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Ikebana em vaso colorido

A Ikebana faz desabrochar o que está adormecido, escondido e reprimido dentro de nós, por meio do caminho de uma arte que preza pela harmonia (Foto: Unsplash)

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Ikebana: inspiração japonesa para arranjos florais na decoração

07/06/2021

Neste artigo, conheça a Ikebana, a arte japonesa de arranjos florais que dá vida nova aos ambientes e, é claro, às pessoas!

Vivificar por meio de uma construção manual e harmônica de plantas. Essa é uma premissa da Ikebana, um estilo de decoração floral que ganhou, pelas mãos dos japoneses, longevidade. E o conceito é, além de decorativo, um guia de encontro consigo.

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Poucas flores, folhas e ramos. Tudo isso esbanja vida e decora espaços de maneira singular, junto a um vaso que combina perfeitamente. A Ikebana é assim: um arranjo floral minimalista, mas que ganhou, ao longo do tempo, estilos arrojados.

Neste artigo, você vai descobrir tudo sobre a Ikebana, a escola de arranjos florais que faz brotar em você harmonia, a relação com as plantas e um novo olhar sobre a vida!

O que é a Ikebana?

Ikebana em vaso estreito
A Ikebana é uma arte de arranjos florais que tem como ideais trazer à tona a harmonia interior, estabelecer maior contato com as plantas e compreender a vida (Foto: Unsplash)

Ike quer dizer “arrumar”, “ajeitar” ou “tornar vivo”. Bana significa “flor”. Essa união de palavras dá o contexto e o conceito que sustentam a Ikebana, formando os arranjos de flores que dão vida aos ambientes e às pessoas.

Nessa arte floral japonesa, que começou em outro país para só depois ser difundida e aperfeiçoada no Japão, o intuito sempre é vivificar sensações, relações e emoções.

Assim, Ikebana é, antes de uma arte decorativa, um caminho para entender aspectos da natureza, fazer brotar a sensibilidade humana e se reconhecer na essência.

Fazer desabrochar o que está adormecido, escondido e reprimido dentro de nós, por meio do caminho de uma arte que preza pela harmonia.

Dessa maneira, a Ikebana trabalha o emocional, criativo e sensorial humano para desenvolver os arranjos. Portanto, é uma forma de terapia por meio do contato com as plantas.

Qual é a história da Ikebana?

Ikebana em vaso baixo
As escolas japonesas de Ikebana têm formas próprias de conceber as decorações vivas, mas seguem os mesmos princípios históricos (Foto: Unsplash)

A Ikebana tem sua origem na Índia, país onde predomina o hinduísmo. Lá, as pessoas ofertavam flores e arranjos a Buda, como forma de agradecê-lo ou como um pedido para a iluminação espiritual.

Mas a Ikebana ainda não era da forma como é hoje. Da Índia, a arte floral foi disseminada para outros países do Oriente, como a China e o Japão. E foi nesse último que as flores encontraram seus maiores “cuidadores”.

No Japão, a Ikebana ganhou mestres e escolas que contribuíram para o desenvolvimento dos arranjos florais tais como eles são hoje.

Quais são os princípios desta arte floral japonesa?

A Ikebana tem alguns princípios que a regem, seja em qual escola for. Eles não devem ser levados como regras rígidas, mas sim como formas de alcançar os melhores resultados em todos os âmbitos dos arranjos florais.

Criar uma peça harmoniosa pensando no volume e na profundidade

Os arranjos florais de Ikebana são pensados como peças de arte vivas. Assim, o tamanho de cada flor, folha e ramo deve ser ajeitado em escala, para criar um efeito de profundidade e volume.

Ikebana em vaso escuro
As escolhas do vaso e das dimensões devem ser parte intrínseca desse jogo, para obter um efeito ponderado ou maximizado, de acordo com o estilo de Ikebana (Foto: Unsplash)

Seguir as estações do ano

A Ikebana preza especialmente por usar flores, folhas e ramos da estação. Assim, essa arte leva ao pé da letra o seu conceito de vivacidade, aproveitando o período em que as plantas estão mais vistosas.

Com esse pilar, a Ikebana tem um pé na sustentabilidade, uma vez que usa apenas as plantas que estão em abundância. Esse cuidado na hora de colher as espécies, em pequenas quantidades e em sua melhor época, preserva a natureza.

Um aspecto importante no momento de colher as espécies tem a ver com as flores. Elas não devem ser pegas totalmente desabrochadas e nem fechadas por completo. O ponto ideal é colhê-las em um meio-termo, para que sua vida seja perene.

Trazer vida e beleza ao espaço com harmonia

O local onde a Ikebana é colocada deve ter a área perfeita para que ao arranjo ganhe destaque e dê vida. Assim, ela não deve ficar perdida em meio a outros arranjos, muito menos destoar do entorno.

Não mexer na Ikebana depois de pronta

Uma vez feita a Ikebana, ela não deve ser mexida. Esse princípio mostra que a beleza do arranjo deve ser natural. A própria planta se ajeitará durante sua vida no vaso.

Ikebana em móvel de madeira
Qualquer interferência de lugar ou ângulo dos ramos e das folhas prejudicará o ciclo de vida das plantas, estragando a peça e o conceito de harmonia (Foto: Unsplash)

Ser cortada sempre dentro d’água

Para manter o aspecto e a longevidade do arranjo floral, a Ikebana ensina a fazer o corte dos caules das plantas sempre na água.

Esse cuidado com os ramos provoca menos “sofrimento” nos vegetais e ajuda a manter a saúde deles por mais tempo.

A escolha e o corte do ramo, antes de serem levados à água, só devem ser feitos no momento em que a Ikebana será montada. Assim, as plantas devem ser imediatamente vivificadas pela água.

Conectar o céu, o homem e a Terra

O princípio essencial da Ikebana é representar e conectar, por meio dos arranjos florais, o céu, o homem e a Terra.

Dessa maneira, os arranjos devem constituir uma harmonia dentro do formato que cada pessoa confere à sua Ikebana, seja de qual estilo ela for.

Harmonizar o vaso ao arranjo floral

Na Ikebana, o vaso é considerado uma peça tão importante quanto os outros elementos que compõem o arranjo. Assim, o vasinho, seja ele de porcelana, vidro ou outro material, deve ter harmonia com o estilo decorativo concebido.

Na cultura japonesa, a cerâmica é um material empregado há séculos em utensílios de casa e várias artes. Logo, fazer uma Ikebana com um vasinho nessa matéria-prima é manter uma herança cultural e a originalidade oriental do arranjo.

Quais são os estilos de Ikebana?

Ikebana em vaso de vidro
A Ikebana se ramifica em diversos estilos que, juntos, dão o conceito, o corpo e os ensinamentos que essa arte floral se propõe a evidenciar (Foto: Unsplash)

Veja os principais estilos de Ikebana e suas características:

  • Shoka: traz o conceito da união de céu, homem e Terra por meio de ramos estrategicamente ajeitados em estilo decrescente. O céu sempre representa a parte mais alta, enquanto o homem, o meio, e a Terra, o mais próximo do vaso. Representa a renovação constante;
  • Sanguetsu: é a Ikebana que desenvolve o conceito mais natural possível, permitindo arranjos rústicos. Exalta a beleza natural das plantas, sem muitas interferências do homem;
  • Nageirebana: é um estilo que demonstra a fluidez dos arranjos e das flores por meio de montagens que prezam pela delicadeza, mas sem abrir mão da experimentação;
  • Rikka: é sinônimo de beleza e presença. Usada em festas e eventos, tem como base o uso fixo de nove ramos, para simbolizar os elementos da natureza;
  • Jiuka: conceitua a liberdade das flores, sendo a Ikebana mais autoral entre os estilos existentes, pois permite a criação de arranjos dos tradicionais aos modernos;
  • Sogetsu: inclui, além do tradicionalismo da Ikebana em sua forma mais pura, o uso de materiais novos, como pedras, metais, cascas de árvores etc;
  • Ikebono: é o estilo de Ikebana mais antigo de todos, trazendo o culto aos deuses como principal motivo para os arranjos;
  • Ohara: é o estilo que coloca flores, folhas e ramos montados uns em cima dos outros, sempre de forma harmoniosa;
  • Moribana: representa diversas flores em cima umas das outras, gerando volume e cores em abundância.

Quais plantas usar na Ikebana?

Ikebana com flores
Quanto mais você variar no uso de plantas, a tendência é a de que o resultado seja diversificado e de alto destaque (Foto: Unsplash)

A Ikebana é ilimitada quando o assunto é a escolha das plantas que farão parte de um arranjo.

A única dica a seguir, além do próprio conceito de atingir a desejada harmonia dessa arte, é usar as espécies em suas sazonalidades.

Portanto, o seu arranjo pode ser feito com orquídeas, damas da noite, rosas, margaridas etc. Quanto às folhas e aos ramos, podem ser das espécies escolhidas ou de outras.

Como montar os arranjos florais de Ikebana?

Exigindo pouquíssimos itens, esse arranjo floral segue a premissa do minimalismo: fazer mais com menos e atingir um resultado excelente.

Separe os materiais

Você deve buscar alguns materiais específicos para fazer uma Ikebana, como manda essa arte.

Veja os itens para criar a sua:

  • base de ferro com pregos: chama-se kenzan;
  • vaso: que não precisa ser necessariamente para plantas;
  • água: na quantidade para encher quase até a borda do vaso;
  • ramos: começar com apenas três é o ideal, médios, curtos e longos;
  • folhas: em volumes e tamanhos crescentes;
  • musgo seco: para conservar o arranjo na água e não deixá-lo secar;
  • tesoura.

Coloque os ramos no kenzan

Como a Ikebana manda, você deve separar flores, folhas e ramos apenas na hora da montagem. Então, coloque o kenzan no vaso e o encha com água, mas sem chegar à borda.

Ikebana, rosa e lírio
Para montar a Ikebana, seja em qualquer estilo, os materiais serão, em sua maioria, sempre os mesmos (Foto: Unsplash)

Monte o arranjo sempre dentro d’água

Em seguida, você deve fazer a montagem, prendendo os ramos no kenzan. Faça isso com a base de pregos dentro d’água e, se precisar cortar alguns ramos, use a tesoura.

Não há regra de onde começar — se é por flores, folhas ou ramos —, então fique à vontade para criar ao seu modo.

Coloque o musgo no kenzan

Após montar todos os ramos no kenzan, coloque o musgo seco nele e o aperte para fixá-lo. Além de conservar melhor a sua Ikebana, ele irá esconder a peça debaixo d’água.

Como cuidar da Ikebana?

Ikebana em vaso decorado
Harmonia para ser apreciada do começo ao fim: não mexer em nada do arranjo conserva o melhor aspecto e conceito da peça (Foto: Unsplash)

Uma vez que a Ikebana está pronta, basta deixá-la seguir o seu ritmo natural. Essa é a única forma de cuidar de seu arranjo floral, que não permite trocas de áreas ou vasos, nem ajustes nos ramos. Do contrário, as plantas sofrerão e a arte se perderá.

Com os princípios da Ikebana, um bom local que destaque e um passo a passo de montagem fiel, o seu arranjo ficará harmonioso. Consequentemente, o ambiente, seu dia a dia e modo de ser e pensar também serão vivificados.

Redecore seu espaço usando o poder das plantas. Descubra como combinar diferentes espécies com cada cantinho de sua casa!

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