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Encontro das artes: a fotografia de arquitetura sob o olhar de Ivan Araújo

31/01/2018

Qual a importância da fotografia para os arquitetos? O que eles precisam saber para se atualizar na área e divulgar imagens de seus lindos projetos? O mineiro Ivan Araújo é arquiteto e urbanista por formação e fotógrafo por inspiração. Ele conta ao Archtrends Portobello como é possível unir as artes para divulgar as criações arquitetônicas.

“Quando era adolescente ganhei de meu pai uma câmera fotográfica simples, mas que foi fundamental para despertar meu gosto pela fotografia.” Alguns anos mais tarde, Ivan Araújo decidiu seguir a formação de arquiteto, e hoje ele vê que o curso contribuiu muito para aprimorar seu olhar sobre as formas, estruturas e composições,  refletindo naturalmente o enfoque que passou a dar aos seus registros.

Estudou fotografia por conta própria e algo que começou de forma despretensiosa já o levou a produzir um livro (Casa e Chão: Arquitetura e Histórias de Belo Horizonte), a ministrar vários cursos de fotografia de arquitetura e a ser chamado para registrar dezenas de projetos (ele é autor do gracioso Casas de Belo Horizonte). Atualmente, o desafio de registrar e traduzir da melhor maneira possível um projeto arquitetônico em imagens tem sido sua grande motivação.

Fotógrafo e arquiteto Ivan Araújo. Foto: arquivo pessoal.

Fotógrafo e arquiteto Ivan Araújo. Foto: arquivo pessoal.

Assim como Ivan, é possível os profissionais da arquitetura e do design também investirem na arte de fotografar e alavancar seus negócios de várias formas. Segundo ele, o arquiteto que se envolve também com a fotografia de seus próprios ambientes é capaz de acompanhar o processo completo de sua ideia, desde quando foi criada na mente até sua transmissão para terceiros por meio da imagem final.

“É importante a participação do arquiteto também para que ele indique os elementos do projeto que mais merecem ser destacados, como uma solução construtiva, um material ou um revestimento específico”, destaca.

Fotografia de arquitetura nas redes sociais

A escolha da máquina fotográfica para determinado tipo de divulgação é algo a se considerar. De acordo com Ivan, na fotografia de arquitetura em mídias impressas, sejam em revistas ou fotografias impressas em grande formato, por exemplo, a qualidade dos registros passa a ser algo essencial.

“Muitas vezes os celulares, mesmo com as tecnologias avançadas, ainda não dispõem de sensores e lentes capazes de produzir resultados equivalentes aos de uma câmera fotográfica avançada. Já a fotografia em mídias digitais admite até certo ponto resoluções menores, privilegiando a leveza dos arquivos e a facilidade e velocidade de compartilhamento”, considera.

Foto: Ivan Araújo

Nos dias de hoje, ele percebe que cada vez mais estamos conectados e em busca de novidades, e as redes sociais são usadas muitas vezes como forma de conexão entre profissionais, empresas e clientes. “Apenas para contextualizar, hoje no Brasil já somos cerca de 50 milhões de usuários ativos mensais do Instagram, uma rede social centrada basicamente no uso de imagens”, diz.

Ivan entende que é fundamental estar atento à qualidade das fotografias de arquitetura divulgadas tanto nas redes sociais ou em sites que servem de portfólio para divulgação de imagens de projetos, como o Archtrends Portobello, já que elas podem ser o primeiro contato do público com a obra do arquiteto. “As fotografias nesses canais não só representam o portfólio e a vitrine do profissional, mas também significam o cuidado e a atenção que ele transmite sobre o seu trabalho e sobre os detalhes de seus projetos, algo que pode significar muito para seus clientes”, enfatiza.

Especialmente para o Archtrends Portobello, Ivan Araújo dá dicas para o arquiteto começar a produzir fotografias de ambientes:

  • É importante analisar primeiramente o contexto no qual o projeto está inserido e definir o melhor horário para as fotografias a fim de se obter os resultados esperados: um mesmo projeto pode ficar completamente diferente ao ser fotografado em um dia nublado, no começo da manhã ou no período da noite.
  • Não há “certo ou errado”, mas é importante estar atento para ressaltar ao máximo o potencial do projeto com a escolha da iluminação e de ângulos e enquadramentos adequados.
  • Outro detalhe importante é o cuidado com os alinhamentos e perspectivas: em geral, na fotografia de arquitetura evita-se criar distorções que possam comprometer o entendimento do espaço pelo observador.
  • As imagens que apresentam linhas paralelas também transmitem maior organização do espaço e são visualmente mais atrativas.
  • Para o enfoque nos revestimentos, é importante que a imagem tenha bastante nitidez, para ser capaz de transmitir as texturas, padrões e detalhes dos materiais. A cor final da imagem também deve ser fiel ao produto, para não comprometer o projeto e efeito pretendidos pelo arquiteto.
  • É fundamental que os espaços estejam bem organizados, sem elementos que possam comprometer a atenção do observador, poluir a imagem ou desviar o foco dos elementos essenciais do projeto. O arquiteto deve investir então na preparação prévia do ambiente, a fim de que a cena tenha uma composição limpa e ao mesmo tempo atrativa.
  • Penso que não há receita pronta para uma boa foto. Mais do que simplesmente apertar o botão da câmera, a criação de uma fotografia começa na mente, e o equipamento é apenas um meio para traduzir a ideia criada. Para deixar a foto mais impactante é preciso primeiro treinar o olhar, ser paciente e praticar muito.
Foto: Ivan Araújo

Foto: Ivan Araújo

Palestras na Portobello Shop

Ivan participou de um ciclo de palestras promovido pela Portobello Shop de Belo Horizonte  para um grupo de 40 arquitetos, sobre a Fotografia na Arquitetura Contemporânea, enfatizando o papel da fotografia na representação arquitetônica dos espaços construídos.

Ele também contou um pouco sobre seu trabalho como fotógrafo de arquitetura e sobre o projeto “Casas de Belo Horizonte”, no qual busca retratar e descrever as casas antigas da cidade e suas histórias, valorizando-as por meio da fotografia.

Além de focar o tema da fotografia, o momento também foi propício para abordar questões técnicas de aprovações de projetos e legislação urbanística, com a arquiteta e especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho, Mariele Vilena. Ela ainda é co-fundadora da Noví Arquitetura e do Negócio de Arquiteto e aproveita para  ressaltar a importância da capacitação para que os arquitetos desenvolvam habilidades como gestores de negócios, além dos assuntos técnicos que estão acostumados profissionalmente.

“A capacitação de arquitetos na área de gestão se negócios é fundamental, uma vez que por muito tempo o foco foi direcionado para a questão técnica, e o arquiteto era visto como mão-de-obra, funcionário. Hoje, o arquiteto entende melhor seu papel como empreendedor, empresário, dono e gestor de seu próprio negócio, e portanto há a necessidade de expandir seus conhecimentos, suas habilidades na gestão”, afirma.

Fotografia dá enfoque para cores e iluminação. Foto: arquivo pessoal. Ivan Araújo

Fotografia dá enfoque para cores e iluminação. Foto: arquivo pessoal.

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