Menu
Projetos e Obras
Busca

Casa das Rosas é um espaço dedicado à cultura literária brasileira. (Foto: Delma Paz)

Conteúdo Matérias

Casa das Rosas: o casarão que fica no coração da Avenida Paulista

17/11/2021

Construção da década de 1930 faz contraponto com prédios modernos de São Paulo. Conheça a história da Casa das Rosas e saiba como visitar.

A Casa das Rosas é um verdadeiro tesouro em meio a uma das vias mais movimentadas do Brasil: a Avenida Paulista, em São Paulo. 

A mansão de 1935 embeleza a cidade com seu estilo clássico francês e seu jardim de roseiras, inspirado no paisagismo do Palácio de Versalhes, na França. 

Atualmente, acolhe o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, um museu dedicado à cultura literária do nosso país. Com visitação gratuita, recebe cerca de 190 mil pessoas todos os anos. 

Além da importância cultural, carrega significado histórico e arquitetônico. É uma das poucas mansões que restou na Avenida Paulista e abriga a primeira biblioteca brasileira especializada em poesia. 

Saiba mais sobre a Casa das Rosas nas linhas a seguir!

Casarão antigo contrasta com prédios modernos em região movimentada de São Paulo
Casarão antigo contrasta com prédios modernos em região movimentada de São Paulo (Foto: Otavio Luis)

Casa das Rosas é construção do auge da plantação de café no Brasil 

A Casa das Rosas reflete a história e a cultura brasileira. Sua construção é da década de 1930, quando o país vivia o auge da cafeicultura.

Nesse período, a Avenida Paulista era tomada por mansões dos barões do café. 

Pouco tempo depois, com a chegada do comércio e da indústria, começou o processo de verticalização. Assim, os casarões foram dando espaço aos prédios que hoje dominam a região. 

Imagem de 1935 comprova boa conservação atual da Casa das Rosas
Imagem de 1935 comprova boa conservação atual da Casa das Rosas
(Foto: Hemeroteca – Arquivo Público do Estado de São Paulo

Até meados da década de 1980, a mansão foi residência de descendentes do arquiteto Ramos de Azevedo. 

Inclusive, a obra é do escritório Ramos de Azevedo, que já havia sido responsável por edifícios importantes na cidade, como o Theatro Municipal, a Pinacoteca do Estado e o Mercado Municipal.

Em 1985, quando foi ameaçada de demolição, a Casa das Rosas foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico (Condephaat). 

Nesse período, parte do terreno que dá acesso à Alameda Santos recebeu autorização para a construção de um novo prédio comercial. 

Então, o imóvel principal foi restaurado para abrigar um espaço cultural, inaugurado em 1991: a Casa das Rosas — Galeria Estadual de Arte. 

Assim, o local passou a receber exposições do acervo do governo estadual, com o objetivo de espalhar cultura pela cidade. 

Em quase 100 anos, restaurações mantêm características do casarão 

Desde a sua construção, a Casa das Rosas passou por algumas obras de reforma e restauração, o que mantém viva a memória da arquitetura de São Paulo

Além da já citada, que aconteceu no início dos anos 1990, houve outra importante que começou em 2003. 

A obra foi entregue em 2004 e marcou a transição para o nome atual: Casa das Rosas — Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. 

A homenagem é ao falecido poeta brasileiro homônimo. Seu acervo pessoal foi doado para a Secretaria da Cultura após a sua morte, em 2003. 

As peças passaram a compor a primeira biblioteca do país especializada em poesias, com mais de 20 mil títulos. 

Dessa forma, a Casa das Rosas começou a promover atividades com foco em poesia, como oficinas, debates e cursos, entre outras. 

Em 2013, passou por uma nova restauração para se manter funcional, mas sempre preservando suas características originais. 

Foram revistas questões técnicas, como instalações hidráulicas e eletrônicas, além da estrutura e das fundações.

Ainda foram reforçadas as capacidades da mansão no combate a incêndios e a acessibilidade de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. 

Vitral interno da Casa das Rosas segue preservado, assim como o restante do casarão
Vitral interno da Casa das Rosas segue preservado, assim como o restante do casarão (Foto: Janazamb

Em outubro de 2021, teve início mais uma reforma. Por isso, ela está fechada desde setembro de 2020 para visitas presenciais. A previsão é de que a obra dure 15 meses

O investimento no patrimônio está estimado em R$ 4,2 milhões. 

Desse total, 80% são do Fundo de Defesa de Direitos Difusos do Ministério da Justiça e 20% do Governo Estadual de São Paulo. 

O responsável pelo trabalho é o restaurador Antonio Sarasá. 

Mansão tem mais de 30 ambientes em materiais nobres 

A Casa das Rosas é uma verdadeira mansão. Para começar, o terreno tem 5.500 m². Já a construção conta com quatro pavimentos — térreo, andar superior, sótão e porão — distribuídos em 30 cômodos. 

Além de oito quartos, há salas, escritório, edícula, cozinha, copa e lavanderia. Na área externa, existe ainda uma varanda térrea. No terraço descoberto, elementos vazados decoram.

Mansão foi construída com materiais importados da Europa que são conservados até hoje
Mansão foi construída com materiais importados da Europa que são conservados até hoje (Foto: João Z)

Também chamam a atenção na Casa das Rosas os materiais usados. Todos foram importados da Europa e dão charme e elegância ao projeto. 

As escadas, tanto internas quanto externas, são de mármore de origem italiana. Já os vidros e os cristais são belgas. 

Outros materiais também vieram do continente europeu, como os canos de cobre e as louças dos banheiros e da cozinha. No telhado, destaque para a ardósia com águas inclinadas. 

Até mesmo o prédio comercial construído posteriormente respeita as características originais da Casa das Rosas. Essa construção fica na parte de trás do terreno. 

Ou seja, tudo está conservado e pode ser apreciado pelos visitantes. 

A exceção é o mobiliário, que não foi preservado, uma vez que o espaço é destinado a atividades culturais. 

Casa das Rosas é dedicada à literatura, poesia e cultura 

Atualmente, o espaço está aberto ao público. Como vimos, ele recebe exposições, oficinas, cursos e outras manifestações culturais voltadas, principalmente, para a literatura e a poesia. 

Esse é um museu brasileiro da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. Sua administração fica sob responsabilidade da Poiesis, Organização Social de Cultura. 

Roseiras carregadas dão vida ao jardim na entrada da mansão
Roseiras carregadas dão vida ao jardim na entrada da mansão (Foto: Nancy Keiko

Como visitar 

  • endereço: Avenida Paulista, 27 — Bela Vista, São Paulo (SP);
  • funcionamento: de terça-feira a sábado, das 10 às 22h. Domingos e feriados, das 10 às 18h, de acordo com a programação;
  • como chegar: de metrô (estação Brigadeiro, Linha Verde), por meio de diversas linhas de ônibus, de transporte particular (há estacionamento próximo) ou de bicicleta (o bicicletário está fechado devido à obra);
  • entrada: gratuita. 

Como o local está sujeito a lotação, o ideal é chegar com antecedência, especialmente quando houver algum evento pelo qual você tenha interesse. 

O ingresso deve ser retirado na bilheteria. Já para participar de cursos e oficinas, a inscrição precisa ser feita na recepção da Casa das Rosas. 

Devido à reforma, a instituição segue com programações online, além de mostras e intervenções em seu jardim.

A agenda da Casa das Rosas conta ainda com atividades que acontecem no seu entorno e em outros espaços da Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo. 

O local aceita animais de estimação com coleira na área do jardim. Também tem Wi-Fi, o que incentiva estudantes e trabalhadores a aproveitarem as instalações.

Sem dúvida, a Casa das Rosas é uma verdadeira relíquia no coração de São Paulo. Um espaço propício para manifestações artísticas e poéticas que merece a visitação. 

Para quem mora ou está de passagem pela cidade, há outros locais interessantes para conferir, como o Museu da Língua Portuguesa. Conheça a sua história e saiba como visitar! 

Foto de destaque: Casa das Rosas é um espaço dedicado à cultura literária brasileira. Construção tem grande significado para história e arquitetura (Foto: Delma Paz)

3 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *