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A sustentabilidade na construção civil é um tema urgente, capaz de trazer benefícios a toda a sociedade agora e no futuro (Foto: Senivpetro)

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Sustentabilidade na construção civil contribui para um mundo melhor

01/09/2021

Entenda como a sustentabilidade na construção civil pode ser pensada e de que forma essas ações impactam toda a sociedade!

A sustentabilidade na construção civil não é mais uma meta para o futuro. Trata-se de uma necessidade atual, pois precisamos pensar em maneiras de tornar as nossas cidades melhores e assegurar a existência da espécie humana.

Apesar de todos os malefícios trazidos, a pandemia de Covid-19 também serviu para nos fazer refletir sobre as ações e os rumos que tomamos enquanto sociedade. Esse é o momento para aproveitarmos as novas soluções e tecnologias e repensarmos a forma como criamos, projetamos e vivemos.

Foi justamente esse o tema debatido pelo arquiteto Jorge Elmor, em uma live especial com a equipe Portobello Archtrends. Saiba mais! 

O presente da sustentabilidade na construção civil

Repensarmos a forma como desenvolvemos os edifícios e as cidades é imperativo. Afinal, a construção civil é responsável pela emissão de quase 40% do CO2 do planeta. 

Além disso, as práticas sustentáveis são cada vez mais cobradas pelos clientes e pela sociedade. Em breve, chegaremos a um patamar no qual arquitetos, urbanistas e engenheiros que não se atentarem a essa questão não terão espaço. 

Atualmente, já vemos várias iniciativas nesse sentido. Exemplos são os selos de sustentabilidade para a construção, o IPTU verde e as inovações tecnológicas trazidas pelas empresas do setor. 

Selos sustentáveis 

Os selos de sustentabilidade na construção civil atestam que determinada obra realmente desenvolveu soluções sustentáveis e se preocupou com esses quesitos.

Atualmente, no Brasil, existem quatro que são mais usados:  

  1. Acqua-HQE: desenvolvido a partir da certificação francesa Démarche Haute Qualité Environnementale (HQE), aplicado no Brasil exclusivamente pela Fundação Vazolini. As diretrizes impostas pelo selo precisam ser seguidas desde o planejamento até a execução dos empreendimentos de alto padrão, garantindo um produto final com menos impacto ambiental e maior conforto aos usuários; 
  2. Leadership in Energy and Enviromental Design (LEED): criado pelo United States Green Building Council (USGBC), focado, principalmente, em eficiência energética. A certificação possui diferentes classificações, como condomínios, edifícios zero energia e casas; 
  3. Certificações da GBC: além do LEED, a GBC Brasil tem outras certificações voltadas para condomínios, casas e projetos de interiores residenciais etc;
  4. Acqua Social: dos mesmos criadores da certificação Acqua-HQE, auxilia empreendimentos econômicos e habitações de interesse social.
Projetos corporativos que prezam pela sustentabilidade já são realidade. Como a sede da AMIPA, com ventilação natural, reuso das águas pluviais, iluminação natural, placas solares e outras inovações
Projetos corporativos que prezam pela sustentabilidade já são realidade. Como a sede da AMIPA, com ventilação natural, reuso das águas pluviais, iluminação natural, placas solares e outras inovações (Projeto: Luiz Márcio Carvalho

IPTU Verde 

Aos poucos, os governos municipais também se voltam para a sustentabilidade na construção civil. Várias cidades já oferecem descontos no IPTU, em diferentes níveis, para os contribuintes que adotam práticas sustentáveis nas suas propriedades urbanas. 

Como esse é um imposto municipal, as alíquotas de desconto e as medidas incentivadas variam. As mais comuns são: instalação de sistemas de captação de água da chuva e reuso; construção de telhado verde e jardins verticais; investimento em energia solar; plantio de árvores em frente à residência etc. 

Além do desconto, algumas prefeituras já determinam requisitos mínimos em termos de sustentabilidade para arquiteturas corporativas para que liberem o alvará de construção. Uma dessas cidades é São Paulo, que exige, por exemplo, um sistema de coleta da água da chuva. 

Inovações sustentáveis 

O mercado de construção civil nota as mudanças comportamentais dos consumidores e da sociedade. Por isso, várias empresas lançam soluções diferenciadas, como é o caso da Portobello. 

O porcelanato já é uma alternativa mais sustentável, porque utiliza como matéria-prima a argila, que é retirada de jazidas superficiais que podem ser recuperadas. Diferente, por exemplo, do processo de extração do mármore.

As inovações tecnológicas do mercado de construção civil também favorecem a sustentabilidade, como as lastras da Portobello, que reproduzem outros materiais
As inovações tecnológicas do mercado de construção civil também favorecem a sustentabilidade, como as lastras da Portobello, que reproduzem outros materiais (Projeto: Portobello S.A.

A tecnologia traz muitas possibilidades nesse sentido. Impressões digitais bastante fidedignas permitem recriar inúmeros materiais, sem que seja necessária a remoção deles da natureza, como os diferentes tipos de madeiras e pedras.

Contudo, é sempre importante que os consumidores fiquem atentos, especialmente ao chamado “greenwashing” — quando empresas utilizam o mote da sustentabilidade para vender produtos que, na verdade, não são sustentáveis. 

Portanto, é fundamental buscar informações sobre cada empresa e solução, tornando-se um consumidor mais consciente. 

Mudança de paradigma para a sustentabilidade na construção civil

Para que a sustentabilidade na construção civil se torne uma realidade, é muito importante que haja uma mudança de paradigma, não apenas dos profissionais do setor, mas da sociedade.

Em relação à arquitetura, é válido ressaltar a importância de privilegiarmos a matéria-prima local

Quando você escolhe uma empresa local, o produto não precisa ser transportado por longos trajetos, o que gasta mais combustível fóssil e gera mais emissão de carbono. 

Privilegiar produtos locais é fundamental nessa mudança de paradigma, como o Cobogó Mundaú, da Portobello, que alia sustentabilidade ambiental e econômica
Privilegiar produtos locais é fundamental nessa mudança de paradigma, como o Cobogó Mundaú, da Portobello, que alia sustentabilidade ambiental e econômica (Projeto: Portobello S.A.

Além disso, quando compramos produtos locais, fortalecemos a economia do nosso país, gerando empregos e ficando menos dependentes de outras nações. 

Muitas vezes, isso pode significar pagar um pouco mais, mas garantir que nossas ações sejam revertidas em benefícios para a comunidade na qual estamos inseridos.

Transformações provocadas pela pandemia 

Sem dúvida, a pandemia de Covid-19 é um marco. Além de todas as questões de saúde pública, as transformações na maneira como nos relacionamos ajudaram a levantar uma série de reflexões. O arquiteto Jorge Elmor comentou a respeito delas.

Para ele, esse foi “um momento único na história. O mundo parou para analisar o que acontecerá amanhã. Notamos que os problemas mundiais não vão ser resolvidos isoladamente. Se todos os países não se empenharem, não teremos soluções. Somos um só. Precisamos sair do individualismo e entender que as nossas ações afetam a vida de todas as pessoas”. 

Jorge acredita que esta é a oportunidade para modificarmos a forma como enxergamos a natureza, transformando a visão de que devemos apenas explorá-la ou modificá-la. “Por que temos que desmatar um terreno e construir um projeto paisagístico e não viver em simbiose com as espécies nativas?”, pontuou. 

Projetos residenciais também podem ser mais sustentáveis, como este apartamento com sistemas de inteligência artificial e sistemas de baixo consumo energético
Projetos residenciais também podem ser mais sustentáveis, como este apartamento com sistemas de inteligência artificial e sistemas de baixo consumo energético (Projeto: Jorge Elmor

Jorge ainda deixou uma reflexão aos profissionais da construção civil que ainda não se atentam ao tema. “Em um futuro próximo, muitos clientes não vão mais contratar quem não adota práticas sustentáveis. Todos somos responsáveis pelas mudanças que desejamos, não somente as grandes empresas, mas também os pequenos escritórios de arquitetura. Se amamos nosso planeta e queremos preservar toda essa diversidade, precisamos dar esse passo”. 

O futuro da sustentabilidade na construção civil

A sustentabilidade na construção civil não deve ficar restrita aos projetos residenciais ou corporativos, mas também se expandir ao urbanismo. 

Afinal, vivemos a chamada “era das cidades”. Hoje, temos mais da metade da população mundial vivendo em áreas urbanas. Até 2050, a expectativa é que cheguemos a 70% 

Assim, como urbanistas, é fundamental que pensemos sobre como garantir qualidade de vida sem impactar sobremaneira o meio ambiente. 

Diversas tecnologias surgem no sentido de auxiliar esses processos, como a Inteligência Artificial e a Internet das Coisas. 

Com a pandemia, já vimos muitas delas sendo usadas para ajudar a reduzir os deslocamentos. Por exemplo, com o trabalho via home office, que diminui o impacto dos carros nas ruas. 

Incorporar áreas verdes é uma maneira de transformar nossas cidades, como neste exemplo de Chicago, nos Estados Unidos
Incorporar áreas verdes é uma maneira de transformar nossas cidades, como neste exemplo de Chicago, nos Estados Unidos (Foto: Nancy Bourque

Importância das cidades 

As cidades são extremamente importantes quando pensamos em sustentabilidade e mudanças. Afinal, elas conseguem reunir pessoas com diferentes backgrounds. Essa diversidade traz criatividade, inovação e soluções, elementos fundamentais para construir um mundo melhor. 

Além disso, é nas cidades que temos a percepção da qualidade de vida. 

Quando saímos de casa, notamos o estado de nossas calçadas e ruas, se há um comércio vivo, a presença de áreas verdes e a segurança, entre outros pontos, que são ações governamentais cruciais para melhorar a vida das pessoas. 

Cidades do futuro 

As cidades do futuro precisam ser sustentáveis. E isso significa mudanças a nível de conceito e atitudes. Além de contarem com mais áreas verdes, é imperativo que os grandes centros urbanos sejam caminháveis.

Embora seja um sinônimo de liberdade, o carro transformou de maneira significativa a relação das pessoas enquanto comunidade. Afinal, quando pegamos um automóvel para irmos ao trabalho ou lazer, não temos contato com o entorno, nos desligando dele.

As cidades do futuro deverão ser mais “caminháveis”, com destaque para outros meios de transporte que não o carro. Amsterdã é um exemplo dessa tendência (Foto: Travelblog

As grandes cidades mundiais, como Amsterdã, já notaram a necessidade de reverter essa lógica. Assim, criam soluções que ajudam as pessoas a se deslocarem de forma eficiente com transportes públicos, bicicletas ou a pé.

Quando as cidades se tornam mais caminháveis, além de reduzirmos o impacto trazido pelo uso do carro, também temos uma mudança de perspectiva. Podemos conhecer melhor os vizinhos, frequentar o comércio e, consequentemente, criar uma sensação de pertencimento.

Inclusive, já existem estudos que mostram qual é o impacto do uso de novas tecnologias no nosso comportamento e como elas podem transformar o tecido urbano. Entre elas, temos as compras online.

Certamente haverá mudanças significativas nas nossas cidades, que podem não ser tão benéficas. Sem a movimentação do comércio, as ruas tendem a se tornar menos vivas e seguras, reduzindo a qualidade de vida dos moradores.

Gostou? Já teve alguns insights para repensar a sustentabilidade na construção civil? Aproveite para ler o nosso conteúdo sobre descarte de entulho, com dicas para tornar as suas obras mais sustentáveis!

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