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O novo pré-fabricado

11/07/2018

Há décadas na fila para se tornarem protagonistas da arquitetura, as construções pré-fabricadas ganham corpo como solução, sem perder a qualidade do desenho. Tecnologia e evolução de materiais são os elementos-chave que permitem hoje um salto ainda maior para esse tipo de construção.

Datam dos anos 1960 as primeiras informações sobre a então novidade: a construção de casas pré-fabricadas. Com a promulgação de componentes sob essa premissa, e a crescente industrialização da construção civil, era crível pensar em uma revolução para habitação popular. Ledo engano: o déficit habitacional permanece nos dias de hoje, e as casas pré-fabricadas, no geral, são voltadas para classes abastadas. Excluem-se dessa conta, no Brasil, alguns exemplos de moradias populares em sistema steel frame, que reduz o tempo de obra e o desperdício de materiais, mas não chegam a ser, na maioria dos casos, 100% pré-construídas.

Também não durou muito a febre das casas pré-fabricadas em madeira nos anos 1980, que apresentavam patologias severas ao longo do tempo, em uma época em que a madeira maciça ainda era obtida de forma nem sempre legal e aplicada sem tratamento. Tampouco havia isolamentos adequados, térmicos e/ou acústicos.

Hoje, a ideia de resultado rápido a preço reduzido não é o ponto primordial para a escolha na hora da decisão entre um sistema construtivo tradicional ou pré-fabricado. O fator rapidez ainda conta – e muito –, mas hoje a opção passa mais pelo resultado estético, pela facilidade de transporte de materiais e, principalmente, pelo desempenho em sustentabilidade. Ou seja, o valor sustentável agregado e os custos reduzidos de implantação e manutenção são mais decisivos que o de mão de obra, mesmo que em tese essa última também seja menor.

Como já vimos neste espaço, o escritório Mapa Arquitetos obteve destaque recentemente com suas casas Minimod – pré-fabricadas e moduladas de acordo com as especificidades de cada paisagem e o desejo dos usuários, permitindo diversas alternativas de acabamentos. Maior precisão e rapidez construtiva, menor quantidade de resíduos e responsabilidade ambiental estão entre as vantagens do sistema, cujo material principal é um painel maciço de madeira, obtido por meio de uma trama de lâminas CLT. Nesse caso, as Minimod são produzidas para suprir a demanda de clientes por uma segunda casa, um refúgio de lazer.

O sistema construtivo das casas Minimod se baseia na combinação de módulos, que são escolhidos de acordo com as especificidades de cada paisagem e o desejo dos usuários. (Imagem: divulgação)

Outros exemplos, vindos do exterior, corroboram a ideia de trazer esse tipo de sistema à tona para um espaço de lazer, não necessariamente como primeira opção de lar. Montada em apenas cinco horas, a Casa Montaña, do estúdio espanhol Baragaño, mantém o estilo dos arredores, porém com linhas bastante contemporâneas. Pré-fabricada em aço e madeira, a casa pode ser desmontada e transportada para outro local. A dificuldade de acesso ao terreno foi um dos fatores para decisão pelo sistema, que obtém ganhos financeiros significativos nessas condições. Já a WikkelHouse, do estúdio holandês Fiction Factory, pode ser construída em apenas um dia e é produzida com uma espécie de papelão, com revestimento exterior impermeável em madeira.

casas pré-fabricadas

A casa Montaña foi montada em apenas 5 horas, e seus módulos levaram 4 meses para serem produzidos (Foto: Mariela Apollonio / Divulgação)

Pré-fabricada em aço e madeira, a casa Montaña foi projetada em oito módulos de dimensões iguais, anulando praticamente qualquer geração de resíduos (Foto: Mariela Apollonio / Divulgação)

casas pré-fabricadas

A WikkelHouse, feita com uma espécie de compensados de papelão, tem vida útil de pelo menos 100 anos e foi patenteada pelo escritório holandês Fiction Factory (Foto: Divulgação)

A última novidade nacional nesse setor vem do projeto Syshaus. Pré-lançado na Casacor 2018, é um sistema para residências de alto padrão que pretende revolucionar o mercado. Modular e totalmente pré-fabricado, permite erguer a estrutura em alguns dias, de forma sustentável, sem resíduos nem água. Chamada de “prêt-à-porter” no Studio Arthur Casas, a casa é considerada pelo autor como um produto de design, além de arquitetura. O processo inteligente permite o aproveitamento integral dos materiais durante a construção, que leva 28 dias – enquanto uma residência de mesmo porte levaria no mínimo um ano e meio para a entrega das chaves. A ideia é que o produto seja 100% reciclável, já entregue com mecanismos de captação de água, energia solar e biodigestor, que transforma os descartes orgânicos em gás para cozinha e lareira. Os interiores seguem o conceito free standing, com armários e cozinha em módulos, o que permite a desmontagem e mudança de local.

casas pré-fabricadas

A Syshaus, de Arthur Casas, possui estrutura, vidas e parafusos em aço, e dispensa fundações ou concretagem – é montada em um sistema de encaixes (Foto: Filippo Bamberghi/Studio Arthur Casas)

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Na Syshaus, os armários e itens de cozinha são todos modulares, e podem ser desmontados para mudança de local (Foto: Filippo Bamberghi/Studio Arthur Casas)

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A casa, com generosas aberturas, permite ventilação e iluminação naturais e tem opção de telhado verde (Foto: Filippo Bamberghi/Studio Arthur Casas)

Se a hora e a vez das pré-fabricadas realmente chegou, resta aguardar e analisar seu desempenho nos próximos anos. Mas pelos exemplos atualmente encontrados, vemos que o caminho para a aplicação em larga escala em projetos de habitações de interesse social ainda parece completamente distante.

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