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Seremos ainda mais verdes?

16/10/2017

Leitura recomendada! Há 10 anos foram criadas as primeiras certificações verdes para edificações brasileiras. Mas será se estamos prontos para produzir uma arquitetura socialmente sustentável? Fernando Mungioli destaca as principais construções brasileiras do segmento. Confira no post a seguir.

Mais de uma década se passou desde que foram criadas as primeiras certificações verdes para edificações brasileiras. Há exatos dez anos, era inaugurado o Eldorado Business Center, projeto de aflalo/gasperini, primeiro latinoamericano – oitavo no mundo; terceiro fora dos Estados Unidos – a obter certificado LEED Platinum, a categoria máxima de desempenho pelos critérios do Green Building Council (GBC).

A LEED, ou Leadership in Energy and Environmental Design, é a maior plataforma mundial para avaliar critérios de sustentabilidade, com mais de 170 mil m² certificados diariamente ao redor do mundo. O Brasil ocupa a honrosa quarta posição global em edifícios testados e aprovados, atrás dos EUA, China e Emirados Árabes.

Eldorado Business Tower, projeto de aflalogasperini, foi o primeiro a obter certificação LEED Platinum na América Latina

Eldorado Business Tower, projeto de aflalo/gasperini, foi o primeiro a obter certificação LEED Platinum na América Latina (Foto: Daniel Ducci)

O Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, com projeto de Santiago Calatrava, recebeu em Cannes o prêmio internacional Mipim, como Construção Verde Mais Inovadora. No certame, a obra carioca superou concorrentes do Reino Unido, Suécia e Alemanha. Há dois anos, o edifício Jacarandá, rebatizado de Carlos Bratke após o repentino falecimento do saudoso autor do projeto, também garantiu certificação Platinum.

Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava, premiado internacionalmente fotovoltaicos na cobertura e captação de água na Baía de Guanabara

Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava, premiado internacionalmente: fotovoltaicos na cobertura e captação de água na Baía de Guanabara (Foto: Bernard Miranda Lessa)

Mas além das placas solares, captação de águas, bicicletários, fachadas tecnológicas e outras práticas que tornam uma edificação “verde”, estamos prontos para produzir uma arquitetura socialmente sustentável?

A construção civil é a atividade humana que mais consome e desperdiça recursos naturais e energia, gerando consideráveis impactos ambientais. Credencia-se, assim, a reinventar-se como veículo social, com benefícios aos indivíduos, às micro e macrocomunidades.

Rebatizado de Carlos Bratke, o edifício recebeu certificação LEED for Corel and Shell Platinum, versão 3

Rebatizado de Carlos Bratke, o edifício recebeu certificação LEED for Corel and Shell Platinum, versão 3 (Foto: Cacá Bratke)

As tendências passam pela pesquisa e utilização de materiais naturais, como bambus, fotovoltaicos orgânicos, entre outros. As portas estão abertas às empresas dispostas a olhar para essas práticas. Os consumidores, por sua vez, também buscam maneiras de diminuir o impacto ao meio ambiente e à sociedade.

Um exemplo ainda incipiente no país foi visto durante evento promovido em conjunto pela revista PROJETO com a AMATA, empresa que liga a floresta ao mercado, ao produzir madeira certificada, em larga escala, com responsabilidade socioambiental e garantia de origem, para uso no design de mobiliário e na construção.

Obra do escritório Patkau Architects apresentado pelo engenheiro Eric Karsh durante evento sobre tecnologia CLT

Obra do escritório Patkau Architects apresentado pelo engenheiro Eric Karsh durante evento sobre tecnologia CLT (Foto: Divulgação Amata/ Eric Karsh)

Primeira a conseguir concessão florestal pública no país, a empresa foca suas energias no fomento do CLT – Cross Laminated Timber (em português, Madeira Laminada Cruzada). Trata-se de uma tecnologia que, com o emergente movimento de construção verde na Europa, ganhou força no final dos anos 1990.

 Também com engenharia de Eric Karsh, o Centre Pompidou Metz criado por Shigeru Ban é outro a apostar na madeira certificada em sua estrutura

Também com engenharia de Eric Karsh, o Centre Pompidou Metz criado por Shigeru Ban é outro a apostar na madeira certificada em sua estrutura (Foto: Divulgação Amata/ Eric Karsh)

Lâminas de madeira acomodadas de forma cruzada e coladas nas faces se tornam vigas estruturais fortes e duráveis, suficientes inclusive para edificações em altura. O engenheiro canadense Eric Karsh apresentou o conceito, aplicado em obras de arquitetos como Kengo Kuma e Shigeru Ban. Junto a ele, especialistas e projetistas pioneiros no uso da tecnologia no Brasil apresentaram seus trabalhos. Na plateia, estavam presentes os titulares dos maiores escritórios paulistanos de arquitetura interessados na inovação.

Com engenharia de Helio Olga, e projeto de Aleph Zero com Rosembaum, o premiado projeto de moradias infantis no Tocantins baseou-se no uso da madeira e tijolos produzidos com a terra do próprio sítio

Com engenharia de Helio Olga, e projeto de Aleph Zero com Rosembaum, o premiado projeto de moradias infantis no Tocantins baseou-se no uso da madeira e tijolos produzidos com a terra do próprio sítio (Foto: Leonardo Finotti)

Ao buscarem propósitos sociais, como responsabilidade ambiental e redução nas emissões de carbono, arquitetos vão além da forma, função e funcionalidade, e podem nos aproximar de um futuro mais verde.

As Minimods, idealizadas pelo escritório Mapa Arquitetos, são modulares, pré fabricadas, e têm baixíssimo impacto ambiental

As Minimods, idealizadas pelo escritório Mapa Arquitetos, são modulares, pré fabricadas, e têm baixíssimo impacto ambiental (Foto: Leonardo Finotti)

Obra de Sergio Sampaio, a casa Maria e José mesclou CLT com estruturas metálicas Foto Leonardo Finotti

Obra de Sergio Sampaio, a casa Maria e José mesclou CLT com estruturas metálicas (Foto: Leonardo Finotti)

Projeto do escritório Triptyque para a primeira edificação em altura com CLT no Brasil, na Vila Madalena, em São Paulo

Projeto do escritório Triptyque para a primeira edificação em altura com CLT no Brasil, na Vila Madalena, em São Paulo (Foto: Foto Divulgação Amata/ Triptyque)

Titulares dos maiores escritórios paulistanos de arquitetura reunem-se para conhecerem aspectos técnicos do Cross Laminated Timber (CLT) Foto Divulgação Amata

Titulares dos maiores escritórios paulistanos de arquitetura reunem-se para conhecerem aspectos técnicos do Cross Laminated Timber (CLT) (Foto Divulgação Amata)

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