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Marco D. Julio e Marcelo Fialho em um dos quartos do apartamento, em Florianópolis (Por Fernando Willadino)

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A morada como laboratório e conexão com a natureza

23/11/2020

Em meio a uma floresta particular, duo O Tropicalista tem na natureza a grande fonte de criação e experimentação, e tudo acontece no estúdio que é a casa, o laboratório, o ateliê, o refúgio. Vem ver!

Muito antes de ser “tendência”, cultivar plantas dentro de casa já fazia parte do dia a dia dos artistas Marco D. Julio e Marcelo Fialho. Um verdadeiro templo para as diversas espécies de vegetação, o apartamento de 90 metros quadrados, em Florianópolis, é um espaço de experimentação a partir do olhar sensível e criativo da dupla O Tropicalista. A morada é ao mesmo tempo refúgio, laboratório, galeria, ateliê, tudo junto misturado, porque o cotidiano ganha outros significados como prática artística e poética.

Marco é artista visual com formação em comunicação e Marcelo, psiquiatra. Eles criam peças autorais em pequena escala com referência na riqueza da cultura brasileira. O processo criativo inclui a permanente atenção às plantas, muitas recolhidas em andanças, à deriva, pela cidade. O descarte aos olhos de uns se torna potência para eles. Marco e Marcelo exercem o caminhar e o cuidado com plantas como práticas estéticas e de reflexão. 

Sala da casa-ateliê-laboratório da dupla O Tropicalista. Sofá com tecido jacquard criado numa collab com a Haco (Crédito: Divulgação/Otropicalista)
Outro ângulo da sala da casa-ateliê-laboratório da dupla O Tropicalista (Crédito: Divulgação/Otropicalista)

O apartamento no Centro da cidade reúne, em todos os cômodos, muitas plantas que formam uma exuberante floresta psicodélica, ambientadas com papéis de parede e lambe-lambes feitos por eles. No último inventário feito pela dupla, contaram 80 plantas de pequeno a médio porte.

Estampe seu Universo

Marco desenvolve estampas e padronagens para lenços de seda, tecidos para decoração, papel de parede, cerâmica, além de objetos decorativos e utilitários. “Nosso olhar está voltado para a fusão da tradição artesanal com as novas tecnologias. Acreditamos na potência do encontro entre produtores responsáveis e consumidores éticos”, afirma a dupla amante da natureza, do artesanato e da arte que leva essa paixão avassaladora para o cotidiano. 

Ateliê, local com instalações, instrumentos de medida e materiais necessários para a realização de experimentos e pesquisas diversas (Crédito: Divulgação/Otropicalista)

A partir da criação dos produtos, eles propõem uma reflexão sobre a conexão das pessoas com o ambiente em que vivem, considerando os revestimentos como um recurso para projetar na casa a identidade de quem a habita. “Nosso trabalho é produzir a expressão visual da subjetividade particular de cada cliente a partir de um repertório de elementos do imaginário imagético brasileiro. O objetivo é aumentar a topofilia, ampliando a apropriação dos espaços por seus usuários. Resumimos a provocação: Estampe seu Universo!”, explicam.

Foi em Fortaleza, há 12 anos, que Marco e Marcelo começaram a desenvolver os produtos para atender uma crescente necessidade de soluções em design de superfície para as áreas de moda e decoração. Em Florianópolis, onde moram há oito anos, focaram na criação de estamparias e disponibilizam para venda on-line (@otropicalista) ou no próprio ateliê, com agendamento.

São 80 plantas no acervo, com tamanhos entre pequeno e médio porte (Crédito: Divulgação/Otropicalista)

Atuação no campo da arte

Inquietos, Marco e Marcelo tem atuação permanente no campo da arte, propondo investigações que reforçam a necessária relação e conexão verdadeira com a natureza. Menos tendência e mais essência!

“Floresta Inventada” instalação realizada na exposição coletiva dos 70 anos do Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), em 2018 (Crédito: Divulgação/Otropicalista)

Na comemoração dos 70 anos do Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), em 2018, eles participaram da exposição coletiva Desterro Desaterro com a instalação “Floresta Inventada”. “Um prolongamento rizomático que se estende a partir de nossa casa/estúdio/ateliê para eclodir no Museu, o projeto buscou, durante o período em que ocupou a antessala do MASC, produzir nova topofilia para o local por meio do tensionamento entre as noções de pertencimento, permanência e hospitalidade”.

“Babilônia: jardim de plantas encontradas”, obra apresentada na coletiva “Toda paixão beira o caos, a do colecionador beira o caos da memória”, no Memorial Meyer Filho (Crédito: Divulgação/Otropicalista)

“Babilônia: jardim de plantas encontradas” foi a obra apresentada na coletiva “Toda paixão beira o caos, a do colecionador beira o caos da memória”, que aconteceu no Memorial Meyer Filho com curadoria de Kamilla Nunes.Antes, teve a individual “Enclave”, no mesmo local, um desdobramento público de um projeto iniciado em 2015 na residência-estúdio a partir de uma série de encontros. Nas palavras da curadora Mônica Hoff: “Não há obras. Não há exposição. Há palavras, vozes, espaço de conversa e uma floresta”.

Coleção Tainhas, Joanas e Besouros foram premiadas com o primeiro lugar na categoria Design de Superfície sobre papel no Salão Internacional de Design de Superfície, promovido pelo Museu de Arte de Santa Maria. (Crédito: Divulgação/Otropicalista)

O projeto mais recente nesse atípico ano de 2020, foi a criação de um jardim em um dos quartos do apartamento a partir da crônica “Os Misteriosos e Maravilhosos Jardins do Planeta Marte”, do catarinense Ernesto Meyer Filho, publicada em 1970. A obra “Jardim de Marte” foi um convite para viajar ao planeta vermelho sem sair de casa, por meio das redes sociais.  “A instalação é um convite a participar de um experimento, dessa ficção que constrói um jardim em outro planeta. É, sem dúvida, uma homenagem ao provocador e instigante Meyer Filho. É, também, uma reflexão sobre a premente ameaça às nossas condições de sobrevivência na Terra. Poderíamos falar sobre uma série de outras camadas, mas achamos importante dar espaço para as percepções que surgirão das pessoas que estabelecerem contato -, comentam sobre o trabalho.

Jungle, revestimento de parede premiado em 2014 com o primeiro lugar na Categoria Design de Superfície sobre Papel, no 4º Salão Internacional de Design de Superfície de Santa Maria, promovido pelo Museu de Arte de Santa Maria. Inspirado nos lambe-lambes, Jungle tem os arquivos disponíveis para dowload gratuito. Solicite pelo e-mail [email protected] (Crédito: Divulgação/Otropicalista)

Eles reuniram todas as plantas dos outros cômodos em um único quarto, instalaram lâmpadas adequadas para a sobrevivência da vegetação indoor, escolheram uma música e convidaram as pessoas para imergir no jardim, de forma on-line.

Instalação “Jardim de Marte”, que propõe a reflexão sobre a premente ameaça às nossas condições de sobrevivência na Terra. Obra realizada em um dos quartos do apartamento, que reuniu todas as plantas da casa em um só lugar (Crédito: Divulgação/Otropicalista)

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