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Caixas d’água de amianto, material de alto risco que deve ser evitado (Foto: Gabriel de Andrade Fernandes)

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Amianto é perigoso: saiba por que evitá-lo na sua obra

04/11/2020

O amianto é perigoso e causa graves danos à saúde. Por isso, o seu uso deve ser evitado. Saiba mais sobre esse material no nosso artigo!

Matéria-prima de uma série de produtos de baixo custo encontrados em muitas residências brasileiras, o amianto é perigoso e pode oferecer grande risco à saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele provoca mais de 100 mil mortes por ano.

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Mineral comum na indústria da construção civil, ele é associado a doenças como o câncer de pulmão. No artigo de hoje, você vai entender como o amianto é perigoso para quem o extrai e manipula. Continue a leitura para conferir por que esse mineral é tão devastador para a vida e como evitá-lo em obras.

O que é o amianto

amianto é perigoso
Fibras de asbesto azul, mineral também conhecido como amianto (Foto: Edgar Vonk)

Também conhecido como fibra de asbestos, o amianto é composto por uma fibra mineral com propriedades que podem impressionar. Entre elas estão a alta resistência a temperaturas, flexibilidade, durabilidade, resistência ao ataque de ácidos e qualidade isolante.

Além dessas propriedades, o material é uma matéria-prima de baixo custo, motivo que ampliou o seu uso em obras e construções ao longo dos anos. Contudo, no decorrer desse período, ocorreram casos de pessoas contaminadas pelo mineral.

O amianto é perigoso porque agride o organismo. Além disso, o corpo humano não é capaz de expelir as suas partículas quando elas são inaladas.

A produção, comercialização e utilização do amianto no Brasil foi proibida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017 por conta dos graves danos à saúde que ele é capaz de causar.

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Explosão no Porto de Beirute fez espalhar micropartículas de amianto resultantes de materiais de construção moídos (Imagem: Tribuna Paraná)

A explosão ocorrida no Líbano  em 4 de agosto deste ano, causada por nitrato de amônio, derrubou construções de uma grande área urbana.

Além da irritação nas vias respiratórias causadas pela substância causadora da explosão, a população também sofreu com o contato de vários dias com a poeira resultante desses desabamentos.

Nela, estavam presentes micropartículas resultantes de materiais de construção moídos altamente tóxicos, como chumbo, mercúrio e, claro, amianto, causando graves danos à saúde.

O uso do amianto em construções e reformas

Amianto é perigoso
Telha de amianto utilizada antigamente na maioria das casas brasileiras (Foto: Harald Weber)

Há mais de 20 anos, o amianto era uma matéria-prima utilizada na fabricação de diversos produtos usados na construção civil.

Inclusive, a sua popularidade era tão grande que o Brasil chegou a ser um dos maiores exportadores do material no mundo.

Entre os principais materiais encontrados em edificações mais antigas que são feitos de amianto, podemos citar:

  • fitas de isolamento térmico;
  • chapas de revestimento;
  • vedações hidráulicas;
  • tecidos isolantes;
  • caixas d’água;
  • telhas;
  • tubos.

No entanto, produtos fabricados com fibra de asbesto foram proibidos em mais de 60 países, incluindo o nosso.

O amianto é perigoso por ser comprovadamente cancerígeno. Mesmo assim, o mineral muitas vezes não é descartado de forma correta em casos de demolições ou desconstruções.

Em situações como essas, a área que será removida deve ser isolada e receber a montagem de uma cabine para descontaminação e um abrigo para a equipe.

Tais profissionais devem estar devidamente equipados com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), máscaras e filtros, evitando exposição ao mineral.

Amianto é perigoso
Caixa d’água de amianto, comum na maior parte das residências brasileiras até a comprovação dos danos à saúde causados pelo material (Foto: sarflondondunc)

Há algum tempo, a OMS declarou que o amianto é perigoso e o incluiu na lista das principais substâncias que podem causar câncer, estimando que existam cerca de 125 milhões de pessoas expostas atualmente ao material.

Embora não ofereça ameaça direta aos seus consumidores, o amianto é perigoso para aqueles que interagem com as suas fibras, prejudicando na maioria das vezes mineradores e operários da construção civil, além de pessoas que vivem próximas a aterros sanitários.

Uma das principais doenças ocasionadas pela exposição indevida ao amianto é a asbestose. Nessa enfermidade, o organismo produz um ácido para tentar dissolver as fibras, resultando em uma lesão pulmonar que pode ser fatal. Ela pode levar de 10 a 20 anos para se manifestar.

Entretanto, o mesotelioma, tipo de câncer no revestimento do pulmão também causado pelo amianto, costuma ser mais agressivo e pode levar à morte em menos de um ano. O mineral ainda está ligado a outros tipos de cânceres, como de laringe, rins, ovários e intestino, motivo que o torna ainda mais devastador.

Medidas existentes para o combate ao uso do amianto

Com a comprovação de que o amianto é perigoso, o uso do material foi proibido. No Brasil, a proibição foi feita inicialmente nos estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Amazonas.

Com a decisão do STF proibindo o uso em todo o território nacional, a principal jazida do país, localizada em Goiás, sofreu grande impacto econômico, visto que abastecia toda a produção nacional e também fábricas de outros países.

Amianto é perigoso
Detalhe de peça de amianto (Foto: Giuseppe)

A reintrodução do amianto nos Estados Unidos

Sabe-se que o amianto é perigoso e causa graves danos à saúde, motivo que levou à proibição de produtos produzidos com ele em países da Europa e do Golfo Pérsico, assim como Japão, Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Moçambique, Chile, Uruguai, Argentina e, claro, Brasil.

Os Estados Unidos nunca proibiram inteiramente o uso da substância em seu território. A utilização do amianto foi somente restringida pela legislação entre os anos de 1972 e 1989.

De acordo com um relato da página  Fast Company, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) permitiu que o amianto fosse reintroduzido na indústria norte-americana.

Mesmo após ser proibida em dezenas de países, a substância altamente nociva poderá ser introduzida no país por meio de materiais domésticos e produtos comuns.

Segundo a EPA, as avaliações do risco do amianto não poderão mais considerar o efeito ou a presença da substância em ar, solo ou água.

Assim, a brecha que surgiu a partir da avaliação dos riscos de químicos potencialmente nocivos permite que o país restabeleça o uso do material cancerígeno.

Estima-se que todos os anos, mais de 40 mil pessoas morram por causas relacionadas à exposição ao mineral nos Estados Unidos.

Alternativas para evitar o uso do amianto

Para evitar a perda total do mineral, uma variação do amianto conhecida como crisotila começou a ser utilizada no Brasil após a proibição da matéria-prima.

Contudo, ainda que o setor assegure que ela não ofereça os mesmos riscos, especialistas garantem que o amianto é perigoso em qualquer quantidade.

Dessa forma, por menor que seja a presença, o mineral pode sim causar graves danos ao organismo.

O documentário Não respire — Contém amianto trata justamente do questionamento às informações difundidas pelas indústrias que trabalham com a substância.

A Associação Brasileira das Indústrias e Distribuidores de Produtos de Fibrocimento (ABIFibro) defende a proibição do amianto com o argumento de que no Brasil é possível encontrar tecnologias e produtos similares com qualidade que sejam aprovados pelo Ministério da Saúde.

Para evitar o amianto, é possível utilizar produtos alternativos como:

  • fibras de poliacrilonitrila;
  • fibrocimento vegetal;
  • álcool polivinílico;
  • polipropileno;
  • aramida.

Descarte correto do amianto

O amianto é perigoso em todos os momentos de sua existência — desde a localização até o descarte, muitas vezes realizado de forma incorreta.

Durante o manuseio do mineral, a fricção deve ser evitada para que não aconteça a concentração de partículas em uma quantidade acima da tolerada. A legislação brasileira permite até duas fibras por cm³.

Além disso, o acondicionamento do material deve ser feito de maneira controlada, o separando de outros resíduos e o envolvendo em plástico resistente com etiqueta que possa informar a presença de amianto.

Caso aconteça um rompimento, o amianto deve ser armazenado em bolsas especiais dentro de tambores.

Amianto é perigoso
Descarte incorreto de telhas de amianto (Foto: Marco Romagnuolo)

Após ser recolhido, o material deve ser enviado para um aterro classe I, responsável pelo recebimento de resíduos perigosos. Em alguns estados do Brasil, uma burocracia adicional pode ser necessária, visto que são elementos realmente nocivos à saúde. O transporte do amianto deve ser realizado por uma empresa licenciada para lidar com esse tipo de substância.

Entretanto, o grande obstáculo encontrado para o descarte correto do material é a falta de áreas que estejam preparadas para lidar com ele. Não existem no país aterros industriais públicos de classe I. Além disso, os locais privados cobram valores elevados para receber esse tipo de substância e estão concentrados nas regiões sul e sudeste.

Outro problema muito comum é causado pelas pequenas demolições e reformas, muitas vezes responsáveis pelo descarte de materiais como o amianto em locais comuns, como caçambas e lixões. Dessa maneira, a substância recebe uma destinação comum, junto aos demais entulhos.

Neste artigo, você pôde entender como o amianto é perigoso para todos que estejam expostos à sua presença. Por esse motivo, o material deve ser evitado a qualquer custo. Em obras e reformas, dê preferência a alternativas como as que listamos mais acima.

Gostou das informações deste artigo? Então, confira também como as lastras contribuem para uma arquitetura sustentável!

1 comentário

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  • LEANDRO LEÃO says:

    ARTIGO MUITO PROVEITOSO E TOMARA QUE HAJA ALGUMA LEI DE INCENTIVO PARA CEDER DESCONTO AOS CLIENTES QUE COMPRAREM CAIXAS D’ÁGUA NOVAS E FORNECEREM AS ANTIGAS (DE AMIANTO) EM TROCA, JÁ FACILITANDO O CORRETO DESCARTE.