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Ponte Moisés: uma atração na Holanda nos tempos de pandemia

05/07/2021

A Ponte Moisés que dá acesso ao forte Hoovere, na cidade de Halsteren, sul da Holanda, é como uma trincheira construída dentro de um canal, permitindo aos visitantes caminharem pelas águas assim como Moisés. Confira mais!

A Mozesbrug, traduzida do holandês para ‘Ponte Moisés’, permite aos visitantes andarem pelas águas através de um projeto relativamente simples mas superinteressante: uma trincheira de madeira construída dentro de um canal.

Sim, essa trincheira/ponte está construída entre as águas!

Ponte Moisés
Vista do meio da ponte, entre as águas  (Foto: rapapazi )

Esse projeto é como se fosse um túnel sem teto, possibilitando aos visitantes acessarem o forte Hoovere e explorarem a natureza da região através de um novo ponto de vista, de dentro da água, mas sem estar molhado. Já pensou?

O forte Hoovere fica localizado na região sudoeste da Holanda e faz parte da ‘linha de água’, uma linha de defesa de fortes que estão posicionadas em um relevo mais alto, como se fossem morros artificiais que foram construídos ali estrategicamente. Por ser uma área de inundação, antigamente os holandeses inundavam a região abrindo as eclusas e, assim, se defendiam dos seus inimigos.

Ponte Moisés
A água do canal fica bem rente ao limite da ponte, dando a sensação de estar realmente dentro da água (Foto: Pit Spielmann)

A ‘linha de água’ se tornou patrimônio histórico-cultural do país e por muitos anos havia sido esquecida. Recentemente, por um incentivo do governo, o forte de Hoovere foi renovado e transformado em um parque com zonas recreativas, café bar, teatro ao ar livre, caminhos de pedestres, vias de bicicletas e percursos para mountain bike.

Por se tratar de um forte ilhado por suas fossas em todo o perímetro, era preciso criar um acesso através de uma ponte, e foi assim que os arquitetos do escritório holandês RO&AD foram chamados pela prefeitura da região para desenvolverem esse projeto.

Ponte Moisés
Foto aérea tirada com o drone (Foto: Tim Koning)

Segundo os arquitetos, seria estranho construir uma ponte sobre o fosso de uma fortificação, especialmente pelo fato de que a ponte deveria ser construída do lado de onde antigamente o inimigo era esperado. Levando-se em consideração esse fator histórico, os autores do projeto resolveram criar uma ponte que não fosse visível à distância.

Quanto ao material utilizado para a construção dessa ponte, os arquitetos optaram pela madeira acoya preservada e impermeabilizada, gerando pouco impacto ambiental e se encaixando em mais um exemplo de arquitetura sustentável na Holanda.

Ponte Moisés
Acesso a ponte que fica esculpida no relevo, o nível da ponte fica entre duas escadarias (Foto: Ana Luiza Camargo)

Na Holanda, é muito tradicional a prática de patinação no gelo durante o inverno. A Holanda possui as características perfeitas para a prática dessa atividade por ser um país plano e possuir muitos canais e lagos que atravessam todo o país.

Por conta disso, a Ponte Moisés é inundada durante o inverno para que os patinadores não caiam nesse vão da trincheira. A ponte é inundada somente quando a previsão de temperatura indica que ficará abaixo de zero por muitos dias, consequentemente, congelando os canais. Infelizmente, por conta do aquecimento global, isso não tem acontecido todos os anos.

Ponte Moisés
Ponte inundada durante o inverno, canal congelado possibilitando a patinação no gelo (Foto: Corwin)

Os holandeses têm uma relação muito forte e bonita com a água, sabemos que grande parte do país se encontra abaixo do nível do mar e que o território holandês só se mantém seco por conta do incrível gerenciamento de águas feito através dos diques de água, eclusas etc. 

Essa relação histórica está representada nesse lindo projeto, mostrando ao público suas duas versões (passado e presente) em um mesmo espaço:

 – No passado, eles usavam essa mesma água para se protegerem de seus inimigos;

– Atualmente ela é utilizada como um elemento recreativo.

Esse projeto permite que essas duas versões sejam vistas e experimentadas, mesmo que de forma imaginária, respeitando e relembrando a história do lugar.

O que acharam desse projeto? Compartilhe com a gente a sua opinião!

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