Menu
Projetos e Obras
Busca

Conteúdo Colunistas

Dicas para intensificar sua lista de conteúdos on-line

05/08/2020

O acesso a conteúdos disponíveis na rede também gerou excesso de informação. Despretensiosamente, filtramos algumas opções para você acrescentar à sua lista: as dicas vão de aulas sobre nomes importantes da arquitetura mundial, a audições comentadas, curso de empreendedorismo subversivo e o exercício do silêncio para “ver o perfume das coisas”.

A pandemia acelerou processos que já estavam em curso como a consolidação do universo digital. Descortinou inumeráveis conteúdos, de forma gratuita ou paga. Vivemos um momento paradoxal: de acesso a informações que jamais teríamos não fosse o on-line ao mesmo tempo sofremos com o excesso. 

Precisamos filtrar e focar, atitude difícil diante de tantas ofertas. De qualquer maneira, e para engordar a lista de desejos – a minha é enorme e confesso que não dou conta – deixo aqui algumas sugestões de cursos no campo da arquitetura e da cultural em geral, além de outros conteúdos que vale a pena dedicar um tempinho para assistir, ler ou participar.

E ainda: sugiro momentos para silenciar a mente e desacelerar, para além das telas de celulares e afins. Espero que você goste!

Gabriel Kogan

O arquiteto e crítico de arquitetura formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) tem mantido aulas regulares e inscrição com valores diferentes, tonando acessível para vários bolsos. A experiência sobre Tadao Ando foi fantástica, com conteúdo denso e transversal, onde ele relaciona contexto, filosofia e arquitetura. Imperdível!

O próximo módulo, sobre Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, acontecerá em setembro. O link de inscrições será divulgado no instagram @gabrielkogan. Sugiro ainda acompanhar a revista Centro com a programação dos cursos – a publicação on-line trata sobre pesquisas urbanas e foi fundada em 2015 pelo arquiteto. Kogan trabalhou como arquiteto no Studio MK27 entre 2007 e 2015, é professor da Escola da Cidade, e já ofereceu cursos livres no MASP e MuBE. 

Revista Centro

Revista Centro

Projeto Marieta

Conheço o Marieta desde 2017 e me apaixonei pelo projeto cultural, que tem sede em São Paulo, e dedica-se à difusão de pensamento contemporâneo. Já indico a assinatura da News (www.projetomarieta.com.br) com texto criativo sobre as ações do Marieta. Vale a leitura de cada linha do extenso texto, inteligente e sincero!

Entre os projetos, a dica é o Comuns, laboratório virtual de arquitetura experimental e participativa, organizado por Marcella Arruda e Marina Frugoli. O laboratório tem como objetivo fomentar a troca de saberes e tecnologias da arquitetura e urbanismo contemporâneos a partir do olhar do Sul Global. O evento acontecerá em encontros virtuais, de 16 de setembro e 21 de outubro. O processo seletivo está em andamento, inscreva-se até dia 16 de agosto – acesse aqui. 

Tem ainda curso de roteiro em outubro com Caio Guerra.  Fica a sugestão, ainda, para acessar a página no Facebook e ouvir, sem pressa, o bate-papo com o líder indígena Ailton Krenak, no projeto Transa.Marieta, um programa de entrevistas com personalidades da arte e da cultura. Participam da longa e necessária conversa Isa Grinspum Ferraz, Marco Altberg, Suely Rolnik e Abilio Guerra.

Espaço físico do Projeto Marieta, em São Paulo, nas aulas presenciais antes da pandemia (Foto acervo Marieta)

Espaço físico do Projeto Marieta, em São Paulo, nas aulas presenciais antes da pandemia (Foto acervo Marieta)

Comuns, laboratório virtual de arquitetura experimental e participativa aberto para inscrição no Marieta

Comuns, laboratório virtual de arquitetura experimental e participativa aberto para inscrição no Marieta

Líder indígena Ailton Krenak, que participou da projeto Transa.Marieta, disponível no Facebook do centro cultural (Foto: retirada do Facebook do Projeto Marieta)

Líder indígena Ailton Krenak, que participou da projeto Transa.Marieta, disponível no Facebook do centro cultural (Foto: retirada do Facebook do Projeto Marieta)

Instituto Ling em Casa

Com sede em Porto Alegre, o Instituto Ling é o resultado da aposta na educação feita pelo casal Lydia Wong Ling e Sheun Ming Ling como uma retribuição ao Brasil pela acolhida que receberam ao chegar aqui, em 1951.

Assisti uma das edições do projeto Na esquina de uma nova época, encontro ao vivo e gratuito que propõe a reflexão sobre as mudanças em curso na atualidade e as perspectivas que podemos alcançar sobre o futuro. Foi incrível! Dia 3 de agosto acontece uma nova edição com os painelistas: João Carlos Brum Torres, Mônica Timm, Nelson Boeira e Felipe Pimentel.

Audições Comentadas e Meu Filme Favorito são outras opções que nos surpreendem. Acesse: institutoling.org.br/agenda-cultural 

Instituto Ling, imagens do site do centro cultural

Instituto Ling, imagens do site do centro cultural

Itaú Cultural 

  • Dica 1 – Um Possível Olhar sobre a Produção em Artes Visuais no Brasil

Depois de uma procura inesperada, o Itaú Cultural optou por oferecer o curso Um Possível Olhar sobre a Produção em Artes Visuais no Brasil como uma série de palestras abertas ao público. São 12 encontros, com 90 minutos de duração por aula, ministrado pelo curador e professor Marcos Moraes. O curso aconteceu em abril e maio e, para nossa sorte, todas as aulas estão disponíveis; acesse aqui.

Curso Um Possível Olhar sobre a Produção em Artes Visuais no Brasil, no canal do youtube do Itaú Cultural, com Marcos Moraes

Curso Um Possível Olhar sobre a Produção em Artes Visuais no Brasil, no canal do youtube do Itaú Cultural, com Marcos Moraes

Confere só a programação!

  1. Colonização e apagamento: relações da arte europeia e a arte originária do Brasil
  2. Os barrocos brasileiros, ou no Brasil e a arte afrodiaspórica
  3. O Brasil dos viajantes: expedições artísticas, científicas e exploratórias
  4. Aleijadinho e a interrupção de uma arte nacional. Academia Imperial de Belas Artes: da Missão Artística Francesa
  5. Já éramos modernos, ou outras visões da produção acadêmica no Brasil do século XIX
  6. De Anita à antropofagia: modernismo e a procura por identidade
  7. Arte e sociedade e os operários da modernidade
  8. Museus, a Bienal de São Paulo e a linguagem abstrata. Concretismo, neoconcretismo
  9. Novas figurações, pop e nova objetividade
  10. Arte conceitual, performance e os esgarçamentos das linguagens, dos meios e dos suportes
  11. Como vai você, geração 80? E os anos 1990?
  12. A produção contemporânea: esgarçamento de fronteiras geopolíticas, deslocamentos, trocas e decolonização.

Dica 2 – Ocupação Rino Levi 

É a 49ª edição do programa Ocupação Itaú Cultural, que convida o público para um percurso pela vida e pela obra de uma personalidade do campo da arte e da cultura. Rino Levi (1901-1965) foi o arquiteto e urbanista contemplado na exposição que aconteceu de fevereiro a abril de 2020 (está em suspenso devido a pandemia). Levi atuou no processo de modernização e verticalização de São Paulo, marcando a paisagem da cidade a partir do final da década de 1920. O arquiteto deixou um legado para além do campo do projeto arquitetônico: atuou também como professor e contribuiu para a regulamentação da profissão. A curadoria é assinada pelas equipes do Itaú Cultural e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

É uma verdadeira aula! Tive a oportunidade de ver a exposição em março, antes do isolamento social imposto pelo Covid-19. Saiba tudo sobre a Ocupação Rino Levi aqui – http://bit.ly/ocupacaorinolevi – tem textos e vídeos.

Confira ainda o verbete sobre o arquiteto na Enciclopédia Itaú Cultural: http://bit.ly/verbeterinolevi  

Ocupação Rino Levi, Itaú Cultural

Ocupação Rino Levi, Itaú Cultural

 

Instituto Moreira Salles: ZUM e Serrote

O Instituto Moreira Salles é uma entidade cultural que promove diversas ações e projetos na área. Para a nossa lista, destaco 3 opções oferecidas pelo instituto: um passeio pelas revistas ZUM sobre fotografia contemporânea do Brasil e do mundo, e a Serrote de ensaios e ideias. E ainda o Programa Convida, com a publicação de trabalhos de 126 artistas (individuais e coletivos), convidados pelo IMS para participar deste programa de fomento à criação em tempos de quarentena – ims.com.br/convida

Serrote – lançada em julho a edição especial, gratuita e digital, que reflete sobre o momento de exceção que vivemos.

Capa revista Serrote, ilustração de No Martins

Capa revista Serrote, ilustração de No Martins

ZUM – #18 tem versão digital gratuita disponível para visualização e exemplar impresso. Na pauta, colagens de Ventura Profana, obra inédita de Paulo Bruscky, ensaio de Giselle Beiguelman sobre deepfakes, os retratos de Deana Lawson e as performances de Berna Reale. 

Fica ligado às conversas que integram o lançamento da revista e que se estendem até 19 de agosto, ao vivo transmitidas pelo Youtube

Capa revista ZUM #18, Ventura Profana

Capa revista ZUM #18, Ventura Profana

Sonda: um roteiro pelas fotomontagens de Ventura Profana
A performer e artista visual Ventura Profana fala sobre seu processo de criação
5 de agosto, quarta-feira, 18h

A performance da violência
A artista Berna Reale entrevistada pela professora e curadora Marisa Mokarzel
12 de agosto, quarta-feira, 18h

Narciso e os cadernos de Hudinilson Jr.
Aula aberta com a crítica de arte Veronica Stigger
19 de agosto, quarta-feira, 18h

Revista seLecT 

Para ler, refletir, conhecer, distrair-se, irritar-se, … a revista seLecT traz conteúdos que não podem ficar longe do seu radar. A versão impressa tem periodicidade trimestral e a digital tem periodicidade diária. A intenção da revista é contribuir para a formação de público em arte a partir da divulgação de trabalhos artísticos e curatoriais.  A edição #47 é toda dedicada ao tema da cidade, além de propor um entendimento sobre o papel do artista nos novos modos de viver durante o isolamento social. 

Entre tantos artigos interessantes de ler, sugiro a coluna Coronavida, de Giselle Beiguelman, artista e professora da (FAU-USP). Giselle pesquisa a preservação de arte digital, arte e ativismo na cidade em rede e as estéticas da memória no século 21. 

Revista Select

Revista Select

Escola da cidade

Estão disponíveis 13 episódios do Seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, que aconteceu em formato de “lives” públicas com foco em como a situação emergencial que se abateu sobre o Brasil e o mundo incide no campo da arquitetura e do urbanismo. Encontros mediados pelo arquiteto Guilherme Wisnik e convidados. 

Episódio do Seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, com os arquitetos Guilherme Wisnik e Tainá de Paula

Episódio do Seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, com os arquitetos Guilherme Wisnik e Tainá de Paula

POR FIM – Empreendedorismo para subversivos

É um livro-guia não-convencional que virou um curso e foge ao lugar-comum dos discursos sobre empreender. Facundo Guerra é o nome por trás do livro, do curso e da vasta comunidade que o acompanha, com a qual dialogo. Ele acredita que “empreender é uma das formas que temos de contar a história de um lugar — e que o produto é a visão de mundo de quem empreende”. 

Engenheiro de alimentos, jornalista, mestre e doutor em política, o empresário argentino de nascença, paulistano por escolha, como ele mesmo diz, é “autor” de 20 negócios em São Paulo, entre eles, o Vegas Club, no Baixo Augusto, os bares Volt e Riviera e as casas noturnas Lions, Yacht, Cine Joia e PanAm, Mirante 9 de Julho, Riviera e o incrível Bar dos Arcos, considerado um dos mais interessantes do mundo – só pra citar alguns.

Se você pretende empreender, sugiro pelo menos espiar o que ele tem a dizer aqui.

Facundo Guerra. Foto de Alex Batista

Facundo Guerra (Foto de Alex Batista)

Livro

Livro

Bar dos Arcos, no Theatro Municipal de São Paulo (Foto: Facundo Guerra)

Bar dos Arcos, no Theatro Municipal de São Paulo (Foto: Facundo Guerra)

Dica 9 – Desliga a tela e olha para o céu

Colocar na sua lista a prática do silêncio e da atenção profunda ao estado contemplativo para ter a chance de “ver o perfume das coisas”, como observou, certa vez, Paul Cézanne. Este trecho está descrito no livro Sociedade do Cansaço, do filósofo Byung-Chul Han. Ele sugere, por meio de Nietzsche, uma pedagogia específica do ver, precisamos aprender a ver, “habituar o olho ao descanso, à paciência, ao deixar-se-aproximar-de-si”. 

Por isso, finalizo com esta imagem de uma experiência pessoal artística do meu “Inventário do Isolamento”: desliga a tela e olha para o céu.

Desliga a tela e olha para o céu (Foto: arquivo pessoal/SimoneBobsin)

Desliga a tela e olha para o céu (Foto: arquivo pessoal/SimoneBobsin)

Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *