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(Foto: Ana Luiza Camargo)

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Capela de Ronchamp: as curiosidades da obra modernista de Le Corbusier

27/09/2021

Entenda por que a Capela de Ronchamp tornou-se um marco da arquitetura modernista e projeto importante para a carreira de Le Corbusier.

A Capela Notre-Dame du Haut (Nossa Senhora das Alturas), mais conhecida como Capela de Ronchamp, é um dos clássicos da arquitetura modernista e uma das obras mais significativas de Le Corbusier. Fizemos um tour por ela para contar um pouco da sua história e propósito.

Vista principal da icônica Capela de Ronchamp por Le Corbusier (Foto: Ana Luiza Camargo)

O objetivo da construção da Capela de Ronchamp, projetada pelo arquiteto modernista, foi substituir a igreja anteriormente destruída durante a Segunda Guerra Mundial, por um bombardeio alemão ocorrido em 1944. O local onde se inseriu foi há muito tempo um local de peregrinação, jornada tradicional do catolicismo.

Em 1950, Le Corbusier foi contratado com o seguinte “briefing”: projetar uma igreja católica possuindo uma nave principal, três pequenas capelas para cultos menores e mais reservados, uma sacristia, um pequeno escritório no segundo andar e um altar externo para cerimônias ao ar livre. Um detalhe também importante que se pedia para o projeto era um sistema de recolhimento de água da chuva.

E assim foi feito. Le Corbusier colocou “mãos à obra”, projetando o que seria um futuro marco para sua carreira e para a arquitetura modernista de todos os tempos.

A cobertura de concreto aparente da Capela de Ronchamp faz contraste com as paredes que a sustentam (Foto: Ana Luiza Camargo)

A obra configura-se por quatro paredes bem definidas, parte das suas quatro fachadas, que fazem referência aos quatro pontos cardeais. Mas o detalhe principal da Capela de Ronchamp é a imponente cobertura escultural feita em concreto aparente. Sua forma foi estrategicamente pensada para ser uma grande coletora de água da chuva que cai sobre o edifício.

A cobertura também traz unidade ao conjunto de muros brancos e ao mesmo contraste com eles. As paredes são espessas, para sustentar a estrutura da cobertura e suas extremidades curvadas, adaptando-se à forma escultural da mesma. Ao mesmo tempo, uma fina abertura de luz que separa a cobertura dos muros, faz com que o concreto, um material que passa a sensação de solidez, pareça flutuar no edifício.

Uma linha de luz entre a cobertura de concreto e as paredes dá a impressão de que o teto está flutuando, trazendo mais fluidez ao projeto (Foto: Ana Luiza Camargo)

Le Corbusier também brinca com a luz dentro da capela, através de aberturas estratégicas onde a parte exterior da abertura é menor do que a parte interior, gerando uma iluminação lateral cênica para dentro do edifício. As mesmas possuem pequenos vitrais, referenciando as antigas igrejas, porém reinterpretados “a la Corbusier”: com formas retas e geométricas.

Aberturas estratégicas e geométricas nas paredes geram iluminação cênica para o interior do espaço (Foto: Ana Luiza Camargo)

A Capela de Ronchamp é conhecida por este nome justamente por estar localizada na cidade de Ronchamp. Cidadezinha no leste da França, bem próxima à divisa entre a Alemanha e a Suíça.

Com este projeto, o arquiteto nos ensina que a arquitetura modernista também pode trazer projetos cênicos de grande influência para um edifício de caráter religioso. Uma verdadeira obra de arte modernista deixada por Le Corbusier.

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