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Fique por dentro da primeira capela do Vaticano criada para a Bienal de Veneza

Conteúdo Arquitetura

Fique por dentro da primeira capela do Vaticano criada para a Bienal de Veneza

08/03/2019

Em 2018, um pavilhão em particular colocou a Bienal de Arquitetura de Veneza na História: 10 arquitetos foram convidados para construir, cada um, uma capela do Vaticano na pequena ilha de San Giorgio Maggiore.

O projeto capela do Vaticano entrou para a história por um motivo bastante claro: foi a primeira vez que o Vaticano montou um pavilhão na maior exposição de arquitetura do mundo. Intitulado de Pavilhão da Santa Sé, o conceito teve como curador o Professor Francisco Dal Co e foi um dos principais sucessos da exposição, não só pela importância histórica, como também pela qualidade das obras apresentadas.

Uma das que mais chamou a atenção foi a capela construída pelo escritório inglês Foster + Partners, do arquiteto Norman Foster. Quer saber por quê? Então, continue lendo!

Como foi construída a capela do Vaticano pela Foster + Partners?

Capela do Vaticano

Capela do Vaticano | Katy Harris / Divulgação

O projeto da capela do Vaticano elaborado pela Foster + Partners surpreende pela beleza, elegância e também pela tecnologia envolvida no projeto. A construção é composta por três cruzes enormes e simbólicas, protegidas por uma transenna de madeira. Essa é, aliás, a primeira grande característica da obra: a reimaginação do reticulado (termo em Portugal para a transenna) muito usado na arquitetura eclesiástica.

A transenna é uma espécie de placa composta por diferentes materiais, trabalhada com motivos ornamentais e que servia como divisórias em igrejas. Ela foi muito usada na arquitetura clássica e é uma espécie de avó do nosso cobogó e do elemento vazado.

O que o projeto da Foster + Partners faz é reimaginar a transenna e aumentá-la de tamanho e função, criando uma espécie de manto protetor de madeira, em elemento vazado, ao redor das três cruzes que formam a estrutura principal da capela.

O resultado visual da proposta é impressionante. A capela impressiona a quem olhar, conseguindo ser uma construção fisicamente imponente, mas, ao mesmo tempo, muito etérea. Se observarmos com atenção, a estrutura do projeto praticamente não existe: são ripas de madeira montadas em elemento vazado. O teto é aberto, as laterais são abertas e temos a impressão de ver apenas um esqueleto de algo. Ao mesmo tempo, a edificação é arrebatadora e com volume quase palpável.

Pelas palavras do arquiteto-chefe do projeto, a ideia era exatamente essa. Norman Foster, o fundador da firma de arquitetura que assina o projeto, comentou que teve a ideia para a obra quando passeava pela ilha de San Giorgio Maggiore.

“Eu encontrei um lugar com duas árvores antigas emoldurando brilhantemente a vista para a lagoa. Foi como achar um oásis naquele enorme jardim, um lugar perfeito para a contemplação”, conta.

Essa visão inspirou o projeto da capela, fundindo a natureza local com a função contemplativa do templo:

“Nosso objetivo era criar um espaço pequeno, com uma sombra difusa e manchada, retirado da normalidade dos pedestres e focado na água e no céu além. Um verdadeiro santuário”, explica Norman Foster.

Para alcançar esse efeito, além da madeira em elemento vazado protegendo as cruzes (que oferece a sombra manchada para os visitantes), o projeto ainda conta com uma rampa que guia as pessoas até o seu altar aberto e direcionado para a natureza, com as duas árvores emoldurando a lagoa que Foster citou.

O problema enfrentado pela equipe que trabalhou no projeto foi que, para criar esse aspecto contemplativo para a obra, eles sofreriam com uma fragilidade estrutural. Para superar esse obstáculo, a Foster + Partners fechou uma parceria com a empresa italiana Tecno para montar uma solução criativa e tecnológica para essa questão.

A rampa que conduz os visitantes pela capela é composta por duas camadas: a primeira, um revestimento que forma um deck de madeira; a segunda, uma base de aço que dá sustentação para uma estrutura de tensegridade apoiada por cabos de aço de protensão e pequenas seções circulares vazadas.

Por causa disso, todas as ripas e mastros da capela estão separados um dos outros, mas ainda estruturalmente estáveis. Na prática, a estrutura ainda é vazada, deixa o ar entrar e cria uma sombra incrível para o seu interior, tudo isso mantendo a resistência contra ventos horizontais ou a pressão vertical da gravidade.

Um último detalhe que incrementa o trabalho dos arquitetos desse projeto é a compreensão que as capelas são edifícios aprimorados pelo passar dos anos. Melhor dizendo: são templos do tempo. Ou seja: são construções que duram por séculos e ganham mais significados e camadas de conteúdos no processo.

Capela do Vaticano

Capela do Vaticano | Katy Harris / Divulgação

Essa capela do Vaticano na Bienal de Arquitetura de Viena foi pensada para ter esse efeito também. Uma das ações dos responsáveis pela obra foi plantar vinhas de jasmim ao redor da estrutura protetora da construção. Com os anos, essas vinhas crescerão e dominarão todas as ripas e a capela inteira, não só oferecendo mais sombra e mesclando o projeto com a natureza ao seu redor, como também oferecendo uma fragrância característica.

Para quem não sabe, o aroma do jasmim tem propriedades calmantes para os nervos do ser humano, ajudando a restaurar a energia, vitalidade, otimismo e a confiança de quem entra em contato com ele.

Como deu para ver, o projeto é completo e cada detalhe trabalha para construir um templo de contemplação e reflexão: a sombra e o volume interno da construção retiram a pessoa do mundo exterior; a rampa conduz o visitante até chegar ao altar de contemplação, com a vista para a lagoa emoldurada por duas árvores; o aroma do jasmim acalma e restaura a energia. Até a própria estrutura é montada para absorver e liberar a tensão da gravidade e dos ventos, em vez de combater e resistir a essas forças.

Como foram os outros projetos do pavilhão do Vaticano na Bienal?

Capela do Vaticano

Capela do Vaticano | Katy Harris / Divulgação

Esse projeto da Foster + Partners não foi o único escolhido para representar a primeira aparição do Vaticano na Bienal de Arquitetura de Veneza. Outras nove capelas também foram selecionadas, cada uma construída por uma equipe ou um arquiteto de um país diferente. Tem até uma obra brasileira!

O projeto da brasileira Carla Juaçaba foi um dos destaques de 2018 e segue um estilo minimalista, estruturado por quatro vigas de aço com oito metros cada. Elas são montadas em duas cruzes: uma que fica de pé, ao fundo, e outra deitada no chão (formando o único banco da construção). Como são parafusadas entre si, elas criam uma peça única e contínua.

Como são de aço polido, as vigas refletem o entorno de natureza ao redor da capela, criando um visual altamente delicado e integrado com o ambiente.

Além dela e da obra dos ingleses da Foster + Partners, também foram convidados os seguintes arquitetos para a exposição:

  • Javier Corvalán (Paraguai);
  • Flores & Prats (Espanha);
  • Eduardo Souto de Moura (Portugal);
  • Smiljan Radic (Chile);
  • Andrew Berman (Estados Unidos);
  • Francesco Celini (Itália);
  • Teronobu Fujimori (Japão);
  • Sean Godsell (Austrália).

Cada um desses talentosos profissionais recebeu a missão de criar uma capela do Vaticano para uma histórica Bienal da Arquitetura de Veneza em 2018. Cada projeto se destacou a sua própria maneira, mas todos ensinaram muita coisa sobre arquitetura e como combinar cada camada de uma obra para transmitir algo.

O que você achou desse projeto? Deixe-nos um comentário!

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