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No Fear of Glass: uma exposição dentro do Pavilhão Mies Van Der Rohe usa o vidro como elemento principal

17/02/2020

A Fundação Mies Van der Rohe e a Side Gallery apresentam uma exposição em Barcelona que desafia os limites das propriedades do vidro.

Dois grandes nomes modernos da arquitetura e design de Barcelona, a Fundação Mies Van der Rohe e a Side Gallery, se unem para apresentar uma nova exposição dentro do Pavilhão Mies Van der Rohe.

Chaise Longue no interior do edifício (Foto por Bárbara Cassou)

Chaise Longue no interior do edifício (Foto por Bárbara Cassou)

“No fear of glass” é o nome dado à exposição, concebida por Sabine Marcelis. Sabine é uma designer holandesa, nascida em Rotterdam, que vem tomando a cena na Europa e no mundo. Acaba de ser considerada “Designer of the year 2020” pela revista Wallpaper. Tornou-se famosa por seu design conceitual e experimental que traz resultados instigantes e inovadores. Usa das propriedades dos materiais, transformando-os e concebendo peças ímpares para o mundo do design. Destacou-se principalmente por suas peças chamadas “Candy Cubes” nas lojas da marca Celine, que são cubos maciços coloridos, usados como expositores, mesinhas de centro, apoiadores etc. (Para saber mais detalhes de seu trabalho, leia a matéria: Os cubos e o estilo de Sabine Marcelis, designer que conquistou a Europa).

O conceito da exposição foi brincar e questionar sobre o pedido recebido ao arquiteto Mies Van der Rohe, ao projetar o Pavilhão em 1929, de não usar muito vidro. Mies, junto com Lilly Reich, designer alemã que sempre trabalhou lado a lado com o arquiteto, utilizaram e experimentaram diversos tipos de materiais para criar a ideal arquitetura moderna na época, incluindo o rigor da geometria e o uso do vidro para usar ao máximo a iluminação natural.

Luminária e chaise longue no interior do edifício (Foto por Bárbara Cassou)

Luminária e chaise longue no interior do edifício (Foto por Bárbara Cassou)

Sabine Marcelis leva as propriedades do vidro no seu limite, criando formas inovadoras e curvadas, constratando com a rigidez e modernidade da arquitetura do Pavilhão, mas ao mesmo tempo, faz com que esses objetos se integrem, dentro da cena modernista de Mies.

A exposição é composta por três objetos: uma chaise longue, uma luminária e uma fonte.

A chaise longue fica na parte de dentro do pavilhão. Possui uma base com o mesmo mármore travertino do piso e seu corpo é feito por uma única chapa de vidro curvada, que faz um degradê do vermelho ao transparente.

Mies usou oito colunas de metal cromado como suporte estrutural do edifício. Sabine apresenta a luminária como se fosse a nona coluna do edifício, feita de vidro espelhado com a lâmpada rigorosamente vertical.

Já o elemento que compõe a fonte, fica localizado no espelho d’água do lado de fora do pavilhão. É também uma chapa de vidro curvada de cor azul, que parece flutuar na água e joga uma pequena cascata de água por seus dois laterais extremos.

Fonte curvada no espelho d'água no exterior do edifício (Foto por Bárbara Cassou)

Fonte curvada no espelho d’água no exterior do edifício (Foto por Bárbara Cassou)

Sabine Marcelis sempre trabalhou experimentando e manipulando as propriedades dos materiais no seu limite, estendendo sua qualidade e performance. O que de primeira vista parece ser uma forma esteticamente pura, em realidade tem por trás uma incansável pesquisa e experimentação dentro do processo de produção. A designer traz um olhar inteligente aos materiais do Pavilhão Mies Van der Rohe em Barcelona, onde o vidro, o metal cromado e o mármore travertino das suas peças esculturais se mesclam com o edifício, interferindo gentilmente na arquitetura cartesiana de Mies.

Luminária como a nona coluna estrutural do edifício (Foto por Bárbara Cassou)

Luminária como a nona coluna estrutural do edifício (Foto por Bárbara Cassou)

“No fear of glass” não é somente mais uma intervenção na Fundação Mies Van der Rohe, (confira aqui outros exemplos de intervenções já feitas lá: Desmaterialização de Mies Van der Rohe e Pavilhão de Mies Van der Rohe ganha cara de casa) é um constante debate sobre as possibilidades que o modernismo trouxe para a sociedade e que ainda tem muito o a oferecer e evoluir.

 

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