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Islândia: Terra do Fogo e do Gelo

03/05/2019

Empreendedorismo, trabalho coletivo, perseverança e criatividade fizeram com que a Islândia mudasse um cenário negativo e se tornasse o destino de milhares de turistas.

Poucos lugares no mundo são tão inóspitos quanto a Islândia. Os Vikings que o digam. Ao chegarem à Terra do Fogo e do Gelo no século IX, provaram que o homem é capaz de sobreviver até num lugar assombrado por grandes tempestades de neve, vulcões em erupção, vegetação carente e fauna escassa. Apesar de todos estes obstáculos, a população conseguiu – ao longo dos séculos – desenvolver um mecanismo de defesa potente utilizando empreendedorismo, trabalho coletivo, perseverança e criatividade.

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De lá para cá muito mudou, no entanto, os islandeses ainda usam estas habilidades irraigadas no DNA da cultura local diariamente. A gente nota isso na gastronomia (a comida da ilha revolucionou o conceito de culinária nórdica), na arte (por anos Björk foi considerada a cantora mais inovadora do showbiz mundial), no design (aconchegante e minimalista com o intuito de tornar ambientes frios em locais convidativos), na política (a Islândia é pioneira na liderança feminina e nos direitos humanos de minorias) e, é claro, na arquitetura (arrojada, sustentável, geometricamente precisa, futurista e, na medida do possível, inspirada em tons presentes na natureza local).

Blue Lagoon é impressionante, umas das atrações mais visitadas da Islândia

A capacidade de transformar uma situação negativa em algo positivo é para poucos. De um tempo para cá, a Islândia tornou-se um exemplo de estratégia turística para países nos cinco continentes. Por incrível que pareça, desde 2010 este segmento cresceu 25% ao ano e, hoje, a ilha com pouco mais de 300 mil habitantes (pouca gente se levarmos em consideração que a Barra da Tijuca no Rio de Janeiro, por exemplo, abriga mais que 700 mil pessoas) recebe em média 3 milhões de estrangeiros entre março e novembro.

A natureza exuberante encanta os milhares de turistas

Esta onda surgiu graças a três fatores. Primeiro, a crise econômica de 2008 impulsionou os islandeses a procurarem fontes de renda inusitadas e desenvolvimento em setores alternativos, entre eles, o turismo. Em seguida, a erupção do vulcão  Eyjafjallajokull em 2010 ilustrou capas de jornais no mundo todo, trazendo a atenção de muita gente para a Islândia. Em terceiro, um fenômeno chamado Instagram mudou a forma como a gente escolhe nossos destinos de viagem. Nesse quesito, é raro encontrar um local mais fotogênico que esse país.

Sua autenticidade climática e social é claramente refletida em vários aspectos do dia a dia da população, que acredita em duendes e nos poderes cósmicos da Aurora Boreal. Eles também são pioneiros no sucesso de um partido politico pirata dedicado à transparência total da vida pública e a taxa de criminalidade é tão baixa que a polícia sequer anda armada.

O paisagismo, a decoração e a arquitetura também impressionam pela originalidade. Apesar de não podermos comparar as construções locais com as de grandes metrópoles como Roma, Paris ou Londres, há um estilo coerente com toda a autenticidade da ilha. Talvez o nome mais influente na Islândia nesse segmento seja Guojon Samuelsson. Nascido na capital Reykjavik, em 1887, foi responsável pelo Teatro Nacional, pela maior universidade do país e pela igreja Hallgrimskirkja. Tudo que ele fez foi inspirado na natureza local. Desde o formato pontiagudo dos icebergs do norte do país, até a textura porosa da superfície dos vulcões espalhados pela ilha, cada detalhe era ferramenta de criação para o que ele chamava de arquitetura modernista islandesa.

Igreja Hallgrimskirkja (Fonte: tourismlandscapes.blogspot.com)

Entre outras construções memoráveis na Terra do Gelo e do Fogo estão a sala de concertos Harpa , a piscina Hofsos, a biblioteca Nordic House e uma das construções mais antigas do país: a residência Saubaerkirkja, erguida em 1858.

Nos meus dias em Reykavyk, tive a chance de entrevistar a primeira mulher a ser eleita à presidência de um país europeu. Durante nossa conversa, ela disse que a maior lição da vida dela veio de um ditado viking muito popular no país: “A sabedoria é sempre bem-vinda, independente de onde ela vier”. Talvez este ensinamento seja a inspiração por trás da atitude perseverante, adaptável e autêntica que se tornou marca registrada dos islandeses.

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