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O design Apple e as lições que os arquitetos podem extrair

06/08/2018

Ensinamentos para a vida profissional podem surgir de lugares inimagináveis. Quer prova disso? Venha conosco e descubra a relação entre o design da multinacional e o trabalho minucioso dos profissionais de arquitetura e design de interiores.

Um dos maiores empresários do mundo pode ter muito a ensinar aos profissionais da arquitetura. Estamos falando de Steve Jobs, que foi nada menos que cofundador, presidente e diretor executivo da Apple.

Considerado perfeccionista, o gênio do setor da informática sempre buscou unir duas qualidades importantes em suas criações: beleza e funcionalidade. Também trata-se de uma preocupação compartilhada por muitos arquitetos e designers de interiores.

Neste artigo você verá que o design da Apple é aplicado com cuidado tanto em seus produtos quanto em suas lojas espalhadas pelo mundo. A nova sede da empresa, projetada por Norman Foster, também não escapou da inovação em cada detalhe.

Quer saber mais sobre os conceitos, inspirações e técnicas utilizadas para a construção de obras tão primorosas? Então fique conosco!

O que a arquitetura e a Apple têm em comum

Não dá para relacionar Apple e arquitetura sem começar pela casa onde Steve Jobs passou sua infância. Construída pelo norte-americano Joseph Eichler, a residência era uma entre 11 mil distribuídas em 12 comunidades da Califórnia.

Eichler foi influenciado pelo famoso arquiteto Frank Lloyd Wright quando concebeu o conjunto de casas: todas térreas, simples, com elementos estruturais expostos, grandes painéis de vidro e composição em plano aberto (ambientes integrados).

Mesmo produzidas em larga escala, as unidades residenciais eram modernas e tinham a qualidade do trabalho de Wright. O resultado, segundo palavras do próprio Steve Jobs, apareceu na forma de obras inteligentes, boas e baratas para pessoas de baixa renda.

Jobs tinha boas lembranças de sua casa e, talvez por isso, afirmava que ela havia influenciado sua visão sobre o design para as massas. Assim como Eichler, o empresário queria levar qualidade mesmo para algo considerado simples ou de baixo custo.

A partir das lembranças do lugar em que viveu na infância é que faria a primeira definição do design da Apple: limpo, amigável e divertido. Essas três características apareceriam em todos os produtos da empresa (iPhone, iPod, iPad, MacBook etc.).

A simplicidade

O amor de Jobs pela simplicidade aumentou depois que participou da Conferência Internacional de Design em Aspen, Colorado (1983). No evento, ele conheceu a abordagem limpa e funcional do movimento Bauhaus, fundado pelo arquiteto Walter Gropius.

Gropius acreditava que os desenhos arquitetônicos deveriam ser produzidos para todo tipo de público, em grande escala. Também pregava a máxima “menos é mais” e valorizava a funcionalidade em cada criação.

Jobs adotou esse estilo que, na época, ia contra o visual pesado, industrial e sombrio de outras companhias, como a Sony. O empresário queria simplificar, ou seja, trabalhar com um design que fosse fiel à função e à natureza dos produtos, a fim de torná-los intuitivos e fáceis de usar.

O design da Apple

As criações da famosa marca da maçã são reconhecidas de longe pelo público mais antenado. Mas o que será que faz com que os produtos da empresa sejam tão atrativos e valorizados? Para entender melhor, separamos abaixo os seis pilares do design Apple:

  • Forma, acima de tudo: é preciso pensar em todos os detalhes de um produto, desde a parte interna até a parte externa;
  • Empatia, Foco e Atribuição: são três pilares. O primeiro permite conexão com os sentimentos e necessidades do usuário. O segundo ajuda a eliminar oportunidades que não interessam. O terceiro possibilita atribuir diferentes qualidades ao produto;
  • Tecnologia amigável: importante para facilitar o uso de um produto e proporcionar boas experiências;
  • Simplicidade: essencial para tornar as coisas acessíveis, óbvias e intuitivas.

Curiosidades sobre o logo

Difícil encontrar quem não reconheça o logo da Apple de primeira, afinal, trata-se de uma simples maçã. O desenho da marca foi desenvolvido pelo designer Rob Janoff.

A explicação para a famosa “mordida” na maçã é simples: dependendo da escala, a imagem poderia ser confundida com uma cereja. Logo, para evitar confusões, o designer optou por adicionar um detalhe que diferenciasse ambas as frutas.

A influência de Steve Jobs no design e arquitetura

A mente de Steve Jobs não era focada apenas no desenvolvimento de gadgets, mas também em toda a empresa e em tudo o que ela poderia oferecer aos consumidores. Por isso, era de se esperar que o grande inventor também levasse os pilares do design para a estrutura interna e externa de suas lojas.

A partir do trabalho do arquiteto Peter Bohlin, a arquitetura da Apple traz tudo aquilo que seus produtos carregam: inovação, simplicidade e funcionalidade. Isso fica claro principalmente na famosa Apple Store da 5ª Avenida de Nova York, com seu cubo e escadaria de vidro iluminada. A loja de Xangai também segue o mesmo estilo.

Muitos pilares do design Apple passam pela arquitetura e chegam ao produto final, a exemplo dos revestimentos que estão disponíveis no mercado. Cerâmicas e porcelanatos se destacam com características que trazem uma série de vantagens:

  • simplicidade com o design de linhas retas;
  • otimização da instalação com placas maiores/grandes formatos;
  • redução do desperdício com o desenvolvimento do acabamento retificado;
  • alta tecnologia com a impressão digital das peças, que reproduzem a aparência e textura de qualquer material;
  • ótimo custo-benefício com modelos que aliam design de qualidade e preço justo.

Lições para os arquitetos

Ao longo de sua carreira, Steve Jobs se dedicou a pensar em maneiras de aliar o bom design às funcionalidades de um aparelho tecnológico. Levando esse pensamento para o campo da arquitetura, o empresário mostrou que um produto (seja um dispositivo, ambiente ou edifício) não deve estar limitado a gerar apelo estético para vender.

O espaço planejado, construído e decorado também deve cumprir sua função para melhorar a experiência do usuário. Para isso, é preciso um olhar atento sobre as necessidades de cada cliente, a fim de conceber projetos que sejam visualmente agradáveis e, ao mesmo tempo, coerentes com a realidade em que estarão inseridos.

Não há necessidade de levar ao pé da letra a famosa frase “a forma segue a função”, proferida pelo arquiteto Louis Sullivan. Cabe ao profissional de hoje procurar o equilíbrio em suas criações para democratizar o acesso a soluções inteligentes e fazer com que a arquitetura para todos se torne uma realidade cada vez mais próxima.

A arquitetura do Apple Park

Finalizamos com um dos projetos mais recentes da empresa: o Apple Park, nova sede da marca localizada em Cupertino, Califórnia. A obra, inaugurada em 2017, apresenta design e conceito distantes do convencional, porém bem próximos daquilo que Steve Jobs e sua equipe sempre pregaram.

De autoria do aclamado arquiteto Norman Foster (Foster + Partners), o complexo foi idealizado como um centro de criatividade e colaboração para cerca de 12 mil funcionários da empresa. O edifício em forma de anel tem mais de 280 mil metros quadrados e chama a atenção em meio a um campo arborizado de cinco mil hectares.

É claro que não poderiam faltar grandes painéis de vidro para revestir a estrutura, bem como bordas e cantos arredondados. Essas características, aliadas ao acabamento simples e limpo, fazem uma alusão aos produtos da marca. O site da cidade de Cupertino contém as plantas do projeto com detalhamento técnico completo.

Ainda próximo ao complexo está o teatro que leva o mesmo nome do cofundador da marca, falecido em 2011. Na própria página do escritório responsável pelo projeto, há uma citação de Jonathan Ive, diretor de design da Apple, que diz o seguinte:

“O Steve Jobs Theater é um lugar para nos reunirmos. Ele oferece uma oportunidade para nossos amigos e visitantes conhecerem o Apple Park e, de tempos em tempos, compartilharem a empolgação de novos produtos. Nós trabalhamos muito para criar um ambiente único e simples.”

Localizado no topo de uma colina, o teatro tem um auditório com mil assentos que ficam parcialmente no subterrâneo. As paredes são de vidro e compõem um cilindro transparente com 6,1m de altura e 41,1m de diâmetro. Para fechar, um telhado de fibra de carbono e com formato circular repousa sobre toda a estrutura.

É muito detalhe para aprender sobre uma empresa tão grande, concorda? Se você gostou de explorar as particularidades do design da Apple, aproveite as lições deixadas por um empresário que fez história ao se preocupar com diferentes aspectos na hora de desenvolver produtos.

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