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Art Nouveau: leve esse estilo consagrado da arquitetura para o seu lar

31/08/2020

Saiba mais sobre o Art Nouveau: veja como esse movimento surgiu, quais são as suas principais características e como aplicá-lo na sua casa!

O Art Nouveau é um movimento vanguardista que surgiu na Europa no final do século XIX e que até hoje influencia diversos setores, como a moda, o cinema e, é claro, a arquitetura e o design de interiores. A ideia era quebrar com os padrões rígidos e as tradições impostas pela arte acadêmica.

Com discurso original, presença de formas orgânicas e estilo floreado, o Art Nouveau impactou permanentemente a arquitetura e é uma maneira incrível de transformar a sua casa. Quer entender mais sobre o assunto? Então, siga com a gente nessa viagem incrível!

Casa estúdio do vitralista Sterner, em Bruxelas, idealizada pelo arquiteto Ernest Delune e um exemplo clássico de Art Noveau (Foto: Xavax)

Casa estúdio do vitralista Sterner, em Bruxelas, idealizada pelo arquiteto Ernest Delune e um exemplo clássico de Art Noveau (Foto: Xavax)

 

Como surgiu o Art Nouveau?

O Art Nouveau surgiu na França, no século XIX, quando o mundo passava por uma grande transformação: a segunda revolução industrial. Ele durou de 1890 até 1920, quando foi substituído pela Art Déco. Foi inspirado no movimento inglês Arts and Crafts — baseado no trabalho artesanal criativo e coletivo, criando uma síntese entre indústria e arte.

Para compreendermos melhor o Art Nouveau, é essencial olharmos para a sociedade da época. Durante a segunda revolução industrial, a burguesia ganhava força e desejava ter um estilo arquitetônico e decorativo que demonstrasse essa sua influência.

Foi assim que nasceu o movimento, com artesãos e decoradores incorporando novos materiais e técnicas diferentes nas suas produções, com desenhos que aliassem as possibilidades trazidas pela industrialização.

Nesse sentido, não há mais distinção entre construção e decoração: os objetos são concebidos de forma ornamental, com todos os detalhes planejados de maneira minuciosa, elevando o trabalho artesanal à categoria de arte.

É por isso que móveis, objetos e demais itens que integravam os ambientes eram tratados com o mesmo grau de importância. Não era incomum, inclusive, encontrarmos profissionais influenciando até mesmo na apresentação pessoal dos seus clientes, desenhando para eles peças de roupas, joias e outros objetos pessoais.

Ilustrações

Além da arquitetura, as ilustrações no estilo Art Nouveau fizeram sucesso. A técnica da litografia colorida surgiu, inovando o setor e permitindo a produção em massa de cartazes muito característicos do movimento.

Cartaz publicitário F. Champenois Imprimeur-Éditeur, um exemplo de Art Nouveau aplicado às ilustrações (Arte: Alphonse Mucha)

Cartaz publicitário F. Champenois Imprimeur-Éditeur, um exemplo de Art Nouveau aplicado às ilustrações (Arte: Alphonse Mucha)

Nesses cartazes era notável a influência da arte japonesa, bidimensional e bastante popular na época, que usava cores chapadas, desenhos com contorno predominante e valorização do espaço vazio.

Um bom exemplo são as gravuras de Alphonse Mucha e também os quadros de Gustav Klimt, além dos vitrais de Louis Comfort Tiffany.

Quais são as principais características desse estilo?

A Arte Nova surgiu rompendo padrões. Por isso, as suas características são bem contrastantes com os períodos anteriores e com a arte clássica.

As proporções e os equilíbrios simétricos, por exemplo, foram substituídos por linhas mais curvilíneas, fluidas e floreadas, com uma clara inspiração nas formas orgânicas da natureza, como de folhas, flores e labaredas.

Aproveitando dos avanços trazidos pela industrialização, a arquitetura e o design desse movimento exploravam bastante a manipulação de materiais, especialmente o vidro e o ferro, elementos presentes nas criações dos principais nomes da época.

Não é difícil encontrar construções inspiradas no Art Nouveau. Com certeza, você já deve ter encontrado edifícios com linhas delicadas, curvas assimétricas e irregulares, mosaicos e muita mistura de materiais — como ferro, metal, madeira, pedrarias e vidro —, criando verdadeiras obras de arte arquitetônicas.

Para serem considerados exemplares de Art Nouveau, é essencial que as construções e os objetos tenham ainda alguns detalhes marcantes, como:

  • inspiração nos estilos barroco e rococó;
  • combinação de forma e função;
  • presença de vitrais e mosaicos;
  • design mais extravagante.

Quais são os principais expoentes e exemplares do Art Nouveau?

Quem já viajou à Espanha e vislumbrou alguns dos prédios incríveis de Antoni Gaudí pode ter notado o mais expressivo artista do movimento no país. Os destaques são o Parque Guell e a Casa Milá, em Barcelona, além da Catedral da Sagrada Família.

Detalhe da fachada da Casa Milá, em Barcelona, de Antoni Gaudí, conhecida popularmente como "La Pedrera" devido à sua arquitetura característica (Foto: Florencia Potter)

Detalhe da fachada da Casa Milá, em Barcelona, de Antoni Gaudí, conhecida popularmente como “La Pedrera” devido à sua arquitetura característica (Foto: Florencia Potter)

Aliás, a catedral conta com dois estilos: na parte inferior encontramos um ar mais gótico, pois ela começou a ser construída antes da chegada de Gaudí. Quando ele assumiu o projeto, ela passou a ganhar um estilo próximo ao do Art Nouveau, com a presença de detalhes e curvas.

Na Bélgica, dois importantes nomes foram Henry Van del Velde e Victor Horta. Van del Velde tinha como marca as curvas abstratas, com artes mais claras e simples. Já Horta tinha uma arquitetura moderna, transformando designs individualistas em símbolos culturais populares.

Detalhe do Jardim de Inverno do Hôtel van Eetvelde, de Victor Horta, em Bruxelas, com muitas curvas e detalhes orgânicos (Foto: EmDee)

Detalhe do Jardim de Inverno do Hôtel van Eetvelde, de Victor Horta, em Bruxelas, com muitas curvas e detalhes orgânicos (Foto: EmDee)

Samuel Bing foi um dos nomes importantes da França, especialmente no centro de Paris. Aliás, foi graças a ele que o movimento ganhou esse nome, pois ele era o proprietário de uma galeria chamada L’Art Nouveau.

Outro nome importante do movimento francês foi o de Emille Gallé, com um aspecto vegetal e floral presente na cidade de Nancy. A natureza era a principal inspiração do artista e, por isso, ele levava esses detalhes para objetos como vasos e luminárias.

Um dos principais marcos mundiais da Art Nouveau, contudo, fica em Budapeste: o hotel Gresham Palace. Ele conta com vitrais, ferragens e mosaicos muito marcantes, além de fascinantes linhas curvas, também presentes nos objetos decorativos. O resultado é uma construção extremamente luxuosa, com muitos detalhes que enchem os olhos.

Brasil

O Art Nouveau também desembarcou em terras brasileiras, logo no início da nossa República. Por aqui, o movimento ficou conhecido como “arte floreal” e não teve uma influência tão grande quanto na Europa. Mas existem também alguns expoentes importantes desse estilo.

Por exemplo, o Teatro Amazonas, projeto do Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa, e a estrutura metálica do Mercado Ver-o-Peso, em Belém, chamado carinhosamente pelos moradores da cidade de “Mercado de Ferro”.

Vista área do Teatro Amazonas, um dos principais exemplares do Art Nouveau no Brasil (Foto: Rafael Zart)

Vista área do Teatro Amazonas, um dos principais exemplares do Art Nouveau no Brasil (Foto: Rafael Zart)

Outros exemplos estão em Porto Alegre, graças às criações de Manoel Itaqui. Alguns dos destaques são o Observatório Astronômico, o Castelinho e os vários edifícios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Como usar o Art Nouveau em casa?

O movimento Art Nouveau foi extremamente importante porque abriu caminho para o design moderno. Mas será que atualmente é possível se inspirar nessas criações para decorar o interior das casas? É claro que sim!

Para isso, é preciso considerar as características que apresentamos ao longo deste artigo, principalmente a exploração de materiais como vidro, ferro, aço e madeira.

Uma ideia que é muito característica e pode ser facilmente assimilada nas residências é o uso dos vidros coloridos, que trazem charme aos ambientes e escondem a opacidade das paredes.

Nas paredes, prefira as cores clássicas do Art Nouveau, que são tons mais “apagados”, como os verdes, mostardas e marrons, combinados com vermelho, dourado, rosé, azul, branco e bege.

Se a sua casa tem mais de um pavimento, outra inspiração incrível é usar escadas curvas em madeira ou ferro, além de corrimãos em ferro, com várias curvas e ornamentos inspirados em flores e arabescos.

Escada da Casa Tussel, em Bruxelas, construída por Victor Horta, com detalhes curvilíneos inspirados na natureza (Foto: Henry Townsend)

Escada da Casa Tussel, em Bruxelas, construída por Victor Horta, com detalhes curvilíneos inspirados na natureza (Foto: Henry Townsend)

Outra possibilidade é usar papéis de parede com estampas florais, em tonalidades terrosas ou com detalhes em dourado.

Portas e janelas em forma de arcos também são muito características, assim como os gradis das varandas e das sacadas em ferro forjado, normalmente em prateado, preto ou dourado.

Para os estofados, use tecidos com estampas que lembrem a natureza, como flores e folhagens, em tons suaves e neutros.

Os ladrilhos ficam excelentes, especialmente aqueles que retratam elementos naturais. Por exemplo, as versões da Portobello, como o Superquadra Art, inspirado na Semana de Arte Moderna de 22, com movimento de tons e pontos impressos aleatoriamente pelo ferro da forma, que tornam as linhas orgânicas e os desenhos bem contemporâneos, e a linha Le Cementine, que faz uma releitura dos tradicionais ladrilhos hidráulicos, usando linhas mais limpas e contemporâneas.

Em geral, os ambientes baseados no Art Nouveau são ideais para pessoas com personalidades mais artísticas e dramáticas, que adoram itens mais exibicionistas, detestam o tédio e abominam a mesmice. Se você ama originalidade, certamente esse é o estilo ideal para a sua casa.

E o mais bacana é que não é complicado combinar o Art Nouveau com outros estilos decorativos, como o colonial, o neoclássico, o retrô, o vintage, o imperial e o inglês.

Mobiliário

Como explicamos, o Art Nouveau não se prendeu aos projetos arquitetônicos e construtivos: ele também se refletiu na criação de móveis e objetos decorativos. E você poderá usar esses detalhes para trazer um toque desse movimento para a sua casa.

O mobiliário característico desse estilo conta com linhas curvas, estruturais e orgânicas, com uma clara inspiração na natureza. Os tons usados são mais sóbrios, com cantos arredondados e detalhes talhados diretamente na madeira.

Mobiliário do Hotel Aubecq, em Bruxelas, desenhado por Victor Horta, com muita madeira e linhas curvilíneas (Foto: Sailko)

Mobiliário do Hotel Aubecq, em Bruxelas, desenhado por Victor Horta, com muita madeira e linhas curvilíneas (Foto: Sailko)

O ferro também pode estar presente, principalmente em locais inusitados, como nas mesas de cabeceira e nas cabeceiras propriamente ditas.

Além disso, você pode investir em:

  • luminárias, abajures e arandelas que misturam elementos como madeira, ferro e vidro;
  • cadeiras com encostos em formas naturais, como de folhas ou flores;
  • molduras de quadros ou espelhos que lembram galhos retorcidos;
  • penteadeiras cheias de curvas e desenhos rebuscados;
  • aparadores e mesas que imitam patas de animais;
  • jarras, tigelas e vasos de vidro colorido;
  • cristaleiras de vidro e madeira;
  • tapetes com arabescos.

Neste artigo, você aprendeu mais sobre o Art Nouveau, um importante movimento artístico que teve forte influência na arquitetura e no design de interiores. Basicamente, para reproduzi-lo na sua casa, é importante enfatizar as linhas curvas, as formas naturais e os materiais como ferro, madeira e vidro.

Gostou de saber mais sobre o Art Nouveau? Aproveite e veja as nossas dicas para decorar um apartamento alugado!

Foto de destaque: Estação Porte Dauphine do Metropolitano de Paris, um exemplo clássico da arquitetura Art Nouveau (Foto: Hector Guimard)

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