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A trajetória e as novidades da arquitetura 2020 por Celso Rayol, autor de grandes obras brasileiras

05/02/2020

São 33 anos de arquitetura, com portfólio vasto, incluindo projetos premiados e reconhecidos internacionalmente, como o Sorocaba 112. Conheça a vida e obras de Celso Rayol, atual gestor da AsBEA/RJ e sócio do Cité Arquitetura, e ainda sua avaliação sobre o mercado da arquitetura brasileira.

Celso Rayol tem muita história para contar e grandes obras brasileiras a descrever. De forma eloquente,  como numa linha do tempo, ele fala com exclusividade ao Archtrends Portobello toda a sua trajetória e enfatiza seus principais e mais novos projetos, como a reforma do Downtown Center, Highlight Jardim Botafogo, Almirante Barroso, exposição durante a Bienal de Veneza, além de citar parceiros que trilharam, juntos a ele, o caminho para importantes realizações na arquitetura brasileira; confira!

Sua profissão inicia-se ao sair da sua terra natal, Volta Redonda (RJ), com 17 anos. Sua irmã conseguiu influenciá-lo na escolha do curso, pois estava com dúvidas entre Belas Artes e Arquitetura. “Como ela me mostrava os seus trabalhos arquitetônicos, foi um forte motivo para eu seguir essa carreira também”, conta. Formou-se então na Universidade Santa Úrsula, na capital do Rio de Janeiro. Por lá, teve como mentor o professor Mauro Nogueira, considerado um braço direito do ex-prefeito do Rio e também arquiteto, Luiz Paulo Conde. “Mauro influenciou, além de mim, uma turma de colegas arquitetos a estagiar no escritório de Luiz Paulo Conde, que foi um personagem muito importante na arquitetura carioca”, relembra.

Ao passar dos anos, Celso avança sua carreira no escritório do Conde. De estagiário ele passa a Diretor Geral, e permanece por 25 anos. Segundo ele, foi uma trajetória longa que valeu pela experiência principalmente por aprender a criar grandes obras brasileiras. O escritório tinha várias escalas dentro do projeto e Celso, com o tempo, conseguiu participar de todos: do grupo que fazia urbanismo, dos interiores e dos residenciais e comerciais de grande porte, com destaque para o condomínio Alfa Barra, um dos primeiros em que participou. E foi assim que ele aprendeu as dinâmicas que compõem a execução de um projeto de grande porte.

grandes obras brasileiras

Celso Rayol e seu sócio Fernando Costa comandam o Cité Arquitetura (foto: arquivo pessoal)

“A possibilidade de fazer projetos complexos multifuncionais ou edifícios residenciais de vários pavimentos somente acontece em um grande escritório. Atuar no Conde foi muito importante para entender como projetar, a forma de cobrar, de gerenciar uma equipe – cheguei a coordenar 125 arquitetos! Também tive a capacidade de desenvolver projetos não só no Rio de Janeiro, mas em outras cidades brasileiras”, frisa.

Quando o arquiteto Luiz Conde sai para atuar como prefeito do Rio, seu filho, o administrador de empresas Marcelo Conde, acaba assumindo o escritório e elevando o foco no mercado imobiliário. Nesse momento aconteceu uma ampliação das escalas de projeto, de acordo com Rayol. Assim, em 2007,  em Salvador (BA), Celso tornou-se um dos responsáveis por fazer o Le Parc, um dos maiores empreendimentos residenciais do Brasil, formado por 18 torres. “Passar por essa experiência no Conde foi muito interessante e contribuiu muito para a minha carreira. Junto com esse amadurecimento também vieram outras qualidades, como a resistência, paciência, resiliência, entre outros (risos). Vejo muitas pessoas querendo fazer seu escritório logo, mas acho que passar por tudo isso foi necessário para ter uma carreira mais assertiva e focada.  Assim, há sete anos, construo o escritório Cité da melhor forma junto ao meu sócio Fernando Costa”.

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Le Parc é um das maiores empreendimentos residenciais do Brasil

Sorocaba 112, para Celso, é o projeto de maior referência do seu atual escritório de arquitetura Cité, por ser capaz de romper barreiras e de proporcionar ao mercado imobiliário visões mais especiais nas construções. O projeto foi escolhido entre os 150 edifícios mais importantes do mundo de 2017, pelo prêmio anual do ArchDaily, Building of the Year. “É um projeto pequeno em Botafogo (RJ), possui três apartamentos por andar, mas uma planta com muitas possibilidades de aberturas e ampliações e uma fachada que revelou um forte conceito por mostrar as diferenças das pessoas, de elas mesmas se verem no projeto e, ao mesmo tempo, dinamizá-lo a partir de sua customização”, explica.

Rayol se refere aos toldos fixados nas varandas de cada andar, funcionando como uma parede móvel. Segundo ele, uma ideia simples, mas muito potente, que foi muito bem interpretado por críticos internacionais, repercutindo em países como Japão, China, países de línguas espanholas, EUA, Canadá, Alemanha, entre outros. Sorocaba 112 também foi premiado pela AsBEA. “Chamamos o projeto de Cité 360, porque fizemos ele completamente, até a sua execução. Fizemos interiores, a programação visual, incentivando o uso de bicicletas. O mais interessante é que ficamos amigos do síndico, o primeiro morador desse nosso primeiro edifício. Ele adquiriu um respeito tão grande pelo local que faz questão de mantê-lo sempre íntegro. Isso é uma felicidade para um arquiteto! Não só ter executado muito bem seu trabalho, mas também ver a longevidade da sua obra e conquistar o respeito dos moradores. Isso não tem preço”, avalia Celso.

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Sorocaba 112, uma das primeiras obras do Cité Arquitetura, premiada pelo ArchDaily como a construção do ano

Grandes obras brasileiras

Celso destaca as fachadas ventiladas como um diferencial das construções de grande porte, por oferecer uma maior otimização de tempo e de materiais. “É uma supertecnologia que agora está cada vez mais acessível e bem interpretado pelos nossos clientes. Já fizemos alguns projetos com esse material, agora estamos utilizando em um retrofit no Rio de Janeiro com porcelanatos da Portobello (canal Engenharia)”, afirma.

Para ele, fazer grandes obras brasileiras é – também – sua grande satisfação. Ele exemplifica isso com o Downtown, emblemático projeto na Barra da Tijuca/RJ por ser o primeiro lifestyle center do Brasil, “um shopping a céu aberto”, como define. “No ano 2000, tive essa satisfação de realizar esse trabalho no escritório do Conde, junto a Mauro Nogueira e Marcos Sá. Foi um projeto sem aqueles clichês com ar condicionado, foi diferenciado, nós arriscamos! E foi um sucesso. Fizemos um lugar para se percorrer a pé, para vivenciar o bairro, o cruzamento de pessoas, simulando as ruas originais”, conta.

Agora, após 20 anos, o escritório Cité e arquitetos parceiros ganharam um grande desafio: refazer as fachadas do Downtown! “É um prazer muito grande trabalhar novamente no local. Estamos fazendo estudos para modernizar e sugerimos utilizar porcelanatos nas fachadas ventiladas pela facilidade e pela manutenção. Foi um sistema unânime para a reforma, principalmente pela simplificação de tempo e por preservar as lojas que estão funcionando”, ressalta Celso.

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Vista panorâmica de Downtown Center (foto: arquivo pessoal)

Para Rayol, diante do cenário econômico atual, as grandes obras brasileiras estão voltando. “Acabamos de fazer o maior empreendimento na zona sul do Rio de Janeiro, no final do ano passado, o Highlight, especificado com produtos Portobello (Arq Design Neve na fachada; embasamento com Superquadra Conhaque e Steel Concept; e jardineiras e sacadas com Basalto Off White). É um projeto que acaba sendo emblemático porque muda uma certa área do bairro Botafogo que estava esquecida. Seu nome vem justamente disso”, aponta. 

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Highlight Jardim Botafogo, com porcelanatos Portobello na fachada, possui vista para o Pão de Açúcar e Cristo Redentor (projeto: Cité Arquitetura)

E um outro grandioso projeto recém-concluído que ele faz questão de citar, localiza-se no centro da capital carioca, um retrofit que envolve a sustentabilidade no quesito de manutenção e recuperação dos edifícios. “Em vez de começar do zero, é interessante resgatar os milhares de edifícios abandonados pela cidade, essa reconversão é um grande ato de sustentabilidade”, completa. 

Almirante Barroso: projeto de recuperação de antigo edifício no centro do Rio de Janeiro (projeto: Cité Arquitetura)

Arquitetura em 2020

Vinte vinte será um grande ano, segundo Rayol, sobretudo por Rio de Janeiro se tornar a capital mundial da arquitetura e receber o congresso mundial do setor, o UIA2020RIO, no mês de julho. Um ano que, segundo ele, irá impulsionar sua maior atividade atualmente, que é promover a arquitetura carioca, por meio de uma exposição concomitante ao congresso, uma espécie de Casas AsBEA do Rio de Janeiro. “A arquitetura carioca tem feito um belíssimo trabalho através de grandes nomes como Rui Rezende, Raf, Cité, Gisele Taranto, Sergio Conde Caldas, Índio da Costa, Vicente Giffoni, entre tantos outros arquitetos, que fazem parte também do time que eu lidero, que é a AsBEA. Queremos aproveitar o momento para falar e mostrar os trabalhos de nossos grandes arquitetos nesse evento paralelo ao UIA”, afirma.

Sobre seus trabalhos para este ano, Celso adianta um pouquinho sobre o que está por vir, como um projeto a convite do Centro Cultural Europeu, em Veneza, que será realizado junto ao seu sócio Fernando Costa. “Será um trabalho que resume toda a nossa experiência  e nosso olhar sobre arquitetura, que hoje cada vez mais insere a arte e ações sociais dentro dela. Será uma exposição em um palácio, paralela à Bienal de Veneza. Vamos levar um Brasil com qualidades curatoriais para escolher materiais, com trabalhos manuais e tecnologias, algo que aqui se explora muito bem. Além de levar um olhar sensível, que podemos fazer grandes obras, e ainda assim prestar atenção nas pessoas, nossa equipe, e na nossa forma de trabalhar”, adianta.

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Celso Rayol, atual presidente da AsBEA/RJ (foto: arquivo pessoal)

Com 51 anos de idade, Celso Rayol faz uma análise do seu tempo de trabalho e os rumos da arquitetura atual. “O tempo passou. Mas passou muito bem, sempre tive muito medo de envelhecer na profissão, por isso me estimulei dando aula. Sou professor de Arquitetura e Design de Produto na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) e no decorrer do tempo acabei me envolvendo com muitos trabalhos diferentes, sempre ouvindo as pessoas e a minha equipe, que é mais jovem, para que pudesse estar diante de novos desafios”, comenta.

A arquitetura brasileira tomou mais impulso, na visão de Celso Rayol, com repercussão cada vez mais mundial, principalmente com a presença de nomes como Marcio Kogan, Isay Weinfeld e Thiago Bernardes. “Conseguimos trazer de novo os olhares para a nossa produção com os projetos de menor porte e também os de grande porte voltam a ter uma maior abrangência. Tudo está ligado aos avanços da economia”, define.

Para ele, o novo caminho da arquitetura é a que busca qualidade e criatividade. “Com a qualidade vai se esbarrando em outras questões, como os avanços da tecnologia, com a otimização dos trabalhos, como as fachadas ventiladas como já citei. Com a crise, tivemos que ser inovadores, houve uma intensificação de compartilhamento como os novos espaços coliving e coworkings, que acabaram criando novas temáticas de trabalho. A importância da sustentabilidade também está muito mais divulgada, com uma maior preocupação dos arquitetos nos materiais que utilizam em suas obras”, diz.

Nesse contexto, o arquiteto faz questão de enfatizar que acima de tudo as ações sociais nos rumos da arquitetura nacional devem ser ampliadas. “Não é só uma economia de água, são essenciais os trabalhos que envolvem o benefício das pessoas também. Nossa arquitetura tem o poder de transformá-las. É o nosso desafio, principalmente no Rio de Janeiro e em cidades brasileiras que prevalece forte diferença social. Não podemos nos eximir dessa responsabilidade”, conclui Celso Rayol.

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