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Arquitetura renascentista: síntese do classicismo e do humanismo

22/01/2021

Conheça melhor a arquitetura renascentista. Saiba quais foram os seus principais nomes e entenda como se inspirar no período para os seus próximos projetos!

A arquitetura renascentista é aquela que compreende os séculos XIV e XVI, materializando-se durante o período do Renascimento europeu.

Desenvolvida inicialmente em Florença, por Filippo Brunelleschi, essa arquitetura tinha como princípios a simetria, a proporção, a geometria e a regularidade.

Com forte influência da arquitetura clássica, a renascentista é até hoje apreciada pelas suas belas colunas, pilastras, cúpulas hemisféricas e outros detalhes.

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Como nasceu a arquitetura renascentista?

Como mencionamos, a arquitetura renascentista nasceu em Florença, na Itália, durante o mesmo período do Renascimento no mundo das artes.

Rompendo com os padrões que reinaram na Europa durante a Idade Média, o Renascimento deu mais liberdade aos artistas e arquitetos, que se inspiraram bastante na arquitetura clássica, especialmente na arte greco-romana.

Porém, os arquitetos renascentistas enxergavam os elementos das antigas construções sob uma ótica diferente, reinterpretando o passado.

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Villa Capra, conhecida como La Rotonda, a mais famosa construção de Andrea Palladio, um dos expoentes da arquitetura renascentista (Foto: Hans A. Rosbach)

É por isso que a arquitetura renascentista é considerada por alguns como um rompimento da arte arquitetônica em inúmeros aspectos, especialmente considerando que os arquitetos desse período dedicaram um tempo extra às pesquisas, inovações, invenções e aos aperfeiçoamentos técnicos.

Os dois grandes pilares nos quais se assentam a arquitetura renascentista são o classicismo e o humanismo.

O primeiro buscava reviver o período clássico, sobretudo a arquitetura grega e romana. Já o segundo visava colocar o homem no centro de tudo, em oposição à visão da Igreja que predominou durante a Idade Média, se contraponto especialmente à arquitetura gótica.

Períodos

É possível dividir a arquitetura renascentista em três grandes períodos, que são:

  1. entre o século XIV e o início do século XV: nesse primeiro momento, a arquitetura pretendia ser mais classicista, porém sem o referencial teórico. O estudo da Antiguidade Clássica levou à adoção de detalhes e diferentes ornamentos;
  2. entre o século XV e o início do século XVI: é o que chamamos de Alta Renascença, com nomes como Leon Battista Alberti e Donato Bramante;
  3. século XVI: as características individuais dos arquitetos começam a se sobrepor ao estilo clássico, dando origem ao maneirismo. Grandes nomes dessa época são Giulio Romano, Andrea Palladio e Michelangelo.

Nos dois primeiros séculos de existência, o Renascimento foi um movimento praticamente restrito ao universo cultural italiano. Nesse período, no restante da Europa, ainda reinavam os estilos gótico e tardo-românico.

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A Queen’s House de 1616 é um exemplo da arquitetura renascentista tardia em outros países da Europa (Foto: Bill Bertram)

No seu auge, contudo, a estética clássica passou a ser difundida para outros países europeus. Como as formas de difusão foram diferentes para cada local, podemos perceber diferentes “arquiteturas renascentistas”. Ou seja, ainda que a produção desses lugares possa ser considerada renascentista, as suas características diferem.

Na arquitetura portuguesa, por exemplo, as formas clássicas se difundiram apenas por um período breve, logo sendo substituídas pela arquitetura manuelina, uma releitura dos estilos medievais que é considerada por alguns estudiosos como uma representante do Renascimento Português, ainda que ela tenha uma estética diferente do classicismo, podendo também ser inserida no estilo gótico tardio.

Quais são os princípios da arquitetura renascentista?

Apesar de coexistirem diferentes “arquiteturas renascentistas”, existem algumas características gerais que podem ser vistas no estilo.

Em relação às inspirações clássicas, muitas das releituras renascentistas divergem da forma como os antigos povos gregos e romanos organizavam as suas casas e cidades.

Um exemplo é o fato de na arquitetura renascentista não existirem modelos para os tipos de moradias, equipamentos esportivos enormes ou casas públicas de banhos — a exemplo das construções romanas.

Fachadas

As fachadas renascentistas são simétricas em torno do seu eixo vertical.

No caso das igrejas, é possível notar um frontão na parte superior e uma organização com pilastras, arcos e entablamentos, além de colunas e janelas com uma progressão em direção ao centro.

A Catedral de Pienza foi uma das primeiras a receber uma fachada tipicamente renascentista. O projeto é atribuído ao arquiteto florentino Bernardo Gambarelli, conhecido como Rossellino.

As casas, geralmente, eram encimadas por uma cornija. Há uma repetição regular de aberturas em cada andar, com a porta localizada no centro e marcada por um recurso como um ambiente rústico ou uma varanda.

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Fachada do Palazzo Rucellai, desenhado por Leon Battista Alberti, um exemplo clássico da arquitetura renascentista (Foto: Steven Zucker)

A fachada do Palazzo Rucellai é um exemplo inicial que foi bastante copiado. Situado em Florença, ele exibe várias das características da arquitetura renascentista.

Cúpulas

A cúpula é um recurso muito usado pelos arquitetos renascentistas.

O primeiro a lançar mão desse artifício foi Brunelleschi, na Basílica de Santa Maria del Fiore, seguido de Bramante, na Basílica de São Pedro.

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Interior da cúpula de Santa Maria del Fiore, com afresco de Giorgio Vasari e Federico Zuccari (Foto: Stefan Bauer)

Plantas

Os edifícios renascentistas tinham as suas plantas com uma aparência simétrica e quadrada, com as proporções geralmente baseadas em um módulo.

Colunas e pilastras

As colunas e pilastras passaram a ser usadas como um sistema integrado na arquitetura renascentista. O primeiro a realizar isso foi Brunelleschi na Velha Sacristia.

Todas as ordens da arquitetura grega foram usadas como inspirações para os projetos renascentistas. 

Por isso, vemos características das ordens jônica (colunas mais altas e com linhas esculpidas na sua superfície), dórica (simplicidade e ausência de base) e coríntia (mais elaborada, com a forma básica de um sino invertido).

Arcos e abóbadas

Os arcos aparecem em formas semicirculares ou segmentares, frequentemente dispostos em arcadas e suportados em pilares ou colunas com capitéis.

As abóbadas renascentistas não têm frisos e nem vigas, são semicirculares ou segmentares e em planta quadrada. Bem diferente da abóbada gótica, que era frequentemente retangular.

Portas e janelas

Geralmente, as portas contavam com lintéis quadrados e podiam estar inseridas em um arco ou encimadas por um frontão triangular ou segmentado.

As aberturas que não tinham portas geralmente eram arqueadas e contavam com uma grande pedra angular decorativa.

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Villa Farnesina, em Roma, um exemplo das janelas renascentistas (Foto: Orlando Paride)

As janelas, por sua vez, costumavam ser emparelhadas e definidas dentro de um arco semicircular. Também podiam contar com lintéis quadrados e frontões triangulares ou segmentados, usados alternadamente.

Paredes

As paredes dos edifícios renascentistas normalmente eram construídas em tijolo, mas eram torneadas ou revestidas com pedra em alvenaria de acabamento de cantaria altamente acabada, dispostas em trechos retos.

Os cantos eram enfatizados por cunhais rústicos e as paredes internas eram rebocadas suavemente e revestidas com lavagem de cal.

Nos espaços mais formais, as paredes internas eram decoradas com afrescos.

Quais são os principais arquitetos e os exemplares mais famosos desse período?

Cada período da arquitetura renascentista contou com um expoente diferente. Selecionamos alguns nomes essenciais da história do estilo. Confira.

Brunelleschi

Filippo Brunelleschi é considerado o “pai” da arquitetura renascentista. Também é um dos nomes mais importantes da primeira fase do Renascimento. A principal palavra para definir o trabalho dele é “ordem”.

A partir da observação sistemática da arquitetura romana, Brunelleschi começou a criar edifícios com um cuidado cada vez maior com a simetria e a proporção.

A primeira grande possibilidade do arquiteto de colocar em prática as suas ideias foi a enorme cúpula de tijolos que cobre o espaço central da Catedral de Florença, projetada por Arnolfo di Cambio no século XIV, mas deixada sem cobertura.

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Fachada da Igreja de Santo Spirito ou Santa Maria do Espírito Santo, projeto de Brunelleschi (Foto: Ettore Timi)

Embora esse seja considerado o primeiro prédio renascentista, Brunelleschi utilizou o arco gótico pontudo e as vigas góticas planejadas pelo antigo arquiteto.

No entanto, é possível notar que o domo foi fortemente influenciado pelo grande domo da Roma Antiga: a cúpula do Panteão.

O estilo de Brunelleschi, contudo, pode ser mais visivelmente notado nas igrejas de San Lorenzo e Santo Spirito, ambas em Florença e com a forma da cruz latina.

Alberti

Leon Battista Alberti tem nas suas obras um forte aspecto humanista, dando ênfase à anatomia da natureza. Os edifícios mais conhecidos dele são o Palazzo Rucellai e a Santa Maria Novella, ambos em Florença.

Para o palácio, Alberti aplicou as ordens clássicas de colunas e fachadas em três níveis.

Em Santa Maria Novella, o destaque vai para a decoração, principalmente em mármore policromado, com uma natureza bastante plana e uma ordem estabelecida com os compartimentos retangulares e os motivos circulares que repetem a forma redonda das janelas.

Bramante

Donato Bramante é um dos nomes importantes da Alta Renascença. E um dos principais exemplares do arquiteto é a adição de travessia e coro à Igreja da Abadia de Santa Maria delle Grazie, em Milão.

Outro grande feito de Bramante é o Tempietto, no claustro de San Pietro, considerado uma joia arquitetônica perfeita. O edifício adapta o estilo aparente das ruínas do Templo de Vesta, o local mais sagrado da Roma Antiga.

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Tempietto, considerado uma das obras-primas de Bramante (Foto: Torvindus)

Bramante trabalhou durante muitos anos no Vaticano e foi selecionado pelo papa Julio II para a reconstrução da Basílica de São Pedro.

Após a sua morte e inúmeras mudanças de planos, Michelangelo liderou o projeto como arquiteto-chefe e levou as suas ideias para algo próximo da proposta original de Bramante.

Michelangelo

Michelangelo Buonarroti é um dos arquitetos mais associado ao estilo maneirista.

Credita-se a ele a invenção da ordem colossal — uma ou mais pilastras que se estendem do piso ao topo de uma fachada atravessando pavimentos.

Michelangelo usou essa invenção no seu projeto para a Piazza del Campidoglio, em Roma.

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Biblioteca Laurenziana, projeto de Michelangelo que teve a sua construção iniciada em 1523 e terminada em 1525. O arquiteto não viu a sua conclusão (Foto: Richardfabi)

Além da arquitetura, Michelangelo tem o seu nome gravado nos campos da pintura e da escultura, com realizações que trouxeram mudanças significativas em cada área.

Entre as obras arquitetônicas, destaque para o interior da Biblioteca Laurenziana e a Basílica de São Pedro, sendo essa última considerada a maior criação do Renascimento.

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Fachada da Basílica de São Pedro, considerada uma das principais criações da arquitetura renascentista (Foto: Livio Andronico)

Como se inspirar na arquitetura renascentista para desenvolver projetos atuais?

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A inspiração renascentista fica excelente em fachadas, misturada com elementos modernos, conferindo identidade aos projetos (Projeto: Karen Mazzo)

A arquitetura renascentista é uma grande fonte de inspiração para muitos arquitetos atualmente. Algumas dicas para a inclusão dela em seus próximos projetos são:

  • fazer uma releitura de materiais muito usados na arquitetura renascentista, como os porcelanatos que recriam as texturas dos diferentes tipos de mármore;
  • apostar em peças de design modernas inspiradas em obras renascentistas, como luminárias e lustres em formato de domo;
  • preocupar-se com o equilíbrio geométrico e garantir uma rigorosa simetria na distribuição dos volumes;
  • ter perspectiva espacial, com diferentes linhas convergindo para um só ponto;
  • usar frontão, pilastras e arcos decorativos nas fachadas;
  • utilizar colunas com inspiração greco-romana.

Gostou de saber mais sobre a arquitetura renascentista? Então, aproveite e leia o nosso conteúdo comemorativo dos 600 anos da cúpula do duomo de Florença, uma das grandes obras de Brunelleschi.

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