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Denise Scott Brown é uma das referências na arquitetura pós-moderna (Foto: Lynn Gilbert)

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Denise Scott Brown: uma arquiteta em busca de reconhecimento

20/12/2021

Uma das referências do pós-modernismo, Denise Scott Brown também é escritora e professora. Conheça a história dessa importante arquiteta!

Arquiteta, professora e escritora: Denise Scott Brown é uma das maiores profissionais do século XX. Ao lado de Robert Venturi, com quem foi casada, se tornou um símbolo da arquitetura pós-moderna.

Uma verdadeira crítica da arquitetura modernista e de como esse movimento se refletia na sociedade, deixou sua marca nas obras teóricas que publicou. 

Para ela, a arquitetura precisa levar em consideração questões históricas e culturais, seguindo uma linha mais eclética.

Ao longo de sua trajetória, colaborou e assinou grandes projetos arquitetônicos, de planejamento urbano, além de escrever e lecionar sobre Arquitetura e Urbanismo.

Sua carreira foi construída no atual escritório VSBA, na Filadélfia, Estados Unidos. A arquiteta se tornou referência, principalmente por ser mulher e ocupar um lugar de destaque.

Saiba mais!

Allen Memorial Art Museum, em Ohio, é um dos projetos de destaque de Denise Scott Brown
Allen Memorial Art Museum, em Ohio, é um dos projetos de destaque de Denise Scott Brown (Foto: Jim Forest)

História de Denise Scott Brown marca sua busca por reconhecimento

Denise Scott Brown é uma das arquitetas que marcou a história com suas obras arquitetônicas e literárias. Tudo começou na Zâmbia, quando nasceu, em 1931. Na época, o país se chamava Rodésia do Norte.

Filha de pais judeus, sua formação em Arquitetura e Urbanismo teve início na África do Sul, em 1948, na Universidade de Witwatersrande. Durante o curso, ela conheceu seu primeiro marido, Robert Scott Brown.

Em 1952, foi para Londres, no Reino Unido, terminar seus estudos na Architectural Association School of Architecture. 

Após a formação, viajou e trabalhou pela Europa até que, em 1958, decidiu se mudar para a Filadélfia, nos Estados Unidos, onde se estabeleceu.

A mudança foi motivada pelo mestrado em Arquitetura e Planejamento Urbano na Universidade da Pensilvânia, o que marcou o início de sua carreira acadêmica.

Um ano depois, em 1959, seu marido sofreu um acidente de carro e faleceu.

Denise Scott Brown entrou para o corpo docente da Universidade da Pensilvânia e, em 1960, conheceu outro professor, Robert Venturi. Os dois se aproximaram e se casaram em 1967, em Santa Mônica, nos Estados Unidos.

Denise Scott Brown ao lado de seu marido, Robert Venturi, em 2007
Denise Scott Brown ao lado de seu marido, Robert Venturi, em 2007 (Foto: Molly Steenson)

Ao lado de Robert Venturi, Denise Scott Brown é símbolo do pós-modernismo

A relação com Robert Venturi também marcou uma mudança na carreira da arquiteta, que se mudou para a Filadélfia, ainda nos Estados Unidos, para se associar à empresa do marido, a Venturi e Rauch.

No início, ela ocupou a posição de diretora responsável pelo planejamento urbano. Sobre o mesmo tema, deu aulas na Universidade da Califórnia e se tornou co-presidente do Programa de Design Urbano da instituição, em Los Angeles.

Seu currículo inclui ainda aulas em outras faculdades renomadas, como a Universidade de Yale e a Universidade de Harvard. Essa última como professora convidada na Graduate School of Design com Robert Venturi.

Em 1989, a empresa de seu marido foi renomeada para Venturi, Scott Brown and Associates, levando reconhecimento a Denise Scott Brown. Essa mudança abriu portas para a arquiteta, que passou a participar de grandes projetos também como encarregada de obra.

Sainsbury Wing of National Gallery, em Londres, é uma das grandes obras de Denise Scott Brown fora dos Estados Unidos
Sainsbury Wing of National Gallery, em Londres, é uma das grandes obras de Denise Scott Brown fora dos Estados Unidos (Foto: Rory Hyde)

Em 2012, Robert Venturi decidiu se aposentar, mas Denise Scott Brown seguiu tocando os projetos do escritório. No entanto, o arquiteto veio a falecer em 2018, aos 93 anos.

Atualmente, o renomado escritório, que se tornou referência em pós-modernismo, se chama VSBA. A direção é de Daniel McCoubrey.

Obras de Denise Scott Brown vão além da arquitetura

A arquiteta deixa sua marca por onde passa. 

Como professora, formou profissionais renomados. Como escritora, teve destaque com o livro Aprendendo em Las Vegas: o simbolismo esqueceu-se da forma arquitetônica, de 1972. 

A obra é em conjunto com Robert Venturi e Steven Izenour e revela os estudos que realizou com seus alunos sobre a cidade americana.

Outro livro importante escrito por ela também em parceria com seu marido é Arquitetura e Artes Decorativas dois novatos no Japão.

Entre as obras arquitetônicas estão campi de universidades e museus. Alguns exemplos são:

  • Allen Memorial Art Museum, em Ohio;
  • Museu de Arte de Seattle, em Washington;
  • Museu da Criança, no Texas;
  • Campus da Universidade de Michigan, no estado americano de mesmo nome;
  • Laboratório Lewis Thomas da Universidade de Princeton, em Nova Jersey;
  • Sainsbury Wing of National Gallery, em Londres, Reino Unido;
  • Capitólio, em Toulouse, na França.
Detalhes da fachada do laboratório Lewis Thomas, em Nova Jersey
Detalhes da fachada do laboratório Lewis Thomas, em Nova Jersey (Foto: Adam Fagen)

Reconhecimentos e a polêmica do Prêmio Pritzker

Ao longo de sua carreira, Denise Scott Brown recebeu diferentes reconhecimentos pelas obras e projetos que assinou. O primeiro foi em 1985, o AIA Firm Award.

Dois anos depois, ganhou o Chicago Architecture Award. Entre os demais prêmios estão ainda o Visionary Woman Award e a Harvard Radcliffe Institute Medal.

Recentemente, em 2019, ela foi reconhecida com o Prêmio Carreira Trienal de Lisboa Millennium BCP.

Apesar das diversas condecorações, Denise Scott Brown ficou de fora de um dos mais importantes reconhecimentos da arquitetura: o Prêmio Pritzker.

Denise Scott Brown em 2017
Denise Scott Brown em 2017 (Foto: Imoisset)

Em 1991, seu marido recebeu a premiação de arquitetura. No entanto, a obra reconhecida foi colaborativa com Denise Scott Brown, o que gerou revolta, principalmente de Robert Venturi.

A Fundação Hyatt, responsável pela organização do prêmio, alegou que só era possível condecorar arquitetos individualmente — regra que mudou apenas em 2001.

Ela, entretanto, não compareceu à cerimônia como forma de protesto. Já o seu marido fez questão de reconhecer a arquiteta em seu discurso de recebimento, ao dizer que o projeto foi colaborativo e a participação dela foi primordial.

Depois disso, Robert Venturi lutou para que Denise Scott Brown fosse incluída na premiação. Em 2013, uma organização da Escola Superior de Design de Harvard, a Women In Design, iniciou uma petição para a inclusão do nome dela no reconhecimento. 

Porém, a decisão não foi revertida, sob a alegação de que o júri muda constantemente e, portanto, não é possível rever decisões passadas.

Além de Denise Scott Brown e Robert Venturi, outros casais se destacam no mundo da arquitetura. Esse é o caso de Anna Lacaton e Jean-Philippe Vassal. Conheça a história dos vencedores do Prêmio Pritzker 2021!

Foto de destaque: Denise Scott Brown é uma das referências na arquitetura pós-moderna (Foto: Lynn Gilbert)

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