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Conheça e se inspire na arquitetura dos 6 teatros mais famosos do mundo

25/05/2018

Com projetos de beleza inspiradora e que envolvem complexidades técnicas particulares, os grandes teatros devem levar em consideração revestimentos que favoreçam a acústica do local, determinada também por formas geométricas e volumétricas e pela escolha dos materiais de construção. Confira!

Você já parou para pensar que o teatro é uma das mais antigas expressões artísticas que existem? Quem coleciona uma variedade de carimbos no passaporte sabe que, nas principais capitais do mundo, estão construções clássicas, outras modernas, sendo a maioria delas repletas de detalhes, sempre com o objetivo de fornecer a melhor experiência dessa arte.

Conceber um ambiente assim envolve muitas particularidades. Para projetar o design de um teatro, é preciso entender a complexidade técnica exigida ao construir um espaço onde serão realizadas apresentações culturais por artistas dos mais variados níveis, que estarão diante de uma plateia ao vivo.

Para ajudá-lo a se inspirar, separamos aqui alguns dos teatros mais famosos do mundo. Acompanhe nosso guia arquitetônico!

Particularidades técnicas

Dentre as principais particularidades técnicas que envolvem a construção de um teatro, estão a acústica — quesito importante a ser considerado em um projeto arquitetônico de teatro — e também os revestimentos especiais para serem aplicados a esses espaços.

Quanto à percepção dos ouvintes, foi no século XX que estudiosos comprovaram que o formato e o volume dos cômodos influenciam na qualidade acústica dos ambientes. É possível confirmar que o bom desempenho e a excelência da estrutura dos teatros estão diretamente relacionados à arquitetura pensada com a acústica.

A acústica arquitetônica envolve a determinação de formas geométricas e volumétricas, bem como a escolha de materiais de construção e acabamentos — que são responsáveis pela defesa contra barulhos e o controle do som ambiente, evitando ecos, por exemplo.

A construção de um teatro tem que levar em consideração, ainda, o fato de o edifício ser um local destinado a apresentações. O espaço deve ser planejado para oferecer ao público a melhor experiência, que inclui assimilar e alcançar o propósito da arte ali apresentada.

Vale lembrar, também, que os teatros são espaços multiúso e precisam ser construídos para comportar a realização de reuniões, palestras, concertos, peças teatrais, filmes, arte performática, circos e até mesmo eventos esportivos, em alguns casos.

Portanto, é preciso considerar ainda os aspectos técnicos da produção de uma produção teatral, como o design cênico, o maquinário do palco e a iluminação. Confira agora quais são os principais teatros do mundo!

1. Royal Opera House

O Royal Opera House, com seu pórtico clássico, foi construído na Covent Garden, em Londres. O teatro atual é o terceiro construído no local, já que os outros dois foram destruídos pelo fogo antes da era da eletricidade. A fachada, o foyer e o auditório foram erguidos em 1858, mas os outros pavimentos do complexo foram reconstruídos somente no século XX.

O ator-gerente John Rich construiu o primeiro Theatre Royal, Covent Garden, com a fortuna que havia conquistado depois do sucesso de The Beggar’s Opera. Na época, sob os termos de uma patente real, Covent Garden foi um dos dois teatros autorizados a realizar drama na capital inglesa.

O segundo erguido foi o Theatre Royal Drury Lane. Muitas óperas e oratórios, incluindo Alcina e Semele, foram apresentadas pela primeira vez lá. O extenso trabalho de reconstrução se deu entre 1787 e 1792, mas em 1808 o teatro foi destruído pelo fogo. Em 5 de março de 1856, o desastre voltou a ocorrer e, pela segunda vez, o edifício foi completamente incendiado.

Em 1892, com o alargamento do repertório, o teatro foi renomeado como Royal Opera House. Em 2000, a um custo de £ 178 milhões, ele foi totalmente transformado: novas instalações técnicas e de ensaios foram construídas, um auditório menor, o Linbury Studio, foi criado para produções menores e mais experimentais, enquanto o auditório e foyers existentes também foram reformados.

Além de tudo isso, o abandonado Salão Floral foi reconstruído e se transformou em uma arena pública, com bares e restaurantes. A criação desses novos espaços integrou o teatro de forma mais completa em um ambiente circundante e tornou a experiência agradável. O Royal Opera House tem capacidade para 2.268 pessoas. Os projetistas da acústica do Royal Opera House foram Rob Harris e Jeremy Newton, da Arup Acoustics.

O projeto “Open Up” foi a reformulação da arquitetura do prédio, conduzido pelo escritório Stanton Williams, escolhido em uma competição internacional. O objetivo era melhorar a experiência para o público, artistas e empresas convidadas, criando novas oportunidades para inspirar o público com a arte.

Vale destacar a nova extensão envidraçada do Royal Opera House: a entrada de vidro pela rua Bow Street, que proporciona a todos os pedestres que passam pela construção uma ótima visualização do ambiente interno. Há ainda um espaço de foyer adicional, na entrada para o Covent Garden Piazza, que é atrativo para os visitantes.

Essas duas novas entradas tornaram o edifício mais convidativo e, além disso, melhoraram a iluminação interna, já que a luz natural é agora também a luz ambiente. Há ainda um terraço externo no nível do Hall de Paul Hamlyn, o que deixou o ambiente mais próximo do público.

A área do piso térreo foi ainda ampliada em 50%, aumentando, assim, o espaço no saguão do Royal Opera House, onde estão as bilheterias, a área de estar para os visitantes e as instalações de vestiário.

Há, ainda, novos bares no térreo e no nível do anfiteatro, que foram totalmente reformados, e também um novo conjunto de escadas. Além disso, o Clore Studio Upstairs foi remodelado e tem um novo sistema de assento retrátil instalado.

2. Teatro Colón

O Teatro Colón foi inaugurado dia 25 de maio de 1908 em Buenos Aires, com a ópera Aída, de Giuseppe Verdi. Reconhecido pela acústica e o valor artístico da construção, o teatro é considerado um dos melhores do mundo.

O edifício substituiu o antigo Teatro Colón, construído no mesmo bloco que o Banco Nación, de frente à Praça de Maio, que funcionou entre 1857 e 1888. O projeto inicial foi do arquiteto Francesco Tamburini e, com sua morte, foi continuado pelo sócio, o arquiteto Víctor Meano, autor do palácio do Congresso Nacional.

As obras seguiram até 1894, mas pararam por questões financeiras. Em 1904, após a morte de Meano, o governo encarregou ao belga Jules Durmal finalizar a obra. Ele introduziu modificações estruturais, deixando seu estilo francês na decoração.

O edifício tem um estilo eclético do início do século XX, com 8.202 metros quadrados, dos quais 5.006 correspondem ao edifício central e 3.196 a dependências de baixo nível da passagem Arturo Toscanini.

No total, a superfície coberta do edifício antigo era de 37.884 metros quadrados, mas hoje chega a 58.000 metros quadrados, depois das ampliações realizadas pelo arquiteto Mario Roberto Álvarez.

A sala principal do teatro tem forma de ferradura, de acordo com as normas mais severas do teatro clássico italiano e francês. A ferradura tem 29,25 metros de diâmetro menor, 32,65 de diâmetro maior e 28 de altura.

Já o térreo do teatro está margeado de camarotes até o terceiro andar, com uma capacidade de 2.478 lugares, mas também pode receber até 500 pessoas de pé.

A cúpula, de 318 metros quadrados, contava com pinturas de Marcel Jambon, que se deterioraram nos anos 30. Na década de 1960, decidiu-se pintar novamente a cúpula e o trabalho foi encarregado ao pintor argentino Raúl Soldi, que a inaugurou em 1966. No meio dela, está um lustre de bronze, com 7 metros de diâmetro e que pesa mais de uma tonelada. A acústica da cúpula é também muito bem desenvolvida para abrigar os mais diversos instrumentos musicais e gerar distintos efeitos sonoros.

A acústica do Teatro Colón é de altíssima qualidade e se deve principalmente à técnica aplicada à forma da ferradura da sala, o que gera uma boa reflexão do som, praticamente uma câmara de ressonância. As proporções arquitetônicas e a qualidade dos materiais da cúpula também favorecem a qualidade da acústica. O uso da madeira bem distribuída, as cortinas e a tapeçaria foram totalmente pensados para favorecer a emissão dos sons.   

O cenário tem uma inclinação de três centímetros por metro e tem 35,25 metros de largura por 34,50 de profundidade e 48 de altura. O fosso da orquestra tem capacidade para 120 músicos.

3. Teatro Bolshoi

O Teatro Bolshoi começou como teatro privado do príncipe de Moscou, Pyotr Urusov. Em 28 de março de 1776, a imperatriz Catarina II concedeu a ele a organização de espetáculos de teatro e bailes por 10 anos.

A partir dessa data, o Teatro Bolshoi de Moscou traçou sua história. No início, a ópera e as trupes dramáticas do Teatro Bolshoi formaram uma única companhia. Os membros da empresa vieram de várias origens, desde artistas de seriados a convidados do exterior.

O primeiro edifício do teatro foi erguido à margem direita do rio Neglinka, que ficava na rua Petrovka, de onde deriva o nome Petrovsky, que depois foi mudado para Teatro Petrovsky Antigo.

O teatro abriu em 30 de dezembro de 1780. A performance de abertura foi um prólogo The Wanderers, escrito por Alexander Ablesimov, e um grande balé de pantomima The Magic School, produzido por Leopold Paradis para música de Joseph Starzer. Mais tarde, o repertório do teatro consistia na maior parte de balés e óperas cômicas russas e italianas.

O Teatro Petrovsky, construído em tempo recorde (menos de seis meses), foi o primeiro edifício público de tal tamanho e beleza em Moscou. No outono de 1805, o prédio foi incendiado.

Em 1819, foi anunciada uma competição por projetos para um novo teatro. Um delicado processo de restauração foi iniciado em 1825 para a consagração do Bolshoi como um dos teatros mais famosos do mundo.

Em outubro de 2011, ele foi reaberto após restauração. De acordo com o The New York Times, o concerto de gala noturno da reabertura foi exibido em telas gigantes instaladas em frente ao teatro para o público externo. Na primeira competição de ópera em Moscou, após a reinauguração, o Teatro Bolshoi também foi destaque na mídia devido à ótima qualidade de som.

O Teatro Bolshoi tem a cor creme, com colunas apoiadas em 7.000 novas pilhas, além de um auditório de acústica ressonante em forma de violino. Há destaque, ainda, para as tapeçarias de seda bordadas, os painéis detalhadamente pintados, a decoração em papel machê dourado e a presença de um lustre enorme. Os pisos originais também foram restaurados, assim como todo o estofado original, que levou 3 anos para ser tecido 820 jardas.

A restauração manteve a fidelidade da acústica e ampliou os assentos, que haviam sido reduzidos quando o teatro foi atingido por bombardeios na Segunda Guerra Mundial.

Em entrevista ao NYT, Mikhail Sidorov, porta-voz da Summa Capital, que é a empresa de desenvolvimento do teatro desde 2009, disse que a última restauração foi muito necessária. “Eles não sabiam e não podiam perceber que o estado era péssimo. A condição não era apenas crítica, era catastrófica e poderia entrar em colapso em partes ou completamente”, disse ao jornal norte-americano.

O teatro é referência no mundo das artes com apresentações de clássicos como O Lago dos Cisnes e Giselle. A filial da companhia localiza-se em Joinville (SC), sendo a única fora da Rússia.

4. Teatro Amazonas

O Teatro Amazonas, localizado em Manaus, foi inaugurado em dezembro de 1896. Sua construção foi finalizada no Ciclo da Borracha, época significativa para o crescimento da economia na região, e se deve, então, a esse momento de situação econômica privilegiada.

O teatro abrigou apresentações de nomes como o compositor Heitor Villa-Lobos e a bailarina Margot Fonteyn, além de óperas, danças, orquestras e musicais. Hoje, a sua função de teatro está combinada ao papel de patrimônio cultural e local de memória, sendo também uma espécie de museu. O acervo do Museu do Teatro Amazonas é bem valioso, trazendo objetos das diversas fases da sua história — da construção aos dias atuais.

Desde o início da construção, o objetivo não era fazer apenas um teatro, mas um monumento de arte. O projeto arquitetônico é baseado em um estilo eclético, e foram trazidos arquitetos, construtores, pintores e escultores europeus para a realização da obra.

A cúpula do Teatro Amazonas tem 36 mil peças de escamas de cerâmica esmaltada; telhas vitrificadas da Alsácia, adquiridas na Casa Koch Frères, em Paris; e pintura ornamental de Lourenço Machado nas cores verde, azul e amarelo, em referência à bandeira do Brasil.

Vale destaque para a escadaria de mármore do Teatro Amazonas, que faz os visitantes voltarem no tempo. A decoração do teatro é ainda uma mistura de sofisticação europeia, trazida pelo artista italiano Domenico de Angelis — responsável pelo salão nobre do teatro —, com detalhes da floresta amazônica inspirados pelo pernambucano Crispim do Amaral, que viveu em Paris.

Essa mistura é representada por anjos barrocos próximos a plantas tropicais, enfeites de ouro no teto e nos pilares de mármore francês, mosaico de madeira amazônica no piso e lustres de Murano com lâmpadas elétricas, de época em que grande parte do Brasil vivia às escuras, e teto bordado na sala de espetáculos que dá a impressão aos visitantes de estar embaixo da torre Eiffel, em Paris.

No segundo piso, há, ainda, um camarim com um guarda-roupas antigo repleto de adornos que eram usados em apresentações luxuosas.

5. Teatro alla Scala

O Teatro alla Scala foi inaugurado em 3 de agosto de 1778, em Milão, norte da Itália, no lugar de um antigo teatro que pegou fogo depois de uma festa de carnaval. Ele é tido como o teatro lírico mais famoso do mundo.

Já se apresentaram no Teatro alla Scala: tenores e sopranos como Maria Callas, Luciano Pavarotti, Plácido Domingo, Teresa Berganza, Joan Sutherland, Montserrat Caballé e Josep Carreras e compositores como Verdi, Toscanini e Puccini.

Sua capacidade máxima depois da reforma é de 2.800 pessoas, frente às 1.500 anteriores, e o teatro deve seu nome à igreja que antes se erguia no local, Santa Maria alla Scala. O espaço é aberto a visitas nos dias em que não há apresentações, sendo possível passear pelo interior e vislumbrar as dimensões a partir dos camarotes 13, 15 e 18.

Segundo o The Washington Post, o alla Scala tem uma forma neoclássica, com paredes amareladas, decoração dourada e enormes candelabros. Ele passou por uma reformulação de dois anos que o deixou totalmente renovado. Ainda segundo o The Washington Post, o alla Scala conta com as melhores tecnologias no que diz respeito à acústica e com uma mecânica de palco atualizada, em novo piso. O piso de substituição é de 12 camadas de materiais diferentes, incluindo pó de mármore.

A pátina do alla Scala foi preservada, a pintura em mármore faz a decoração das paredes, o sistema de ar-condicionado foi remodelado, as saídas de emergência foram ampliadas e os assentos do teatro estão equipados com telas eletrônicas que oferecem tradução em inglês, italiano e francês.

6. Ópera de Sydney

Entre os teatros mais famosos do mundo, a Sydney Opera House se destaca. O espaço de espetáculos é um dos mais marcantes e ousados do mundo. Sua arquitetura é famosa pelo uso dos telhados brancos que se sobrepõem, imitando as camadas das conchas de um molusco, dando a sensação de que levitam.

Para atingir a estética desejada, foram 11 anos para completar a cobertura da estrutura. As cascas foram cobertas com 1.056.066 telhas cerâmicas feitas na Suécia, a partir de argila e brita.

A Ópera de Sydney se tornou símbolo da Austrália e entrou para a lista de Patrimônios da Humanidade da Unesco. O espaço, projetado pelo arquiteto dinamarquês Jørn Utzon no ano de 1959, está localizado na baía de Sydney e foi inaugurado apenas em 1973.

É composto por cinco teatros, cinco estúdios de ensaio, dois auditórios, quatro restaurantes, seis bares e lojas de suvenires. O órgão é formado por mais de dez mil tubos, sendo 109 deles visíveis pelo auditório. São 200 fileiras de tubos, agrupados em conjuntos de 127.

A sala menor da Ópera de Sydney foi planejada para apresentações teatrais e modificada para Casa de Ópera e Balé, nomeada Teatro Ópera, sendo pequena para suportar grandes produções. Grandes escadarias levam aos dois auditórios principais. Há, ainda, uma biblioteca e uma sala de cinema adicionadas ao projeto original.

A construção tem um total de 1.000 salas com acesso por um pátio que circunda todo o edifício e conecta os cinco espaços de performance. Os 2.000 painéis envidraçados do edifício são sustentados por barras de bronze. Projetados pelo escritório Ove Arup & Partners, os painéis são formados por duas camadas de vidro e interligadas por plástico, o que reforça as janelas e ainda melhora o isolamento acústico do local.

Em agosto de 1992, Utzon recebeu o Prêmio da Fundação Wolf de Artes, reconhecendo a sua contribuição para a arquitetura. Em 1993, a filha do arquiteto, Lin, inaugurou uma placa de bronze no local homenageando o pai. O custo final da obra foi de 51 milhões de libras, quase 15 vezes maior do que o planejado no orçamento.

E então, o que achou da arquitetura dos teatros mais famosos do mundo? Se tiver a oportunidade, conheça-os nos seus passeios pelo mundo! Se for viajar pelo Brasil, inspire-se também nestas quatro feiras de arquitetura nacionais.

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