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maquete de Rodrigo Ohtake

Volumes e curvas dão a tônica ao projeto de Rodrigo Ohtake. As lastras Oh!Take, cortadas em filetes, se mostram extremamente flexíveis (Foto: Guto Campos / Divulgação Portobello)

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Sob a escala da maquete

16/05/2022

Ferramenta fundamental para a maioria das arquitetas e arquitetos, também uma forma lúdica de pensar espaços, volumes e visuais, as maquetes pairam sobre o imaginário de profissionais e leigos. A Mostra UNLTD Dreams da Portobello traz à tona o pensamento de oito representantes da arquitetura e arte brasileiras, e adiciona o tema novamente às rodas de debates arquitetônicos

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Sempre fui aficcionado por maquetes. Ao adentrar o sem número de escritórios, mostras e exposições de arquitetura visitados nos últimos 22 anos de jornalismo especializado, minha primeira atitude – escusa, claro – é olhar ao redor, buscar onde estão expostas as peças que mexem com o imaginário de clientes, arquitetos e semi-leigos como eu. Ao encontrá-las, busco me abaixar e colocar meu olhar no mesmo plano, visualizar o volume, os espaços internos, me imaginar dentro daquele local e, principalmente, encontrar cenas cotidianas representadas pelas escalas humanas que geralmente fazem parte dessas – por que não – esculturas que mimetizam a realidade.

Dito isso, claramente sou fã das maquetes de representação, muito mais do que as de estudos volumétricos, embora também me encante por essas. Ao visitar a abertura da Mostra Unlimited Dreams, da Portobello (confira a mostra aqui), que contou com trabalhos de Rodrigo Ohtake, Paola Navone, Gabriela de Matos, Martin Corullon, Mila Strauss, Alex Atala, Carlos Carvalho e Mariana Maran, me transportei para esses espaços e, além de me deliciar com esses visuais lúdicos, recordei de tantas imagens que capturei ao longo de anos e publicava, ‘em off’, nas minhas redes sociais pessoais, mas que agora divido com vocês, leitores do Archtrends.

Forma e função em perfeita harmonia no projeto de Martin Corullon. A versatilidade do uso das Lastras Portobello se faz presente (Foto: Guto Campos / Divulgação Portobello)

Antes disso vale destacar a beleza e precisão das maquetes da mostra. Entre oito peças de arte arquitetônica, seria injusto tentar identificar preferências. Mas foi nas peças de Rodrigo Ohtake e Martin Corullon que essa ideia de visualização interna, me colocando dentro daquelas escalas, foi melhor atendida. 

O Apartamento Escultórico de Ohtake me trouxe, além da beleza em si, uma sensação boa de bem estar, pois ali compreendi estar em mãos mais que perfeitas o legado do pensamento de seu pai, Ruy. Imprimindo seu próprio traço, mas jamais negando sua fonte, Rodrigo permite seu trabalho fluir em curvas e ondas, além de utilizar sempre que possível o mobiliário desenhado por Ohtake pai. 

Já a peça de Corullon, a modernista Casa In and Out, chamou atenção por trazer à escala 1:10 uma ideia de residência na qual facilmente conseguimos nos transportar, imaginarmo-nos passeando por seus corredores, nadando na piscina do pavimento térreo, ou subindo as escadas a partir do vazio central para adentrar o local. Finalizando com chave de ouro, Martin incluiu no pensamento dos interiores o mobiliário criado por outro mestre, Paulo Mendes da Rocha, em parceria com sua filha Naná.

Mas voltando aos meus devaneios em escala, o que me chama mesmo atenção nas maquetes é a possibilidade voyeur, do olhar através da fechadura, de perceber nuances dos espaços através da imaginação sobre como as pessoas poderão utilizá-los. Sob esse olhar, ‘flagrei’ passagens cotidianas, às vezes sérias, engraçadas, ora poéticas, ora dramáticas. Vão desde olhares com legendas criativas sobre fotografias de cenas banais, até comédias das quais imagino que o maquetista criou para nosso deleite. Divido algumas delas com vocês, e desejo vida longa às maquetes!

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