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Ruínas em Tikal, na Guatemala, um dos maiores sítios arqueológicos maias (Foto: PxHere)

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Arquitetura maia: a dramaticidade das pirâmides escalonadas

09/06/2021

Os povos pré-colombianos são extremamente importantes para a história da humanidade. Conheça um pouco mais sobre a arquitetura maia!

Subestimados, os povos pré-colombianos — aqueles que viviam na América antes da chegada de Cristóvão Colombo — são parte muito importante da história da humanidade. Com poucos recursos, eles conseguiam desenvolver tecnologia e conhecimento suficientes para construções grandiosas. Um exemplo é a arquitetura maia, que construiu pirâmides e campos sem ao menos usar a roda.

Apesar de os europeus terem dominado boa parte do mundo ao longo dos séculos, eles não deveriam ser os únicos a constar nos livros de História. Conhecidos por seu mistério, os maias fascinam até hoje. No entanto, eles não sumiram — sua arquitetura e seus descendentes são provas vivas disso. Então, saiba mais sobre eles no nosso artigo de hoje!

A história da arquitetura maia

Templo de Tikal, na Guatemala
Templo de Tikal, na Guatemala (Foto: Mike Vondran)

Chamados de Gregos do Novo Mundo, os maias surgiram há milênios. E, apesar do “desaparecimento”, eles não deixaram de existir por completo.

Ao contrário do que se imagina, não há um povo maia, mas sim povos. Eles eram, na verdade, várias etnias com a mesma origem linguística e cultural.

A civilização maia tem origem na Mesoamérica, que compreende porções do sul do México, Guatemala, El Salvador, Belize e porções ocidentais de Nicarágua, Honduras e Costa Rica.

A Mesoamérica, aliás, foi uma região frutífera para o conhecimento e o desenvolvimento de diversas tecnologias ancestrais. De lá também saíram as outras duas mais importantes civilizações da América pré-colombiana: os incas e os astecas.

O povo maia tinha o mais sofisticado sistema de escrita da América pré-colombiana. Além disso, eles desenvolveram arte, matemática, contagem do tempo, astronomia e, claro, arquitetura.

No segundo milênio antes de Cristo, diversas populações agrícolas começaram a se reunir em centros para celebrar suas respectivas religiões e comercializar entre si. Foi assim que surgiram as primeiras cidades da região e, consequentemente, as etnias maias.

Por volta do século I d.C., essas cidades começaram a fazer comércio entre si e com regiões bem mais distantes, como Teotihuacan, no Vale do México, governada pelos olmecas. Muitos estudiosos acreditam que eles deram origem à organização política e arquitetura maia, já que essas estruturas eram claramente copiadas dos teotihuacanos.

Esses centros urbanos ou cidades-estados eram comandados por sacerdotes e guerreiros, mas sustentados pelos camponeses das aldeias. Eles pagavam tributos em alimentos e trabalhos. Os comerciantes também faziam parte da elite e controlavam o câmbio de jade, obsidiana e cacau.

Declínio

Ruína maia em Palenque, na Guatemala
Ruína maia em Palenque, na Guatemala (Foto: Tato Grasso)

Por volta de 800 d.C., muitas das mais importantes cidades-estados foram abandonadas gradativamente. Não há um motivo claro, mas diversas suposições sobre isso:

  • aumento populacional e falta de alimentos. A agricultura maia era feita com queimadas e rotação, que diminuíram a fertilidade do solo;
  • guerras entre as cidades e rebeliões populares por conta da fome;
  • a conquista de Chichén Itzá e Uxmal pelos guerreiros toltecas;
  • o fenômeno El Niño e o desmatamento das florestas;
  • o declínio de Teotihuacan.

Os maias se desenvolveram por volta de 2000 a.C. até 1697, com a invasão e tomada de Tayasal — capital de uma das últimas entidades políticas maias — pelos espanhóis.

Porém, diferentemente do que se acredita, os maias não foram dizimados, como ocorreu com outras civilizações. Eles já estavam em declínio antes da chegada dos espanhóis, mas apenas como estrutura cidade-estado, pois as aldeias continuaram a existir.

A língua maia ainda é falada por 6 a 7 milhões de descendentes espalhados pela América. No México, eles são a segunda maior etnia indígena existente, perdendo apenas para os nahuas, que deram origem a diversos povos, incluindo o asteca.

Em 2012, os maias voltaram a ser comentados por uma suposta previsão de fim do mundo, baseada em dois de seus monumentos, que falavam sobre o fim de uma era no dia 21 de dezembro do mesmo ano.

As características da arquitetura maia

Edifício nas ruínas de Uxmal, no México
Edifício nas ruínas de Uxmal, no México (Foto: Pedro Sánchez)

Um dos fatores mais curiosos da arquitetura maia é a falta de tecnologia para o desenvolvimento de suas construções. Os incas e os astecas, que tinham projetos de arquitetura e engenharia bem desenvolvidos, desfrutaram de algumas tecnologias.

Da mesma forma que os incas, os maias aparentemente desconheciam a roda ou não faziam questão do seu uso. Mas eles também não usavam roldanas ou ferramentas metalúrgicas — o que é curioso, já que, em um primeiro momento, esses recursos pareciam essenciais para construções de tamanha magnitude.

Os camponeses foram responsáveis pela base da arquitetura maia. Foram eles que construíram templos, palácios, pirâmides e estradas — símbolos do poder da elite. A grande vantagem é que todo o material usado era de fácil acesso. As pedras, por exemplo, eram todas locais. 

As principais obras da arquitetura maia

A arquitetura maia começou a fascinar o mundo em meados do século XIX, quando foi redescoberta pelos europeus. Mas foi a partir da década de 1960 que ela começou a ser desvendada. Vamos conhecer com mais detalhes algumas de suas principais obras.

Campo de jogo de bola

Detalhe do campo de jogo de bola mesoamericano em Chichén Itzá
Detalhe do campo de jogo de bola mesoamericano em Chichén Itzá (Foto: Kåre Thor Olsen)

Embora o futebol e o vôlei tenham sido criados no século XIX, os jogos com bola já existem há milhares de anos. Acredita-se, inclusive, que o próprio futebol tenha sido inventado por chineses em 2500 a.C.

Os povos mesoamericanos também tinham seu próprio jogo com bola — e a arquitetura maia retrata bem isso.

O jogo de bola mesoamericano, chamado poc-ta-tok, foi um esporte praticado ao longo de 3 mil anos durante o período pré-colombiano. Sua versão atualizada, a ulama, é jogada até hoje por alguns povos ameríndios.

A maioria dos campos tinha o formato de “I”: uma faixa central comprida e delimitada por paredes inclinadas ou com degraus. Essas delimitações eram rebocadas com estuque e pintadas com cores fortes. Provavelmente, era nelas que os espectadores se sentavam. Mas, para isso, havia uma estrutura para acomodá-los.

O tamanho era variado, mas a média era bem pequena: 36,5 por 9 m. Isso considerando que um campo de futebol tem entre 90 e 120 m de comprimento e 45 e 90 m de largura. No entanto, o maior dos campos de poc-ta-tok, localizado em Chichén Itzá, tem 168 por 70 m.

Além de servir para sediar partidas, o campo era palco para diversas atividades culturais da elite, como eventos de música e festivais.

Pirâmides

Templo de Kukulcán, em Chichén Itzá, sítio arqueológico em Yucatán, México
Templo de Kukulcán, em Chichén Itzá, sítio arqueológico em Yucatán, México (Foto: Alex Azabache)

As pirâmides escalonadas são símbolos da arquitetura maia. Elas serviam como base dos templos religiosos mais importantes. 

Como vimos, os maias não usavam rodas ou ferramentas metalúrgicas para construir, mesmo quando seus projetos arquitetônicos eram de grande magnitude. As pirâmides eram, na verdade, um reflexo do grande conhecimento matemático na arquitetura maia.

Uma mesma cidade poderia ter até 10 construções do tipo. Em Chichén Itzá, por exemplo, há o Templo de Kukulcán (também conhecido como El Castillo) e mais seis. No entanto, ainda existem outras, que estão destruídas e não foram estudadas.

As pirâmides eram feitas com pedras de calcário, que eram muito comuns na região. Por isso, podiam ser transportadas sem o auxílio de animais. Para fazer o transporte, acredita-se que os maias usavam troncos de madeira, que iam rolando de um ponto a outro com o auxílio de cordas.

Para colá-las, utilizava-se uma argamassa feita de calcário misturado com água. 

Chichén Itzá

Templo dos Guerreiros, em Chichén Itzá. As fileiras de colunas representam os guerreiros
Templo dos Guerreiros, em Chichén Itzá. As fileiras de colunas representam os guerreiros (Foto: Daniel Mennerich)

Cidade construída pelos maias durante o período clássico da América pré-colombiana, Chichén Itzá fica em Tinum, no estado de Yucatán.

A cidade era um importante polo e, por isso, traz importantes construções da arquitetura maia — incluindo o Templo de Kukulkán. Isso se dá porque, provavelmente, ela teve a maior diversidade de povos maias.

Outra hipótese é que Chichén Itzá foi a capital do reino tolteca. Com isso, houve uma junção dos estilos arquitetônicos dessas civilizações.

Em 1988, Chichén Itzá foi proclamada Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Aguada Fénix

Descoberta em 2020, Aguada Fénix é a maior ruína maia encontrada até hoje
Descoberta em 2020, Aguada Fénix é a maior ruína maia encontrada até hoje (Foto: Wikimedia Commons)

Pode parecer exagero dizer que os maias são misteriosos. No entanto, Aguada Fénix é a prova de que ainda há muito o que descobrir sobre essa civilização.

Descoberto em Tabasco, no sul do México, o sítio cerimonial Aguada Fénix é a maior e mais antiga ruína da arquitetura maia encontrada até hoje.

Com quase 1,4 km de comprimento e entre 9 e 15 m de altura, estima-se que Aguada Fénix foi construída entre 1000 e 800 a.C.

O mais curioso é que o monumento só foi encontrado em 2020. Além disso, afeta completamente o que se sabia até hoje sobre a civilização maia. 

De início, acreditava-se ser uma estrutura desenvolvida pela civilização olmeca. No entanto, não há esculturas exaltando a elite da época, o que mostra menos desigualdade social — uma característica maia.

Além do mais, Aguada Fénix é a prova da força do trabalho comunitário, muito comum entre os maias.

Esculturas maias encontradas em Palenque
Esculturas maias encontradas em Palenque (Foto: PxHere)

Ficou encantado com a arquitetura maia? Estudar história é entender como pensavam povos e culturas que até então eram entendidos como subdesenvolvidos. O estudo mostra que, na verdade, eles usavam da tecnologia e do conhecimento disponíveis na época para desenvolver incríveis obras.

Como vimos, os povos pré-colombianos usavam tecnologia arcaica para a construção de gigantescas estruturas. Um grande exemplo é a arquitetura asteca, que conseguiu atravessar o tempo e as guerras, mantendo-se grandiosa até hoje. Conheça!

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