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Chu Ming Silveira

O orelhão é a principal criação da arquiteta Chu Ming Silveira (Foto: Orelhão)

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Chu Ming Silveira: conheça a arquiteta que criou o orelhão

18/06/2021

A icônica cabine de telefones públicos brasileira foi criada por Chu Ming Silveira. Saiba mais sobre a vida e as obras da arquiteta!

Nos últimos anos, por conta do avanço da tecnologia e da popularização dos celulares, os orelhões andam um pouco sumidos das nossas cidades. Porém, até a década passada, era muito comum vermos essas peças projetadas por Chu Ming Silveira em qualquer esquina por que passássemos.

A arquiteta e designer sino-brasileira se destacou por criar o projeto para a proteção dos telefones públicos de nosso país. O orelhão fez com que Chu Ming se tornasse internacionalmente conhecida e trouxe popularidade para outras de suas obras.

Sem dúvida, ao desenvolver o orelhão, Chu Ming se tornou uma referência na arquitetura brasileira. Neste artigo, você saberá mais sobre essa grande profissional. Fique conosco!

A vida pessoal de Chu Ming Silveira

Ficha consular de entrada da família de Chu Ming no Brasil (Foto: Arquivo Nacional)

Chu Ming nasceu em Xangai, na China, em 4 de abril de 1941. Ela era filha de Chu Chen, um engenheiro civil chinês que serviu às forças armadas nacionalistas de Chiang Kai-shek.

Após os comunistas levarem vantagem na Guerra Civil Chinesa, o pai de Chu Ming passou a ser perseguido. Isso fez com que a família se mudasse de Xangai para Hong Kong, em 1949.

Quando Chu Ming estava prestes a completar 10 anos, a família decidiu se mudar para o Brasil. Eles partiram em uma viagem de navio que durou cerca de três meses. O desembarque foi no Rio de Janeiro, mas os chineses estabeleceram residência no bairro de Pinheiros, em São Paulo.

Quando se mudaram para o Brasil, os pais de Chu Ming se converteram para a religião católica e batizaram os filhos com nomes ocidentais. A alcunha escolhida para Chu Ming foi Verônica. No entanto, a jovem nunca a adotou.

Após concluir o Ensino Médio, Chu Ming ingressou na faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie. Ela concluiu o curso em 1964.

No mesmo ano, seus pais se mudaram para Manaus, onde fundaram um escritório de importação e exportação de artigos refinados da China. Chu Ming preferiu não acompanhar a família e ficou sozinha em São Paulo.

Em 1968, a arquiteta se casou com o engenheiro paulista Clóvis Silveira, adotando o sobrenome dele. Eles tiveram dois filhos: Djan e Alan, nascidos em 1971 e 1976, respectivamente.

Alan Chu, filho de Chu Ming e Clóvis Silveira, seguiu os passos da mãe e hoje atua como arquiteto em São Paulo.

Chu Ming Silveira faleceu ainda bastante jovem, em 1997, quando tinha 56 anos. A causa nunca foi relevada pela família da arquiteta.

A carreira profissional

Chu Ming Silveira
Chu Ming Silveira foi chefe do departamento de projetos da CTB (Foto: Orelhão)

Como vimos, Chu Ming Silveira se formou em Arquitetura pela Universidade Mackenzie, em 1964. Ainda enquanto estudante, realizou estágios na área, trabalhando em alguns escritórios de São Paulo.

Um ano após a formatura, em 1965, inaugurou o seu próprio escritório, em que desenvolvia diversos projetos na área de edificações. A carreira como empreendedora, no entanto, não durou muito tempo.

Em 1966, Chu Ming começou a trabalhar na Companhia Telefônica Brasileira (CTB), onde desenvolvia e supervisionava os projetos de centrais telefônicas e postos de serviços.

Dois anos depois, em 1968, foi promovida a chefe do departamento de projetos da CTB. Enquanto ocupava esse cargo, a arquiteta desenvolveu a sua obra mais famosa: o orelhão.

Em 1973, ela deixou a CTB e passou a trabalhar como arquiteta sênior na empresa Montreal Engenharia S.A. No mesmo ano, começou a desenvolver projetos para a Serete S.A. Engenharia.

Em 1978, Chu Ming decidiu dar novos rumos à carreira e começou a estudar e se dedicar ao Design e à Comunicação Visual.

Alguns anos depois, em 1987, voltou a ter o seu próprio escritório de arquitetura e design, desenvolvendo projetos de residências no litoral paulista.

Os principais projetos desenvolvidos por Chu Ming Silveira

Chu Ming Silveira se tornou uma grande referência e um nome reconhecido na arquitetura nacional. Veja, a seguir, alguns de seus principais projetos.

Orelhão

Chu Ming Silveira
Projeto da cabine telefônica criada por Chu Ming Silveira (Projeto: Chu Ming Silveira)

Em 1971, Chu Ming Silveira assumiu o desafio de criar um protetor para os telefones públicos instalados nas ruas das cidades brasileiras.

A ideia era que fosse criada uma cabine telefônica que reunisse funcionalidade, beleza e baixo custo.

Na época, o governo já tinha descartado produzir cabines como as tradicionais europeias, em que o usuário precisa entrar no espaço para usar o telefone.

Foi aí que Chu Ming teve a ideia de usar o formato do ovo — que, de acordo com ela, é simples e acusticamente eficiente para realizar as chamadas telefônicas.

Chu Ming Silveira
O orelhão tem a acústica necessária para dar privacidade às conversas do usuário (Foto: Gustavo Peres)

Foram criados dois modelos de cabine telefônica, batizados como Chu I e Chu II, em homenagem à arquiteta.

O primeiro deles era feito em acrílico laranja e instalado em locais fechados, como estabelecimentos comerciais e repartições públicas.

O Chu II, por sua vez, tinha modelos nas cores laranja e azul, fabricados com fibra de vidro. Eles eram mais resistentes ao sol e à chuva, ou seja, ideais para os ambientes externos.

As primeiras cidades brasileiras a receberem o Chu I e o Chu II foram Rio de Janeiro e São Paulo, nos dias 20 e 25 de janeiro de 1972.

Na época, o famoso poeta Carlos Drummond de Andrade dedicou uma das crônicas que escrevia no Jornal do Brasil para enaltecer a novidade:

“De repente — notaram? — a rua melhorou em São Paulo, com o aparecimento do telefone-capacete. […] A verdade é que a rua ficou sendo outra coisa, com as pessoas descobrindo que não precisam mais fazer fila no boteco ou na farmácia para dar um recado telefônico.”

Logo nos primeiros meses de uso, a população começou a chamar a invenção de “orelhão”, pela forma similar a uma orelha.

Grandes campanhas foram lançadas conforme o invento chegava em novas localidades, como em 1982, quando a Telesp inaugurou o primeiro orelhão comunitário na favela da Vila Prudente, em São Paulo.

O orelhão se tornou um sucesso e democratizou o acesso à telefonia. Afinal, mesmo que um cidadão não tivesse dinheiro para instalar uma linha telefônica em casa, podia comprar fichas (e mais tarde cartões) para usar o telefone público e se comunicar com quem desejasse.

Atualmente são poucos os orelhões encontrados nas ruas. A evolução da telefonia móvel e os novos meios de comunicação, como a internet, fizeram com que ele perdesse a função. Mesmo assim, o item ficou registrado na história e na memória afetiva do povo brasileiro.

Banca de flores e banca de jornais de São Paulo

Chu Ming Silveira
Na década de 1970, Chu Ming Silveira desenvolveu projetos para a Prefeitura de São Paulo (Projeto: Chu Ming Silveira)

Com o sucesso do orelhão, a Prefeitura de São Paulo contratou Chu Ming Silveira em 1974 para criar projetos de bancas de jornais e bancas de flores para a capital paulista.

Na época, o ex-prefeito Miguel Colasuonno estava desenvolvendo um projeto de modernização para as ruas de São Paulo.

A ideia era criar bancas de fibras de vidro — mesmo material do orelhão — que combinassem funcionalidade e estética.

Casa 658

Chu Ming Silveira
A Casa 658 funciona hoje como uma pousada em Ilhabela (Foto: Viagens por Aí)

Chu Ming Silveira também ficou bastante conhecida por desenvolver projetos em Ilhabela, cidade localizada no litoral de São Paulo. Ela definia o estilo dessas obras como “pós-caiçara”.

As casas têm uma arquitetura simples e usam técnicas que remetem aos povos indígenas e aos princípios do Feng Shui.

Entre as edificações mais famosas está a Casa 658, onde a arquiteta viveu por alguns anos com a família.

Após alguns anos desocupado, o imóvel foi adquirido por um casal em 2014. Hoje, os proprietários mantêm uma pequena pousada no local, recebendo hóspedes na casa projetada pela arquiteta do orelhão.

Certamente, Chui Ming Silveira entrou para a história da arquitetura brasileira, pois desenvolveu uma das peças mais icônicas que já marcaram presença em nossas ruas.

Chu Ming Silveira
Chu Ming Silveira (Foto: Orelhão)

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