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Um arquiteto ‘influencer’

06/05/2020

Da geração millennial, arquiteto e influenciador digital Victor Romansini fala do aumento dos profissionais do setor nas redes sociais e conta detalhes sobre seu trabalho dentro do universo digital, entre os quais, o Projeto Tramas. Confira sua entrevista para o Archtrends Portobello.

Archtrends Portobello – Você se considera um arquiteto digital influencer, por que aposta neste segmento profissional? 

Victor Romansini – Sim, eu me considero. Por diversos fatores. Nunca me contento com uma forma só de fazer as coisas, eu gosto de experimentar processos novos, principalmente nas redes sociais, onde estou o tempo todo mudando a forma de me apresentar e, também, sobre o meu trabalho. Sempre quando vejo alguém começar a fazer parecido, por talvez ter sido inspirado, eu falo para mim mesmo: conseguimos movimentar uma pessoa, agora vamos tentar movimentar mais, e então mudo novamente. Aposto nesse segmento pelo simples fato de que não existe mais volta a um mundo sem tecnologia. O título de um livro do Carlos Ferreirinha, que esteve no Archtrends Summit, traduz muito o que penso, “o paladar não retrocede”, ou seja, já experimentamos a tecnologia, e não vamos conseguir retroceder, o que podemos sempre é buscar diferenciação e destaque no que fazemos.

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Arquiteto influencer Victor Romansini

AP – Com a pandemia, aumenta o número de profissionais que estão descobrindo as redes sociais para divulgar seus trabalhos. Qual a sua opinião sobre essa transformação?

VR – Com certeza o aumento é muito grande, apoio. Colegas profissionais, que costumavam aparecer muito pouco nas redes sociais, estão mostrando mais os seus trabalhos e serviços, e aprendendo a mexer com as ferramentas. Os que ainda não aderiram, estão perdendo muito tempo de se atualizar e alcançar outros públicos com seu trabalho. É claro que não é fácil se embrenhar no novo. Mas o importante é levar em consideração que os números não são tudo, criar sua própria identidade é o mais importante. Há pessoas que gostam mais de colocar seu rosto ligado ao que está sendo falado, outras não. Mas o essencial é manter a constância e acreditar na mudança, pois a arquitetura pós-pandemia ainda é uma incógnita. Porém, ela não fez nossos clientes e as pessoas de uma forma geral pararem, mas sim, a buscarem maiores mudanças. Acredito que a quebra da rotina de estar fora de casa o dia todo e voltar para casa apenas para “dormir” fez as pessoas voltarem seus olhares não só para os seus lares, mas para a forma como os espaços e ambientes que vivemos influenciam no nosso bem-estar. Assim acredito que a mudança de hábitos apenas acelerou um grande processo interno de cada indivíduo e do seu meio externo. 

AP – Como você realiza as consultorias on-line em meio à pandemia? 

VR – A consultoria on-line é um mercado muito promissor, porém ainda vejo nas pessoas uma certa necessidade de estar próximo, de ter a experiência física. Com a pandemia, a tendência é que estejamos mais conectados. Primeiro, busco entender o que o meu cliente realmente quer e o que ele necessita, pois muitas das vezes o que ele quer não é o que ele procura. Pelo próprio whatsapp, vou estreitando a conversa até chegar ao orçamento do meu serviço. Depois dou início aos processos, que normalmente envolvem a execução da maquete eletrônica, estudo do espaço, adequação de possíveis utilizações de peças e produtos do cliente, e apresentação do projeto, no qual envio a apresentação com as imagens, moodboard digital de acabamentos e produtos, e a explicação por escrito de todos os itens do projeto.

AP – Em uma de suas postagens, por que afirma ser fundamental a conexão com a natureza nas moradias? 

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Décor botânico assinado por Victor Romansini

VR – Com certeza a conexão com a natureza é uma das coisas que mais evidencio em meus projetos hoje em dia. As plantas, além de trazerem benefícios para a saúde, podem aliviar as tensões e estresse através dos cuidados necessários que devemos dedicar a elas. Contribuem para elevar a autoestima, valorizam a sensação de felicidade e é por esses, e diversos outros motivos, que cada vez mais estamos buscando nos conectar com a natureza. Como profissional da arquitetura, procuro sempre me informar sobre quais itens podemos aguçar os sentidos e elevar a sensação de conforto. Nesse aspecto, as plantas são as principais escolhas para isso, pelas quais, juntamente com fotografias e elementos naturais, consigo estimular a sensação biofílica, criando assim um espaço que acima de qualquer coisa o cliente possa se sentir acolhido em seu porto seguro. Muitas vezes as pessoas associam as plantas naturais a cuidados excessivos e dificultosos, mas nem sempre é assim, especialmente quando efetuamos as escolhas adequadas de plantas para cada ambiente. Eu migrei aos poucos das plantas permanentes para as plantas naturais, pois a partir de um determinado momento você começa a cobrar uma maior interação, e ver as plantas nascendo e crescendo é uma troca de boas energias, e isso é contagiante. 

AP – Brasília foi o revestimento escolhido da Portobello no seu Projeto Tramas, publicado em seu perfil no Archtrends. Você se inspirou na arquitetura da cidade de Brasília, que acaba de completar 60 anos?

VR – A escolha do porcelanato Brasilia com o aspecto cimentício, veio de uma das primícias de meus projetos, em que utilizar elementos que estamos acostumados a reconhecer os tornam neutros e nos possibilitam a melhor compreensão do todo, sem que conduza a atenção para apenas um detalhe. Dentro de meus projetos, todos os detalhes são importantes e precisam de uma harmonia visual. Quando falo sobre reconhecer os elementos com facilidade, eu aplico uma referência muito grande a um dos maiores arquitetos do Brasil, o criador da incrível Brasília arquitetônica, Oscar Niemeyer, com suas grandiosas obras de arte/arquitetura sempre lembradas pelas cores, formas e materiais, onde ao fecharmos os olhos e fizermos o exercício de pensarmos que cor é o branco, só existe uma forma de imaginá-lo. Como hoje os elementos cimentícios quase que assumem o novo branco, ao fecharmos os olhos saberemos exatamente como é o cimento, a madeira e os elementos básicos naturais, assim sempre teremos a memória do projeto como se o estivéssemos vendo.

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Sala do Projeto Tramas revestida com porcelanato Brasilia, da Portobello, em piso e parede

AP – Como criou de forma harmoniosa a composição de elementos decorativos nos ambientes do Tramas, exposto na plataforma Archtrends?

VR – Gosto de dizer que o principal “elemento” não é algo palpável, mas visual. A principal sensação de harmonia entre os elementos deste projeto na verdade são os alinhamentos. Ao optar por trabalhar com elementos geométricos, sou levado a questionar qualquer tipo de elemento que desordene a simetria e o alinhamento. Desta forma, sou extremamente rigoroso ao “criar”, não a simetria, mas um visual agradável, e com isso trabalho com a compensação e harmonia de cada item. Se repararmos, as escolhas de materiais são muito singelas e de nosso cotidiano, como a madeira, o cimentício, o verde nos armários que quase se confunde com um cinza, o preto e pouquíssimo ou quase nenhum contraste entre eles, apenas a mudança de texturas. Outro ponto que cria a harmonia entre a escolha dos elementos decorativos é como eles estão desenhados no espaço, de forma que todos se interligam de maneira suave e elegante, onde nada acaba “do nada” e tudo se interliga. Por exemplo, o revestimento do piso sobe para as paredes com a mesma paginação, que por sua vez se encontra com os armários e painel de madeira ripado, que, por sua vez, ora está integralmente aparente, ora está com prateleiras, e ora ele abraça os armários superiores. É como uma canção, na qual todas as notas estão interligadas e formam uma melodia. O Projeto Tramas, com revestimentos Portobello, tem seu ritmo, sua música. 

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Revestimento do piso sobe para as paredes com a mesma paginação, e se encontra com armários e ripas de madeira

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Chopeira de trave ganha destaque com elementos neutros da madeira e porcelanato que reproduz cimento

Bio

Victor Romansini, natural de Jundiaí (SP), formou-se em Arquitetura e Urbanismo em 2015, pela Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, capital. Desde novo, percebeu sua vocação natural para projetos relacionados à arquitetura, devido às linhas retas e formas geométricas sempre presentes em seus desenhos. Fez curso de design de interiores aos 14 anos e, em seguida, o curso Técnico em Edificações, conjugado com o ensino médio. Nessa época, já trabalhava como projetista em design de interiores. Durante a faculdade de Arquitetura e Urbanismo, realizou pesquisa de iniciação científica sobre a “arquitetura de sensações”, criando o Complexo Museológico, um museu a céu aberto com diversas galerias. Numa delas, desenvolveu salas que estimulavam, a partir da arquitetura e do meio externo, as sensações de seus usuários como o aroma, água, pedras, areia, ruídos e silêncio. O projeto foi pontuado com nota 10 pela banca examinadora, com louvor, e tornou-se referência para outros alunos do curso. Após formado, Romansini comanda seu escritório em Jundiaí, onde assina projetos autorais para seus clientes. “Faço meu trabalho sempre pensando que a funcionalidade do local e as personalidades deles são mais importantes do que necessariamente a estética”, define.

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Projeto Complexo Museológico, por Romansini, é referência na Universidade Anhembi Morumbi (Foto: acervo pessoal)

 

Ficou interessando em conhecer mais detalhes do Projeto Tramas e contatar o arquiteto para consultorias ou orçamentos? Aprecie seu perfil, no Archtrends Portobello.

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