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Climatização de ambientes: por que um arquiteto precisa se preocupar?

30/04/2018

No post a seguir, você vai descobrir de uma vez por todas como a climatização de ambientes vem transformando o conceito de conforto e tecnologia em vários projetos. Além disso, será possível entender quais são as maneiras mais sustentáveis de aplicar essa ideia na prática, sem se preocupar com gastos excessivos.

A sensação de bem-estar que um ambiente traz não depende apenas de características que são possíveis de ver e tocar. Além delas, os estímulos sensoriais são fundamentais para que uma pessoa consiga explorar ao máximo todos os benefícios de um projeto bem-pensado.

Se você nunca ouviu falar sobre climatização de ambientes de uma forma aprofundada, está perdendo tempo. Os clientes, que estão cada vez mais exigentes, sabem muito bem o que querem em relação à tecnologia e aos produtos capazes de melhorar a sua qualidade de vida. A técnica que vamos abordar neste post faz parte desse contexto.

E então, está pronto para conhecer tudo sobre climatização de ambientes e entender, de uma vez por todas, por que ela deve estar presente nos seus projetos? Tenha uma ótima leitura!

O que é a climatização de ambientes?

A climatização de ambientes pode ser definida como qualquer ação realizada com o objetivo de deixar o local termicamente agradável para as pessoas que vão frequentá-lo. Isso pode ser feito de várias maneiras e em inúmeros espaços, por isso o recurso vem sendo cada vez mais desejado em todo o mundo.

Pense no seguinte exemplo: você está no carro e faz muito calor. Mesmo com as janelas abertas, ainda não dá para suportar o clima. O que qualquer motorista pensaria logo de cara? Se você respondeu “ar-condicionado”, está certo. Os aparelhos de resfriamento existem justamente para melhorar as condições do meio para a pessoa que está no carro. Ou seja, a instalação desse equipamento se enquadra no conceito de climatização.

Se um simples ar-condicionado dentro de um veículo já melhora muito a qualidade de vida de alguém, imagine uma casa otimizada para que o conforto seja prioridade em todas as épocas do ano? Ou um projeto comercial que faça com que o cliente fique satisfeito e queira voltar?

Por que ela é importante?

A forma como o corpo humano se comporta diante de situações climáticas tem uma forte interferência no bem-estar das pessoas. Quando alguém é submetido a altas temperaturas, por exemplo, logo vêm o suor e o desconforto.

Além desses dois pontos, o organismo daquele indivíduo que está em contato com o ambiente vai sofrer para manter a temperatura interna do corpo em um nível ideal — o que acaba comprometendo sua saúde e bem-estar.

Não é possível permanecer muito tempo em um lugar climatizado de maneira errada, seja ele gelado ou quente demais. Veja o que pode acontecer:

  • perda da capacidade de concentração;
  • vulnerabilidade a acidentes;
  • irritabilidade;
  • perda ou aumento excessivo de apetite ou sede;
  • desconforto;
  • dores de cabeça.

Sabendo disso, é imprescindível que qualquer projeto seja otimizado para a climatização de ambientes e esteja pronto para receber as pessoas de maneira agradável, tanto em espaços comerciais quanto em residências.

O que deve ser levado em consideração?

Antes de implementar os aparelhos que vão fazer o serviço de climatização, é preciso pensar em alguns pontos básicos. O primeiro — e mais relevante — é o clima da região.

Daniel Kroth, arquiteto que realiza projetos ao redor de todo o país, destaca a importância da prática:

“Sempre começo por um levantamento do clima local. A periodicidade das chuvas e influências dos ventos também são fatores que sempre levo em conta.”

Ele acrescenta, mencionando as regiões do Brasil: “No Sul, por exemplo, é importante fazer o sol entrar nos ambientes nos dias frios do inverno e ter controle para bloqueá-lo nos dias quentes do verão”.

Já nas regiões mais quentes, o ideal é focar em um projeto de climatização que tenha como prioridade o uso de aparelhos de ar-condicionado e itens que sirvam para trazer a sensação de resfriamento. Revestimentos e móveis específicos, por exemplo, ajudam muito. No calor do verão, alguns materiais não lidam tão bem com a temperatura e podem acabar contribuindo para que o cômodo fique bem quente e abafado.

Além disso, é importante analisar minuciosamente o objetivo daquele ambiente. No caso de residências, tenha uma conversa com a família e trace um plano que siga os desejos do cliente. Mas se o projeto for comercial, é necessário pensar em alguns fatores externos. Veja a seguir ideias interessantes:

  • provadores de lojas de roupa geralmente são mais frios. Isso acontece para que a pessoa consiga experimentar qualquer tipo de peça de roupa sem ficar desconfortável, levando em conta que o espaço é bem restrito. Afinal, não é bom provar uma roupa para o inverno em um local minúsculo que, ainda por cima, seja quente;
  • a temperatura das lojas costuma variar de acordo com o ano, e isso acontece para que os clientes se sintam confortáveis ao saírem da rua para dentro do empreendimento (ou seja, fugindo da temperatura ambiente);
  • é comprovado que a temperatura de espaços comerciais tem influência direta na permanência dos clientes.

Como a climatização é realizada na prática?

Agora que você já sabe o que é a climatização de ambientes e conhece a sua importância para a qualidade de vida do cliente, é hora de entender como ela pode ser aplicada na prática. Veja a seguir alguns conceitos e ideias.

Brise soleil

O termo é francês e, em tradução livre, quer dizer algo como “quebra-sol”. Trata-se de um dispositivo usado para que a radiação solar não entre em uma construção. Durante o dia, a incidência do sol é muito forte, o que aumenta significativamente a temperatura interior e causa calor e desconforto para quem está lá dentro.

Em geral, eles são produzidos a partir da madeira e do alumínio e posicionados na abertura das construções — no caso de casas, apartamentos e prédios comerciais, ficam nas janelas. A sua estrutura é móvel, e isso faz com que o dispositivo possa ser remanejado a partir de necessidades específicas.

Le Corbusier, arquiteto notável em todo o mundo, é considerado um dos responsáveis por levar a ideia adiante e colocar o projeto em prática. O brise soleil ficou conhecido como um dos marcos da arquitetura moderna, e o Brasil teve grande participação no movimento: o Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, foi o primeiro edifício do mundo a fazer uso de brises móveis. Além deles, o edifício Copan e o Itália, ambos em São Paulo, também são referência no uso do recurso.

Fachada ventilada

O principal propósito das fachadas ventiladas é melhorar a sensação térmica, gerando maior conforto para as pessoas que entram em contato com o ambiente em questão.

Sua aplicação é considerada a “segunda camada” da fachada de uma construção e tem o objetivo de protegê-la contra agentes naturais que podem alterar o seu clima interno. O revestimento é feito a partir do uso de alumínio ou aço inoxidável, que entra em contato com a estrutura original do projeto.

Essa tecnologia permite que um processo chamado de “efeito chaminé” ocorra. Funciona assim: no momento em que o ar mais quente sobe, ele passa por uma diferença de pressão e se transforma em ar frio, que será sugado pela cavidade e levado até o lado de dentro da construção. Inclusive, isso faz com que a estrutura dos prédios não sofra com superaquecimentos, já que ela estará sempre protegida.

A solução é vista como uma das opções mais sustentáveis no mercado e, além de melhorar o conforto das pessoas, pode reduzir em até 50% o consumo de energia. Os materiais usados na composição do dispositivo também são 100% recicláveis e não agridem o meio ambiente. Só vantagens, certo?

Ar-condicionado e sistemas elétricos de refrigeração ou aquecimento

Por mais que essas alternativas sejam menos sustentáveis e gerem um pequeno aumento na conta de luz, quando falamos em climatização ainda é necessário considerar o ar-condicionado (se a intenção é resfriar) e em sistemas de aquecimento (se o objetivo é esquentar).

Para que o cliente não sofra na hora de pagar e o meio ambiente não seja prejudicado, Daniel afirma que existem soluções que podem ser realizadas com o objetivo de reduzir custos e aderir ao conceito de sustentabilidade. A saída mais simples e eficaz é explorar a ventilação natural de cada local.

Isso pode ser feito ainda na fase de idealização do projeto, tendo em mente algumas práticas fundamentais para que o ambiente tenha a capacidade de ser agradável de forma independente.

O uso de janelas ou lareiras, o tamanho dos cômodos, a escolha de móveis e revestimentos específicos são algumas ações que podem ser realizadas sem que haja aumento significativo de custo. Os dispositivos elétricos também podem ser incluídos, sem problema algum. Mas essas outras estratégias dão ao cliente a tranquilidade de saber que não vai depender do ar-condicionado 24 horas por dia.

Piso aquecido

Em locais como o Sul do Brasil, onde a temperatura chega a níveis negativos, às vezes nem mesmo o carpete ou pisos que acumulam maior quantidade de calor são capazes de trazer aconchego.

A boa notícia é que existe uma tecnologia chamada de “piso aquecido”, como explica Daniel Kroth:

“Ele é um sistema de serpentina instalado por baixo do piso com água quente circulante. Ela aquece o revestimento, o que proporciona mais conforto térmico. Imagine só tomar banho onde a temperatura chega a zero, com os pés direto no chão?”

De acordo com o arquiteto, a solução é sustentável, uma vez que usa água quente produzida pelas placas de aquecimento solar. Quando a opção vendida no mercado é elétrica, aí sim não é uma boa ideia para o meio ambiente.

Por que a escolha dos materiais importa?

Já adiantamos anteriormente, mas vale reforçar: existem pequenas ações que não são caras e nem demandam uma grande mudança no projeto.

Os produtos usados em toda a casa (desde a decoração até os revestimentos e materiais de construção) afetam inevitavelmente o clima do local. Imagine uma sala inteira revestida e decorada em madeira? Dá calor só de pensar!

Sabendo disso, é importante ter em mente que a tecnologia e as opções inovadoras não são suficientes para realizar uma boa climatização de ambientes. Utilizando outros métodos, os seus clientes que não estão dispostos a pagar muito ou estão com orçamento baixo também serão beneficiados.

Separamos abaixo os principais pontos que devem ser observados durante o processo de construção. Continue acompanhando!

Pisos

Os pisos têm interferência direta na sensação térmica de qualquer ambiente. Para locais mais frios, são aconselhados os carpetes e madeiras. Já quando a intenção é refrescar, aposte nas opções que não absorvem calor.

Pedras frias como o granito e o mármore, além dos porcelanatos e cerâmicas, garantem aquela “refrescância” tão desejada em tempos de altas temperaturas.

Telhados

Podemos dizer que os telhados são fundamentais para estabelecer a temperatura do ambiente por completo. Eles estão em constante contato com o sol, ou seja, é preciso otimizar essa superfície para que o clima da casa fique exatamente como o cliente deseja.

Quando a necessidade é o aquecimento, invista em telhas de zinco, metal e amianto, pois elas absorvem muito bem o calor. Aposte em cores mais escuras, já que elas também são responsáveis por acumularem maior quantidade de raios solares em suas estruturas.

Caso a ideia seja resfriar, fuja das opções que mencionamos acima. No quesito cor, telhados brancos são mais refrescantes.

Paredes

Ao falar sobre o revestimento das paredes, a lógica é parecida com a escolha para o chão. No entanto, além do uso de madeira ou das pedras frias, existem alguns truques que podem ajudar a melhorar o clima do espaço.

Os cobogós são ideais para quem convive com o calor, já que a parede convencional diminui a área de circulação de um ambiente e pode deixá-lo bem abafado.

Além dos cobogós, trabalhar com projetos no esquema de flat (como cozinhas americanas ou cômodos integrados) é uma ótima ideia, principalmente quando lidamos com extensões pequenas.

Existe também a técnica das paredes duplas. No momento da edificação, em vez de construir apenas uma camada de parede para separar os ambientes, são erguidas duas. Dessa forma, o ar quente que entra no primeiro nível vai se dissipar no espaço entre as duas e chegar ao interior com menos intensidade.

Truques para deixar a casa mais quente em cidades do Sul do Brasil

Além de questões técnicas e aquelas que envolvem a construção (os revestimentos, por exemplo), é preciso pensar em outros aspectos do projeto que farão toda a diferença na hora de melhorar o clima dentro de casa.

No caso da região Sul do Brasil, onde o clima é majoritariamente frio, é importante pensar em uma decoração que entre em harmonia com as soluções já mencionadas. Veja abaixo alguns truques infalíveis para deixar qualquer ambiente quentinho e aconchegante.

Aposte em mantas e cobertores

A dica é focada principalmente na sala de estar e nos quartos: sempre deixe uma mantinha ou pequeno cobertor à vista. Eles são essenciais e servem como ótimos aliados quando o tempo esfriar ou se começar a ventar. Também são confortáveis e podem ser usados com facilidade em qualquer momento do dia, sem a necessidade de se deslocar até um armário. Tenha certeza de que aquele filme de sexta-feira e o papo com os amigos no sofá vão ficar muito mais gostosos.

Outra dica é sempre deixar uma pantufa ou chinelos felpudos embaixo ou próximo da cama ou sofá. Dessa forma, os pés dos moradores sempre estarão protegidos do frio.

Fique atento ao projeto de iluminação

Em locais em que o clima é frio por natureza, o ideal é utilizar luzes amareladas. Elas são responsáveis por deixar o cômodo mais quente e aconchegante.

Pense na possibilidade de comprar uma lareira portátil

Se o seu cliente não tem espaço para uma lareira, não se preocupe: existem opções portáteis no mercado que são capazes de suprir a necessidade em qualquer cômodo e em qualquer período do dia.

Há lareira para todos os gostos: desde as modernas até aquelas que seguem um estilo rústico e clássico. Sabendo disso, é muito fácil incluir o objeto nos mais diversos projetos. O investimento vale a pena e ajuda a melhorar a sensação térmica do local.

Esquente a água de todas as torneiras

Além do tradicional chuveiro, que já existe com a alternativa de torneira quente e fria, é importante pensar em todas as outras saídas de água da casa. Imagine lavar a louça quando a temperatura chega perto de zero?

Sabendo disso, não se esqueça da pia do banheiro e da cozinha na hora de realizar o projeto hidráulico.

Priorize as cores alegres

Cores como o branco e o cinza deixam o ambiente mais gelado. Por isso, fuja de tons pastel ou frios e foque nas cores alegres e vivas. Para não ficar enjoativo ou muito exagerado, a aplicação dessas tonalidades pode ser feita de duas maneiras:

  • na decoração, investindo em objetos como almofadas, vasos, mantas, quadros, porta-retratos, tapetes e cortinas;
  • aplicando tinta desses tons em uma das paredes do cômodo. A prática, além de servir como belo contraste e destaque, é uma opção moderna e descontraída para qualquer ambiente, cumprindo direitinho a função de esquentar sem enjoar.

Truques para deixar a casa mais fresca em cidades do Nordeste do Brasil

Além do Nordeste, existem outras regiões — como Norte e áreas do Centro-oeste e Sudeste — que sofrem com o calor excessivo em certas épocas do ano. Da mesma forma que exemplificamos acima, existem soluções práticas e baratas para deixar qualquer lugar arejado.

Troque as cortinas por persianas

Dependendo do tecido escolhido, uma simples cortina tem a capacidade de deixar um cômodo abafado, principalmente quando ele é menor e tem muitos móveis. Nesse caso, a persiana entra como ótima opção, já que o seu material é frio e não absorve calor da mesma maneira que os tecidos.

Não deixe as cortinas ou persianas abertas durante todo o dia

Naquelas horas do dia em que bate muito sol, mantenha as cortinas sempre fechadas. Elas vão proteger os móveis e deixar o cômodo fresco, além de aumentarem a sensação de aconchego ao impedirem a entrada dos raios solares fortes.

Abra as janelas durante a noite

Logo ao escurecer é hora de abrir todas as janelas da casa. Em especial no verão, quando os dias são muito quentes mas as noites costumam ser fresquinhas. Isso ajuda a melhorar a sensação térmica na hora de dormir, afinal, é bem difícil passar uma noite tranquila quando está calor lá fora.

Foque no tom pastel

Cores quentes, nem pensar! A sua capacidade de esquentar um ambiente é forte — como o próprio nome diz —, então evite essas tonalidades e foque nas que são mais frias.

Isso não significa que será preciso abrir mão de uma decoração viva e alegre. Basta encontrar tons pastel das cores desejadas, ou ousar na cor em pequenos objetos decorativos, já que eles não têm tanta interferência direta na sensação de calor ou frio.

Faça um jardim

Plantas ajudam a melhorar a sensação de calor. Sabendo disso, escolha as espécies que podem ser deixadas dentro de casa.

Um jardim de inverno pode ser uma boa opção. Apesar do nome, ele também ajuda a deixar a casa mais fresca — e bonita! — em todas as estações.

Invista em grandes janelas

Quanto maior for o tamanho das janelas, melhor será a ventilação de qualquer local da casa. Além disso, elas servirão como forma de iluminação natural durante a maior parte do dia, o que evita a necessidade de ligar lâmpadas constantemente (elas podem esquentar bastante um ambiente).

Lembre-se também de investir em espelhos, vasos, móveis e quaisquer objetos de decoração que tenham elementos em vidro, pois esse é um material refrescante.

Tome cuidado com a constituição dos móveis

O couro, a camurça e o veludo, por exemplo, acumulam calor e devem ser evitados. Caso não seja possível, sempre existe a possibilidade de cobrir o móvel com uma manta de material mais leve, como o algodão e o linho.

Depois de ler o nosso guia completo, você acredita que está pronto para adaptar os seus projetos com essa solução inovadora? Se você gostou do nosso artigo sobre climatização de ambientes, temos certeza de que também vai adorar conhecer algumas outras tendências de tecnologia na arquitetura.

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