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Entenda a estrutura de vidro e madeira do Edifício Corujas

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Entenda a estrutura de vidro e madeira do Edifício Corujas

04/01/2019

Um prédio de escritórios diferente de tudo que já vimos sobre edificações comerciais. Inaugurado em 2014, o projeto do escritório FGMF rompe com o estereótipo dos edifícios altos, espelhados, onde as pessoas se encontram apenas nos elevadores. Veja no artigo que faz parte da nossa série projetos arquitetônicos brasileiros!

Localizado na Vila Madalena, em São Paulo, em um terreno de 3,5 mil metros quadrados, o Edifício Corujas apresenta uma proposta diferente dos edifícios comuns de escritórios. Indo na contramão dos gabaritos altos e estruturas envidraçadas, o projeto propõe amplas salas com iluminação natural e jardins privativos, além de criar espaços que incentivem a convivência entre as pessoas.

Outra preocupação do edifício é com o espaço público. O recuo maior que o necessário gera uma espécie de praça, disponível tanto para quem trabalha quanto para quem passa pela região. Também há bicicletário e vestiário, incentivando o uso da bicicleta.

Com uma proposta humanizada, o projeto apresenta uma estrutura envidraçada, ligando-se às áreas verdes. Dividido em dois blocos, conta com amplas salas com jardins privativos, salas de reunião em locais abertos e áreas comuns que visam a integração entre as pessoas. Todos os espaços estão conectados a um átrio arborizado, criando uma praça central.

Quer conhecer essa obra mais de perto? Confira o post a seguir!

História e propósito do Edifício Corujas

Cobertura do Edifício Corujas

A escolha do partido definitivo do projeto foi um pouco longa. O primeiro estudo previa a demolição de todas as casas da área a ser ocupada, mas isso foi inviável, já que um dos moradores desistiu de vender sua propriedade.

A segunda proposta previa que o edifício circundasse a casa; porém, os gastos gerados seriam muito maiores. Já a terceira e última opção tornou-se viável depois que a incorporadora comprou outros terrenos vizinhos.

Para contar um pouco mais sobre o Edifício Corujas, não podemos deixar de explicar de onde vem seu nome e da influência que o zoneamento do bairro da Vila Madalena teve em seu partido.

A região tem um dos poucos córregos a céu aberto da cidade, o córrego das Corujas, com algumas vegetações nas margens, dividindo a Vila Madalena (zona mista) da Vila Beatriz (zona residencial). A implantação do edifício está, então, na transição de dois tipos de zoneamento, com coeficiente baixo (uma vez a área do terreno) e altura máxima de nove andares.

Pensando nisso, o escritório FGMF, responsável pelo projeto para a incorporadora Idea!Zarvos, propôs a criação de um espaço mais humanizado de trabalho, diferente da arquitetura corporativa comum, com prédios altos e espelhados encontrados em outros bairros da cidade, que propõem o afastamento dos indivíduos.

A solução foi pensar em uma arquitetura horizontal, com seus usos distribuídos em dois blocos. Além dos espaços fechados, áreas avarandadas generosas foram criadas para reuniões externas, incluindo jardins privativos.

Segundo o escritório, tal espacialidade é adequada à cidade e principalmente à Vila Madalena, bairro cultural e boêmio de São Paulo, onde o pedestre e as relações interpessoais são muito importantes.

Por isso, o projeto busca reforçar essas ideias ao criar amplas áreas de convívio, circulações abertas, bicicletários, café e um painel artístico. Com isso, o ambiente se transforma em comunidade, além de incentivar o uso da rua pelos pedestres.

Outro propósito é integrar-se ao espaço público. Para isso, o recuo foi feito maior que o necessário, deixando-o aberto para a rua com uma praça e jardins; o edifício também é responsável pela praça Linear das Corujas. Assim, é possível perceber a total preocupação do projeto com seu entorno, além dos pedestres e usuários que transitam diariamente pelo local.

Partido e características arquitetônicas

Fachada do Edifício Corujas

A estrutura horizontal do edifício, que é separada por três eixos, está implantada em um lote de 3,5 mil metros quadrados. Com 6880m² de área construída, o escritório projetou dois volumes principais, praticamente paralelos, e nas extremidades do terreno, criando uma praça central.

A entrada principal está na Rua Natingui e aproveita o ligeiro declive para deixar parte do subsolo à mostra. Isso permite uma entrada sem rampa para a garagem.

As salas localizadas no térreo têm pé-direito duplo e receberam paredes levemente inclinadas e revestidas por madeira cumaru, com algumas aberturas em vidro, contrapondo-se aos vazados dos pavimentos superiores. A mesma madeira das paredes se repete no forro e no deck.

Terreno

De acordo com o escritório, o terreno foi um dos elementos mais trabalhosos, dificultando o uso do guindaste para mover as peças de pré-moldado. Além disso, o nível da água nessa área é muito alto, sendo necessário fazer o térreo em um nível elevado.

Estrutura, materiais e fachadas

A estrutura é mista, com laje pré-moldada in loco no térreo, elementos pré-moldados de concreto aparente e vigas metálicas que ficam escondidas nas fachadas.

A mistura de materiais — como madeira, cerâmicas, vidro, concreto aparente, peças galvanizadas e em aço — também chama a atenção. Alguns desses elementos exigiram detalhamentos mais trabalhosos, como o encontro da estrutura metálica com a de concreto, assim como o revestimento de madeira do térreo.

Já para o controle da iluminação natural, o escritório optou por brises de chapa metálica perfurada. Durante o dia, elas fazem sombra nas paredes de vidro sem prejudicar a vista do entorno e, de noite, permitem criar uma superfície iluminada.

Área comum do Edifício Corujas

Além da estrutura aparente, do paisagismo e dos materiais, outros elementos são responsáveis pela plasticidade, como as circulações vazadas e o fechamento de algumas áreas com caixilho. Já no térreo, os rasgos no embasamento revestido por madeira cumaru criam pontos luminosos na praça quando é noite.

Paisagismo e identidade visual

Já o paisagismo, da cobertura ao subsolo, é projeto de André Paoliello, priorizando as áreas comuns. A intervenção artística ficou por conta de João Nitsche, com painéis sobre o muro da residência que permaneceu, retratando como se fosse em uma visão raio-X as possíveis pessoas, animais e objetos que existem no interior.

Cobertura

O último pavimento também tem varandas, assim como o primeiro. Nelas existem escadas metálicas independentes dando acesso à cobertura, que funciona como jardim privativo para cada conjunto do segundo andar.

Premiações

A obra ganhou, em 2014, a 7ª edição do prêmio “O Melhor da Arquitetura” na categoria de edifícios comerciais. O objetivo é premiar os melhores projetos de arquitetura do Brasil, destacando a inovação e a criatividade dos arquitetos.

O projeto ganhou também o 8º prêmio AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) na categoria Edifícios de Serviços, modalidade não edificado.

Rotina de trabalho no prédio

A estrutura do Edifício Corujas influencia muito no modo de viver e trabalhar. Com a disponibilidade de bicicletário e vestiário, os funcionários do local podem utilizar a bicicleta como meio de transporte alternativo. Além disso, na loja do condomínio é possível aproveitar a hora de entrada e de saída ou mesmo fazer uma pausa para o café durante o expediente.

A horizontalidade e as circulações abertas permitem que o passante encontre casualmente colegas e outras pessoas para manter contato, além de espiar o que acontece nos escritórios. As reuniões, em geral monótonas e feitas em ambientes estéreis, agora são realizadas em espaços abertos em meio ao jardim.

Significado do prédio para a cidade de São Paulo

Ter um edifício desses na cidade de São Paulo significa que é possível trabalhar em ambientes mais agradáveis, que gerem criatividade e incentivem as relações interpessoais.

Além disso, a ligação que o Edifício Corujas tem com o espaço urbano é muito significativa, priorizando o pedestre, as áreas verdes e incentivando o uso de meios de transporte alternativos, como a bicicleta.

Com isso, o projeto vai contra o estereótipo dos edifícios comerciais, reforçando um modelo que vem ganhando espaço na cidade: o que preza a iluminação, a convivência e a relação direta com a esfera pública.

Você também tem um trabalho que prioriza alguns desses elementos? Então aproveite para se cadastrar no Archtrends Portobello e divulgar suas ideias.

Se gostou de entender como funciona o Edifício Corujas, compartilhe o post nas redes sociais para que mais pessoas conheçam o projeto!

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