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Os desafios de ser mãe e profissional são inúmeros. Mas tudo vale a pena quando há muito amor envolvido (Foto: Arthur Hidden)

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Dia das Mães: arquitetas dividem suas experiências sobre carreira e maternidade na pandemia

07/05/2021

Em comemoração ao Dia das Mães, convidamos quatro arquitetas para falar sobre suas experiências com maternidade, carreira e pandemia. Confira!

Certamente, o Dia das Mães é uma das datas mais importantes do calendário anual para muitas pessoas. Afinal, esse é o momento de homenagear aquela que se desdobra em mil para apoiar os nossos sonhos.

Mas como diz o ditado, “ser mãe é padecer no Paraíso”. Isso significa que essa nem sempre é uma das missões mais fáceis, especialmente quando é preciso cuidar da carreira também.

Essas questões ficaram ainda mais explícitas durante a pandemia, especialmente com a família toda em casa, com muitas mães se sentindo sobrecarregadas com tantas demandas.

Neste conteúdo especial de Dia das Mães, trouxemos algumas histórias de arquitetas que sentem na pele as dificuldades e as alegrias de conciliar maternidade e carreira. Prestigie!

Carreira e maternidade antes da pandemia

Conciliar carreira e maternidade é um desafio para inúmeras mulheres. Não é diferente para as mães e arquitetas.

Equilibrar as demandas da criação de uma pessoa com projetos arquitetônicos, visitas a obras e coordenação de equipes é complexo, seja com ou sem pandemia.

A rede de apoio é fundamental para que tudo isso seja possível. Ela pode contar com o parceiro, os avós e até profissionais.

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Michele e seu filho, João Pedro, que cresceu vendo a rotina puxada da mãe, mas sempre cercado de muito amor (Foto: Acervo pessoal)

Michele Wharton, arquiteta de São Paulo, tem uma rotina puxada. Após se separar, o apoio da sua mãe foi fundamental na criação do filho. “Minha vida como arquiteta sempre foi muito corrida e minha mãe sempre me ajudou muito”, conta.

Essa mesma rede de apoio é lembrada por Cristina Macedo Stertz, de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul. “Antes da pandemia, eu trabalhava no escritório em tempo integral. Tinha uma babá com meu filho de manhã e à tarde ele acabava indo para as casas das avós”.

Para Renata Scherer, de Manaus, no Amazonas, a liberdade do trabalho como autônoma foi extremamente importante para conciliar maternidade e carreira. “Desde quando meu filho nasceu, me permiti ter uma hora certa para parar de trabalhar e me dedicar exclusivamente a ele. Pude estabelecer essa rotina de trabalho e maternidade conforme as fases do bebê”.

Apesar de todas essas adaptações para conseguir conciliar as demandas, as arquitetas lembram que nem sempre há empatia com as mulheres mães e profissionais. “Um cliente que fazia vários projetos comigo achou melhor trocar de profissional depois que virei mãe, antes mesmo de tentar, simplesmente porque eu teria que dividir meu tempo entre carreira e maternidade”, lamenta Renata.

Momentos inusitados

É claro que conciliar todas essas demandas acaba gerando algumas histórias inusitadas. Michele lembra da vez em que acabou perdendo seu cartão de débito e bloqueando todas as senhas do banco. Seu filho, João Pedro, teve um papel importante na resolução desse problema.

“Isso aconteceu na véspera de Natal. Aí já viu, para o cartão chegar virou uma epopeia. Eu não conseguia tirar dinheiro e fazer nenhuma transação bancária. Como meu filho já é um jovem recém-ingressado na faculdade, fiz dele meu tesoureiro. Ele começou a receber os honorários e fazer meus pagamentos. Montamos um cronograma e acredito que isso foi importante para ele criar responsabilidade e dar mais valor ao dinheiro”, diz Michele.

As transformações trazidas pela pandemia

Apesar das dificuldades, antes da pandemia muitas mulheres conseguiam equilibrar as exigências de criar seus filhos e gerenciar um escritório de arquitetura. No entanto, em 2020, tudo se transformou.

Com diversos estabelecimentos fechados e a família passando mais tempo em casa, foi preciso repensar as rotinas e adaptar as tarefas, o que nem sempre é simples.

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A família de Cristina cresceu durante a pandemia; um desafio a mais na vida da arquiteta gaúcha (Foto: Acervo pessoal)

Cristina viveu essas modificações de forma ainda mais intensa. Quando começou a pandemia, ela já tinha um filho de dois anos e estava grávida da sua filha, que nasceu no último mês de setembro.

“Eu tinha uma babá que cuidava do meu guri, só que ele começaria a ir para a escola. Porém, não colocamos, em função da pandemia. Até hoje ele está sem escola, com a babá me ajudando e também com o apoio das avós”, relata.

No início, Cristina conta que teve de ficar em casa sem a ajuda da babá. “Era complicado trabalhar com criança junto. Depois, meu marido e eu começamos a nos revezar. De manhã eu ficava em casa e a tarde ia trabalhar — ele fazia o turno oposto”.

Dos desafios trazidos pela pandemia, Cristina lembra de um momento diferente, em que teve de levar sua filha ainda bebê para uma obra. “Eu cheguei lá e achei que seria algo rápido, mas acabou demorando. Deixei ela no carro, com o ar condicionado ligado, as portas abertas e em uma sombra. Ela ficou dormindo”.

Fortalecimento dos laços familiares

Mas nem tudo é “perrengue”. Para muitas das nossas entrevistadas nesse especial de Dia das Mães, a pandemia também foi importante para fortalecer os laços familiares.

Para Renata, o home office trouxe a oportunidade de acompanhar mais de perto o desenvolvimento do seu filho.

“Pude aproveitar de pertinho a primeira infância dele. Tenho certeza de que foi um período de muito trabalho, mas, sobretudo, de muito amor, para que tudo ficasse mais leve”, analisa.

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Para a amazonense Renata, a pandemia foi importante para fortalecer ainda mais os laços familiares (Foto: Acervo pessoal)

Carolina Fagundes, de Cuiabá, Mato Grosso, também sentiu essa aproximação maior durante a pandemia, principalmente no caso dela, que tem duas filhas adolescentes.

“Passei a ficar mais em casa e posso dizer que no âmbito familiar foi maravilhoso. Me reconectei com minhas filhas de uma maneira que não fazia há muito tempo”, conta.

Inclusive, Carolina acredita que o apoio das filhas foi muito importante para esse período de transição do “novo normal”. “O auxílio delas na parte tecnológica foi fundamental”.

Os sentimentos na pandemia e o ressignificar

Embora conciliar maternidade e carreira não seja uma tarefa fácil, ainda mais na pandemia, o grande ensinamento para as nossas entrevistadas foi o amor à família, além da possibilidade de ressignificar várias questões.

“Com a chegada da pandemia, eu fui forçada a ficar quieta e olhar mais ao meu redor. Meus pais já idosos, meu filho em fase de definição da profissão, minha casa na qual eu nunca estava. Foi um baque olhar para mim mesma e refletir, mudar os hábitos e tomar decisões”, analisa Michele, que no início da pandemia decidiu fechar o espaço físico do seu escritório e colocar seus funcionários em home office, focando em cuidar da sua família.

“Eu cuidava de tudo a distância. Vivi de março a junho [de 2020] me dedicando a incentivar o João nas aulas a distância, fazer as compras de supermercado e farmácia para todos, conversar com os clientes e funcionários online e cuidar do meu interior e da minha espiritualidade. Foi um momento muito bom”, completa ela.

Essa visão otimista é compartilhada por Renata. “A principal vantagem desse momento de pandemia foi perceber que somos completamente adaptáveis ao meio. A situação inesperada foi imposta ao mundo e, dentro do possível, fizemos do limão uma limonada”.

Carolina contou com o apoio das filhas adolescentes para as questões tecnológicas e a gestão do seu escritório a distância
Carolina contou com o apoio das filhas adolescentes para as questões tecnológicas e a gestão do seu escritório a distância (Foto: Acervo pessoal)

O mercado da arquitetura nesse cenário

A pandemia de Covid-19 impactou fortemente a economia em todo o mundo. Apesar disso, o setor de arquitetura vivencia um período de intensa demanda.

Essa é a visão das profissionais que entrevistamos para esse especial de Dia das Mães. Para elas, com as pessoas passando mais tempo em casa, houve uma percepção da importância do lar e da necessidade de transformá-lo em um refúgio de qualidade de vida e bem-estar.

Muitos fogem dos apartamentos pequenos e buscam imóveis maiores ou constroem as próprias casas. “Percebo que essa mudança acontece justamente em famílias com crianças, com os pais querendo dar mais qualidade de vida para seus filhos”, pontua Renata.

Essa visão é compartilhada por Cristina, que notou um aumento na procura de pais que buscam transformar suas casas para os filhos. “Eles querem criar um lugar confortável para estudos, o que acabou fazendo com que houvesse uma grande demanda de trabalho”, explica.

Apesar de todas as transformações que vivenciamos nesse período de pandemia, para algumas mães o isolamento já deixa saudades. “Graças a Deus, a rotina aqui no Mato Grosso está voltando ao normal. No momento, eu até estou sentindo falta daqueles dias de convívio intenso, porque uma das minhas filhas mora fora e já não está mais comigo”, comenta Carolina.

Gostou do nosso especial de Dia das Mães? Então, aproveite para ler o nosso conteúdo sobre Adriana Pierantoni, que trata de todas essas questões que abordamos aqui no seu Instagram Arquiteta e Mãe!

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