da tendência do minimalismo japonês

23/06/2021

Conheça o japonismo, a tendência de decoração que une o minimalismo japonês e o aconchego escandinavo para criar ambientes!

O encontro do Japão com o mundo e a incorporação do estilo japonês nas artes ocidentais. Esses são dois aspectos que deram origem a um estilo: o japonismo. Manifestado há vários anos no design de interiores, ele ganha cada vez mais adeptos em um mundo moderno.

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O mundo é plural. Mesmo as culturas mais fechadas para a globalização, hora ou outra, se abrem para o diferente. É o caso da decoração oriental, que, de uma abertura gradual de fronteiras e pensamento, fez surgir um estilo que ganhou o universo da arquitetura.

Neste artigo, viaje até o extremo oriente para conhecer as fontes do japonismo, essa tendência que se prova atual e combina com a busca de novos estilos de vida!

O que é o japonismo?

O japonismo é uma união de estilos escandinavos e japoneses na arquitetura e no design de interiores. As principais fontes são, respectivamente, o Hygge e o Wabi-Sabi.

Do Hygge, o japonismo herdou a busca por conforto e bem-estar, por meio de ambientes aconchegantes e neutros.

Já do Wabi-Sabi, o estilo elege o minimalismo como ponto alto, seguido de um intenso uso de elementos naturais.

Assim, o japonismo é, antes de uma tendência muito forte identificada pelo Pinterest Predicts, a busca por um estilo de vida.

Japonismo, estilo minimalista
O japandi busca bem-estar, maior contato com a natureza e aproveitamento do natural nos ambientes (Projeto: Portobello S.A.)

Como o japonismo surgiu?

Antes de ser o aclamado japonismo, esse estilo começou como uma tentativa do mundo em entender o Japão.

Em outras palavras, foi uma imersão de países ocidentais na cultura japonesa, a partir do pouco que se conhecia de lá.

A reclusão japonesa

O motivo de o japandi ter iniciado como um movimento quase que especulativo é que, durante centenas de anos, o Japão esteve fechado para o mundo. E isso quer dizer em todos os aspectos: dos econômicos aos turísticos.

Essa barreira, imposta no país durante o período Edo — de 1639 a 1858 —, trouxe consequências culturais internas e externas.

Do lado de dentro, a cultura japonesa se solidificou, pois a sociedade era 100% dependente dela própria. Lá fora, o mundo avançava em várias direções e buscava entender esse arquipélago oriental, especialmente seus costumes e sua arte.

Nesse período, alguns artistas japoneses começaram a produzir artes em quadros que relatavam o cotidiano da sociedade japonesa. Elas mostravam, em poucas linhas, um só plano, cores neutras e cenários da natureza, a vida dos japoneses.

Japonismo, Monte Fuji
Monte Fuji e arredores exemplificam a postura isolada que o Japão adotou durante centenas de anos (Foto: PxHere)

A abertura para outros países

Contudo, tais artes não tiveram boa recepção no próprio país. Resultado: quando elas passaram a ser exportadas à Europa, ganharam o gosto e as galerias de países como Inglaterra e Holanda.

É nesse momento que o Japão começa a se incorporar a outras culturas e ser expresso, para além das telas, na arquitetura e na decoração de interiores.

Quais são os princípios do japonismo?

Japonismo, planta decorando interior
Há um norte a ser seguido quando se pensa em decorar ao perfil japandi (Projeto: Portobello S.A.)

Como vimos, a fusão entre os estilos Hygge e Wabi-Sabi deu origem ao japonismo.

Veja os princípios desse estilo:

  • valorização do imperfeito: no japandi, o manual e o que é considerado um defeito estético é valorizado. Ele se aproveita de imperfeições para criar, como as porcelanas recobertas com ouro do estilo Wabi-Sabi;
  • clima que transmita aconchego: tudo deve convergir para criar um clima de bem-estar, em que as pessoas que vão usar um espaço, seja por muito ou pouco tempo, se sintam acolhidas;
  • busca pelo equilíbrio: nada é por acaso no japandi, seguindo com fidelidade a moderação e o calculismo de artes orientais, como a pintura com traços finos e precisos;
  • o natural como meta: plantas, árvores, canteiros e peças artesanais em tecidos, porcelana e argila são vitais para a manutenção do japandi;
  • minimalismo japonês: sempre o menos é mais, partindo do layout do ambiente, passando pela paleta de cores e chegando às plantas.

Qual é a influência que o japonismo imprimiu no mundo?

Com os anos, o japonismo se enraizou em diversas expressões artísticas. Música, pintura, literatura, moda e muitas outras foram influenciadas pela cultura do Japão.

Música

O músico Maurice Delage morou no Japão entre 1911 e 1912. De lá, ele trouxe a poesia japonesa para suas composições em parceria com Igor Stravinsky. Então, o criador russo fez, em 1913, a obra Três Poemas da Lírica Japonesa.

Pintura

O pintor simbolista Gustav Klimt fez a obra O segundo Retrato de Adele Bloch-Bauer, em que se observa os traços simples e o uso de um só plano.

Essa obra demonstra a influência, entre outras criações “japonistas” de Klimt, das pinturas japonesas nas artes ocidentais.

Literatura

Escritores franceses como Victor Hugo e Charles Baudelaire se inspiraram na simplicidade das artes japonesas para ir na contramão do classicismo, que é rebuscado.

Para além de se inspirar na estética japonesa, esses e outros escritores também buscaram o olhar oriental para criar.

Moda

A partir do século XIX, o quimono entra na cultura ocidental, especialmente em países como Holanda, França e Inglaterra.

Basicamente, o uso da roupa tradicional se dividia entre servir de roupão e também para um uso casual pelas elites.

Como aplicar o japonismo em projetos?

Para evocar o espírito do japandi em diferentes projetos, há muitos caminhos que podem ser tomados. Seguindo os princípios do estilo, não há espaço para o erro, até porque o imperfeito pode ser usado como mote.

Usar madeira em tons claros

As madeiras em cores claras podem ser usadas com moderação. De preferência, peças em estilo neutro, sem tantas curvas e detalhes. Seguir o lado mais natural é sempre a melhor ideia.

Japonismo, pratos de madeira
Artigos em madeira lixada ou polida, com uma leve camada de selante para protegê-los em locais que tomam luz solar, são perfeitos para o estilo (Foto: Pexels)

Decorar com plantas

No japonismo, as plantas merecem sempre um lugar de destaque.

Não há regras para o uso de espécies folhosas ou florais para que elas sejam consideradas um verdadeiro japandi. A receita é usar o bom senso e o equilíbrio.

Vasos pequenos para áreas menores e peças grandes para espaços amplos, cores claras e vegetações que combinem com a personalidade dos moradores são algumas dicas.

Mas a principal dica não pode ser esquecida: as espécies devem ser usadas em ambientes que ofereçam as condições adequadas para que elas fiquem vistosas.

Fazer arranjos florais

Seguindo a premissa da necessidade de plantas para os ambientes, os arranjos florais são perfeitos para o estilo japandi. Técnicas como a Ikebana e a Kokedama ganham espaço.

Japonismo, ikebana
Esses décors são usados em proporções menores, para destacar ou complementar uma área com um toque peculiar (Foto: PxHere)

Aplicar tons terrosos

Os tons beges, marrons, alaranjados, amarelados e esverdeados sempre favorecem o japonismo, reforçando a ideia de um projeto natural.

Há a grande vantagem de as peças em madeira e os arranjos de plantas carregarem esses tons naturalmente.

Já para seguir essa linha em outros artigos, use revestimentos, tecidos, objetos etc em diferentes tons dessa paleta.

Moderar nos elementos

O minimalismo japonês determina a quantidade de itens no décor. Nesse sentido, aplicar poucos elementos no ambiente  mesmo que ele seja bem amplo é essencial.

A busca pelo bem-estar deve guiar a escolha de cada elemento que vai compor o projeto. Portanto, para além do mobiliário e dos artigos de décor, é preciso evitar peças que preencham os espaços sem necessidade.

Dar espaço para bastante luz natural

A iluminação natural desempenha diversos papéis no japonismo; todos eles são contemplados ao mesmo tempo com um bom aproveitamento da luz solar.

A busca por bem-estar, a iluminação para as plantas e a valorização de um espaço que preza pelo natural são uma espécie de tríade que exige a luz do sol.

Japonismo, luz natural
Para conquistar boa iluminação natural, invista em janelas e outras aberturas (Projeto: Portobello S.A.)

Ousar com artigos artesanais

Cordas de sisal, fibras de coco, bambu, argila, barro e outros materiais naturais trabalhados à mão devem fazer parte de uma decoração japandi. A incorporação desses elementos valoriza o encontro com a natureza que o estilo propõe.

Preferir têxteis em tons neutros

Cortinas, tapetes, mantas, almofadas e jogos de cama devem acompanhar a atmosfera do ambiente. Priorize tons neutros e terrosos na escolha dos têxteis.

As sensações de acolhimento e aconchego que o japandi promove são, em boa parte, trazidas por esses artigos. Portanto, pesquisar peças que sigam esse conceito durante a elaboração do projeto é o que há para atingir a excelência.

O japonismo mostra que as culturas se entrelaçam e podem criar coisas incríveis. E na arquitetura e na decoração de interiores, pode-se dizer que o encontro do ocidente com o oriente chegou em seu ápice, culminando na busca das sociedades atuais: bem-estar, qualidade de vida e conforto.

Mergulhe mais fundo no estilo japonês. Conheça características da arquitetura japonesa que vão inspirar você!

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