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Lúcio Costa: vida e obra do idealizador de Brasília

04/09/2020

A capital brasileira não seria a mesma sem Lúcio Costa. Conheça mais sobre a vida e obra do homem por trás da ideia do plano piloto.

Foi no governo do presidente Juscelino Kubitschek que a capital do Brasil deixou de ser o Rio de Janeiro e se tornou uma cidade projetada especificamente para receber esse título. Moderna, estrategicamente localizada e símbolo dos “50 anos em 5”, Brasília só foi possível graças a Lúcio Costa, arquiteto responsável por colocar no papel o tão sonhado plano piloto.

Pioneiro, vanguardista e pluralista, esse brasileiro nascido na França representa a diversidade desde o dia em que veio ao mundo. No artigo de hoje, vamos conhecer mais sobre a vida e o legado de Lúcio Costa, além da linha Brasília, da Portobello, que é inspirada na obra-prima do arquiteto e ganhou recentemente porcelanatos no formato 90×90 cm. Confira!

História

Museu das Missões, uma das obras de Lúcio Costa (Foto: Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania)

Museu das Missões, uma das obras de Lúcio Costa (Foto: Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania)

Nascido em Toulon, o arquiteto, urbanista e professor Lúcio Costa (1902–1998) era filho do almirante e engenheiro naval Joaquim Ribeiro da Costa, o que o fez morar em diversos países.

Essa pluralidade se refletiu em seu trabalho e até em sua formação acadêmica: ele estudou na Royal Grammar School, em Newcastle (Inglaterra), e no Collège National, em Montreux (Suíça). Depois, voltou ao Brasil em 1917 e entrou na Escola Nacional de Belas Artes, concluindo o curso de Arquitetura e Pintura em 1924.

De 1922 a 1929, o arquiteto manteve um escritório em sociedade com Fernando Valentim. Seus primeiros trabalhos seguiam um estilo neoclássico, com muitas referências à arquitetura colonial. Atribui-se à dupla a criação do Castelo de Itaipava, em Petrópolis, mas Lúcio Costa creditava o projeto totalmente ao seu antigo sócio.

Seu interesse pela arquitetura modernista surgiu em 29, quando conheceu a Casa Modernista de São Paulo — considerada a primeira residência do tipo no Brasil e atualmente um museu na cidade. A criação do arquiteto russo-brasileiro Gregori Warchavchik alimentou o interesse de Lúcio Costa por esse movimento, que já despertava sua atenção pelos trabalhos de Le CorbusierMies van der Rohe.

Em 1930, aos 28 anos, Costa foi nomeado diretor da Escola Nacional de Belas Artes. Foi lá que ele conheceu o então aluno e futuro parceiro Oscar Niemeyer. Seu objetivo era introduzir o modernismo na instituição, que era combatido pelo corpo docente na época. Para isso, convidou Warchavchik a dirigir o ensino de arquitetura e criou o salão livre de artes plásticas, local que permitiria experimentações artísticas de alunos e professores.

A reação, infelizmente, não foi das melhores: professores e acadêmicos começaram uma greve que durou por volta de seis meses, culminando em seu afastamento.

Em 1931, organizou o salão anual da escola. Pela primeira vez em 38 anos, a instituição recebeu artistas e intelectuais para participar da Exposição Geral da Escola Nacional de Belas Artes. A edição ficou conhecida como O Salão Revolucionário, mas resultou na exoneração de Lúcio Costa do cargo de diretor.

Parceria com Oscar Niemeyer

 Oscar Niemeyer (à esquerda) e Lúcio Costa (Foto: Jean-Pierre Dalbéra)

Oscar Niemeyer (à esquerda) e Lúcio Costa (Foto: Jean-Pierre Dalbéra)

Niemeyer era cinco anos mais novo que Costa — ele, aliás, pediu para ser seu estagiário. Chegou ao escritório de Costa, um arquiteto já consagrado, e pediu para trabalhar de graça.

Mas os dois revolucionários da arquitetura brasileira só começaram a trabalhar juntos em 1939. No ano anterior, no Pavilhão do Brasil em Nova York, Costa recebeu o primeiro prêmio no concurso, mas propôs que Niemeyer fosse o escolhido por julgar que sua ideia de implantação no terreno era melhor.

Então, ele o chamou para uma parceria em um projeto novo: o Palácio Gustavo Capanema, nova sede do Ministério da Educação e Saúde do Rio de Janeiro. O convite para foi feito a Costa pelo então ministro da Educação Gustavo Capanema.

O convite para a colaboração se estendeu a outros jovens arquitetos: Carlos Leão, Affonso Reidy, Ernani Vasconcellos e Jorge Moreira. A construção, que também recebeu a consultoria de Le Corbusier, é considerada por muitos a primeira e mais significativa obra da arquitetura modernista brasileira.

Livros

  • Razões da Nova Arquitetura, 1939;
  • Considerações sobre o Ensino da Arquitetura, 1945;
  • O Arquiteto e a Sociedade Contemporânea, 1952;
  • Lúcio Costa: Sobre Arquitetura, 1962;
  • Registro de uma Vivência, 1995.

Principais obras

Palácio Gustavo Capanema, primeira obra em parceria com Niemeyer (Foto: Rodrigo Pereira da Silva)

Palácio Gustavo Capanema, primeira obra em parceria com Niemeyer (Foto: Rodrigo Pereira da Silva)

Lúcio Costa já chegou a declarar que arquitetura “é, antes de mais nada, construção, mas construção concebida com o propósito primordial de ordenar o espaço para determinada finalidade e visando à determinada intenção”.

Conheça suas mais importantes obras:

  • 1936: edifício-sede do Ministério da Educação e Saúde Pública, atual Palácio Gustavo Capanema (RJ);
  • 1937: Museu das Missões, em São Miguel das Missões (RS), e projeto para rampas do Outeiro da Glória (RJ);
  • 1939: pavilhão do Brasil na Feira Internacional de Nova York, residência Hungria Machado/atual consulado da Rússia (RJ) e casa de veraneio do barão de Saavedra, em Petrópolis (RJ);
  • 1944: Park Hotel São Clemente, em Nova Friburgo, e Parque Guinle, em Laranjeiras (RJ);
  • 1952: Projeto da Casa do Brasil, em conjunto com Le Corbusier, na Cité Internationale Universitaire de Paris;
  • 1956: sede social do Jockey Club do Brasil (RJ);
  • 1957: plano piloto de Brasília;
  • 1967: Barra da Tijuca, plano piloto da expansão da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Obra-prima

Plano piloto de Brasília desenhado por Lúcio Costa (Foto: Uri R)

Plano piloto de Brasília desenhado por Lúcio Costa (Foto: Uri R)

Pensada nos mínimos detalhes, Brasília ficou pronta em 6 de março de 1960, mas sua inauguração só ocorreu em 21 de abril do mesmo ano. Aqui, a parceria com Niemeyer se repete para a criação de um dos marcos históricos do urbanismo do século XX.

Ao contrário do que se possa imaginar, Lúcio Costa não foi convidado para trabalhar no planejamento. Na verdade, ele sequer era cogitado para ser o autor. A ideia de JK era que Niemeyer fosse o inventor da nova capital do Brasil.

Ele, no entanto, preferiu fazer os palácios. Assim, organizou um concurso para a escolha do plano piloto, o projeto urbanístico do núcleo da cidade. Por unanimidade, Lúcio Costa foi escolhido; diz-se que Niemeyer deixava transparecer o desejo de que seu antigo chefe vencesse.

De acordo com Costa, seu projeto foi “um ato deliberado de posse, um gesto de sentido desbravador”. Apesar de simples, o plano incorporava ideias da arquitetura modernista, especialmente as de Le Corbusier.

Visão geral de Brasília (Foto: Sabrina Fontinele)

Visão geral de Brasília (Foto: Sabrina Fontinele)

A Rodoviária, a Esplanada, a Torre de TV, a Universidade de Brasília (UnB), as superquadras, a Praça dos Três Poderes, a localização e o volume do Conjunto Nacional e do Conic são ideias do arquiteto incluídas no plano piloto.

Já Niemeyer foi responsável pelos palácios (o da Alvorada foi criado antes mesmo da escolha do projeto), o Congresso, a Catedral, o Teatro Nacional, a Igrejinha, a Praça do QG do Exército e os ministérios.

Outro grande parceiro na construção de Brasília foi Athos Bulcão, responsável pelos azulejos que transformaram a capital brasileira em uma galeria de arte ao ar livre.

Nem Oscar Niemeyer nem Lúcio Costa compareceram à inauguração. Niemeyer alegou que não gostava da pompa das grandes cerimônias. Já Costa não quis comparecer sem a mulher, Leleta, falecida em um acidente de carro seis anos antes. Ele estava ao volante.

Em 6 de março de 2020, Brasília completou 60 anos.

Inspiração

Rascunhos que formam a base do plano piloto (Foto: Arquivo Público do Distrito Federal/Fundo Novacap)

Rascunhos que formam a base do plano piloto (Foto: Arquivo Público do Distrito Federal/Fundo Novacap)

Olhando para a proposta e pensando na ideia de grande avanço dos 50 anos em 5, pode-se pensar que a ideia por trás do plano piloto era de representar Brasília com a forma de um avião. No entanto, a inspiração de Lúcio Costa veio do sinal da cruz.

No relatório que escreveu para justificar seu projeto, o arquiteto diz que o formato “nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz”.

E o formato arqueado? Segundo o próprio, foi um ajuste feito para se adequar ao relevo da região. Mas, para ele, se assemelha mais ao de uma borboleta.

Linha Brasília: homenagem ao grande triunfo de Lúcio Costa

Linha Brasília, formato 90x90, traz o ar de modernidade elegante da capital brasileira (Projeto: Portobello S.A.)

Linha Brasília, formato 90×90, traz o ar de modernidade elegante da capital brasileira (Projeto: Portobello S.A.)

Clássico e, ao mesmo tempo, contemporâneo, o cimento é um material que ganhou mais força com o sucesso do estilo industrial. No entanto, ele também era um indicador de modernidade na década de 1960, com superfícies de concreto aparente.

Criada em 2013 pela Portobello, a linha Brasília se inspira na arquitetura criada por Costa e Niemeyer ou inspirada por ela, trazendo um olhar novo sobre esse material.

Suas superfícies únicas aparecem representadas em porcelanatos nos seguintes formatos: 20×120 cm, 60×120 cm, 20×180 cm, 60×180 cm, 30×60 cm, 60×60 cm e 30×90 cm. Recentemente, a linha ganhou também uma versão no formato 90×90 cm.

O arquiteto Lúcio Costa trouxe uma visão contemporânea, diversa e concreta para o planejamento de Brasília. Hoje, diferentes profissionais usam suas experiências de vida para criarem peças únicas, com referências e profundidade. Conheça arquitetos, designers e artistas que cocriaram com a Portobello!

Foto de destaque: Homenagem a Lúcio Costa (Foto: Arquivo Central UnB)

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