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Entenda o que é Design Biofílico e como essa tendência vai influenciar os seus projetos

23/09/2019

O design biofílico é uma forma inovadora de criar ambientes naturais que melhorem nossa saúde e bem-estar. Veja inspirações para criar um design sustentável!

O Design Biofílico é uma forma inovadora de criar ambientes naturais que melhoram nossa saúde e bem-estar. A palavra “biofílico” vem de “biofilia”, que pode ser definida como o amor à vida ou aos sistemas vivos.

Nesse sentido, em um mundo urbano de tecnologia e arquitetura industrial, essa conexão fundamental pode, às vezes, parecer quase perdida. Portanto, o Design Biofílico chega para resgatar os ambientes naturais e trazê-los aos espaços construídos pelo homem.

Área externa com porcelanato que reproduz tons naturais de pedra (Projeto: Cláudia Stach)

Área externa com porcelanato que reproduz tons naturais de pedra (Projeto: Cláudia Stach)

Mas como, exatamente, essa tendência pode e deve influenciar os seus projetos? A seguir, confira quais são os elementos do Design Biofílico e algumas ideias inspiradoras!

O que é o Design Biofílico: a natureza nos espaços construídos

O Design Biofílico procura conectar nossa necessidade inerente de afiliar a natureza ao ambiente moderno construído. Uma extensão da teoria da biofilia, o Design Biofílico reconhece que nossa espécie evoluiu na maior parte de sua história em resposta adaptativa ao mundo natural e não às forças humanas criadas ou artificiais.

Cafeteria com móveis em madeira e jardim vertical (Foto: Projeto Archibox)

Cafeteria com móveis em madeira e jardim vertical (Foto: Projeto Archibox)

O ser humano é biologicamente codificado para se associar aos recursos e aos processos naturais. Essa necessidade é fundamental para a saúde física e mental, a aptidão e o bem-estar das pessoas.

Como o “habitat natural”, atualmente, é, em grande parte, o ambiente construído — ou seja, onde passamos a maior parte do nosso tempo —, o Design Biofílico busca satisfazer nossa necessidade inata de nos associar à natureza.

Assim, o objetivo fundamental do Design Biofílico é criar um bom habitat para as pessoas que habitam estruturas, paisagens e comunidades modernas. A consecução desse objetivo depende do cumprimento de determinadas condições, como mostraremos a seguir.

Além disso, como a biofilia é essencialmente sobre tendências humanas evoluídas, o Design Biofílico foca naqueles aspectos da natureza que, ao longo do tempo evolutivo, contribuíram para a nossa saúde e bem-estar.

Os benefícios do Design Biofílico: mais produtividade e bem-estar

Ao incluir conscientemente a natureza no interior ou no projeto arquitetônico, estamos nos reconectando inconscientemente a ela. No entanto, um ambiente desprovido de natureza pode ter um efeito negativo na saúde, sobretudo, na produtividade e bem-estar.

A OMS já reconheceu o estresse no trabalho como uma das maiores causas de depressão. Por isso, a aplicação do Design Biofílico é muito importante não só nos espaços pessoais, mas, particularmente, em áreas produtivas, como escritórios e outros ambientes de trabalho.

A praça da Apple em Macau forma um oásis de tranquilidade, uma sala urbana que atrai pessoas para o local (Foto e projeto: Foster + Partners)

A praça da Apple em Macau forma um oásis de tranquilidade. É uma sala urbana que atrai pessoas para o local (Foto e projeto: Foster + Partners)

Problemas de saúde e falta de bem-estar também podem resultar em baixo desempenho e produtividade, perda de tempo de trabalho e aumento de custos.

Por isso, incorporar elementos da natureza diretos ou indiretos no ambiente construído é fundamental. Isso ajuda a reduzir os níveis de estresse, a pressão arterial e as frequências cardíacas, ao mesmo tempo que aumenta o bem-estar geral.

Como aplicar o Design Biofílico nos projetos arquitetônicos

Existem várias táticas que os arquitetos podem usar para incorporar os princípios de Design Biofílico. De acordo com o livro 14 Patternes of Biophilic Design (14 Padrões do Design Biofílico), os padrões de Design Biofílico se dividem em três grupos:  

  1. Padrões da natureza no espaço;
  2. Padrões de analogias naturais;
  3. Padrões da natureza que proporciona o espaço.
Incorporação de tons de madeira no ambiente de trabalho (Foto: Projeto Geruzza Archer)

Incorporação de tons de madeira no ambiente de trabalho (Foto: Projeto Geruzza Archer)

Abaixo, separamos alguns exemplos práticos dentro desses grupos de como aplicar alguns padrões do Design Biofílico em seus projetos:

  • Acesso e vistas da natureza: alguns edifícios estão situados para oferecer vistas deslumbrantes do oceano ou uma abundância de árvores em uma paisagem arrebatadora, a partir das janelas. Entretanto, outros não. Ao criar projetos para locais urbanos e mais industriais, os arquitetos podem optar por projetar espaços de pátio com árvores, por exemplo, para fornecer aos ocupantes vistas agradáveis e acesso à natureza;
  • Melhor qualidade do ar e ventilação: as pessoas que passam a maior parte do dia dentro de um escritório ou outro tipo de prédio, geralmente, fazem uma pausa para “tomar ar fresco”. Os arquitetos podem responder a esse anseio usando recursos de Design Biofílico, com muitas janelas, portas de correr que se abrem para áreas externas, claraboias ou sistemas HVAC que ajudam a promover uma troca de ar saudável;

  • Iluminação natural: o acesso à luz natural é um fator enorme no bem-estar dos ocupantes dos edifícios. Porém, O excesso de luz pode resultar em brilho desconfortável, enquanto a falta dela pode resultar em espaços inadequadamente iluminados. Os dispositivos de proteção solar, a orientação e as relações janela/parede devem ser considerados no projeto do edifício, a fim de otimizar a luz do dia. Embora fornecer muitas janelas seja a solução mais simples para isso, nem sempre é possível. As alternativas para resolver o problema incluem a implementação de tubos solares ou átrios de vários andares, que permitem que a luz natural difusa penetre nos espaços interiores;

  • Acústica aprimorada: o ruído do sistema HVAC, outros equipamentos mecânicos, elevadores e moradores de edifícios podem ser gerenciados por meio de recursos de design, como painéis acústicos. As soluções biofílicas para problemas acústicos também incluem plantas internas estrategicamente posicionadas e fontes de água que ajudam a mascarar sons indesejados;

  • Paredes e telhados verdes: paredes e telhados verdes não apenas acrescentam oportunidades visuais para se conectar à natureza, mas também melhoram o meio ambiente. Uma fachada verde colocada sobre uma parede existente ou uma “parede viva” composta de plantas pode ajudar a reduzir o efeito da ilha de calor urbano. Em climas quentes, um telhado verde atua como um fator de resfriamento, assim, evitando a penetração da luz solar. Já em clima mais frio fornece maior isolamento resultando em menor demanda de aquecimento;

  • Espaço de descanso: o descanso é tão importante quanto o esforço para aumentar a produtividade. Um dos 14 Patternes of Biophilic Design (14 Padrões do Design Biofílico), o “abrigo”, fala justamente da criação de um espaço para descanso ou cura, que permita aos funcionários recuperarem as energias e voltarem renovados às suas estações de trabalho;

  • Materiais naturais e cores calmantes: materiais e acabamentos desempenham um papel importante na conexão de usuários de um espaço com a natureza. Quase todos os acabamentos têm a oportunidade de refletir a natureza, seja em cores de pintura natural, murais cênicos, material ou padrão de carpete, painéis de parede com imagens gravadas da natureza ou mesmo trabalhos em madeira natural.

O Minhocão de São Paulo: um projeto biofílico para melhorar o bem-estar

Como já falado anteriormente, o Design Biofílico está incorporando a natureza em nosso ambiente construído e projetando locais inspiradores e restauradores que conectam os seres humanos ao ambiente.

Nesse contexto, durante o Archtrends Summit de 2019, Gregory Bousquet, arquiteto francês sócio-fundador do escritório Triptyque, falou sobre a relação entre natureza e arquitetura. A mistura do verde e da madeira, inclusive, é presença constante nos projetos do seu escritório, como o edifício paulistano Amata, que utiliza madeira certificada como principal matéria-prima.

Recentemente, Gregory e o escritório assinaram o projeto de revitalização da Marquise do Minhocão em São Paulo, um dos locais mais poluídos da capital paulista.

 

Projeto marquise do Minhocão pelo escritório Triptyque (Foto: Site Galeria da Arquitetura)

Projeto marquise do Minhocão pelo escritório Triptyque (Foto: Site Galeria da Arquitetura)

A proposta do Triptyque busca dar mais vida ao espaço, iluminando-o com a uma operação simples de abertura entre suas pistas para criar feixes de luz natural. O projeto prevê um jardim com plantas suspensas no teto ao longo de todo o comprimento do Minhocão. A ideia é que o jardim possa filtrar até 20% da emissão de CO2 produzida pelos carros.

“A arquitetura pode propor soluções para um urbanismo inteligente ao utilizar o design como ferramenta de transformação urbana. A proposta para a marquise do Minhocão traz mais luz, espaços associativos, áreas verdes, cultura e animação à área inferior do elevado”, afirma Gregory.

Design Biofílico, portanto, é mais do que apenas a adição de um ou dois vasos de planta. A luz natural, a vegetação, as paredes vivas, as texturas naturais e as vistas de materiais e natureza proporcionarão um impacto positivo.

Área de lazer que integra a natureza ao ambiente, trazendo paz e tranquilidade. (Projeto: Gisele Ribeiro)

Área de lazer que integra a natureza ao ambiente, trazendo paz e tranquilidade. (Projeto: Gisele Ribeiro)

A Portobello também explora o poder do Design Biofílico por meio de coleções de produtos que reproduz fielmente superfícies e texturas naturais, como o porcelanato amadeirado da linha Khaya. Como pioneiros em sustentabilidade, defendemos o Design Biofílico sabendo que é essencial para a saúde humana incluir materiais sustentáveis e técnicas inovadoras nos projetos.

Agora que você já conhece o Desing Biofílico, aproveite e conheça os novos porcelanatos que reproduzem madeira e veja os veios gráficos expressivos que eles trazem aos seus projetos!

9 Comentários

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  • cristiana teodoro says:

    gostaria de saber se voces tem algum curso para indicar sobre design biofílico

    • Portobello says:

      Olá, Cristiana.

      No momento não sabemos de curso de Design Biofílico.

      Que tal dar aquela pesquisada no Google?

      Grande abraço e boa sorte,
      Equipe Archtrends Portobello

  • JANE Campos says:

    Excelente!!
    Realmente muito importante e necessário atentarmos para essa integração das pessoas com o lado natureza viva que o atraia e o motive a refletir o quão importante é a contribuição de cada um de nós no ecossistema ao nosso redor. O mundo melhorará muito cada vez q entendermos que precisamos agir e conviver bem com a natureza integrada no dia a dia de cada um ..

    • Erica Evaristo says:

      Bom dia! Gostaria de saber se paredes verdes de plantas permanentes também fazem parte do conceito de design biofilico. Como se falou do porcelanato imitando madeira acredito que um jardim de plantas artificiais similares às reais poderia ter o mesmo conceito. Certo?

  • Raul says:

    O mesmo de sempre, que todo bom arquiteto deve saber fazer. Só mudou o nome e a ideologia.