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Casa de Bambu projetada pela arquiteta Elora Hardy (Fonte: Série Home, Apple TV+)

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Como pensar decoração e arquitetura para além de 4 paredes?

04/10/2021

Inspirada na série Home, da Apple TV, Fe Cortez aborda a interligação entre construções e seu entorno. Como fazer com que projetos de arquitetura e decoração sejam o ponto de partida para a inovação sustentável?

Recentemente assisti à série Home, da Apple TV+. Nela são apresentadas 9 construções ao redor do mundo, escolhidas a dedo por serem projetos realmente únicos. Únicos na forma como foram construídos, únicos na estética, e únicos porque dialogam com o entorno para além da visão estética ou funcional de uma construção, eles foram todos pensados para resolver problemas reais de um mundo à beira de um colapso. 

Um dos episódios se passa em Bali, e apresenta uma belíssima casa toda em bambu. Elora Hardy, arquiteta que se especializou neste material, desafia os limites do uso de bambu na construção civil e prova que dá para usar uma matéria prima usualmente aplicada a casas de pessoas mais humildes na região, para criar uma verdadeira obra de arte. O interesse de Elora por esta espécie de grama, que é o bambu, se deu por ele se apresentar uma solução bastante sustentável num dos segmentos de indústria mais insustentáveis do planeta. O bambu demora cerca de 4 anos até estar pronto para o corte, o que representa um tempo muito inferior ao da madeira, esta última uma alternativa por si só mais sustentável que a alvenaria convencional. A genialidade da arquiteta passa por criar uma estética que torna um material popular e pouco valorizado, em uma matéria prima de projetos sofisticados e perfeitamente adaptáveis para o clima tropical. A ventilação da casa é um ponto alto, e na minha visão, deveria ser central para qualquer projeto. Mas mais do que isso, Elora brilha em pesquisar e desenvolver técnicas que permitam uma pegada menor em todo o processo da construção de uma casa.

Detalhe da casa de Bambu projetada pela arquiteta Elora Hardy (Fonte: Série Home, Apple TV+)

Em outro episódio, a estrela da reforma de uma antiga casa de campo no Maine, um dos estados mais frios dos Estados Unidos, foi o resgate de uma tradicional técnica japonesa de queimar madeira, para trazer disrupção estética e sustentabilidade para o projeto do designer Anthony Esteves. Mas não pára por aí. Anthony fez uma extensa pesquisa para criar uma forma eficiente de manter sua casa aquecida o ano todo, num lugar onde a temperatura pode chegar a 13 graus negativos. Usar poucos recursos era uma meta. E a saída foi juntar um fogão à lenha com um projeto especial de ventilação. O resultado: o uso de cerca de dois metros cúbicos de madeira para manter a casa aquecida a 21ºC o ano todo.

Casa de campo no Maine projetada pelo designer Anthony Esteves (Fonte: Série Home, Apple TV+)
Detalhe da casa de campo no Maine projetada pelo designer Anthony Esteves (Fonte: Série Home, Apple TV+)

Essa na minha visão é a pérola deste episódio, já que eficiência térmica e energética já são hoje pautas fundamentais quando pensamos em mudanças climáticas, e soluções que realmente funcionam ainda são minoria. Sobre isso escrevi a minha primeira coluna para este blog. 

Poderia seguir citando os outros personagens e projetos, e é uma série que vale a pena assistir. Mas quero chamar atenção para o desafio que temos enquanto sociedade de repensar a moradia, e consequentemente a forma de construir, para que estejam alinhadas a este momento de mundo. E em ambos os casos a solução tecnológica encontrada não veio de robôs, máquinas ou nanotecnologia. E sim de uma nova lente aplicada a materiais e técnicas ancestrais. Nos dois casos a pesquisa é a base do projeto. E foi a partir de perguntas relacionadas à integração do ser humano e seu entorno que as respostas foram achadas. E a partir daí, a estética segue uma outra ética. Uma ética que entende que o planeta está à beira de um colapso, que não faz mais sentido importar matéria prima do outro lado do planeta, nem seguir a lógica de produzir 2 partes de lixo para cada parte de construção feita. Quando proponho essa pergunta de como arquitetura e decoração podem ir além de 4 paredes, estou falando de muito antes da obra em si começar. Estou falando de como podemos colocar todo o potencial de diversos profissionais que desenham soluções para casas, edifícios e projetos comerciais a serviço da inovação socioambiental. Uma casa é muito mais do que 4 paredes, ela é uma célula imersa em uma comunidade. Não podemos mais pensar projetos que excluam essa variável. Todos nós dependemos da teia da vida para viver. As comunidades são uma pequena porção desta teia. Sigo sonhando com o dia em que universidades e cursos vão partir de perguntas chave como as que fizeram Elora Hardy e Anthony Esteves para desenvolver nos estudantes um novo modelo mental que esteja afinado com o momento de mundo. Quanto potencial existe se fizermos as perguntas certas! Quanta inovação virá quando a gente trocar nossos óculos embaçados e perceber que a vida está para muito além das 4 paredes.

2 Comentários

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  • Marcos A Mendes says:

    Trabalho há dezoito anos com mármores granito , quartzo, quartzito e sintecos.
    Comecei a trabalhar com porcelanato . E gostaria de conhecer os vossos produtos, a logística, a política da empresa na aquisição dos produtos.

    • Portobello says:

      Olá, Marcos,

      Agradecemos o interesse em conhecer melhor a Portobello. Nesse caso, recomendamos você ligar para a nossa central de atendimento 0800 648 2002 para te encaminhar ao setor responsável.

      Grande abraço!
      Equipe Archtrends Portobello