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Estreita e comprimida, o layout da loja Romã Haus organiza o espaço a partir da entrada com a exposição dos produtos e comunica a linguagem acolhedora do ambiente (Foto: Mariana Boro)

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Projeto da Romã Haus propõe uma experiência sensorial feminina

12/05/2021

Loja passa por reposicionamento e é exemplo de que o design de varejo tem um papel estratégico nos resultados do negócio.

Tudo começou com a intenção de mudar somente o piso da loja, localizada em Florianópolis, Santa Catarina. Depois de participar, em 2020, de uma das maiores feiras de varejo e tecnologia do mundo, a NRF Retail Big Show, em Nova York, a proprietária Daniela Feyh não só voltou com outro pensamento sobre o negócio como trouxe uma indicação de arquiteta para fazer o projeto. “Ela chegou querendo mudar tudo, já estava com o mindset de melhorar a experiência do cliente dentro da loja”, conta a jovem arquiteta Carolina D’Ely, indicada por uma amiga para desenvolver o projeto.

Pequenas delicadezas que ativam o emocional do cliente, oferecendo uma experiência mais completa e sensível. As formas curvas são protagonistas em todo o projeto (Foto: Mariana Boro)

Há dois anos à frente do escritório Freguesia, Carolina, que também é formada em Administração, atua com projetos de arquitetura comerciais e corporativos focados no design de varejo, experiência, consumo e comportamento. Apaixonada por marketing e comunicação, quando descobriu o design de varejo percebeu que poderia atuar nesses dois campos. Ela compartilha dicas e descobertas na conta do escritório no instagram @freguesia.co. Dá uma espiada no pequeno Guia de Insights de Como Adaptar o seu Negócio Pós-Covid 19.

Jornada do consumidor

Para começar um projeto nesse nicho de mercado, é importante estar abastecido de dados fruto de pesquisas e análise de tendências de comportamento, além do desejo do cliente, para ser assertivo em um contexto de mudanças profundas na jornada de compra do consumidor. Carolina diz que o foco é despertar os sentidos e mostrar ao cliente que o design de espaços físicos tem um papel estratégico nos resultados do negócio.

“Nessa atividade de compra dentro de uma loja, 98% é emocional e 2% racional, quando despertamos esses sentidos atrelados as cores, a música, ao cheiro, por exemplo, conseguimos atingir o lado emocional do consumidor”, afirma. 

Após a entrada, o percurso continua em direção ao “coração da Romã”, espaço sensorial onde a narrativa da loja é traduzida em cores, formas arredondadas, arcos, palavras, exposição distinta de produtos e a experiência do balanço (Foto: Mariana Boro)

Rosas da oma para a Romã Haus

Entender a marca, sua história, valores e DNA é o princípio do processo de criação dentro do escritório Freguesia. E a Romã Haus carrega uma história familiar linda de contar: a loja existe há 30 anos no mesmo local e vendia de tudo um pouco para toda a família, era dos pais da Daniela e chamava-se Barraquinha. Quando ela assumiu o negócio familiar, começou a implementar um processo de mudança até completar o reposicionamento com novo nome e espaço físico, mas sem mudar de lugar. 

Já a história do nome também merece ser contada. Em uma reunião para repensar a nova identidade, a atenta designer gráfica viu sobre a mesa uma flor e perguntou que flor era aquela. Dani contou que a sua oma (avó) gostava de plantar rosas no jardim e ela adquiriu o mesmo hábito de plantar rosas em casa e colher para fazer um arranjo.  Assim, naturalmente, as rosas da oma viraram romã, que é amor ao contrário, cuja fruta representa a fertilidade, a palavra está associada ao feminino e toda essa potente história foi explorada no projeto arquitetônico. 

“A narrativa dessa história gerou a experiência que foi levada para a escolha das cores, dos arcos, do espaço sensorial no meio da loja, que se tornou o coração da Romã”, explica Carolina. 

Proprietária da Romã Haus, Daniela Feyh (Foto: Mariana Boro)

Escolhas para ativar os sentidos

Diversos elementos de projeto somaram para ativar os sentidos e contar essa história: a instalação de rosas penduradas no teto, o balanço para as mulheres se sentirem livres a partir do movimento fluido e solto, o granilite no tom rosa e vinho no piso. “O principal propósito da loja é conectar as mulheres consigo mesmas”, reforça.

Nenhuma das escolhas foi por acaso. As protagonistas formas arredondadas dos arcos e das prateleiras, por exemplo, são mais agradáveis ao olhar e nos levam a consumir mais, nos fala a arquiteta. É fácil entender se a gente fazer o exercício de contemplar a natureza, com suas formas orgânicas e curvas, e lembrar do sábio arquiteto Niemeyer para quem a curva era essencial além de remeter a forma feminina. Os arcos também representam o conceito vintage incorporado ao projeto. 

A Bárbara Cassou, correspondente internacional do Archtrends Portobello em Barcelona, arquiteta e mestre em Retail Design, disse em matéria aqui no Archtrends que os arcos voltaram como protagonistas ou em detalhes principalmente em projetos de interiores comerciais. Dá uma olhada na seleção de projetos que ela fez mostrando essa tendência.

No mesmo conceito de ativar os sentidos a partir de experiências diversas ao consumidor, Carolina fez uso de palavras que trazem mensagens dentro do espaço físico da loja, funcionando como um canal de comunicação com o cliente. Ao ler as frases e palavras, imediatamente é perceptível a delicadeza proposta pelo projeto de interiores e a sensibilidade da arquiteta.

Arquiteta Carolina D’Ely, do escritório Freguesia (Foto: Mariana Boro)

Percurso do cliente

O percurso do cliente inicia com a exposição de produtos logo na entrada da loja, em seguida ele vai para o “coração da Romã”, onde foi criado o espaço sensorial cuja narrativa trabalha com encantamento e exposição distinta de produtos. Depois chega-se aos provadores, planejados para uma melhor experiência possível nesse local. “É onde nos conectamos com nossa essência”, diz a arquiteta. 

Ao final, o projeto definiu uma área de estar e café junto ao caixa, com produtos de beleza e bem-estar, além de uma linha de produtos para casa. 

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