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Quando o assunto é hotelaria, turismo ou arquitetura, hoje em dia, o céu é o limite

04/11/2019

Há uma mudança clara nas tendências hoteleiras pelo mundo e as novidades nada mais são que um reflexo direto da sociedade em que a gente vive hoje.

De uma maneira geral, o mundo mudou com uma rapidez ímpar nas últimas duas décadas. Estas transformações – climáticas, tecnológicas e sociais – afetaram quase todos os segmentos da sociedade. 

No mundo da hotelaria, isso não podia ser diferente. Se antes nossas opções limitavam-se ao albergue desconfortável, à pousada para famílias ou ao palácio tradicional, agora há uma infinidade de novas opções.

Com isso em mente, vale lembrar a origem do que hoje chamamos de hotel. Na antiga Pérsia (na mesma área onde hoje fica o Irã), as casas de banho funcionavam como uma parada para viajantes da região. O Império Romano utilizava mosteiros para a mesma finalidade. Japoneses ofereciam comida, massagem e gueixas para visitantes desde o ano 705 e, no século 17, a Europa Ocidental popularizou o conceito de Inns, ou seja, residências que abriam suas portas por um preço fixo e ofereciam em troca cama, banheiro e alimentos.

Registro em uma das viagens pelo programa Pedro pelo Mundo, do canal GNT (Arquivo: Pedro Andrade)

Viagens pelo programa Pedro pelo Mundo, do canal GNT (Foto: arquivo Pedro Andrade)

Minha experiência no universo da hotelaria não é acadêmica, porém é intensa e cheia de altos e baixos. Nos últimos quatro anos, tive o privilégio de explorar este setor de maneira aprofundada por comandar o Pedro Pelo Mundo, um programa apresentado pelo locutor que vos fala, que gira em torno do aspecto humano de cada cidade e que já me levou para mais de quarenta e cinco países. Apesar de não fazermos cobertura de hotéis, no final de cada dia de gravação, temos que dormir em algum lugar. De certa maneira, esta é uma forma mais autêntica e menos tendenciosa de avaliar tudo, desde o inesquecível até o traumatizante.

De lá pra cá, já ficamos em tendas no meio do deserto da Arábia na companhia de beduínos, em boutique hotels em Berlim, em referências de glamour em Omã, em sinônimos de sofisticação em Singapura, em acampamentos cercados por leões e elefantes em Botswana, em casas residenciais em Cuba e a lista continua.

Hoje, há procura intensa por locais ricos em segmentos espirituais, cercados por natureza (Foto: arquivo Pedro Andrade)

Hoje, há procura intensa por locais ricos em segmentos espirituais, cercados por natureza (Foto: arquivo Pedro Andrade)

Após centenas de estadas por – pelo menos – cinco continentes, posso afirmar com convicção que há uma mudança clara nas tendências hoteleiras. Diria que as novidades presentes nessa indústria nada mais são que um reflexo direto da sociedade em que a gente vive hoje. 

Um dos novos fenômenos tem a ver com nossa necessidade de nos desconectarmos da vida digital, para que possamos nos reconectar uns com os outros, com nossa paz interior e com a natureza. Observamos uma procura intensa por esse tipo de opção em locais ricos em segmentos espirituais e, geralmente, cercados por natureza. Camboja, Sri Lanka, Malta, Peru e até mesmo cidades rurais na Georgia e no Brasil.

Sustentabilidade é outra palavra muito citada nesse meio nos dias de hoje. Cada vez mais a gente tem a preocupação de cuidar dos nossos arredores sem abrir mão do conforto. O uso de plástico foi reduzido pela metade, leis urbanísticas são bem mais severas, itens reciclados hoje em dia são um bônus, o desperdício de comida não é mais encarado como luxo e o impacto que o ato de viajar tem no planeta é muito mais positivo que antes. Desde companhias especializadas em reconstruir cidades destruídas por desastres naturais (como o Caribe ou Porto Rico, após o avassalador furacão Maria) até empresas que acreditam no reflorestamento de comunidades carentes em nações africanas. 

Lagoa Azul, na Islândia: piscina artificial aquecida pelo calor que sai do vulcão (Foto: Coletivo Criativo Portobello)

Lagoa Azul, na Islândia: piscina artificial aquecida pelo calor que sai do vulcão (Foto: Coletivo Criativo Portobello)

Outro sinal dos tempos, é o poder das redes sociais. Vivemos em um mundo onde mais invejável que ter muito dinheiro, é visitar – e postar no Instagram –  lugares únicos e memoráveis mundo afora. Grandes templos em Mianmar, um passeio de balão em Dubai, as planícies de sal no Deserto do Kalahari, a Lagoa Azul na Islândia, o Museu Bilbao na Espanha, uma ponte gigante sustentada por duas mãos de concreto no Vietnã, edifícios brutalistas na Rússia, a antiga planta nuclear de Chernobyl, na Ucrânia – e isso é só o começo.

Wythe Hotel, situado em uma histórica fábrica no Brooklyn (EUA)

Wythe Hotel, situado em uma histórica fábrica no Brooklyn (Foto: Daniel Selser)

Quarto com vista para a Cordilheira do Cáucaso, na Georgia (Foto: Rooms Hotel Kazbegi)

Quarto com vista para a Cordilheira do Cáucaso, na Georgia (Foto: Rooms Hotel Kazbegi)

Falando em construções, um estilo turístico inusitado que apareceu não muito tempo atrás é o arquitetônico. Este modelo é dividido em dois segmentos: um que envolve viagens inteiramente planejadas com o objetivo de explorar a evolução urbana de um determinado local (desde tours por museus em Manhattan até passeios em torno de estruturas soviéticas na Estónia) e o outro, hotéis construídos em prédios inusitados e históricos. Alguns exemplos: Soho House em Berlim, dentro da antiga sede da juventude nazista de Hitler; Wythe Hotel no Brooklyn, dentro de uma fábrica têxtil muito popular nos início do século 19; High Line Hotel, dentro de um monastério ainda ativo; Jumbo Hostel, localizado em um aeroporto abandonado na Suécia; Langholmen Hotel, construído dentro de uma penitenciária tenebrosa em Stockholm; e Rooms Hotel, em uma casa lindíssima que até o meio do século passado servia como um manicômio na Cordilheira do Cáucaso.  

Soho House, Berlim (Foto: Ansgar Koreng)

Soho House, Berlim (Foto: Ansgar Koreng)

Interior do Jumbo Hotel (Foto: Stefan Schäfer, Lich)

Interior do Jumbo Hostel, na Suécia (Foto: Stefan Schäfer, Lich)

Esportes radicais tornaram-se uma bela atração relacionada ao segmento turístico também. Desde resorts que proporcionam mergulho com tubarões até pular de paraquedas sobre florestas austríacas. Hoje, tudo é possível. Se o cliente pode sonhar com aquilo, cabe a indústria da hotelaria concretizar esse desejo custe o que custar. 

A ideia pode parecer extravagante, no entanto, certos investimentos vão muito além do aspecto comercial. Sempre digo que uma casa pode pegar fogo, um carro pode quebrar, um relógio pode ser roubado, mas as experiências que a gente conquista em viagens, essas ninguém tira da gente. Por isso, quando você planejar sua próxima aventura, lembre-se de que nunca na história da humanidade tivemos tantas opções no segmento turístico, arquitetônico e hoteleiro. Hoje em dia, literalmente, o céu é o limite.

(Foto de capa: Rooms Hotel Kazbegi)

1 comentário

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  • Dorothy Rocha says:

    Li e reli o texto. Minha impressão: O autor não teve tempo de rever a sua produção pois, em alguns momentos, ele escreve na primeira pessoa do singular, outras vezes na primeira pessoa do plural E, ainda há um parágrafo que não me pareceu claro. Refiro-me ao que se inicia com : “Falando em construções…” Minha observações vão apenas no sentido de contribuir , com o autor, se ele me permitir. De toda forma pretendo acompanhar seus texto mensais . Pedro, escrever não é fácil mesmo.