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O que as casas na Islândia têm a dizer para os arquitetos?

23/07/2018

A arquitetura de um país guarda detalhes de diferentes períodos da história. Com um olhar atento, é possível identificar os costumes e até mesmo as dificuldades de um povo. Neste artigo, vamos mostrar as características das primeiras casas islandesas para que você entenda a evolução dos métodos construtivos. Venha conferir!

Um país que também é uma das maiores ilhas da Europa não poderia oferecer menos que paisagens deslumbrantes. De fato, quem visualiza as colinas, lagos e casas na Islândia percebe que se trata de uma região única no mundo — as constantes atividades vulcânicas e variações de temperatura criam cenários dignos de filmes de fantasia.

Foi no início do século IX que surgiram os primeiros assentamentos humanos na ilha, compostos por eremitas irlandeses que estavam fugindo dos vikings da Noruega.

Esses eram liderados por Ingólfur Arnarson e se estabeleceriam no local por volta do ano 874, exatamente onde seria erguida a atual capital do país, Reykjavik.

Nos 150 anos após a colonização, diversos grupos da região da Escandinávia chegariam à ilha. Esse fluxo de imigração desacelerou bastante a partir do ano 1000, até chegar à era moderna. Hoje, pode-se dizer que boa parte dos islandeses (mais de 330 mil) descende dos vários povos pioneiros.

Mas não dá para continuar contando a história de um lugar sem abordar os detalhes de sua arquitetura, concorda? Sabemos disso e preparamos um post especial para você! Acompanhe!

As primeiras casas na Islândia

O estilo inicial da arquitetura islandesa teve grande influência da cultura escandinava. As primeiras casas do país eram constituídas de gramado ou turfa (tapete verde), principal material utilizado na técnica construtiva introduzida pelos povos nórdicos.

Esse tipo de construção recebia uma fundação de pedras planas que servia de base para uma estrutura de madeira. Sobre o esqueleto da obra era apoiada a turfa, colocada em blocos e, muitas vezes, em duas ou mais camadas. O resultado era um refúgio completamente coberto por vegetação e integrado à paisagem.

Os pisos das casas de turfa eram feitos com pedra, terra ou madeira. O acesso acontecia a partir de uma única porta e se conectava ao centro por meio de um corredor.

A técnica de construir lares parcialmente enterrados proporcionava isolamento térmico superior ao dos materiais comuns, o que garantia um ambiente interno mais aquecido.

Curiosidades

Diferentemente de outros lugares, nos quais as construções com teto verde eram destinadas apenas a pessoas de baixa renda, a Islândia apresenta diversos exemplares cobertos por turfa. O estilo foi adotado por todas as classes econômicas e aplicado em vários tipos de edifícios, desde residências até igrejas e celeiros.

Trata-se de uma técnica única e considerada um belo exemplo de arquitetura vernacular. Por esse motivo o país pode, em breve, ter mais uma característica/manifestação cultural reconhecida pela Unesco. Hoje em dia, ele abriga dois sítios declarados Patrimônios Mundiais: o Parque Nacional Thingvellir e a Ilha Vulcânica Surtsey.

A evolução da Arquitetura Islandesa

A influência nórdica na arquitetura da Islândia se concentrou mais nas áreas rurais, ou seja, em lugares distantes das principais cidades e da capital. Atualmente, parte das casas de turfa são inabitadas, porém preservadas para fins históricos.

No século XVIII, o governo da Dinamarca implementou o desenvolvimento industrial na sociedade islandesa, e foi então que aumentou a quantidade de construções de pedra. Com o tempo, a técnica foi descontinuada por ser considerada de alto custo.

Na década de 1860 surgia um material que revolucionaria o modo de construir na ilha: o ferro corrugado. Muitas vezes empregado em obras de galpões e armazéns, foi considerado ideal para o clima local e passou a ser utilizado em diversos edifícios.

A estética do material foi aprimorada: as chapas eram encontradas em todas as cores e instaladas nas fachadas de modo que suas ondulações permanecessem no sentido vertical. Isso contribuiu para que Reykjavik se tornasse uma capital tão colorida.

Os incêndios

Na virada do século XX ocorreram incêndios em diversos lugares do país. Isso fez com que o uso da madeira em construções urbanas fosse proibido. Como alternativa ao material, o concreto passou a ser empregado em grande escala.

O funcionalismo na arquitetura islandesa foi incorporado por jovens arquitetos em 1930 e também teve influência no planejamento urbano. Em seguida veio a corrente modernista, mesmo período em que o país conquistou a independência em relação à Dinamarca.

Nessa época foram concebidos projetos com telhados baixos, janelas grandes, cores suaves e ambientes de plano aberto. Em meio ao surgimento de novos estilos, aumentava a preocupação com a preservação dos edifícios mais antigos.

Projeto de destaque

Nos últimos anos, projetos de maior escala foram propostos para a capital e também para Kópavogur — segunda maior cidade de lá. Muitos deles simbolizam a recuperação da arquitetura do país após a crise financeira de 2008.

Entre os destaques está o Harpa Concert Hall (Henning Larsen Architects), concluído em 2011. Como uma grande escultura de vidros côncavos e convexos, o edifício apresenta design angular e foi inspirado nas colunas de basalto do país. Já a parte interna intercala detalhes em preto e vermelho para remeter à lava das erupções vulcânicas.

Luz e transparência são elementos marcantes. No período da noite, feixes de LED nas cores azul, verde e vermelho são controlados individualmente para enfeitar as fachadas — um verdadeiro espetáculo! Cabe destacar que a revista Architectural Digest apontou o Harpa como um dos melhores edifícios do mundo. O projeto também ganhou o Prêmio Mies van der Rohe 2013.

A mensagem para os arquitetos

Os edifícios contemporâneos da Islândia seguem uma paleta básica que tem tudo a ver com a ilha do gelo e do fogo: a frieza do branco, a neutralidade do cinza e o mistério do preto.

Do outro lado está a variedade de cores das construções mais antigas, que se misturam aos tons neutros e azulados de paisagens com neve, mar, céu e lagos.

De fato, a arquitetura islandesa é uma combinação de estilos trabalhados em diferentes períodos da história. O que para muitos pode significar falta de tradição ou até mesmo de uma linguagem própria, talvez isso seja o que realmente faz da ilha um lugar tão charmoso e especial. Quem diria que uma certa desordem seria capaz de encantar dessa maneira?

Ao mesmo tempo em que encontram liberdade para compor obras contrastantes e explorar suas potencialidades, os islandeses valorizam muito as técnicas antigas, as tipologias regionais e os materiais locais.

Na terra com a terceira população mais feliz do mundo, toda edificação tem uma bela história para contar — seja ela uma simples casa de campo, seja uma sala de concerto planejada nos mínimos detalhes.

Islândia ao vivo e a cores

Em maio de 2018 o Coletivo Criativo levou 17 pessoas à capital da Islândia. O objetivo da iniciativa era buscar novas inspirações e multiplicar ensinamentos. Composto por designers e arquitetos de diversas regiões do Brasil, o grupo teve o acompanhamento da equipe de criação da Portobello e cumpriu o roteiro entre os dias 21 e 25.

As imagens e experiências obtidas durante a visita representam ótimas fontes de informações e podem servir como ponto de partida na criação de novos produtos. A boa notícia é que os depoimentos dos profissionais contando sobre a incrível viagem estão registrados na segunda e na terceira parte da matéria.

E aí, ficou com vontade de conhecer de perto as casas na Islândia? Esperamos que o artigo tenha sanado algumas dúvidas sobre a arquitetura do local e fornecido boas referências para seus projetos.

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3 Comentários

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  • Karin Christine Piatek Suliman Grudzinski says:

    Tenho assistido alguns seriados na Netflix e notei que na Escócia e na Islândia as portas abrem para fora… achei tão estranho e pouco prático que fiquei pensando se tem algum motivo especial… saberiam informar?
    Obrigada!

    • Portobello says:

      Tudo bem, Karin?
      Sobre esse assunto, recomendamos pesquisar em outras fontes. Mas que legal que nosso post causou essa reflexão. É uma grande motivação para nós.

      Até a próxima e continue nos acompanhando!
      Abraços,
      Equipe Archtrends

  • Silvia Bertelli says:

    Parabéns pelo artigo! Muito gostoso de ver 😉