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Gravura, provavelmente do século XIX, representa os Jardins Suspensos da Babilônia. Ao fundo, podemos ver a Torre de Babel (Imagem: Wikipedia)

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Arquitetura mesopotâmica: diversidade de culturas e construções

02/08/2021

A arquitetura mesopotâmica se destaca por suas grandiosas construções feitas de barro, com paredes grossas e cheias de esculturas.

A arquitetura mesopotâmica é famosa pela construção de grandiosos palácios, com paredes grossas e baixo-relevo, cheios de arcos, esculturas e itens de decoração. 

Esse estilo é originário da região localizada entre os rios Tigre e Eufrates, lar de diversas civilizações importantes ao longo da história da humanidade.

Fique conosco até o final deste artigo para aprender tudo sobre a arquitetura mesopotâmica!

A estrutura das primeiras civilizações mesopotâmicas

Sala com arte mesopotâmica no Museu do Louvre
Sala com arte mesopotâmica no Museu do Louvre (Foto: Rama)

Para falarmos desse estilo arquitetônico, precisamos conhecer as primeiras civilizações registradas na região da Mesopotâmia. 

A arquitetura mesopotâmica compreende o período que vai da pré-história até o século VI a.C. entre os rios Tigre e Eufrates.

A história da humanidade remonta à pré-história, entre os períodos de 35000 a.C. até 3000 a.C., no caso do Oriente Médio, e até 2000 a.C., na Europa Ocidental. 

Nessa época, construtores de diversos povos já entendiam a necessidade de o ser humano se proteger das condições ambientais. Para isso, eles usavam estruturas feitas com peles e ossos de animais.

Milhares de anos depois, as maneiras de proteção se tornaram mais complexas, produzidas com tijolos ou até mesmo com solo compactado. 

Essas construções assumiram formas geométricas caracterizadas por aberturas que permitiam a ventilação e a iluminação em seu interior. 

Sumérios

Entre esses primeiros povos, podemos citar os da Mesopotâmia, uma terra muito fértil que hoje é ocupada principalmente pelo Iraque.

Os sumérios são a primeira civilização da qual se tem registro nessa região — eles já estavam por lá por volta de 4000 a.C. 

Foi aí que a arquitetura mesopotâmica surgiu. Depois, passou a receber elementos dos mais variados povos que vieram a habitar a Mesopotâmia.

Os sumérios erguiam seus abrigos com tijolos de barro secos ao sol. Exemplo dessas construções é o Templo Branco de Uruk. 

No período Neo-Sumério, em 2150-2000 a.C., esses templos ganharam formatos complexos, com estruturas escalonadas, em altas plataformas e com tijolos cozidos em forno. 

Essas construções em degraus, atualmente conhecidas como Zigurates, eram consideradas edifícios religiosos.

Aliás, essa se tornou uma forma típica da arquitetura mesopotâmica, a exemplo do Zigurate de Nimrud e da famosa Torre de Babel, que é citada na Bíblia.

Estudiosos contemporâneos associam a Torre de Babel a estruturas mesopotâmicas
Estudiosos contemporâneos associam a Torre de Babel a estruturas mesopotâmicas (Imagem: Brugel, o Velho)

Babilônios

Por volta de 612 a.C., a região foi invadida pelos babilônios, que trouxeram novos elementos construtivos e decorativos para compor a arquitetura mesopotâmica.

O curioso é que tais características foram “emprestadas” de diversas outras culturas que tinham sido conquistadas por eles anteriormente.  

O período é marcado pela construção dos Jardins Suspensos da Babilônia, que são considerados uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e uma das obras arquitetônicas mais complexas da história. 

Esses povos da Mesopotâmia foram os grandes destaques em termos de arquitetura. Muitas de suas construções são belas e resistentes, durando mais de três milênios e chegando até os dias de hoje. 

As principais características da arquitetura mesopotâmica

O estudo da arquitetura mesopotâmica antiga é baseado em evidências arqueológicas. Em resumo, as construções tinham como principal característica a utilização de arcos.

O destaque vai para os grandes palácios, templos e Zigurates. Esses últimos eram construídos em formato de pirâmide e muito utilizados para rituais religiosos, observação astronômica e estocagem de grãos.

Construções mais comuns da região mesopotâmica, os Zigurates
Construções mais comuns da região mesopotâmica, os Zigurates (Imagem: Mth)

Também podemos destacar as muralhas que eram erguidas pelos mesopotâmicos para que pudessem se defender de invasões. Entre as mais conhecidas estão as construídas pelo rei Nabucodonosor, que eram grossas e tinham portas decoradas.  

Infelizmente, grande parte das obras da arquitetura mesopotâmica não resistiu ao tempo e às guerras na região. As pedras eram escassas e os povos usavam tijolos de barro cozidos ao sol para construir. Esse método faz com que o material dure menos do que se fosse levado ao forno.

A seguir, confira matérias-primas e elementos que eram bastante empregados.

Barro

O barro formado às margens dos rios Tigre e Eufrates era a principal matéria-prima da arquitetura mesopotâmica. Dava origem ao tijolo seco ao sol, que também é conhecido como adobe, ou ao cozido no forno, que era raro devido à escassez de madeira na região. 

Estava ligado ao poder de construção, simbolicamente, para edificar templos para os reis. Isso se deve ao fato de que, de acordo com a religião suméria, o material era utilizado pelos deuses para moldar os seres humanos. 

Pedra

Apesar de terem sido pouco utilizadas, o diorito, o basalto, o alabastro e o granito eram as pedras mais comuns nas construções.

Madeira

A palmeira e o salgueiro eram as madeiras mais abundantes na região. Entretanto, esses materiais eram pouco resistentes. 

Com isso, os sumérios buscavam o cedro em longínquas florestas do Líbano para utilizarem em suas obras. 

Betume

O betume, extraído naturalmente da terra, era utilizado como argamassa para a impermeabilização dos tijolos. 

Mosaicos e cores

Mosaico de leão da antiga Babilônia
Mosaico de leão da antiga Babilônia (Foto: Jastrow)

Os povos da antiga Mesopotâmia utilizavam diversos mosaicos e cores para retratar as cenas do cotidiano, guerras, cerimônias, deuses e suas histórias. Há uma grande incidência de vermelho, amarelo, branco e preto.

Touros

Outra característica da arquitetura mesopotâmica são os touros alados com cabeça humana. Esses elementos decorativos eram colocados à frente dos palácios, pois havia uma crença de que dariam proteção.

As obras mais famosas da arquitetura mesopotâmica

Como vimos, a arquitetura mesopotâmica é conhecida por suas construções grandiosas. Muitas foram destruídas ou deterioradas com o tempo, mas algumas ainda existem. Conheça as principais.

Zigurate de Ur

Antigo Zigurate de Ur, na Base Aérea de Ali, no Iraque
Antigo Zigurate de Ur, na Base Aérea de Ali, no Iraque (Foto: Hardnfasti)

Também conhecido como Grande Zigurate de Ur, é o templo mais bem preservado da arquitetura mesopotâmica e está localizado no Iraque.

Suas ruínas representam o Templo de Nanna, erguido na cidade de Ur por vontade do primeiro rei da terceira dinastia, o governante Ur-Nammu, que governou entre 2113 e 2095 a.C. 

Constituído por patamares em forma de pirâmide, contava com sete terraços, mas atualmente só restam três. 

A estrutura possuía três escadarias monumentais, que convergiam à grande porta de entrada no primeiro patamar. 

Portal de Ishtar

Portal de Ishtar, construído por volta de 575 a.C.
Portal de Ishtar, construído por volta de 575 a.C. (Foto: Radomir Vrbovsky)

Dedicado à deusa acádia Ishtar, que representa a fertilidade, o Portal de Ishtar foi construído por volta de 575 a.C. a mando do rei Nabucodonosor II, da Babilônia. 

Com duplos portões em sua entrada, abrigava uma vasta antecâmara.

Além disso, tinha um grande corredor adornado com azulejos azuis brilhantes, cobertos por leões e dragões dourados. 

A extrema beleza e riqueza nos detalhes artísticos elevaram o Portal de Ishtar ao status de uma das maiores maravilhas do Mundo Antigo. 

Em Berlim, há uma reconstrução do Portal de Ishtar, inspirada em material encontrado nas escavações do arqueólogo Robert Koldewey, entre 1902 e 1914. 

Uma reprodução da obra também começou a ser construída no Iraque, mas até hoje não foi finalizada.

Jardins Suspensos da Babilônia

Jardins Suspensos da Babilônia, interpretação datada do século XX
Jardins Suspensos da Babilônia, interpretação datada do século XX (Imagem: Wikipedia)

Os Jardins Suspensos da Babilônia são uma joia da arquitetura mesopotâmica, considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. 

Além disso, é a menos conhecida até hoje. Nenhuma descrição detalhada ou qualquer vestígio arqueológico foi encontrado. 

O que sabemos é que foram construídos a mando do rei Nabucodonosor II no século VI a.C. A obra é uma das principais encomendadas por ele durante o seu governo.

A construção foi feita na antiga cidade da Babilônia. Era composta por seis terraços erguidos como andares que davam a ideia de serem elevados.

Esses pavimentos eram apoiados por gigantes colunas que chegavam a medir até 100 m. As superfícies tinham adornos com árvores frutíferas

Os elementos da arquitetura mesopotâmica na contemporaneidade

Alguns elementos da arquitetura mesopotâmica podem ser utilizados em projetos de estilo contemporâneo

Certamente, uma das suas principais características é a exploração de elementos da natureza, como a luz e o vento. Como vimos, as construções da Mesopotâmia eram feitas com grandes aberturas, o que é facilmente replicável.

Também temos os mosaicos, que eram compostos por marfim, conchas e pedras e usados como peças decorativas. Atualmente, eles podem ser produzidos em materiais tecnológicos e sustentáveis, como o porcelanato.

Outro recurso marcante que é bastante utilizado em projetos atuais é o dos jardins verticais. Essa é uma forma bem prática de trazer a natureza para os ambientes internos.

Os jardins verticais trazem a natureza para os projetos arquitetônicos
Os jardins verticais trazem a natureza para os projetos arquitetônicos (Projeto: Heignne Jardim)

Aliás, trata-se de uma ótima alternativa para quem tem pouco espaço, mas não quer abrir mão do paisagismo.

Bonitos e funcionais, eles valorizam qualquer local. Além disso, podem ser montados de acordo com as estruturas que já existem, sem exigir mudanças no projeto.

Gostou do conteúdo? Aproveite para conhecer outros estilos no artigo Arquitetura africana: diversidade cultural nas construções!

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