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O tempo da cerâmica

13/05/2019

A arte da cerâmica é tão primitiva quanto a experimentação humana com terra, água e fogo.

Muito provavelmente é dela que surgem os primeiros objetos usados de forma funcional ou cerimonial e sua longevidade constitui uma pista fantástica e, às vezes, a única evidência artística de civilizações desaparecidas.

Foto: André Nazareth

Sua história perpassa quase todos os continentes, mas especialmente as culturas orientais, africanas, maias e gregas, assim como os países ocidentais modernos, como a Inglaterra, a Itália, a Alemanha e a Austrália.

Hoje a cerâmica foi redescoberta por novos criadores em busca de algo mais artesanal para o dia a dia, talvez em reação à era tecnológica, onde tudo se alcança com um simples deslizar de dedo.

Por outro lado, não conseguimos mais viver sem a tecnologia e buscamos intensamente fazer parte de alguma coisa maior. E é justamente esse sentido de pertencimento, de se sentir incluído, que nos oferece o produto artesanal.

Foto: André Nazareth

Nossa sociedade, com sua tecnologia avançada e mentalidade de consumo de bens descartáveis, começa a olhar para suas raízes culturais mais profundas e passa a ver o ceramista como um respeitado fornecedor de utensílios para o cotidiano.

Existe uma qualidade primordial que está presente em um produto feito à mão e ausente no mundo da indústria. Uma sensibilidade imaterial, que tem a ver com a espontaneidade e o talento do artista.

No caso da cerâmica, essa característica manual – que aceita a imprevisibilidade das coisas, suscitada por artistas que rejeitam as aspirações de perfeição – é uma escolha estética deliberada, que resulta num desenho irregular, despretensioso e deliciosamente rústico.

Essa questão da verdade do objeto, que não passa pelo molde ou pela máquina de reprodução em série, é a busca primordial da ceramista Denise Stewart.

Foto: André Nazareth

Foto: André Nazareth

Denise trabalha com as mãos, o olhar e o coração. Suas criações são precisas e utilitárias. Vão da cozinha à mesa, seguem para todos os espaços da casa, na forma de acessórios inteligentes, e são feitas para durar toda uma vida. Ela gosta de fazer cerâmica para as pessoas. E o que a atrai é a natureza tátil da matéria-prima, combinada à sensação e ao som do barro em suas mãos – assim como as peculiaridades e anomalias decorrentes do processo de construção.

Dessa forma, a artista molda com um senso de proporção e afeto, dedicada e apaixonadamente, inspirada pelas pessoas e pelo mundo ao redor, buscando formas que sejam funcionais e tragam beleza para os nossos espaços do dia a dia, numa aceitação quase filosófica sobre o resultado final do trabalho.

Foto: André Nazareth

 

Foto: André Nazareth

Foto: André Nazareth

Denise domina um ofício complexo e busca transmitir seu conhecimento, ensinando e formando ceramistas habilidosos e fazendo parcerias prolíficas – como as jarras desenvolvidas com a arquiteta Lia Siqueira, que ilustram a capa e as primeiras páginas do livro recém lançado pela ceramista.

“Denise imprime, na sua expressiva produção artística, a arte da cerâmica, do belo e do utilitário. O barro ganha forma e responde ao seu gestual em composições que exploram os motivos, a matéria opaca, o esmaltado e as formações escultóricas. Delicado diálogo de múltiplas combinações”, resume Lia.

A cerâmica é ao mesmo tempo a mais simples e a mais difícil de todas as artes. E a mais natural e responsável forma de criação.

 

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