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Arquitetura portuguesa: muito além dos azulejos decorativos

09/10/2020

Venha com a gente e faça uma viagem pela arquitetura portuguesa, entendendo os principais estilos, nomes e expoentes do país!

A arquitetura portuguesa está marcada em nosso país. Ao percorrermos as ruas de cidades históricas ou visitarmos igrejas de séculos passados, podemos entender um pouco sobre as origens, os estilos e os materiais portugueses, ao menos durante os séculos em que fomos colonizados.

Entre os itens mais famosos da “terrinha”, sem dúvida está o azulejo português. Porém, além dele, Portugal conta com uma arquitetura rica e variada, recheada de elementos incríveis. Quer saber mais? Embarque conosco nessa descoberta!

A história da arquitetura portuguesa e os principais períodos

Portugal é um país extremamente antigo — o seu território já era ocupado desde o segundo milênio antes do nascimento de Cristo.

E, desde essa época, os homens se dedicavam a construir moradias, templos e outros espaços da vida cotidiana.

Vamos ver alguns dos principais períodos que marcam a arquitetura portuguesa para entender melhor essa carga histórica da qual estamos falando.

Período megalítico

Os primeiros exemplares arquitetônicos em Portugal datam do período Neolítico e são construções associadas à cultura megalítica.

A região do Alentejo é particularmente rica em monumentos desse período, como a Anta Grande do Zambujeiro e o Cromeleque dos Almendres, ambos próximos de Évora.

Cromeleque dos Almendres, um dos expoentes do período megalítico português (Foto: João Carvalho)

Cromeleque dos Almendres, um dos expoentes do período megalítico português (Foto: João Carvalho)

Período celta

A partir do século VI a.C., o noroeste português, junto da vizinha Galiza (na Espanha), assistiram ao desenvolvimento da cultura celta castreja.

A região foi pontilhada com aldeias que continuaram a existir mesmo sob a dominação romana.

Alguns sítios arqueológicos notáveis são a Citânia de Sanfins (perto de Paços de Ferreira), a Citânia de Briteiros (perto de Guimarães) e a Cividade de Terroso (perto da Póvoa do Varzim).

Período romano

A partir do século II a.C., com a chegada dos romanos ao território português, a arquitetura passa a se desenvolver sobremaneira.

Foi nessa época que a Península Ibérica passou a ser chamada de Hispania. As povoações conquistadas foram modernizadas de acordo com os modelos romanos, com a construção de ruas, teatros, templos, aquedutos, banhos, um fórum e outros edifícios públicos.

Os vestígios mais bem preservados estão em Conimbriga, próxima de Coimbra, com escavações que revelam muralhas, fórum, banhos, um aqueduto, um anfiteatro e casas para a classe média, além de luxuosas mansões, com pátios centrais decorados com mosaicos.

Período mouro

A presença dos mouros influenciou fortemente a arquitetura portuguesa, especialmente no sul do país, onde a reconquista só foi concluída em 1249.

No entanto, ao contrário da vizinha Espanha, poucos edifícios islâmicos sobreviveram em Portugal.

Detalhe da entrada do Castelo de Silves, no Algarve, um dos exemplares mais bem preservados do período mouro (Foto: Lacobrigo)

Detalhe da entrada do Castelo de Silves, no Algarve, um dos exemplares mais bem preservados do período mouro (Foto: Lacobrigo)

Ainda que muitos dos castelos portugueses tenham se originado no período mouro, a maioria foi amplamente remodelada após a reconquista cristã.

Um dos mais bem preservados é o Castelo de Silves, em Silves, onde hoje é o Algarve. Outro, também no Algarve, é o Castelo de Paderne, além do Castelo dos Mouros de Sintra, perto de Lisboa.

Estilo românico português

O estilo foi introduzido em Portugal entre o final do século XI e o início do século XII. Os principais monumentos desse período são a Sé de Braga e o Mosteiro de Rates.

Nesse período chamado de reconquista, quando os cristãos tomaram de volta o território português, os castelos também passaram por reconstruções e modificações, principalmente para proteger as aldeias dos mouros e castelhanos.

Período gótico

A arquitetura gótica chegou a Portugal pela Ordem de Cister. A primeira construção portuguesa totalmente gótica é a igreja do Mosteiro de Alcobaça.

Depois dela, o estilo gótico se disseminou pelo território, principalmente por ordens mendicantes, como os franciscanos, os agostinianos e os dominicanos.

Ao longo dos séculos XIII e XIV, inúmeros conventos foram fundados em centros urbanos, além de várias catedrais e igrejas.

Vista lateral do Mosteiro da Batalha, mandado edificar por Dom João I em agradecimento à Virgem Maria pela vitória na batalha de Aljubarrota (Foto: Georges Jansoone)

Vista lateral do Mosteiro da Batalha, mandado edificar por Dom João I em agradecimento à Virgem Maria pela vitória na batalha de Aljubarrota (Foto: Georges Jansoone)

No século XV, a construção do Mosteiro da Batalha, patrocinada por Dom João I, deu origem à renovação do estilo gótico português, nascendo o gótico flamboyant e o gótico mudéjar.

Durante essa época, vários castelos foram reconstruídos ou reforçados, especialmente ao longo da fronteira com o Reino de Castela.

Os castelos góticos tinham plantas circulares ou semicirculares, torres poligonais e portões defendidos por torres de flanco.

Estilo manuelino

Também chamado de estilo gótico tardio português, marca as primeiras décadas do século XVI, incorporando elementos marítimos e representações dos descobrimentos trazidos das viagens de Vasco da Gama e Pedro Álvares de Cabral.

É um estilo inovador, que sintetiza aspectos da arquitetura gótica com influências do estilo plateresco espanhol, mudéjar, arquitetura urbana italiana e elementos flamengos.

Maneirismo

Entre 1580 e 1640, Portugal e Espanha se uniram. Desenvolveu-se um novo estilo chamado de “arquitetura chã” ou arquitetura simples.

Basicamente maneirista, esse estilo é marcado por estrutura clara, aparência robusta e superfícies lisas e planas, sem decorações excessivas. É uma ruptura total com o manuelino.

Esse estilo mais simplificado era justificado pelos recursos financeiros limitados da época, com igrejas menos impressionantes.

Como uma forma de resistir ao barroco, que já era o padrão na Espanha, os portugueses continuaram a aplicar esse estilo mais simples para expressar a sua identidade como povo.

Barroco

O barroco de Portugal tem uma linha do tempo diferente do restante da Europa. O ano de 1697 é o mais importante para a arquitetura portuguesa, porque é quando há a descoberta do ouro em Minas Gerais.

Foi por isso que o barroco português teve esplendor e riqueza durante o reinado de Dom João V, com construções impressionantes tanto em Portugal quanto no Brasil.

Fachada principal do Palácio Nacional de Mafra, um exemplo do barroco português (Foto: Wolfgang Pehlemann)

Fachada principal do Palácio Nacional de Mafra, um exemplo do barroco português (Foto: Wolfgang Pehlemann)

Alguns dos edifícios portugueses de destaque são: Paço da Ribeira, Capela Real, Palácio Nacional de Mafra e Aqueduto das Águas Livres, entre outros.

Foi também nessa época que as artes decorativas e os azulejos tiveram grande desenvolvimento.

Rococó

O rococó começou a adentrar Portugal pelo norte, enquanto Lisboa ainda mantinha a pompa do barroco.

É uma arquitetura que segue o gosto internacional, com contraste entre o granito escuro e as paredes brancas e uma decoração mais naturalista, além de elementos arquitetônicos esculturais.

Um dos principais exemplos é o Palácio do Raio, um edifício que mescla rococó e barroco.

Neoclássico

A chegada do neoclassicismo demorou um pouco mais, devido ao terremoto de 1755 em Lisboa. Foi por isso, também, que o estilo perdurou mais no país do que no restante da Europa.

Alguns destaques são: Palácio da Bolsa, Casa da Fábrica, Palácio das Carrancas, Palácio da Ajuda e Teatro Nacional de São Carlos, entre outros.

Outros estilos

Além desses, Portugal contou com:

  • estilo neo-manuelino: gótico tardio do final do século XVI e a principal expressão do romantismo português;
  • neo-mudéjar: arquitetura mourística que evoca a herança moura que floresceu no final do século XIX e início do século XX;
  • arquitetura do ferro fundido: teve início no último quarto do século XIX, com aspecto revolucionário em relação ao avanço técnico, à integridade estrutural e outros feitos de engenharia;
  • art nouveau: com curta duração na história portuguesa, sendo mais usado especialmente pela elite urbana, principalmente em Lisboa, Porto e Aveiro;
  • modernismo: uma das melhores escolas de arquitetura do mundo, a Escola do Porto, fica em Portugal, criando uma geração de arquitetos portugueses com obras notáveis e premiadas internacionalmente.

Os arquitetos portugueses mais famosos

Sem dúvida, Álvaro Siza é um dos nomes mais conhecidos da arquitetura portuguesa contemporânea. O trabalho dele é marcado por influências modernistas e minimalistas, baseado em um intenso diálogo com o ambiente e o entorno.

Auditório Manzana del Revellín, em Ceuta, na Espanha, assinado por Álvaro Siza, um dos maiores arquitetos portugueses de todos os tempos (Foto: Xemenendura)

Auditório Manzana del Revellín, em Ceuta, na Espanha, assinado por Álvaro Siza, um dos maiores arquitetos portugueses de todos os tempos (Foto: Xemenendura)

Outro ponto muito frequente em suas obras é o estilo expressionista, pois o artista sempre busca formas de demonstrar emoções.

Entre as suas obras mais importantes estão: o complexo de casas Schilderswijk West, em Haia; a Escola de Arquitetura, do Porto; a Faculdade de Ciências da Comunicação, na Espanha; o Centro Galiciano, de Santiago de Compostela; o Museu de Arte Moderna, na Espanha; e a nova sede da Fundação Iberê Camargo, no Brasil.

Siza foi premiado em 1992 com o prêmio Pritzker, considerado o Nobel da Arquitetura, e o prêmio Príncipe de Gales, de Harvard, entre outros.

Outros nomes importantes são Jorge Ferreira Chaves, Manuel Taínha, Fernando Távora, Eduardo Souto Mouro e Nuno Teotónio Pereira. A arquitetura portuguesa contemporânea é marcada pelo desconstrutivismo e minimalismo.

Os azulejos na arquitetura portuguesa

Quase tão característicos de Portugal quanto o bacalhau, os azulejos foram criados pelos árabes, com o nome de al-zulaicha, no século XV.

Em 1498, Dom Manuel I fez uma visita à Espanha e se encantou com os azulejos espanhóis. Então, ele decidiu importar o material e usá-lo da mesma maneira espanhola no Palácio Nacional de Sintra.

Foi nessa época que os portugueses passaram a usar a técnica majólica, originária da Itália, que consiste na pintura direta dos azulejos.

Detalhe da fachada em azulejos da Capela das Almas, no Porto, um típico exemplo da tradição da azulejaria portuguesa (Foto: Krzysztof Golik)

Detalhe da fachada em azulejos da Capela das Almas, no Porto, um típico exemplo da tradição da azulejaria portuguesa (Foto: Krzysztof Golik)

Inicialmente, os azulejos contavam com uma variedade de cores. Depois, com a influência holandesa, o azul passou a dominar.

Em Portugal, os azulejos são usados como revestimentos internos e externos, como em certas igrejas, edifícios públicos, palácios, estações de trem etc. A temática é variada, desde figuras geométricas até passagens da história portuguesa.

Os tipos mais comuns de azulejos portugueses são o enxaquetado, o padrão e o grotesco.

A influência da arquitetura portuguesa no Brasil

A influência da arquitetura portuguesa no nosso país é enorme, principalmente no que chamamos de arquitetura colonial brasileira, que vai de 1500 até 1822.

Essas construções refletem a influência portuguesa, com adaptações ao nosso clima e também aos materiais disponíveis por aqui.

Fachada da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, um exemplo da influência da arquitetura portuguesa no Brasil (Foto: Sarah and Iain)

Fachada da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, um exemplo da influência da arquitetura portuguesa no Brasil (Foto: Sarah and Iain)

Os exemplos mais duradouros são as igrejas e os monumentos presentes em Ouro Preto, Salvador, Paraty, Olinda e outras cidades históricas. O barroco e o rococó foram os estilos mais presentes no Brasil.

Entre as diversas heranças portuguesas estão, é claro, os azulejos pintados — uma forma importante de expressão artística que reproduz diferentes temas, desde mosaicos abstratos e florais até cenários e personagens históricos.

Como usar a arquitetura portuguesa em projetos atuais

Depois de ver toda essa história incrível da arquitetura portuguesa, deseja levar um pouco da “terrinha” para os seus projetos? Uma maneira de conseguir isso é com revestimentos que tragam a tradição da azulejaria portuguesa, como a linha Algarve, da Portobello.

O azul e branco dos azulejos pode ser composto em mix de desenhos ou com a repetição de um mesmo padrão (Foto: Portobello S.A.)

O azul e branco dos azulejos pode ser composto em mix de desenhos ou com a repetição de um mesmo padrão (Foto: Portobello S.A.)

Com as cores originais da azulejaria do sul de Portugal, a linha surpreende pela sofisticação despojada, com lindas formas contemporâneas. As peças de 20×20 cm contam com pinturas levemente degastadas, o tradicional azul e branco e um mix de desenhos que ajuda a criar espaços incríveis.

Aplicação da linha Algarve, da Portobello, trazendo um pouco da arquitetura portuguesa para projetos contemporâneos (Foto: Portobello S.A.)

Aplicação da linha Algarve, da Portobello, trazendo um pouco da arquitetura portuguesa para projetos contemporâneos (Foto: Portobello S.A.)

Outras linhas de azulejos decorativos da Portobello são a Athos Bulcão, uma edição comemorativa que une a tradição portuguesa e o modernismo brasileiro; a Azuleja, uma coleção que democratiza a azulejaria a partir de técnicas europeias; e a Le Cementine, uma releitura dos tradicionais ladrilhos hidráulicos com olhar multicultural.

Neste conteúdo, você aprendeu o quanto a arquitetura portuguesa é vasta e rica. Afinal, ela remonta desde o período neolítico, passando pelas principais transformações do mundo e chegando até nós por diferentes influências, especialmente pela nossa arquitetura colonial.

Gostou dessa viagem pela arquitetura portuguesa? Então, descubra mais sobre Portugal: veja o nosso artigo especial sobre Lisboa no passado, no presente e no futuro!

Foto de destaque: Igreja de São Vicente de Fora, um dos melhores exemplos do maneirismo português, um estilo que reafirmou a identidade portuguesa durante os anos de união com a Espanha (Foto: Smb1001)

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