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A casa reconectada com a natureza foi o conceito de muitas marcas na semana de design de Milão, como a Salvatori

A casa reconectada com a natureza foi o conceito de muitas marcas na semana de design de Milão, como a Salvatori (Foto: Tatiana Vergara)

Conteúdo Eventos

O design que reconecta

14/06/2022

Christiane Ferreira, diretora de branding e inovação, fez parte da equipe Portobello que visitou a semana de design de Milão. Com seu olhar apurado, ela compartilha impressões sobre as tendências apontadas pelo principal evento de design do mundo

Reconexão do ser humano com sua natureza. Essa seria uma boa síntese dessa semana de design de Milão, conclusão a que chegamos depois de várias discussões com o grupo de pesquisa Portobello sobre a essência das exposições, instalações e afins.

Grupo de pesquisa Portobello na semana de design de Milã
Grupo de pesquisa Portobello na semana de design de Milão (Foto: Barbara Cassou)

Não saímos os mesmos após ficarmos face a face com nossas fragilidades, sermos obrigados a desacelerar e observarmos mais atentamente nossos ambientes nos últimos dois anos. A pandemia nos tirou do modo automático, desligando abruptamente vários padrões da tomada. A casa se tornou protagonista, já que foi nosso refúgio mais frequente, a tecnologia se humanizou, já que era o único meio de nos relacionarmos, e a natureza se fez necessária, já que nos lembramos que fazemos parte dela.

Cenografia da Diesel
Cenografia da Diesel mostra que não perdemos a capacidade de sonhar (Foto: Tatiana Vergara)

E, apesar dos dias (e meses, e anos) muito duros, não perdemos a capacidade de sonhar e de sermos otimistas, fato que se reflete pelas ruas e galerias de Milão.

Os designers trabalharam e criaram para servir outros seres humanos – o conforto e a funcionalidade destacaram-se nas novas coleções. Formas naturalmente orgânicas que convidam ao abraço decretaram que as linhas retas e ortogonais não são mais dominantes. Tecidos e superfícies sensoriais pedem para serem tocados e expressam mais o handmade do que os processos industriais.

linhas orgânicas na Salvatori
A natureza e suas linhas orgânicas na Salvatori (Foto: Tatiana Vergara)

Transparências em materiais, estruturas e processos sinalizam que há um diálogo entre o design e as pessoas. Essa conversa é explícita, as palavras se fazem presente com objetividade nos storytellings

As cores da terra na instalação da Hermès
As cores da terra na instalação da Hermès (Foto: Tatiana Vergara)

As cores da natureza compõem o cenário da semana, fazendo do verde o tom mais presente. Azuis, amarelos e vermelhos acompanham, mas a terra e suas infinitas tonalidades é que trazem a personalidade da cartela contemporânea. Do ocre ao laranja, do terracotta ao marsala, a terra é generosa ao colorir o design. 

Piro, robô da Moooi
Piro, robô da Moooi: “transformação da tecnologia a serviço da beleza, alegria e uma vida extraordinária”, diz a marca (Foto: Tatiana Vergara)

A tecnologia cumpriu seu papel de inovação, mas conquistou mimetizando gestos e modos humanos. Histórias com leveza e poesia contadas nas mais diversas e modernas formas de projeções, robôs que recebem os convidados com olhares e perfumes e balés sincronizados deixaram claro que a tecnologia sempre avança, mas, agora, com um charme a mais.

maximalismo da Cassina
O maximalismo da Cassina (Foto: Tatiana Vergara)

E, por fim, acho que é o fim do minimalismo extremo. O otimismo, a energia e a criatividade necessárias para expressar o novo precisam de mais elementos, mais cor, mais diversidade e mais ousadia. E, assim, o minimalismo dá lugar a algo mais irreverente, sempre com muita elegância. Novos tempos, novos e melhores tempos, e o design nos conduz nessa reconexão.

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