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O Palácio Nacional de Queluz, em Portugal, é um famoso exemplo do estilo rococó (Foto: Pedro)

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Rococó: o exagero em projetos de arquitetura e decoração

23/11/2020

Conheça o estilo caracterizado pelo equilíbrio entre a emoção e a razão, desenvolvido pela aristocracia europeia do século XVIII. Encante-se com o rococó!

O rococó chegou ao Brasil com a utilização da cerâmica como revestimento para a fachada das obras arquitetônicas litorâneas.

Trata-se de um estilo que foi desenvolvido a partir do modo de vida da aristocracia europeia, sendo requintado e hedonista. Une os detalhes decorativos do barroco e o equilíbrio ornamental do neoclássico.

Acompanhe este conteúdo para descobrir as principais características do rococó e entender como utilizá-lo na decoração contemporânea!

Painel com azulejos em estilo rococó (Foto: Alegna13)

Contexto histórico do estilo rococó

Os estilos artísticos, arquitetônicos e decorativos são divididos em períodos históricos por questões didáticas, com o intuito de facilitar a análise de suas características.

Na prática, eles não ocorreram de forma tão segmentada e, inclusive, muitos coexistiram em momentos de transição.

É interessante notar também que quando surge um novo estilo, esse tende a apresentar características quase opostas ao anterior.

Os diversos períodos artísticos surgiram a partir dos anseios sociais de suas épocas, refletindo a geografia, política e cultura de diferentes povos.

Dessa forma, para compreender melhor uma determinada época, é interessante se situar em relação aos períodos imediatamente anterior e posterior.

Palácio de Catarina, na Rússia, em estilo rococó (Foto: Pikist)

O rococó é um estilo decorativo que precedeu o barroco e antecedeu o neoclássico. Veja, a seguir, as principais características desses dois.

  • barroco: surgiu no século XVI e durou até meados do século XVIII. Dramaticidade; fascínio pelas dores humanas; morbidez; religiosidade; sentimento de culpa; ambientes escuros, mal iluminados e com muita sombra; ornamentação excessiva; e vasto uso da madeira como revestimento para pisos;
  • neoclássico: surgiu no século XVIII e permaneceu até meados do século XIX. Influenciado pelo iluminismo (Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade); ambientes claros; racionalismo; academicismo; inspirado na arte clássica greco-romana; sobriedade, harmonia e beleza estética.
Salão interno do Palácio de Catarina, na Rússia, em estilo rococó (Foto: Aleks G)

A leveza e elegância do rococó

O rococó é um estilo artístico que surgiu na França em 1720 e durou até 1770. Ele influenciou a arquitetura, a decoração, a pintura, a música, o teatro e as esculturas.

A palavra “rococó” vem do francês rocaille, que significa “concha”, um elemento formal muito presente de forma estilizada no estilo.

O estilo mantém algumas das características do barroco e começa a apresentar algumas das peculiaridades que viriam a caracterizar o neoclássico.

Esse foi um período social turbulento na Europa, com a Revolução Industrial, em 1760, e a Revolução Francesa, em 1789. Essa é considerada uma transição do período das trevas para a época das luzes.

Painel em azulejo rococó em sala de estar portuguesa, datado de 1765 (Foto: siwmae)

O rococó é um estilo que reflete o pensamento da aristocracia francesa da época, que acreditava ter encontrado o equilíbrio entre razão e fé. Esteve muito presente na decoração de interiores.

Assim, o rococó é um estilo palaciano, com forte presença de detalhes em ouro, formas curvas e elementos decorativos (flores, laços e conchas).

Exuberante, o rococó substituiu as cores vivas do barroco por tons pastel, tornando a decoração mais leve e delicada.

A presença de grandes janelas, em ambientes com pé-direito alto, permite a entrada de iluminação e traz mais ventilação para os espaços.

Os traços são leves, as texturas são lisas, os quadros são utilizados em tamanhos menores e a elegância substitui o sentimento visceral de inspiração popular.

Arquitetura e design rococó

O rococó não intervém na estrutura arquitetônica das edificações, que se mantém barroca ou renascentista.

As fachadas rococós tendem a um barroco simplificado ou a um renascimento clássico italiano com alguns elementos decorativos.

Como já mencionamos, o estilo decorativo foi vastamente empregado na decoração de interiores, muitas vezes com salões em formatos ovais. 

Salão de festas em formato oval e estilo rococó  (Foto: Peter H)

As paredes são decoradas com pinturas em cores suaves, grandes espelhos em molduras douradas, elementos florais femininos e representações cotidianas.

O estuque — argamassa obtida pela mistura de cal, pó de mármore, gesso e água — foi muito utilizado para decorar tetos e paredes.

O mobiliário rococó é caracterizado por cômodas, escrivaninhas e poltronas com detalhes dourados. Em cima, eram colocados bibelôs de prata e porcelana.

Também estavam presentes grandes relógios de parede, tapetes e objetos decorativos em biscuit, um tipo especial de porcelana não vidrada, utilizada para produzir pequenas esculturas.

Ainda em termos de mobiliário, o estilo Luís XV se desenvolveu na França entre 1730 e 1760, com linhas fluidas, orgânicas, graciosas e ornamentais. É um símbolo do rococó, estilo próprio de uma elite ávida por alegria, convívio social e contato com a natureza.

Cadeira em estilo Luís XV (Foto: mrsiraphol)

O rococó brasileiro

Em 1808, D. João VI abriu os portos brasileiros ao comércio exterior. Com isso, começaram a chegar azulejos para revestir a fachada das edificações.

Esses azulejos chegaram a cidades litorâneas como São Luís, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife para proteger as casas da umidade. O Brasil importava as peças de países como Holanda, Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha e Espanha.

Esse uso foi inspirado no azulejo rococó de Portugal, que já apresentava características de industrialização, como espessura do biscoito reduzida, vidrado liso, decoração estampada ou decalcada e dimensões padronizadas.

O rococó estava presente no padrão estético de painéis azulejados em cores como amarelo, verde e violeta. As molduras, em dourado, eram assimétricas, com motivos florais e cenas bucólicas.

Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, obra do arquiteto e escultor Aleijadinho (Foto: Rodrigo Tetsuo Argenton)

O Brasil foi o único lugar do mundo em que o rococó manteve a característica religiosa do barroco. 

São expoentes brasileiros desse estilo: 

  • Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho): escultor, entalhador, carpinteiro e arquiteto nascido em Ouro Preto (MG);
  • Francisco Xavier de Brito: entalhador e escultor português que viveu em Ouro Preto;
  • Manuel da Costa Ataíde (Mestre Ataíde): pintor nascido em Mariana (MG).

O rococó como inspiração para projetos contemporâneos

O estilo rococó é um clássico decorativo facilmente reproduzível nos dias atuais. No entanto, é preciso tomar cuidado com os exageros.

Elementos

Veja, a seguir, as características do rococó que não podem faltar.

Dourado e luxo

Use acabamentos dourados em molduras de quadros, cabeceiras de camas, puxadores, pés de poltronas, lustres, maçanetas, misturadores e torneiras de pia.

Elementos decorativos dourados também são uma excelente opção, como almofadas; sousplats para mesas de jantar; pratos; talheres; taças; e copos.

Materiais e acabamentos nobres

Mármore carrara e granito preto absoluto são bons exemplos. Em projetos contemporâneos, dê preferência a materiais que reproduzem essas pedras, como o porcelanato.

Lembre-se de que o rococó é um estilo da aristocracia, que fazia questão de demonstrar a sua riqueza a partir da decoração.

Projetos luminotécnicos podem valorizar e destacar peças, criando um ambiente ainda mais diferenciado e confortável.

Michelangelo, porcelanato da Portobello que reproduz o mármore carrara, agora em formato de lastra (Projeto: Portobello S.A.)

Janelas amplas

Espaços bem ventilados e iluminados são uma marca do rococó. O uso de vitrais, trazendo cores suaves para os espaços e trabalhando texturas e opacidades de diferentes tipos de vidros, cria uma dança da luz solar dentro do espaço ao longo do dia. 

Traços leves e formas orgânicas

Opte por formas mais arredondadas para o mobiliário (mesas, sofás, cadeiras, mesas de centro etc) e para os detalhes decorativos (relógios de parede, espelhos, quadros etc).

O rococó também propõe uma proximidade maior com a natureza, sendo interessante a presença de plantas nos ambientes. 

Fontes em jardins

Em termos de paisagismo, utilizar fontes é uma das características do rococó.

Essas esculturas tornam o ambiente mais luxuoso e trabalham a presença da água, aproximando as pessoas da natureza.

Nos jardins também são comuns os murais de azulejo em tons de azul, amarelo, verde e lilás. As fontes apoiadas em paredes são comumente revestidas por esses materiais.

Novamente, o porcelanato se apresenta como uma alternativa para um projeto contemporâneo que reúne tradição, beleza, tecnologia e praticidade.

Sala de jantar contemporânea com detalhes dourados típicos do estilo rococó (Projeto: Portobello S.A.)

Estilos

Para decorar um ambiente tendo essa inspiração, é interessante escolher como base um estilo contemporâneo minimalista e optar por móveis e objetos decorativos do rococó.

Seguem alguns exemplos.

Estilo escandinavo

Ideal para quem quer desacelerar e levar uma vida mais simples, esse é o estilo decorativo dos países nórdicos. As cores são claras, com grandes janelas e muita entrada de luz.

Para trazer um pouco do rococó, invista em pontos de destaque, como cadeiras no estilo Luís XV e quadros com molduras douradas.

Estilo internacional

Surgido na década de 1920, é caracterizado pelo vasto uso de esquadrias metálicas e vidro.

Dessa forma, a luz natural inunda as casas, integrando os ambientes internos e externos e trazendo a natureza para dentro dos lares.

Em termos de paisagismo, a inspiração rococó se faz pela presença de fontes neoclássicas e belos painéis revestidos em azulejo.

Essas cerâmicas podem retratar cenas mitológicas com tons de azul e dourado.

Decoração contemporânea que remete ao estilo rococó  (Projeto: [RE UNIR] por Carolina Rubin; foto por Elizandro Giacomini)

Ao empregar traços do estilo rococó em seu lar, o ambiente se torna esteticamente equilibrado sem perder o charme de detalhes inspiradores.

Gostou de revisitar a história do rococó? Então, veja mais conteúdos sobre história da arte: conheça os principais trabalhos de Christo e Jeanne-Claude!

Foto destaque: O Palácio Nacional de Queluz, em Portugal, é um famoso exemplo do estilo rococó (Foto: Pedro)

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