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Cores, formas, iluminação e organização: elementos fundamentais presentes na neuroarquitetura (Projeto: Portobello S.A.)

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Neuroarquitetura: use conhecimento científico para projetar ambientes

07/02/2022

Saiba tudo sobre o conceito de neuroarquitetura: o que é, como funciona na prática, quais são as vantagens e como aplicar nos projetos!

Por se tratar de uma área dinâmica, a arquitetura apresenta constantemente tendências, com abordagens que alteram as práticas e geram resultados inovadores. Uma delas é a neuroarquitetura, corrente que ganha espaço em projetos do Brasil e do mundo por sua capacidade de promover ambientes mais humanizados.

Para ouvir o áudio completo, clique no play abaixo:

Disciplina criada a partir da junção de esforços do neurocientista Fred Gage e do arquiteto John P. Eberhard para entender como o ambiente físico influencia no funcionamento do cérebro humano, a neuroarquitetura busca projetar casas, empresas e escolas levando em conta o bem-estar integral dos indivíduos.

Os criadores são fundadores da Academia de Neurociência para a Arquitetura, instituto que promove conferências para a divulgação de estudos. Considerando que vivemos um momento em que o desenvolvimento dos seres humanos está em proeminência, esse conceito apresenta soluções que já aparecem no mercado.

Neste artigo, você poderá conferir o que é a neuroarquitetura, como funciona na prática, quais são as suas vantagens e como aplicá-la em construções e reformas. Confira!

O que é a neuroarquitetura? 

Neuroarquitetura, café, jardim vertical
O jardim vertical em parede estratégica é um dos recursos da neuroarquitetura (Projeto: archibox arquitetura)

Basicamente, a neuroarquitetura é uma disciplina que tem como referência o estudo da neurociência aplicada à arquitetura, considerando as suposições científicas sobre o funcionamento do cérebro humano para projetos arquitetônicos. 

Dessa forma, explora como ambientes podem ser aprimorados a fim de proporcionar experiências saudáveis aos usuários. Com base em pesquisas e exames — como a ressonância magnética e o eletroencefalograma —, ela pôde observar que alguns gatilhos que ativam determinadas regiões do cérebro são itens da arquitetura. 

É claro que a influência e o impacto da arquitetura na experiência humana já eram conhecidos. No entanto, a neuroarquitetura vai adiante ao tentar entender como o espaço desenvolvido influencia na mudança de processos mentais, até mesmo além da consciência. 

Assim, os profissionais empregam recursos que auxiliam na identificação com o ambiente, como a utilização de elementos orgânicos, a exemplo de luz e ventilação. A intenção é criar espaços híbridos, com composição interna e externa simultaneamente. 

Nesse sentido, a compreensão aprofundada das emoções e das respostas corporais — conscientes e inconscientes — podem ajudar na concepção de edificações melhores.

Como funciona na prática?

A neuroarquitetura funciona a partir de diretrizes básicas. Uma das que mais se destacam apresentando aspectos funcionais na área se refere ao estudo de determinados padrões de cores e disposições. Além deles, estão as pesquisas sobre:  

  • ligação das atividades cerebrais com os ambientes, de forma que raciocínio e comportamento se modifiquem de maneira positiva;
  • impactos na saúde física e mental, visto que os espaços contribuem para o bem-estar generalizado.

Quais são as vantagens da neuroarquitetura? 

A neuroarquitetura contribui para o aumento da concentração e, assim, melhora a produtividade (Projeto: Portobello S.A.)

A neuroarquitetura oferece benefícios que podem ser sentidos assim que o indivíduo entra em contato com o ambiente planejado. A seguir, confira quais são os principais.

Melhora na concentração 

Os ambientes desenvolvidos a partir da técnica da neuroarquitetura trabalham regiões específicas do cérebro. 

Dessa maneira, ao utilizar seus princípios nos espaços, a capacidade de foco e concentração pode aumentar de forma significativa. 

Diminuição de problemas emocionais 

Certos padrões de formas e cores em determinados ambientes são capazes de transformar a maneira como a pessoa se sente. 

Assim, quando a neuroarquitetura é aplicada corretamente, estimula a produção de pensamentos e sensações positivas, o que auxilia no controle de doenças emocionais. 

Aumento da produtividade

Os preceitos da neuroarquitetura já são utilizados em diversos ambientes de trabalho para obter bons resultados. 

Afinal, eles se refletem na forma como os colaboradores se sentem. Muitos conseguem ficar mais produtivos e tomar melhores decisões.

Como aplicá-la em projetos?

Como vimos até aqui, a neuroarquitetura é aplicada de forma a melhorar a qualidade de vida das pessoas que frequentam determinados espaços. A seguir, veja como fazer isso na prática.

Iluminação natural

neuroarquitetura iluminação natural
Iluminação adequada proporciona corforto visual (Projeto: Portobello S.A.)

Um dos principais recursos utilizados na neuroarquitetura é a valorização da entrada de luz natural nos ambientes. 

Além de estar associada a vantagens positivas relacionadas aos ciclos fisiológico e psicológico, ela auxilia na economia de energia elétrica, o que contribui para a sustentabilidade. 

De forma prática, um projeto deve buscar posicionar os móveis próximos de janelas amplas e incentivar a criação de claraboias.

Espaços verdes

neuroarquitetura áreas verdes
Áreas verdes promovem o bem-estar em ambientes residenciais e corporativos (Projeto: Portobello S.A.)

Certamente, as plantas estimulam o bem-estar e o relaxamento em ambientes residenciais e corporativos.

Além disso, aproximam as pessoas da natureza, motivo pelo qual são recursos muito empregados pela neuroarquitetura.

Com vasos, cachepôs, floreiras, hortas e jardins verticais, é possível promover sensações positivas em diferentes espaços.

Ambientes de descontração

neuroarquitetura sala para relaxar
A neuroarquitetura pode ser empregada para a construção de salas de descompressão
(Projeto: Luciana Gibaili Interiores / Foto: Alessandro Gruetzmacher)

Os espaços de descompressão são cada dia mais usados. Isso porque têm influência direta no comportamento das pessoas, permitindo que elas se sintam relaxadas e descontraídas.

Aliás, essa é uma forma de criar perspectivas positivas em relação a uma empresa, resultando na sensação de pertencimento da equipe e, consequentemente, contribuindo para a sua produtividade.

Acústica

A acústica do espaço projetado é outra preocupação para a neuroarquitetura. Afinal, o nível de ruído tem grande capacidade de influenciar no humor e na concentração das pessoas. 

Nesse sentido, é interessante conhecer a NBR 10152, que versa sobre conforto acústico no interior das edificações.

Basicamente, os ambientes devem ter níveis de som que variam entre 45 dB e 50 dB. Acima dessa marca, os ruídos tendem a causar irritabilidade.

Organização

neuroarquitetura organização
A neuroarquitetura leva organização e funcionalidade para esta cozinha gourmet (Projeto: Portobello S.A.)

Quando aplicada corretamente, a neuroarquitetura otimiza os espaços com mobiliário especialmente planejado para os diferentes ambientes.

Um projeto inteligente consegue propor soluções que sejam condizentes com as necessidades de seus usuários, aliando beleza e funcionalidade, além de estimular os sentidos.

Isso ajuda na organização de equipamentos e objetos em geral, seja em residências ou outras edificações.

Por sua vez, um ambiente devidamente organizado é capaz de gerar a sensação de bem-estar e tranquilidade. 

Cores

neuroarquiteura cores
A escolha da cor certa pode levar modernidade e aconchego aos ambientes (Projeto: Portobello S.A.)

Por meio da psicologia das cores, é possível entender melhor o comportamento humano que é ocasionado pela percepção dos variados tons, analisados pelos cérebros em diferentes níveis.

Seja pela energia transmitida pelos fótons luminosos, pelos padrões filogenéticos, pela frequência eletromagnética, pela semiótica etc.

Esses fatores inerentes à experiência individual e social geram respostas à presença das muitas nuances que existem.

Dessa maneira, dá para criar várias atmosferas a partir das cores empregadas nos ambientes, provocando sensações distintas.

Ventilação

Esse é outro recurso utilizado na neuroarquitetura que tende a gerar grande impacto sobre a saúde das pessoas. 

A ventilação natural oportuniza a purificação dos ambientes pela entrada e saída de ar. Além disso, permite o controle da umidade e melhora a sensação térmica.

Por isso, planejar o posicionamento de esquadrias e demais entradas é fundamental. 

É preciso considerar aspectos como a ventilação cruzada e trocar ar quente ou frio de acordo com os materiais e métodos usados na construção.

A atuação da ventilação artificial — propiciada de forma mecânica por ventiladores, ar condicionado e exaustores — oferece calor e frescor aos espaços, além de proporcionar a renovação e purificação do ar. 

Em casos como esses, é importante ficar atento ao uso adequado dos aparelhos, para tirar o máximo proveito dos seus benefícios. 

Prever o modelo adequado de ar condicionado ao tipo de espaço, posicionando-o de maneira a melhorar a circulação de ar no ambiente, é uma forma de fazer a diferença e ter um espaço agradável.

Como você pôde conferir, a neuroarquitetura integra diferentes conceitos, de modo a alcançar o bem-estar, a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos.

Portanto, é essencial que engenheiros, arquitetos e designers compreendam como o cérebro do cliente responde aos estímulos externos, considerando suas particularidades. Assim, poderão elaborar projetos personalizados, que ofereçam o conforto esperado.

Gostou deste artigo? Então, saiba como ter um espaço multiuso em casa!

Foto de destaque: Cores, formas, iluminação e organização: elementos fundamentais presentes na neuroarquitetura (Projeto: Portobello S.A.)

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