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Um pedaço da Itália no Brasil: a arquitetura que conquistou o Sul

09/04/2018

Este texto faz parte de uma série de artigos que mostram como a arquitetura de diversos países influenciou o estilo brasileiro. Ao entender as principais características da arquitetura dessas culturas, será possível compreender melhor como elas foram incorporadas em terras brasileiras, além de se inspirar para produzir projetos cada vez mais incríveis e cheios de referência.

O Brasil é um território multicultural e nós temos certeza disso, não é mesmo? Ao passear por aqui, logo dá para perceber que pessoas de todo o mundo vieram para a nossa terra e a transformaram em seus próprios lares.

Mesmo reconhecendo toda a diversidade existente entre os brasileiros, há várias curiosidades interessantes sobre a história de povos imigrantes e como cada um deles modificou um pedacinho do país.

Para ilustrar a série de artigos que evidencia a colaboração de habitantes de todo o mundo na construção de um Brasil mais rico culturalmente, vamos falar neste post sobre a arquitetura italiana e quais foram suas contribuições, principalmente no Sul do país.

A união entre a cultura italiana e a brasileira

A imigração de italianos no Brasil começou em meados de 1870. No entanto, a maior parte dela ocorreu entre 1880 e 1910 nas regiões Sul e Sudeste. Muitos dos italianos que vinham para o país procuravam por oportunidades em uma terra relativamente nova e próspera, considerando a grande crise que a Itália passou no século XIX.

O Brasil encontrou nos imigrantes europeus mão de obra para substituir os escravos recém-libertados, que não eram bem-aceitos pelos grandes fazendeiros enquanto trabalhadores livres. O governo, inclusive, chegou a criar uma campanha na Itália para atrair cidadãos interessados em trabalhar nas lavouras brasileiras.

Por mais que, de início, a maior parte dos italianos fosse em direção ao estado de São Paulo, foi no Sul que as colônias se concentraram e desenvolveram cidades que se assemelham muito aos seus países de origem. Lá, a principal atividade desenvolvida era a cultura da uva para a produção de vinho.

Os números são altos e comprovam que o Brasil é realmente a segunda casa deles: de acordo com dados da Embaixada Italiana, cerca de 25 milhões de pessoas são descendentes de italianos.

Casinhas estreitas e feitas de pedra ou madeira

A cidade de Antônio Prado, localizada no Rio Grande do Sul, é considerada por muitos o território “mais italiano” de todo o Brasil. É possível perceber rapidamente as principais características culturais do país ao andar pelas ruas e ver as casinhas típicas.

Uma curiosidade muito interessante é que esse local é o maior e mais completo conjunto arquitetônico de toda a história da colonização italiana no nosso país. Dentro da cidade, que tem cerca de 13.296 habitantes, 48 imóveis foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

A principal característica das residências típicas são os revestimentos usados na fachada, que são de madeira (ou pedra, em alguns casos). Além do clima, o uso da madeira e da pedra era frequente por questões de preço e agilidade na construção.

Os italianos precisavam se estabelecer rapidamente nas vilas, em especial no início do processo de colonização, já que a maioria delas foi construída do zero. Dessa forma, a madeira era uma opção viável e fácil de ser manuseada. Outra necessidade dos italianos era a acessibilidade dos revestimentos, uma vez que a condição das estradas brasileiras não era muito boa e dificultava a compra de materiais.

Com o passar do tempo e o estabelecimento dos italianos no Brasil, as casas passaram a ter identidade própria e não eram mais vistas como uma forma de “abrigo temporário” (no início, as terras eram emprestadas pelo governo e deveriam ser pagas depois).

Uma característica muito interessante dos italianos foi a intenção de usar cores vivas nas fachadas, como o amarelo, vermelho e verde, que entravam em contraste com os detalhes em madeira pura. Isso deu uma cara única às cidadezinhas que, atualmente, parecem terem sido retiradas de filmes.

É possível dizer que os traços artesanais são os mais evidenciados nas construções da arquitetura italiana.

Principais características da arquitetura italiana no Brasil

Agora que você conheceu um pouquinho sobre a principal colônia italiana no Brasil, é hora de descobrir outras características bem interessantes:

  • além da madeira e da pedra, os italianos começaram a introduzir tijolos e ornamentos em vidro e ferro após a modernização das cidades;
  • as casas geralmente tinham dois andares principais, além de um porão na parte subterrânea e um sótão logo abaixo do telhado;
  • há uma forte semelhança entre as casas na Itália e as construídas no Brasil, já que os climas são bem parecidos;
  • as estruturas são simétricas, pouco ousadas e com linhas retas;
  • em geral, o espaço reservado para a cozinha é grande;
  • uso de cores vivas;
  • casas com o telhado aparente;
  • janelas estreitas;
  • muitos quartos.

O Casarão Veronese e sua importância para a arquitetura

O edifício foi construído por Felice Veronese, em um distrito do Rio Grande do Sul chamado Otávio Rocha. Felice, que tinha 27 anos e saiu da Itália em 1882, passou pelo mesmo problema de seus conterrâneos que não conseguiam se estabelecer em sua terra natal.

O Brasil era uma ótima oportunidade, pois, além da alta demanda por mão de obra, o clima do Sul não era muito diferente da Itália. Outros aspectos, como a religião, também atraíam as famílias.

Alguns anos depois, Veronese construiu o local que se tornou residência dele, de sua esposa e de seus dez filhos. O casarão simboliza toda a dificuldade e os desafios que tantas famílias tiveram ao largar a sua terra natal, apenas com a mala na mão, rumo a um continente completamente desconhecido.

Ao analisar o Casarão, é possível perceber toda essa dificuldade e, mais do que isso, valorizar a força e o desejo de manter traços da cultura italiana no Brasil. As paredes de pedra aparente, que depois viraram símbolo da arquitetura italiana por aqui, entram em harmonia com detalhes em basalto irregular.

O basalto é uma rocha encontrada facilmente na estrutura terrestre de um local, e era uma alternativa prática e acessível para incrementar a residência. Além disso, existem traços de madeira araucária, que também era muito comum na época e servia como opção barata.

A construção, que tem um significado tão grande para os ítalo-brasileiros, passou por uma reforma que teve início no ano de 2015, após o prédio ser tombado pelo Patrimônio Histórico. Agora ela funcionará como um centro de atividades culturais, gastronomia e educação relacionada à colônia italiana no Brasil.

E aí, gostou de aprender mais sobre a história de um povo que fez da humildade uma característica tão original? Não deixe de compartilhar o conteúdo nas suas redes sociais!

2 Comentários

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  • Dante Tamberlini Neto says:

    Ainda bem que achei este site.Há muitos anos procuro informações sobre as habilidades trazidas pelos primeiros imigrantes italianos.Meu bisavô veio de Lucca para a cidade de Amparo-S.Paulo em 1880, onde exerceu profissão de “artista/arquiteto”, hoje conhecida como pedreiro,pintor de parede,carpinteiro,ferreiro,e outras habilidades.Trouxe uma técnica de contrução de torre(de igreja ) que me disseram ser Toscana.Enfim, como seus ffilhos não repassaram detalhes, a vida toda busco esclarecimentos…